Guest Post »
Carta do Movimento Negro Unificado à Hebraica

Carta do Movimento Negro Unificado à Hebraica

Os que bateram palmas e riram na Hebraica, apoiaram o discurso de ódio que alimenta o genocídio da juventude negra: no Brasil, todo ano, 23.100 jovens negros, de 15 a 29 anos são mortos, um  jovem a cada 23 minutos. As ruas funcionam como as câmaras de gás, promovendo o genocídio da população negra.

No Correio do Brasil

Por Movimento Negro Unfiicado, São Paulo:

Não foi um encontro normal – ali foram hostilizados índios, negros, gays, num discurso racista, numa entidade que paradoxalmente viveu, no passado, a perseguição racista

Diante  da veiculação de  vídeos  de uma palestra nesta segunda-feira, na qual, em seu discurso, o deputado bolsonaro (a letra minúscula no nome próprio é proposital) falava das terras quilombolas quando afirmou que “o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada. Eu acho que nem para procriador ele serve mais”.
.

Atacou ainda mulheres, gays e refugiados, e garantiu que não vai ter “um centímetro demarcado” para reservas indígenas ou quilombolas se eleito for presidente 2018.

[Numa total cumplicidade dos presentes este  discurso de ódio foi muito aplaudido e ovacionado com gritos de apoio, sendo chamado de “mito” por parte da plateia.

O  que  denota total comprometimento deste Clube Hebraica, por convidar um racista, proporcionando o desagravo pela mobilização da comunidade judaica que levou ao cancelamento do mesmo evento com bolsonaro na Hebraica de São Paulo.

O Movimento Negro Unificado, tendo  o dever de se posicionar  contra discurso racista, recheado de intolerância e ódio e o apoio efusivo dado pela plateia, se vê obrigado  de trazer a memória destes QUE  BATERAM PALMAS E  RIRAM o seguinte:

Kalunga, o maior quilombo do Brasil. Cadê os obesos?

Em 1935 foi promulgada uma lei pelo regime nazista que prescrevia que era “digno de punição qualquer crime definido como tal pelo saudável sentimento popular”.

Uma ética estava predominando na sociedade alemã que acolhia e fomentava a prática do genocídio de judeus, eslavos e outros povos inferiores; durante esse regime nefasto foram apagados os valores da democracia e da tolerância e o respeito absoluto a todas as minorias.

Seguindo as Leis de Nuremberg [adotadas pelo Reichstag em 1935, por iniciativa de Hitler, os judeus perderam seus direitos de cidadania, de ocupar cargos públicos, de praticar determinadas profissões, de casar-se com alemães ou de fazer uso da educação pública. Suas propriedades e negócios foram confiscados.

Achamos que não é preciso relembrá-los do Shoá (holocausto judeu) e suas consequências, mas caso tenham apagado da memória, quando as tropas aliadas entraram no complexo Auschwitz encontraram cerca de 7.500 sobreviventes, 350 mil roupas de homens, 837 mil vestidos de mulher e 7,7 toneladas de cabelo humano, mais de 1,1 milhão de judeus mortos, isso em apenas 4 anos de funcionamento (tempo do mandato de um presidente).

OS QUE BATERAM PALMAS E RIRAM apoiaram ideias iguais a estas que trouxemos à lembrança, apoiaram o discurso de ódio que alimenta o genocídio da juventude negra: no Brasil, todo ano, 23.100 jovens negros, de 15 a 29 anos são mortos, um jovem a cada 23 minutos. As ruas funcionam como as câmaras de gás, promovendo o genocídio da população negra.

OS QUE BATERAM PALMAS E RIRAM apoiaram a emergência do nazismo tupiniquim, do igualitarismo totalitário que vocifera: “Se você não é igual a mim, não tem direito a existir”.

Que, paradoxalmente, prega a superioridade de um modo de ser sobre outros e termina nas tentativas de apagar pela força as diferenças de posição social e de estilos de vida.

OS QUE BATERAM PALMAS E RIRAM apoiaram os atos de horror do coronel do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, idolatrado pelo deputado racista, que levaram à morte do judeu Wladimir Herzog e de Iara Iavelberg.

OS QUE BATERAM PALMAS E RIRAM são cúmplices do discurso de ódio e racismo.

Exigimos a retratação pública!

Herzog é a vítima mais notória do DOI-Codi, que Ustra comandou de 1970 a 74.

Sugerimos um debate sobre as condições em que os judeus negros e judias negras estão vivendo no estado de Israel. E sobre como o racismo institucional tem afetado a vida destes irmãos e irmãs, em especial a juventude israelita de origem etíope..

Quanto ao autor do discurso de ódio e racismo (já estão sendo propostas ações judiciais que o MNU apoia integralmente), exigimos que a Câmara dos Deputados abra um processo disciplinar no qual deverá ser processado para a perda o mandato.

O MNU reafirma seu compromisso com a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Racistas não passarão!

Qualquer semelhança não é mera coincidência. Afinal, trata-se de um mestre.

…e de seu discípulo tardio. Difícil mesmo é entender a posição da Hebraica RJ!

Pelo Movimento Negro Unificado.

O Direto da Redação é um fórum de debates editado pelo jornalista Rui Martins.

Escreva um comentário e participe!

Related posts