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Primeiro barítono negro se forma no curso de canto lírico, da UFJF

Primeiro barítono negro se forma no curso de canto lírico, da UFJF

Elmir Santos cola grau, nesta quarta- feira (17), e apresenta recital com repertório voltado para a cultura negra

Por FRANCO MALHEIRO, do O Tempo

O barítono Elmir Santos, 33 é primeiro homem negro a se formar em canto lírico, na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)

Trajando smoking e com um turbante africano na cabeça, como símbolo de resistência. É dessa forma que o barítono Elmir Santos, 33 – primeiro homem negro a se formar em canto lírico, na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) –  apresenta seu recital de conclusão de curso, nesta quarta-feira (17), às 19h30, no auditório Geraldo Pereira, na UFJF, em Juiz de Fora, Zona da Mata do Estado.

O primeiro contato de Santos com a música lírica foi quando ele tinha 10 anos. Na época, ele participou de um concurso realizado pela Prefeitura de Juiz de Fora, que selecionava cantores nas escola municipais da cidade para participarem de um coral regido pelo maestro Ciro Tabet. Desde então, o cantor sabia que era isso que faria da vida, cursando, mais tarde, de forma gratuita, o curso livre na Faculdade Bituca, em Barbacena.

Em 2012, o músico, então, conseguiu passar no vestibular. Mas Santos ressalta: chegar até lá não foi fácil.  “Precisei trabalhar, por isso demorei entrar na Universidade, estudei a vida inteira em escola pública dificultando ainda mais meu ingresso na universidade. Sou resultado da política de cotas, e sem ela, nas minhas condições, talvez eu não conseguiria.” Mas, ao mesmo tempo, ele revela se sentir muio orgulhoso por poder representar pessoas que passaram pelas mesmas coisas que passou. “O fato de eu ser o  primeiro homem negro a se formar em canto pela UFJF representa  muita luta. Fico orgulhoso em poder representar, e mostrar para muitas pessoas negras, da periferia que é possível alcançar os sonhos”, exclama santos.

De acordo com o barítono, ele não chegou a sofrer preconceito direto durante o curso, mas se incomodava bastante com o fato de possuir poucos negros na Universidade. “Na mina turma só tinha eu de negro, e nos outros cursos a proporção de brancos é bem maior”, lamenta.

FOTO: BRUNO BARBOSA/DIVULGAÇÃO

Representatividade

O repertório escolhido por Elmir Santos, para sua prova final, traz toda a raiz africana para a música erudita. No recital “As Africanias como Matriz da Música Americana e Brasileira”, Santos trouxe autores que ressaltam os cantos Afros, os quais ele destaca os brasileiros Heitor Villa-Lobos (1887-1959), Waldemar Henrique (1905-199), Francisco Mignone (1887-1986) e os americanos Scott Joplin (1868-1817), Geroge Gershwin (1898-1937).

De Villa- Lobos, o barítono apresentará a peça Xagô. Um canto de Candomblé que o compositor brasileiro harmonizou. Já de Francisco Mignone,  o músico apresentar Quizomba, uma peça, de 1932, extraída do Maracatu, em homenagem ao escravo Chico Reis. Outro que Santos destaca é o norte americano Scott Joplin, o único  compositor negro do repertório. De Joplin, o cantor apresentará Thremonisha, de 1911.

“Quero mostrar nesse recital, que é um trabalhado acadêmico antropológico,a música erudita pode também representar minha cultura: a cultura negra. A música erudita carrega esse estigma de ser algo europeia, para pessoas mais ricas. Quero mostrar que ela pode ser democrática, para todos e todas as culturas”, explica Santos

O recital apresentado por Santos, nesta quarta-feira, será aberto ao público.

 

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