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16 escritores refletem sobre o significado mágico de Michelle Obama

16 escritores refletem sobre o significado mágico de Michelle Obama

Em seu prefácio a The Meaning of Michelle (O significado de Michelle, em tradução livre), a cineasta Ava DuVernay descreve uma cena histórica. Como não poderia deixar de ser, quem está ao centro de seu relato é Michelle Obama, a primeira-dama que passou dois mandatos presidenciais ao lado de seu marido, o presidente Barack Obama, e de algumas maneiras o ultrapassou. No dia específico que DuVernay recordou, Michelle, de vestido vermelho de corte reto, estava visitando sua então futura residência pela primeira vez.

Por Katherine Brooks Do Brasil Post

“Discreta? Que nada! A imagem dela subindo os degraus da Casa Branca com confiança no andar foi transformadora”, escreve DuVernay. “Bastou sua escolha de roupa para essa irmã estelar levar uma lufada de ar fresco para o ambiente solene da residência mais famosa do mundo. […] Bastou aquela fotografia para Michelle infundir orgulho, verve e elegância à imagem da primeira-dama. Muitas de nós vimos uma mulher a ser admirada. Uma mulher em quem se podia confiar.”

“Apague isso”, ela acrescenta. “Muitas de nós vimos uma mulher negra a ser admirada. Uma mulher negra em quem se podia confiar. É isso.”

The Meaning of Michelle, editado por Veronica Chambers, autora de Mama’s Girl, é uma coletânea de contos dedicada ao legado da icônica primeira-dama. Com textos de Roxane Gay, Tanisha C. Ford, Marcus Samuelsson, Phillipa Soo, Rebecca Carroll, Sarah Lewis e outros, a ideia é que o livro seja um presente de despedida para Michelle, que vai deixar a Casa Branca semanas apenas após a publicação da obra, em janeiro. Os 16 autores dos textos cobrem desde justiça representativa até moda, passando por estereótipos de raça e casamento e pelo “poder declarado da negritude”.

Para muitos desses autores, Michelle Obama exerce uma atração tanto acadêmica quanto pessoal, algo que está tão intimamente ligado a identidades de mulher, maternidade, negritude e outras que sua influência raramente é descrita sem ser em termos de “nós”. Michelle nos emociona, nos provoca, nos lidera, nos confere coragem, escrevem muitos. As conquistas dela podem ser nossas conquistas, dizem muitos; ela é ao mesmo tempo singular e um reflexo da maré crescente de líderes mulheres. “Michelle!”, diz DuVernay. “Esse nome hoje encerra todo um mundo de significados.”

Como homenagem a Michelle, seguem trechos da coletânea escrita pelos 16 autores do livro editado por Chambers. Juntos, os textos compõem uma definição em constante evolução de Michelle Obama.

Veronica Chambers falando da intimidade de Michelle:

“Há uma intimidade com ela que sentimos desde o primeiro momento. A grande mídia parecia perplexa com a naturalidade política dela, a falta de afetação: será que ela vai topar essa coisa toda de ser mulher de político? Será que os Obamas querem muito a Presidência? Mas foi essa mesma falta de afetação e de postura de realeza que mostrou a nós, da comunidade negra, que ela era real, e foi isso que gerou nosso afeto por ela.”

Ela nos autorizou a sermos nós mesmos no palco nacional, a termos orgulho de nossa negritude, de nosso caráter real, de nossas origens humildes, de nossa característica ordinária, de nossa grandeza.

Benilde Little, falando do orgulho de Michelle:

“Michelle mexe conosco em um nível profundamente pessoal. Ela nos autorizou a sermos nós mesmos no palco nacional, a termos orgulho de nossa negritude, de nosso caráter real, de nossas origens humildes, de nossa característica ordinária, de nossa grandeza. Ela nos deu permissão de não sermos perfeitos e nem sequer termos isso como meta, porque ela é inteligente o suficiente para entender que a perfeição é uma prisão.”

Damon Young, falando da aceitação de Michelle:

“Acredito que a defesa de Michelle ajudou muitos de nós a reconhecer, aceitar, confrontar e procurar modificar algumas das ideias e dos sentimentos subconscientes mais desagradáveis e pouco elogiosos que tínhamos sobre nossa pele, nosso nariz, nossos olhos, nosso cabelo. Fico espantado com esse legado quando penso em crianças como minha sobrinha de 9 anos e meu sobrinho de 11.”

É mais fácil sermos corajosos em nossa era quando as possibilidades ganham vida como a que esse casal nos mostrou (Alicia Hall Moran)

Alicia Hall Moran (em conversa com Jason Moran), falando do lugar de Michelle na história:

“Ela realizou aquilo que nós, negros, realmente assumimos pessoalmente, aquilo que Maya Angelou chamou de ‘o sonho do escravo’. Isso faz com que seja muito fácil viver na sociedade contemporânea. É mais fácil sermos corajosos em nossa era quando as possibilidades ganham vida como a que esse casal nos mostrou.”

Brittney Cooper fala sobre o relacionamento de Michelle e Beyoncé:

“Tanto Michelle quanto Beyoncé mudam e misturam ativamente os termos em que a feminilidade negra é apresentada. Desde o advento da escravidão, negou-se às mulheres negras o direito a serem damas. Isso não pode mais continuar no século 21 sem ser contestado.”

Por que Michelle deveria pedir desculpas por alguma coisa? E por pensar nisso, por que eu deveria? (Ylonda Gault Caviness)

Ylonda Gault Caviness falando de como Michelle é destemida:

“Por que ela deveria pedir desculpas por alguma coisa? E por pensar nisso, por que eu deveria? Michelle não chegou para brincar. Sim, ela tem orgulho de seu papel de Sra. Obama, e, com razão; ela dá apoio a Barack o dia todo, amando e apoiando sua candidatura. Mas ela nunca se propôs a funcionar como mero acessório da pauta dele – ou de qualquer outra pessoa.”

Chirlane McCray falando da autodefinição de Michelle:

“Quando a primeira-dama Obama disse que sua primeira prioridade era ser a mãe em chefe, estava nos dizendo que sua família vem em primeiro lugar. […] Sinto respeito tremendo pelo modo como ela se definiu desde o começo, como ela definiu seu papel, antes de haver especulações demais sobre o que ela iria fazer.”

Sinto respeito tremendo pelo modo como ela se definiu desde o começo (Chirlane McCray)

Cathi Hanauer falando de como se identifica com Michelle:

“Eu não me surpreenderia se alguém dissesse que eu sou mais diferente de Michelle Obama do que pode ser qualquer mulher de mais ou menos a mesma idade que a dela, também com dois filhos. Mas de uma maneira, e uma maneira importante, eu me identifico realmente com Michelle: tanto ela quando eu tivemos que aprender a ser A Esposa.”

Tiffany Dufu comenta o sucesso profissional de Michelle:

“Michelle Obama é a terceira primeira-dama a ter um diploma profissional ou universitário, provas públicas de sua independência e realizações profissionais e a ter equilibrado sua própria carreira profissional destacada com seu papel privado de esposa e mãe. Ela e Hillary Clinton traçaram um caminho que permite que primeiras-damas futuras façam as coisas à moda delas. Sua polaridade inspira nós todas a romper com a tradição.”

Ela e Hillary Clinton traçaram um caminho que permite que primeiras-damas futuras façam as coisas à moda delas (Tiffany Dufu Tanisha)

C. Ford falando de Michelle como sendo “nós”:

“Nós, como mulheres negras, respeitamos e admiramos o modo como ela viveu entre duas tensões: a estatura e visibilidade da posição de primeira-dama e as reações sociais perturbadoras à sua feminilidade negra. […] Embora a plataforma dela fosse maior que a nossa, embora a rotina diária dela fosse diferente da nossa, com sua equipe de agentes do serviço secreto que cronometravam e coordenavam cada movimento dela, Michelle era nós. Mesmo sendo a primeira-dama, ela era em primeiro lugar uma mulher negra.”

Marcus Samuelsson comenta a relevância de Michelle:

“É uma realização incrível ela ser tão relevante nessas conversas, quer seja falando da Obamacare (a lei de reforma da saúde promulgada por Obama), da Semana de Moda de Nova York ou da alimentação infantil. Sempre com a consciência de estar falando ao mundo, não importa o que ela diga. Michelle propõe e apresenta algo ao mundo que o mundo nunca antes viu.”

A autenticidade não é uma conquista. Mas a autenticidade exige um esforço se você está virando séculos de história do avesso com sua simples presença (Sarah Lewis)

Sarah Lewis falando da autenticidade de Michelle:

“A autenticidade não é uma conquista. Mas a autenticidade exige um esforço se você está virando séculos de história do avesso com sua simples presença. Dá trabalho deixar que as pessoas olhem, se assombrem, indaguem e cutuquem para confirmar que sua vida é para valer.”

Karen Hill Anton falando da determinação de Michelle:

“Michelle, o que eu gosto realmente em você é que você não se contentou com um papel previamente determinado. Imagino que você tenha percebido desde o início o potencial existente no papel de primeira-dama e decidido fazer uso pleno dele. Imagino que você também tenha se dado conta dos riscos, mas tenha ido fundo assim mesmo. Uau!”

Ela é uma agitadora civil de uma benevolência radical (Rebecca Carroll)

Rebecca Carroll falando de Michelle como política:

“Ela é uma agitadora civil de uma benevolência radical. Ela é focada e divertida, convincente e humilde. Seria tudo fingimento, não fosse verdade. E, embora algumas pessoas possam argumentar que é exatamente isso que os políticos fazem e são – elegantes, bem preparados, articulados, inabaláveis –, Michelle Obama não é tanto política quanto manifestante – a encarnação hiperespetacular de uma mulher negra sem grilhões.”

Phillipa Soo falando da capacidade de Michelle de unir as pessoas:

“Pude perceber, só de observar a Sra. Obama, que ela tem enorme consciência do significado de unir as pessoas, da importância que isso tem. Cada um de nós pode estar fazendo sua própria coisa sozinho e muito bem, mas, quando você reúne grupos, como ela faz, isso pode de fato criar algo melhor do que poderíamos ter imaginado.”

Espero que Michelle Obama faça o que seu coração mais deseja quando a Presidência de seu marido acabar, mas eu adoraria vê-la criando espaços para meninas e mulheres negras na esfera pública (Roxane Gay)

Roxane Gay falando do futuro de Michelle:

“Espero que Michelle Obama faça o que seu coração mais deseja quando a Presidência de seu marido acabar, mas eu adoraria vê-la criando espaços para meninas e mulheres negras na esfera pública e na imaginação pública. Em um mundo perfeito, ela poderia criar e liderar uma organização forte e bem financiada dedicada a meninas e mulheres negras, uma entidade que implementasse iniciativas que encorajassem as meninas e mulheres negras a desabrochar.”

The Meaning of Michelle, publicado pela St. Martin’s Press, pode ser encontrado na Amazon. Ainda não há previsão de uma edição em português do livro.

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