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Líderes de religiões de matriz africana celebram o tema da redação

Líderes de religiões de matriz africana celebram o tema da redação

De acordo com a coordenadora estadual do Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-Brasileira, Ruthneia Vieira, a tolerância religiosa ainda não é pauta nas escolas brasileiras.

por Nathalia Amaral no Jornal O Dia

Líderes religiosos de todo o país celebraram a escolha do tema da redação do Enem 2016, entre eles, os líderes de religiões de matriz africana. Instituída em 2003, a lei 10.639, alterada pela Lei 11.645 de 2008, levanta o debate sobre respeito e a tolerância religiosa nas escolas, tornando obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana em todas as escolas, públicas e particulares, do ensino fundamental até o ensino médio.

No entanto, de acordo com a coordenadora estadual do Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-Brasileira, Ruthneia Vieira, a tolerância religiosa ainda não é pauta nas escolas brasileiras. “Nós ainda temos escolas públicas em que as crianças são obrigadas a aprender orações católicas, direcionando o aprendizado para a religião majoritária. Nós nunca tivemos nas escolas um modo de respeitar todos os jeitos de crer, inclusive o de não crer”, afirma.

A coordenadora destaca que o tema da redação traz à tona as leis 10.639 e 11.645 que tratam da implantação da cultura africana e afro-brasileira nas escolas, e acredita que vários candidatos tiveram dificuldade em abordar o tema sobre combate à intolerância religiosa. “Poderia ser sobre política ou sobre economia, mas é um tema muito significativo, porque ninguém dá importância à intolerância religiosa hoje em dia. Talvez esses alunos abordem sobre a história da igreja católica, mas ninguém lembra que todo dia morre um pai de santo”, comenta.

A educadora revela ainda que os ataques a terreiros de religiões de matrizes africanas, como candomblé e umbanda, aumentaram nos últimos anos e que só através da educação é possível incutir na população o respeito e a tolerância à diversidade religiosa.

imagem Mário Espinosa do acervo do Geledés

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