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Amilcar Cabral Imprimir E-mail

Amilcar Cabral - Movie

Fonte:www.africamania.com.pt

Nasce a 12 de setembro de 1924 em Bafatá Guiné-Bissau. Amilcar Cabral é ainda estudante do liceu em Saõ Vicente (ilhas de Cabo Verde) , quando começa a afirmar o seu comportamento de rotura com a politica assimilacionista praticada pelo governo colonial português. Apòs a sua chegada a Lisboa em 1945, data em que inicia os estudos universitários no Instituto Superior de Agronomia, manifesta uma grande preocupação em integrar-se nas correntes de pensamento político e cultural que então agitavam o mundo. Traduz essa preocupação participando na campanha pela paz, nos movimentos da juventude progressista e sobretudo no lançamento das bases para a conscientização dos estudantes africanos.

No período das férias de 1949, dirige um programa cultural de rádio em Cabo Verde que tem considerável repercussão em todos os meios sociais das ilhas, a tal ponto que as autoridades coloniais proibem a sua difusão.
Em Lisboa , Amilcar Cabral e um grupo de companheiros, estudantes africanos originários das colónias portuguesas travam várias lutas no sentido de reencontrarem as suas raizes africanas e de adaptarem em conjuntos os meios adequados de luta contra o coloníalismo. É nesta perspectiva que procuram revitalizar a « Casa d'Africa »e animam várias iniciativas culturais na «Casa dos estudantes di Império».

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Amílcar Cabral
O Pedagogo da Revolução

Paulo Freire

Paulo Freire

Eu conhecia Amílcar Cabral não pessoalmente, mas através das referências que se faziam à Amílcar Cabral, à luta Africana. Parece-me que era impossível, inclusive,comentar, falar dos movimentos de libertação em África, sobretudo, da chamada África de expressão Portuguesa, que para mim é muito mais a expressão de uma postura colonialista portuguesa do que verdadeira essa afirmação,sem falar de Cabral. Eu sempre dizia que não reconhecia as Áfricas, uma de expressão Portuguesa, de expressão Francesa, de expressão Inglesa, para mim o colonialismo pairou e impôs-se sobre a África e sem ter conseguido jamais ter transformá-la em Áfricas de expressão disto ou daquilo. Mas era.

E é difícil, pensar sobre os movimentos de libertação dessa chamada falsamente África de expressão Portuguesa,sem se fazer referência a Amílcar Cabral. Amílcar Cabral esteve na gestação de todos os movimentos de libertação das ex-colônias Portuguesa, desde o tempo que ele jovem ainda, estudava em Lisboa.

Pessoalmente, lamentavelmente, eu nunca pude encontrar Amílcar, é uma das minhas frustrações,eu gostaria de tê-lo conhecido pessoalmente. Mas conhecia seus trabalhos e fiz a leitura de alguns de seus textos.Dediquei-me muito à leitura de seus textos quando, após a libertação da Guiné Bissau,Cabo Verde e demais países, recebi um convite do Governo da Guiné Bissau para, com uma equipe com a qual eu trabalhava, na época em Genebra, dar uma contribuição ao povo Guineense e também Cabo Verdiano.

Então naquela época uma das exigências que nós nos fizemos foi exatamente fazer um estudo sério do que a gente encontrou da obra de Amílcar. Lembro-me de que eu li dois volumes da obra de Amílcar numa tradução francesa; só depois eu consegui o texto original publicado em Lisboa. Mas a gente lia, eu costumava a ler o Amílcar assim, página por página, palavra por palavra, fazendo minhas notas, e quando cheguei, fomos juntos, a equipe do Instituto de Ação Cultural – IDA, e eu a Bissau, nós começamos então a conversar com gente que havia lutado ao lado de Amílcar, com gente cabo-verdiana e com gente guinense, que havia lutado com Amílcar, ao lado de Amílcar.

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