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Funk e Sexo: Inclusão e exclusão social

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Matéria publicada no Portal Geledés. Clique para ler a matéria na íntegra...

por Sérgio Martins

sergio-martinsUma das formas de se fazer percebido, em uma sociedade excludente, é manifestar as insatisfações por meios de protestos sociais ou culturais, com a finalidade  de, ao menos incomodar o status quo. A sociedade brasileira é peculiar no seu modus operandi. Por um lado, há um contrato social formal regido pelos princípios universais de liberdade e da igualdade, sob o império da lei. De outro, uma realidade social fortemente desigual.   Apesar do abismo que separa as classes socais há um acordo de que os conflitos coletivos não sejam resolvidos por meio de métodos violentos.

Na polêmica permanente sobre a qualidade da música produzida pelos grupos de funk, temos o desafio de fazer uma análise mais lúcida. Na condição de leigo, entendo o funk como  uma expressão musical fortemente marcado pelo ritmo afro-brasileiro, com uma elaboração eletrônica bastante peculiar e uma letra que nasce do cotidiano dos jovens, em sua maioria negros que vivem em comunidades pobres.

Tenho especial atenção nos funk denominados como  “proibidão” que dominam as ruas das cidades do Rio de Janeiro. Há neste estilo uma exaltação das relações sexuais fortes e descuidadas, quase como uma forma única de expressão da sexualidade humana, focando-se principalmente no público jovem. Chamou-me atenção o debate acerca deste tipo de funk, onde um participante afirma o seguinte: eu prefiro morrer feliz escutando funk a ser um excluído da vida ate morrer...

Ora, aquela expressão musical, onde suas letras distorcem a sexualidade é fruto de um vivencia social, onde o corpo aparece como único limite entre a inclusão e exclusão. As experiências maximizadas da vida sexual são expostas para o conjunto da sociedade como uma expressão de protesto, como um grito de socorro da condição humana.

Daí concluir que assim como o uso das drogas, o sexo, também pode assumir uma  forma diferenciada  de manejo para cada classe social, produzindo experiências diferenciadas. Não é justo, afirmar que a exaltação da sexualidade evidenciadas nas letras do Funk  sejam vulgares, vergonhosas, um lixo. Até porque  as formas mais diversas da vida sexual é uma das características da humanidade. Mas o fato interessante é que para uma determinada classe, a vida sexual não possui uma marca preponderante, fazem parte da esfera privada, equilibrando-se com outras dimensões da vida.

Com isso quero dizer, que devemos construir uma sociedade, onde o sexo deva ser praticado, das formas mais interessantes possíveis e de maneira responsável, mas deixando lugar para totalidade da experiência humana na terra, de forma diferente é dominação e alienação do corpo e da mente.


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