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Hamilton Cardoso (1953-1999)
Sensibilidade, inteligência e solidariedade na luta contra o racismo

Dulce Maria Pereira, Diretora do Interfórum Global.

No dia 25 de Abril de 2004 a"Folha de S. Paulo" publicou uma foto com articuladores das "Diretas Já". Hamilton está lá, no movimento pelas Diretas Já, em 1984. 20 anos depois era um dos ausentes, entre aqueles que voltaram para a foto atualizada, revivendo duas décadas de avanço da democracia. Certamente, se aqui estivesse faria um balanço para dizer que, além das formalidades e de obtermos alguma representação e visibilidade, como coletivo pouco caminhamos. Apoiaria os programas de cotas, mas certamente diria que são insuficientes.

Hamilton Bernardes Cardoso nasceu em Catanduva, em 10 de julho de 1953. Filho de Onofre Cardoso, músico, e de Deolinda Bernardes Cardoso, responsável pela estruturação da família e educação dos filhos. Segundo filho de quatro irmãos, cresceu em São Paulo e tinha muito orgulho de ter estudado no Colégio Caetano de Campos. Foi aí que começou a entender as desigualdades raciais. Formou-se em jornalismo tendo estudado na Faculdade Casper Líbero e na Metodista de Rudge Ramos.

Em 1978, foi um dos principais articuladores do Movimento Negro Unificado, levando políticos, estudantes , trabalhadores e intelectuais a se engajarem na luta contra o racismo no Brasil.

Após um atropelamento, no dia 1 de maio de 1988, depois de uma festa na Escola de Samba Peruche, onde com amigos havia assistido a uma apresentação do Olodum, Hamilton não se recuperou plenamente,pondo fim à propria vida, anos mais tarde. Foram muitas suas perdas no período . Havíamos nos divorciado e ele iniciava nova vida com sua companheira, também jornalista, que muito o motivava. Durante, entretanto, mais de um ano, em decorrência do acidente, viveu entre dores e grande confusão emocional, sentindo-se perseguido, deprimido. Em sua instabilidade emocional acreditava que eu, entre outros, queríamos sua morte. Perdeu o irmão mais velho e seus pais adoeceram.

Hamilton Cardoso, apesar do sofrimento , não deixou de escrever, de militar e influenciar muitos militantes que bebiam de sua sabedoria. Alguns valorizaram sua trajetória até mesmo acrescentando-lhe motivos para que continuasse a jornada.

A vasta, embora pouco acessível, produção de Hamilton Cardoso inclui livros dos quais é co-autor como "Movimentos Sociais na Transição Democrática", editora Cortez, organizado por Emir Sader, e "Dez Coisas sobre o Direito do Trabalhado", com Claudius Cecon. Matérias no "Diário Popular", na Ilustrada e no Folhetim da "Folha de S. Paulo" ilustram o trabalho como repórter. Seus textos políticos, do Jornal Versus aos de maior densidade no final dos anos 90, e algumas tentativas de crônicas representam contribuições ímpares.

Extraordinário repórter, mesmo no inferno de suas dores relatou dia a dia sua trajetória nos últimos anos, descrevendo os personagens com quem convivia com a sensibilidade e maestria de quem sabe tocar o imaginário dos leitores com fatos cotidianos. São cadernos reescritos e páginas coletados pela família, cartas e rabiscos organizados, todos pelos filhos, que deverão, no período de um ano, ser compartilhado em forma de publicação, como ele certamente os organizou para que assim fosse.

Irreverente, embasado em sólido e diversificado conhecimento teórico, incorruptível,intransigente na defesa do livre-pensar, transitava entre conservadores e revolucionários, sendo um dos intelectuais que sensibilizaram muitos de seus pares não negros para que abandonassem a conivência com o mito da democracia racial, para a compreensão da origem étnica como definidora da desigualdade e da pirâmide social.

Mas foi para dentro, com os negros, que viveu seu inferno e paraíso, que consolidou sua obra na curta existência. Mesmo sangrando em público suas mazelas , ou exibindo seu charme e carisma, Hamilton Cardoso, repórter e militante, se fez eterno por ser a cada instante um mobilizador de consciências. Hamilton Cardoso faleceu em São Paulo no dia 5 de novembro de 1999.

Hamilton Cardoso é tão presente,tão necessário e atual, que imagino, com seu sorriso maroto, vá reportar a Marcha Zumbi +10, no dia 16 de Novembro, em Brasília, para os ancestrais e para os que estão por vir. Espero que ele escreva, no infinito, que valeu a pena gastar sua energia vital conosco, que ainda estamos por aqui.

 

Fonte: Jornal Irohin - Edição nº 11

Pérola Fina -  Homenagem a Hamilton Cardoso da P@artes - Sua Revista Virtual!

Fonte: P@rtes - Sua revista virutal

Hamilton Bernardes Cardoso foi jornalista e trabalhou como repórter especializado de polícia no Diário Popular, ex-repórter do Povo na TVS, canal 4, TV Cultura, canal 2, jornal  Versus.  Nasceu em Catanduva, interior paulista, em 10 de julho de 1954. Representou o Brasil em vários encontros de organizações e partidos políticos da África, Caribe, Europa e EUA, na Inglaterra onde proferiu uma série de palestras.

Foi fundador do Movimento Unificado Contra a Discriminação Racial em 1978 – hoje MNU, consultor de Comunicações da OAB e do Instituto da Mulher Negra, Geledés e co-fundador da revista Lua Nova/Cedec.

Em 1981, no Brasil, criou a revista Ébano, e organizou, junto com o dançarino Ismael Ivo, a passeata anti-racista do silêncio no campus universitário da Universidade Federal da Bahia – UFBA, durante a SBPC de Salvador, onde foi proferir a palestra O NEGRO NOS MEIOS DE COMUNICAÇÕES. Em 87 participou como co-autor, do livro Movimentos Sociais na Transição Democrática, editora Cortez, organizado por Emir Sader.

missaquilomboOrganizou, em 1991, na serra da Barriga, em União dos Palmares, a Missa dos Quilombos.
Poeta, jornalista, escritor foi atropelado no dia 1º de maio de 1988, dia do trabalhador. Isto lhe marcou a vida. O acidente deixou seqüelas. Hamilton suicidou-se em novembro de 1999.

Carta Aberta (Parte 1) que Hamilton Cardoso escreveu e entregou ao líder sul-africano Nelson Mandela em 1991. Um texto crítico, polêmico e poético a espera de um editor.

 

Meu caro Rei e presidente Mundial:


Quero manifestar e demonstrar-lhe a minha gratidão ao Cedec - Centro de Estudos e Cultura Contemporânea do Brasil. Eles me ajudaram a escrever-lhe esta carta. São meus amigos e o José Álvaro Moisés, de lá e, hoje na Inglaterra estudando, contribuiu decisivamente para que eu pudesse retirar as primeiras gotas de lama do país - cadáveres de todos nós - dos ombros. Ele me revelou - e eu demorei a concluir - que esta história de "jeitinho brasileiro" e da "malandragem compulsiva inerente do negro" são cadáveres siameses em nós.

O Marcos Faermam, um jornalista judeu como a maioria dos personagens de Richard Wright e da vida anti-racista negra norte-americana além de mostra-me, indicando livros para ler e ma dar tempo para faze-lo - garantiu, e criou condições para eu pensar e refletir sobre eles. E me convencer que eu sou uma ostra. Convenceu-me também de que o que eu gosto mesmo é jornalismo literário, e que poderia fazer uma grande reportagem. Tentei. Este é o esforço das ostras - e eles as nossas esperanças.

Tudo depois que o ex-deputado federal Adalberto Camargo me financiou os estudos na faculdade e o Wanderlei José Maria leu para mim a frase do Marx que diz que "quem tem fome não tem tempo para ver o por do sol". Ele, o Wanderlei, me ensinou a escrever o que realmente penso. A Dra. Iracema de Almeida deu-me o primeiro empurrão e o "catiça" e a Deodô, meus pais, carregavam-me, sobre os ombros deles.

Ela pagou matrícula da faculdade. Caí no mundo.

O meu irmão Airton (fale rápido!) B. Cardoso, ao meu lado era invisível. E continua. Ele está morto e é um cadáver, belo e leve, como o do Eduardo de Oliveira e Oliveira, o sociólogo que dizem, suicidou-se porque não agüentou, mestiço, a tortura de ser negro e refletir sobre si mesmo e viver entre e, nos Dois Mundos. Ele me abriu as portas para escrever aquele artigo que o Francisco Weffort, com o Paulo Sérgio Pinheiro, Passado sem Mácula!, adoraram. Ele abriu as portas da minha auto-confiança.

De qualquer modo, se não fosse o Cedec, onde há mais de meia década eu e o Weffort - que conversava muito comigo e me revelou, mostrando a inutilidade deles, que um dia eu teria que derrubar cadáveres - ele escreveu sobre isto em relação ao socialismo, sem o Cedec eu não teria como lhe entregar esta carta. Ela poderia ser mais um cadáver da minha vida. E diante dela. E eu o desconheceria. Não saberia que estes defuntos existem.

Como você vê, eu estou por conta própria - mas nem tanto assim. O Orestes Quércia, ex-governador, quando eu estava quase afogado - e com a ajuda do ex-secretário dele, o Oswaldo Ribeiro, negro como nós- mostrou-me como sair do lodo. E a minha companheira, a mulher, Maria Cristina Brito Barbosa, sempre olhava para mim cuidadosamente e , por receio, talvez, - ela é branca - não deixava eu me liberar repentinamente dos entulhos. Ela temia, em mim, um choque anafilático e a loucura em minha mente. Eu seria um dos cadáveres dela. E Ela sabia que eu precisava do equilíbrio que você, meu caro Rei, demonstra. E também que eu não sou - talvez não tenha nascido para isto - um Estadista. E antes do meu isolamento - nos buracos das periferias repórter do povo - eu vi a loucura mental e a miséria (é uma loucura!) social dos descendentes dos seus compatriotas escravizados. Como muitos eu colocava a mão na cabeça e chorava... Você estava preso na África do Sul.

Mas como bom e fiel súdito, eu lhe peço: lembre-se sempre desta contribuição do Cedec. Nele, eu tenho amigos de verdade. Não que eles não tenham compromissos com a branquitude deles, mas é que a branquitude - e a minha companheira me ensinou - não é como a negritude: uma condição. Eles, e muitos deles - a maioria dos que tenho - são meus amigos.

Um ex-governador, por exemplo, se elegeu sendo chamado de brega. E ele, que agora "e um dos homens mais poderosos deste país, gargalha com o porta voz, à respeito disto - a acusação ou xingo. E ele é adorado e admirado, por uns, por muita gente, inclusive, que discorda dele na política - com raiva e inveja, até. E foi rindo e gargalhando dos acusadores, que ele construiu o prestigio o poder e a tranqüilidade. A Beatriz do Nascimento, a socióloga, do filme Ori, é a melhor que conheci na área e invisibilizada, por bem menos é o que é. Ela não matou ninguém - nunca foi chamada de japonesa, apesar de Ter os olhos puxados. E eu penso, às vezes, que ela deglutiu ou teve a língua deglutida...

Aliás, falando dos meus amigos, principalmente os do Cedec, lembrei-me da historiadora Maria Victória Benevides - que é de lá -, e eu a ouvi muitas vezes citar o Getúlio Vagas, que dizia: "Aos amigos, tudo, aos inimigos, a Lei."

Eu não sei, e gostaria de ouvir ou ler a sua opinião à respeito, sobre o ditado do Getúlio Vargas, pai dos pobres -, se ele é certo... O fato é que é assim que as coisas funcionam aqui no Brasil, na democracia racial.

Se eu lembrasse, antes de lhe escrever, talvez eu pudesse, ao invés desta longa carta, enviar-lhe um bilhete com aquela frase. Ela sintetiza o Brasil e os mitos da de democracia racial e do país cordial. E, ao que parece, é no que o Frederico quer transformar a África do Sul. O De Klerk. O nome dele é Frederico, não é? O nome é popular no Brasil...

Mas existe o Mandela lá, - a Pérola, e o ANC. São populares lá...(O que eu penso sobre LÁ é positivo - e sua passagem, ela é "purificadora" pelo Planeta. E sobre o Conselho, acho que você dirá o seguinte: "TEMOS QUE MUDAR A LEI".

É por isto que eu gosto de afirmar: TEREMOS A NOSSA CHANCE.

Aliás: acho que criarei um jornal com este nome. Este, esta carta, é o registro. O meu registro de nomes, marcas e patentes. Direto com o Rei.

Bem..., agora eu vou pegar o meu ganzê e o ganzá e ao invés de Não sei por que sou tão preto e azul, de Louis Amstrong, eu vou ouvir a festa para o rei negro. Com a minha mulher...

Afinal, o Mandela é tão preto, mais azul que eu. E eu sei o porquê disto...

 

Os dois Mundos

Meu caro: estamos organizados, no Brasil. Temos os nossos movimentos sociais, integramos os Partidos Políticos em comissões esportivas e o Estado em Conselhos e Coordenadorias especiais municipais ou estaduais, ou Fundações e repartições específicas, para organizar a nossa gente. Mas existe o Rap, são os rappers da Massa que em São Paulo se desenvolveram à partir dos EUA, mas foram impulsionados pelos FATOS do Zimbabwe. São do outro mundo!.

Ele é formado pelos sobreviventes do extermínio de crianças, colocado em andamento nos últimos dez anos. O jornal da Tarde, de São Paulo, do dia 19 de julho de 1991 entrevista um, e o pai de outro deles, Bezerra da Silva, o cantor dos bandidos, e revela isto: eles estão revoltados.

O jornal afirma que eles são os "sem nada". Basta ser sensível: eles são uns macacos!

Meu caro:

Eu sou jornalista e repórter e você, advogado e ex-preso político, atual presidente do Congresso Nacional Africano nasceu, viveu, foi criado e estudou; defendeu, ou tentou defender as causas justas na África do Sul, colonizada por diferentes nacionalidades européias que se impuseram ao mundo e transformaram o seu país, onde criaram o sistema do apartheid, no lodo da civilização. O seus antepassados esperavam que você fosse um homem, e eles fizeram de você uma ostra...

Existe um samba no país onde nasci - dizem e eu acredito que é meu - que diz o seguinte "o ouro afundo afunda, madeira bóia por cima; a ostra nasce do lodo, mas gera pérola fina..."

O seu país deu ao mundo os mais belos e os maiores diamantes da humanidade e o meu, o ouro - ou parte considerável dele - que foi necessário, durante o mercantilismo para que surgisse o capitalismo - este tipo de economia tão contestado desde a Europa, condenado por milhões de pessoas, mas que se impõe cada vez mais, de forma definitiva sobre todos. Muitos o abominam, mas vários deles, quando podem, dele se apropriam. A escravidão, aqui no meu país, que atingiu a maioria dos meus antepassados de mais de três gerações, que custou caro até hoje, acabou oficialmente em 1988, dia 13 de maio, mas até hoje uma frase perturba-nos a vida: "todo mundo tem seu preço..." (Conduzindo Miss Dayse- filme dirigido por Bruce Beresford). Nós já não custamos nada. Deixamos de ser VENDIDOS

Mas eu não escrevi para fazer digressões. Todo negro, digo a maioria, tem esta tendência, de querer falar de tudo de uma só vez. E se prejudica por causa dela. Mas eu, um prejudicado como todos os negros do mundo até Collin Powel, que é o chefe do Estado Maior dos EUA - atuais donos do mundo e que há algumas semanas decidiram tirar a África do Sul do isolamento - também tenho esta tendência.

Escrevi para lhe falar do Brasil, - o meu país.

Você, que nasceu confinado no seu país, foi preso depois do massacre de Shaperville e, mais confinado ainda numa prisão, ficou nela por 27 anos, desde os 45 - de vida confinada pelo apartheid, submetida a uma maior -, foi à força no fundo do lodo onde, certamente se encontrou com outras ostras. Dentre elas, por causa do seu reconhecimento como líder e dirigente delas e de outros é, certamente, a mais fina das Pérolas - Você poderia, e nós sabemos que até por razões táticas, beneficiar-se como o fez e corretamente o guiano, sul americano, como eu, E. R. Braithwaite, da mania dos racistas de todo o mundo que, na África do Sul recebeu o título de Branco honorário.

Ele denunciou, a partir desta brecha, (ou honra, sei lá), a tragédia sul-africana, uma tragédia da humanidade deles e não nossa. Mas você, um negro, negou-se. Ninguém é o que não é. Você combateu a tragédia.

Recentemente um brasileiro, filho de imigrantes japoneses, Terumi Maeda, que foi para o Japão trabalhar na Honda do Japão, foi contratado lá como imigrante, entrou em depressão, visitou uma japonesa - que dizem, ele queria conquistar ou seduzi e foi recusado. Ele a estrangulou. Agora corre o risco de ser condenado à morte.

Os jornais brasileiros disseram algo interessante: ele tinha cara de japonês, jeito de japonês, mas não era. Era brasileiro. O ex-embaixador guiano que foi condecorado com o título de "Branco Honorário" por sorte não acreditou na história. E denunciou o fato em um livro publicado em 75 na Inglaterra, com este título: Branco honorário. Ajudou a matar um pouquinho do apartheid.

Aqui no Brasil, onde o racismo não é e nunca foi legal, - é péssimo, por sinal - existe a condecoração, concedida no plano individual e emocional - o Negro de Alma Branca - que foi rejeitada, inclusive, pelos negros da África do Sul e é utilizada para muitos dos nossos, até publicamente. Mas você, ao que me consta, e pelo que demonstra, rejeitou as duas...

Tudo isto, meu caro, o torna uma Pérola Fina.

 

 
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Hamilton Cardoso

Hamilton Cardoso

Fonte: Teoria e Debate nº 2 (março/1988)

 

Há uma década, apenas, em 1978 os movimentos negros travaram, principalmente na cidade de São Paulo, o seguinte debate: o que fazer, no dia 13 de Maio, data da abolição da escravatura? Hoje o debate pertence a toda sociedade. A Globo, por exemplo, diz Axé. Na época, duas tendências da esquerda digladiavam-se, ao mesmo tempo que se contrapunham ao setor mais tradicional, favorável a comemorações da abolição. Uma delas queria uma postura passiva: "não devemos fazer nada, no dia 13", diziam. "Não devemos, sequer trabalhar". A outra queria uma denúncia ativa, com ampla participação, sob forma de protesto, de todas atividades comemorativas.

Os ativistas partiam de algumas premissas: uma delas era o reconhecimento de que, independente da reflexão ou do caráter da abolição decretada no Brasil, a maior parte da população negra sempre comemorou no candomblé e na umbanda, nas congadas e escolas de samba e outras entidades negras de massa o fim da escravidão. A elite negra, inclusive, dava vivas à Princesa Izabel, identificando como positivo o fato populações negras deixarem, juridicamente, de ser escravas.

Outra premissa: os movimentos negros, então, eram fracos e atuavam de forma completamente isolada da comunidade negra (reacionária por desinformação) e da população branca que, integrante e beneficiária da cultura do racismo, tinha sérias resistências à solidariedade anti-racista. Pior: resistia de modo reacionário a qualquer tentativa de organização e livre expressão dos movimentos negros.

Apesar do regime militar e do crescimento das lutas democráticas, aquela era, do ponto de vista subjetivo, uma conjuntura desfavorável para as lutas anti-racistas. Para os negros eram tempos de black soul; para brancos, de importar músicas da América espanhola. A juventude negra era atacada por dois lados: para a direita era a expressão da organização da guerrilha urbana; para a esquerda, simbolizava a submissão ao colonialismo ianque. Nos dois lados o que interpretava a contradição racial como um fenômeno de subdesenvolvimento negro.

O que importa, porém, é que, a partir de 1978, os movimentos negros foram impulsionados no país e, exatamente deste debate, surgiu o primeiro fenômeno da sua unificação. E, curiosamente, ao contrário das teorias clássicas da esquerda brasileira, esta unidade e impulso se desenvolveram a partir e por cima das teses tradicionais de luta de classes, em voga na sociedade brasileira de então. O grande móvel condutor da nova "consciência negra" brasileira foi exatamente um dos elementos propulsores da luta anti-racista dos EUA: o nacionalismo negro.

Do ponto de vista teórico, o essencial para este avanço foi o reconhecimento da fragilidade interna do movimento. Esta fragilidade estava determinada por diversos fatores, entre eles a mais absoluta alienação dos setores organizados da chamada sociedade civil, que identificavam no regime militar e nos fatores econômicos gerais as razões para todos os males da sociedade. Desatentos às contradições cotidianas e mais gerais da história do país, a maior parte das lideranças da sociedade civil, principalmente dos setores de esquerda, liberais e social-democratas marginalizavam, em suas análises, fatores culturais e políticos do colonialismo, entre eles o privilégio da branquitude. Fechavam os olhos à expansão e ocupação territorial, por meio da distribuição de privilégios raciais maiores ou menores, mas a todos os integrantes dos povos brancos. Ou seja, o fato da sociedade europeizante reservar, em detrimento dos povos nativos, mais direitos econômicos e de cidadania para os brancos, símbolos nacionais da expansão das burguesias européias nos territórios não europeus.

Daí não é de se estranhar que as análises sobre tortura no Brasil do regime militar não estabeleciam relações com a tradição de torturas e violência policial iniciadas durante a escravidão contra os rebeldes das senzalas e que continuaram, inclusive nos brasis democráticos de depois da escravidão, contra os desregrados das favelas, cidadãos comuns e quase sempre não brancos - negros, mestiços, índios e outros. Naquelas análises a violência racista da polícia não necessariamente é política, contra um setor das classes trabalhadoras que fica limitado em sua liberdade de expressão, de ir, vir e se desenvolver, o que, aliás, era uma reivindicação vital para os movimentos políticos negros de então, inclusive para transitar entre ativistas políticos.

Também os estudos sobre as classes trabalhadoras não consideravam (e ainda não consideram na medida necessária ao elaborar as teorias de lutas políticas dos trabalhadores) os diferentes modos de inserção de negros e brancos no modo de produção, assim como as táticas de luta utilizadas pelos escravos e seus descendentes, como os imigrantes membros das classes trabalhadoras, em suas lutas por liberdade e direitos. Não há comparações entre as diferentes táticas, da mesma forma que não se estudou a formação das classes médias a partir da verificação das oportunidades desiguais oferecidas a negros e brancos na sociedade e o impacto destas diferentes oportunidades no desenvolvimento do fenômeno da cooptação política.

Enfim, não se sabe ainda porque certos trabalhadores brancos ascenderam socialmente e passaram a integrar a burguesia, enquanto a miséria negra se perpetuou, da mesma forma que as elites brasileiras tão intocadas como a ordem de desigualdades raciais. Por isso mesmo foi impossível ter uma definição competente do que é o fenômeno da conciliação no Brasil. Mesmo porque não se estudou a sua relação com o racismo nem se descobriu quem divide e nem quem concilia com quem, do ponto de vista da luta de classes e da concessão de privilégios econômicos com base em padrões raciais. Não se sabe, afinal, o que exatamente divide as classes trabalhadoras. Em 1978 dizia-se na sociedade civil que a luta anti-racista divide.

Outra coisa que precisa ser respondida: será que existem conexões étnicas no processo de formação da interdependência brasileira ao capital externo? Por que, por exemplo, foi o ministro Shigeaki Ueki quem dinamizou as relações econômicas Brasil-Japão? Ou então, por que Ernesto Geisel privilegiou o capital alemão, apesar da tecnologia obsoleta da usina nuclear que importou? Ou, ainda, por que os generais sulistas estimularam, para expansão das fronteiras, a imigração dos trabalhadores do sul europeizado para o Norte e Nordeste - amestiçado, negro e índio, cujas populações eram empurradas pela miséria e a exploração econômica, para o Sul, onde se transformavam em mão-de-obra barata?

Estes fenômenos tiveram conseqüências maiores que a sua mera marginalização nos centros urbanos ou a maior difusão do baião. Tiveram conseqüências políticas: onde afinal estão os louros dos pampas que ganharam terras para criar novas fronteiras? Mantém a tradição dos Farrapos ou dos românticos anarquistas do começo do século? Provavelmente desfrutam de privilégios idênticos aos ex-operários que, de São Paulo, foram ocupar o lugar e atrasar o processo de qualificação da mão-de-obra nativa, tratada como o ex-escravo depois da abolição da escravatura.

A verdade é que as políticas "revolucionarias" e os intelectuais da política mais progressista brasileira tem privilegiado, para a elaboração teórica, a experiência européia e europeizante e marginalizado a experiência local, não européia e não branca. E quem pretende sublevar (se é que alguém pretende) as massas não pode fazê-lo sem responder àquelas questões, principalmente num país onde a burguesia tem orgulho da sua origem étnica, mas reconhece, apesar do racismo, que metade da população, 44,5%, é não branca - negra ou mestiça.

Um político conservador, mas atento, o negro Esmeraldo Tarquínio, ao falar do golpe de 64, dizia que ele era de elites porque não conseguia visualizar, nas fotos da "Marcha com a Família e a Propriedade", qualquer "ponto negro" no meio da multidão. Algo parecido com os palanques das lutas "populares" pela democracia, travadas recentemente e na década passada, cujos organizadores fazem manifestações que mais se parecem com atos realizados na Europa, tão branca sua estética marcada pela quase que absoluta ausência de cultura popular.

Outro político, também atento, mas de esquerda, o deputado federal Luiz Gushiken surpreendeu-se com o afluxo de japoneses que, organizados, atuaram na sua campanha e do Partido dos Trabalhadores. É que o fato racial, apesar de essencial na realidade brasileira não fazia parte da sua formação de esquerda. Apesar de japonês. Isto porque a lógica das lutas políticas organizadas tem privilegiado um sujeito histórico, no Brasil: o descendente de europeus.

Uma lógica que, aliás, é perversa contra o próprio branco, forçado a se imaginar como o eterno responsável pelo progresso ou o retrocesso da humanidade - coisa que os chineses, árabes, vietnamitas, africanos e outros povos não brancos sabem que isto é irreal, ao contrário dos revolucionários brancos que, no seu romantismo, deixaram de notar que uma das razões do enfraquecimento dos movimentos operários do início do século foi a incapacidade dele estabelecer conexão com as massas populares nativas por não saber, inclusive, falar "a língua" das populações exploradas e oprimidas do país. Ao contrário do populista Getúlio Vargas, do demagogo Jânio ou do caipira Quércia que, pelo uso, reconheceram ao menos a força das culturas não brancas.

A alienação branca acabou determinando outra fragilidade dos movimentos negros que, na prática da luta, acabaram introjetando a lógica da exclusão, determinante no pensamento racista. E marginalizaram, em suas análises, o potencial revolucionário e reformador das populações brancas, vítimas das contradições de classes, descartadas por estes movimentos como prováveis aliados. Todo o esforço negro concentrou-se na organização dos negros e pouca energia voltou-se para as contradições não raciais. Cristalizou-se a lógica do gueto: negro só alicia negro. Esta lógica acabou sendo reincorporada pela alienação branca que, ao reconhecer o racismo, transformou o seu combate numa responsabilidade "única e exclusiva dos negros". A questão deixou de ser política: tornou-se pessoal dos negros, que, ao preservá-la assim, começaram a tecer a corda do próprio isolamento.

Esta, a lógica que precisava ser revertida às vésperas do dia 13 de maio de 1978. Mesmo porque, isolados, os negros desenvolviam uma teoria mais alienante, de contestação pura e simples de tudo o que era branco. Da linguagem à própria ciência. Evoluía, principalmente entre os jovens negros, profunda aversão a tudo feito por brancos, inclusive a luta contra o regime militar. A teoria marxista começava a ser rejeitada, não pela crítica ao contexto em que Marx pensou o mundo branco, mas pelo reacionarismo do racismo às avessas.

Da mesma forma que os brancos confundiam a história do Brasil com a história da expansão européia, os negros começaram a confundir o mundo das idéias com a sua difusão pelo meio branco. Atiravam no que viam, acertavam o que desconheciam: ao rejeitar a experiência branca porque era branca, na verdade assimilavam-na perdendo de vista a experiência humana; e perdendo as múltiplas contradições da sociedade. Desconheciam o país, quando era preciso enfrentá-lo.

 

A força do auto-reconhecimento


A consciência destas fragilidades não se deu a partir de um impulso apenas interno. As lutas africanas abriram, para os negros do Brasil, outra perspectiva crítica da sua existência no mundo branco. O surgimento de elites negras nos EUA completou o quadro. Se o nacionalismo negro ianque embutido e importado dos EUA resgatava, aos brasileiros, sua dignidade de raça, o universalismo da libertação africana exportava dignidade política, permitindo aos ativistas negros redescobrir as massas populares e a universalidade da luta anti-racista.(Explica-se: o movimento Soul, conhecido entre brancos como movimento Black, ao exacerbar a negritude, deu visibilidade ao negro. Não só junto aos brancos, como entre os próprios negros que, ao se afirmarem como individualidade racial, realizaram a reivindicação de afirmação da consciência negra, tornando palpável para as lideranças negras reivindicações econômicas e de poder. A reação uníssona dos brancos empurrou a emergente classe média negra às suas origens raciais, confrontando-a com a inevitabilidade da sua condição de ex-escrava num país de ex-senhores. Os revolucionários africanos, por sua vez, destruíram o mito maniqueísta de que tudo o que é branco é, necessariamente, um mal, foi o pensamento universalizado e não a lógica do gueto, que alimentou as alianças inter-étnicas e a manipulação das contradições internas do poder colonial.

Os brancos descobriram outro sujeito histórico no processo democrático, que deixou de ser um fenômeno europeu; a África não era só Idi Amim, o que foi bom para a dignidade negra.

O ano de 1978 foi um divisor de águas para o movimento negro porque revelou à sociedade um novo negro. É, portanto, divisor de águas também para a sociedade.
Até então os grupos negros mais arrojados limitavam-se a fazer teatro nas periferias, utilizando uma literatura em geral retirada de poemas, romances e textos africanos, além de livros de história. O esforço era para provar aos próprios negros que tinham dignidade e história. A escravidão e as revoltas dos escravos eram a espinha dorsal dos textos teatrais. O esforço de organização estava voltado para se criar meios de comunicação e formas de produção material e intelectual, por intermédio de imprensa a cooperativas negras de produção e distribuição de alimentos. Se para reunião, o máximo que se conseguia era reunir pequenos grupos, ativos, porém, pequenos de militantes, na maioria em fase de ascensão social. Foram destes núcleos que apareceram os debates sobre "O Que Fazer no dia 13 de Maio".

Foi após se desenvolver a percepção de que era preciso sair do gueto, que se decidiu travar o primeiro enfrentamento interno. Antes entre aquelas duas tendências; depois com os setores mais tradicionais das Comunidades Negras e, finalmente, com o mundo dos brancos.

 

Lutas de Classes Internas


Foi uma data memorável, o dia 13 de Maio de 1978. O presidente do Clube 28 de Setembro, Frederico Penteado, começou a suar quando faixas e cartazes, questionando a abolição da escravatura em São Paulo e denunciando a brutalidade policial, foram erguidas no Largo do Paissandu diante da estátua da Mãe Preta.

A solenidade com autoridades visava comemorar o dia 13 de Maio. O inusitado da situação tomou autoridades e policiais incompetentes para impedir a leitura da primeira carta aberta à população, fazendo um balance dos mortos pela Rota e denunciando a violência policial. O governo da época era de Paulo Maluf.

No mesmo período, os movimentos negros perderam uma batalha, nas plenárias do Comitê Brasileiro de Anistia. A palavra de ordem "Anistia Total, Ampla e Irrestrita e revisão das penas dos presos comuns" foi cortada pela metade. À sociedade restou apenas refletir sobre as confissões sob torturas realizadas pelo DOPS. As delegacias de bairros e seus torturadores continuaram impunes.

 

Casa Grande e Senzala


O ingresso de negros militantes no mundo dos brancos militantes não foi um mero fenômeno sociológico. Nem foi determinado pela subjetividade das táticas políticas. Foi conseqüência do real. Do ponto de vista das grandes massas populares, a lógica do gueto é esdrúxula enquanto instrumento da política. Elas movem-se para frente; procuram expandir-se no espaço, enquanto são comprimidas pela opressão e a exploração, opõem-se ao gueto.

Não é à toa que as elites brasileiras comemoram, neste ano, o centenário da abolição, que não foi fruto do arbítrio pura e simplesmente, mas também resultou das pressões do escravo que ajudou a inviabilizar o escravismo. A luta travada pelo escravo contra a escravidão transformou-se em luta por cidadania, quando livre. Por isso não é correto pensar nos movimentos negros a partir do momento em que o opressor, homem ou mulher branca ou o explorador burguês, o reconheceu como fato político. Inviabilizado pela alienação branca, já existiam praticando a luta da política do possível.

Podemos identificar duas grandes tendências de movimentos negros na história: o de massas e o de elites. O primeiro prosperou nas senzalas; o segundo na Casa Grande. Na senzala contestava a chibata e o trabalho forçado; na Casa Grande visualizava o poder. Os heróis negros mais reconhecidos pelo mundo branco prosperaram nas Casas Grandes, muitos deles mestiços genéticos ou culturais, como Xica da Silva, Luiz Mahin, André Rebouças, José do Patrocínio. Suas lutas políticas só ganharam vigor quando se inspiraram nas culturas políticas, inclusive das senzalas. Quando simplesmente racializaram a luta foram submetidos ao isolamento ou perderam a expectativa de poder. Sem conexão com as senzalas, porém, suas histórias perderam-se no processo de branqueamento da sociedade brasileira.

Os heróis das senzalas, no entanto, só ganharam força quando buscaram dar ao vigor das culturas negras uma nova noção de política e poder na sociedade. Negros ou mestiços, e até brancos, foram enterrados na história e pela história dos seus protagonistas brancos, quando não aderiram a lógica da Casa Grande. É o caso de Zumbi ou Preto Cosme, os Malês, ao contrário de Henrique Dias ou Ganga Zumba. De qualquer forma os heróis da senzala sempre tiveram, em algum momento, a contingência de negociar o poder, ainda que das suas vidas ou morte na sociedade.

Sua maior insuficiência era, quase sempre, em relação à manipulação das contradições da sociedade colonial controlada pelos brancos em expansão. Sua grande contribuição, no entanto, é o fato de jamais terem cedido às teses racistas de se criar um país negro ou a partir desta ótica. Em Palmares foram encontradas estatuetas cristãs e os Malês combatiam os cristãos, fossem brancos ou negros. Os negros das senzalas atuaram em todas as revoltas populares do país e mesmo como soldados nas guerras das elites. Sempre incluíram brancos nas suas lutas por liberdade: como soldados e como generais.

Antônio Bento e os Caifazes foram alguns deles. Assim é, até hoje, seja nas escolas de samba, no candomblé ou nas greves do ABC.

 

Movimento Real


É verdade que os movimentos negros vistos da Casa Grande foram pouco vigorosos neste século, no Brasil. O iceberg negro apresentou duas pontas principais e outros pontos que marcaram esta história. As duas faces principais foram a Frente Negra Brasileira e o Movimento Negro Unificado.

Outras delas foram o Teatro Experimental do Negro, a imprensa negra do início do século e muitas entidades negras criadas no decorrer dos últimos cem anos. Em geral estes movimentos eram formados a partir de negros que deixavam a senzala e ingressavam no mundo dos brancos, tanto do ponto de vista econômico como cultural. São movimentos de reação ao racismo.

Há outros movimentos tão reais e muito mais vigorosos, que, na verdade, pressionavam a Casa Grande gerando a ideologia negra contestatória. São movimentos culturais negros de massa que incluem desde as Casas de Minas do Maranhão, os candomblés da Bahia, as escolas de samba do Rio Janeiro e São Paulo, as congadas, moçambiques e outros agrupamentos negros que sempre comemoram a libertação dos escravos mas que, hoje, por meio dos pagodes, blocos baianos ou carnaval de rua, verbalizam críticas à situação social brasileira.

Eles jamais voltaram às suas origens culturais exatamente porque são os produtores da cultura popular: é o movimento dos trabalhadores negros. Jamais viverão a contradição teórica raça e classe porque são o que são: a alma, o espírito e a matéria-prima do proletariado.

Este movimento real inclui mocinhos e bandidos das classes trabalhadoras e é formado por migrantes que vão do campo para a cidade ou do Norte e Nordeste para o Sul. Ou então negros que, com muitos esforços ingressam na classe operária, são trabalhadores. Seus integrantes não têm vergonha de trabalhar na Casa Grande, onde, ao limpar banheiros ou aparar jardins, conspiram contra as culturas das elites. Nas madrugadas. Este movimento definiu o perfil cultural do país do futebol, do samba e da cachaça: um país negro, chamado Brasil.

Este mesmo movimento, afinal, com seus operários e operárias deu à luz ao movimento negro pós 1978, que, de certa forma, começou a combinar o vigor da luta cultural e impor novas noções de política à sociedade. Ele, neste momento, se encontra e procura criar uma nova síntese ao lado de milhares de lideranças brancas com noções mais universalizadas do país e que se defrontam com a mesma indagação dos movimentos negros de 78: o que fazer no dia 13 de Maio, quando se comemora a abolição da escravatura no Brasil? Agora, o centenário da abolição.

Certamente esta indagação precisa ser respondida pelo PT e seus integrantes. Afinal há petistas hoje capazes de verbalizar noções de política para a Casa Grande e outros que as verbalizam para as senzalas. Tudo é uma questão de opção. Mesmo porque há uma nova conspiração em movimento. Axé.

 

 

 

 


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