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"O senhor Demétrio Magnoli ("O jornalismo delinquente", "Tendências/Debates", ontem) é uma pessoa de alta periculosidade. É arrepiante a insistência em culpar os negros pela escravidão.
Agora vamos imaginar, sendo tudo verdade, que o escravo clássico equivalesse ao escravo mercantil (o que não é a mesma coisa, estamos cansados de saber) e que os dominadores fossem apenas negros.
E vamos fazer a conta: 11 milhões de "peças" tiradas da África e comercializadas por quase quatro séculos, sendo que o Brasil foi o maior importador, com mais de 5 milhões de indivíduos (fatos documentados, pois o tráfico, como se sabe, perdurou mesmo após a proibição), e o que atuou por mais tempo.
Por que isso por si só não provocaria revolta e não implicaria em reparação?
O que o senhor Demétrio Magnoli acha do fato de que em Minas Gerais, em 1835, os escravos eram legalmente proibidos de frequentar a escola pública? E de que um decreto, mais tarde, em 1854, proibia negros e escravos de aprender a ler e a escrever?"
LEUSA ARAÚJO (São Paulo, SP)
"É uma pena que o debate sobre as cotas raciais tenha descambado para o baixo nível, como se vê no lamentável artigo do sociólogo Demétrio Magnoli.
Isso não contribui em nada para discussão tão importante como essa, que pode mudar os rumos de nossa combalida educação.
Não é novidade para nenhum bom estudante de nível médio que os africanos também lucraram com o tráfico negreiro, mas isso não desculpa em nada os maus-tratos, humilhações, sofrimentos, violências e exclusões que os negros brasileiros sofrem daquela época até hoje."
SERGIO P. RIBEIRO (São Paulo, SP)
Fonte: Painel do Leitor - Folha de São Paulo
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