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Racismo: Sistema Operacional Brasileiro

Racismo: Sistema Operacional Brasileiro

A questão racial no Brasil, e o racismo à brasileira ganhou no últimos tempos manchetes na grande imprensa e nos blogs à direita e à esquerda espalhados pelo país. Muito disto se deve à ascensão  de Joaquim Barbosa ao STF, momento em que a elite brasileira viu que tem gente não branca, preparada para decidir nas altas esferas de poder, mas principalmente pela existência de uma população de  periferia, que até então se mantinha com seus jovens em seu lugar,  que passou a reclamar da gentrificação, ou enobrecimento das cidades que os alija do acesso ao Palácios de Luxo e aos grandes estádios.

Por Ricardo Andrade Do Mama Press

Estamos diante de uma geração de negros e pobres, que são milhões, que diante da impossibilidade de se divertirem e gozarem dos bens da sociedade, além da absoluta impossibilidade de passearam à noite nos finais de semanas sem levarem um tiro ou pelo menos um tapa na cara durante um baculejo policial, estão se mostrando para a sociedade e dizendo que também querem o que os filhos dos bem comportados e mal comportados têm.

Notícias de casos de racismo se repetem às dúzias nos blogs  e na grande imprensa, o Brasil acaba de descobrir o óbvio.

Nas redes sociais todos os dias são denunciados novos casos de violência, racismo e discriminaçõe, numa repetição que chega à banalização de uma realidade cruel:

É uma página da mais ricas do mundo, a Mercado Livre, que anuncia  a venda de negros de diversas utilidades. É uma jovem mãe negra obrigada a lavar o chão de uma loja fina, que sua filhinha de colo havia sujado ao regurgitar o leite mamado. São milhares de jovens pretos e pobres que são assassinados em autos de resistência pelo Brasil afora. Agora por último surge a revelação do que todos sabem fazem 47 anos, que no Maranhão ainda se vive no período colonial, com uma vice-rainha que a tudo se permite, inclusive camarões com cabeças cortadas.

Antes que tudo isto fique banal e no carnaval a gente esqueça, nós aqui na Mamapress vamos publicar artigos e opiniões, que possam ir além do enxugar o gelo ao denunciarmos casos de racismo. Queremos discutir sobre o racismo estrutural do Brasil, que sem meias palavras causa e é origem de tanta desgraça neste país e impede a participação, além de jogar foram os cérebros da maioria de nossa população.

Ricardo Andrade nos traz uma comparação entre o sistema Windows e o tentacular sistema que produz e vive do racismo à brasileira. (marcos romão editor da Mamapress)

O racismo no Brasil funciona como um sistema, ou seja um conjunto de elementos interligados, que atua de forma precisa, no sentido de manter a segregação e a distância social, que impede o desenvolvimento da nação.

Ricardo Andrade

O primeiro sistema sócio político implantado no Brasil foi o sistema escravocrata e dele se originou os pilares que estruturaram as bases da nossa sociedade. Daí pra frente, tudo que acontece a nossa volta está correlacionado a esse sistema, que atua na manutenção da pirâmide social. O racismo está presente em tudo. Podemos dizer que o racismo está para a sociedade brasileira tal e qual o Windows está para um computador pessoal.

Quando ligamos o PC, é o Sistema operacional Windows que nos recebe, nos direciona e nos conduz a todos os programas, acessórios e ferramentas existentes na máquina. É o Sistema que nos permite ou não desenvolver as ações que queremos. Se nossa intenção ao ligar o PC for escrever um texto, será o Windows que nos direcionará ao world e disponibilizará as ferramentas de digitação e formatação. Caso nossa intenção seja a elaboração de uma tabela, será o sistema Windows que nos conduzirá ao Excel e as suas funções. É o Windows que nos faz navegar por todo o conteúdo de um PC. É esse sistema que abre e fecha os programas. É o sistema que liga e desliga a máquina e, se por acaso tentarmos executar alguma ação, que não esteja em sintonia coma sua programação original, o sistema para, a máquina trava e, se essa intervenção acontecer de forma que drible a capacidade de gestão desse sistema, ele reinicia, para que a sua função original seja mantida: A função de proporcionar a operação da máquina exclusivamente para aquilo que ele foi programado.

Com a nação brasileira é assim também que as coisas funcionam! É o Sistema Operacional Racismo que determinou e dita às regras do funcionamento do Estado Brasileiro. É o racismo que seleciona quem deve ou não concluir os estudos. É o sistema racismo que aponta os que devem morrer, os que devem se aposentar, entre outras definições. O racismo determina quanto de recurso será alocado na educação e na saúde. É o sistema operacional racismo que determina a intensidade da luz que se coloca nos postes dos bairros populares. Determina ainda, o horário e a frequência da coleta do lixo. É o racismo que especifica a política de segurança e a política alimentar. É o racismo que elege a imensa maioria dos representantes legislativos. É o racismo que versa sobre o judiciário, que pauta a política carcerária. O racismo está presente também no processo de formação intelectual e profissional das polícias, advogados, médicos…

Assim como o Windows, o racismo está presente em tudo, ele incide sobre os partidos políticos, sobre as religiões, sindicatos, associações. Não há nada que passe despercebido pelo racismo. Caso haja alguma ação, que vá de encontro ao racismo, imediatamente os elementos de defesa se manifestam, a máquina para. Logo, logo algum jurista formado pelo racismo encontra inconstitucionalidade em programas como cotas, bolsa família e outras ações afirmativas. Quando vamos de encontro a esse sistema a mensagem de -“uma ameaça foi identificada”-, é disparada e, os responsáveis pela manutenção desse sistema logo tomam as providencias necessárias. Se formos às ruas denunciar o estado, o sistema aciona o antivírus (policia) para destruir os focos de resistência. Quando insistimos em ações que nos tragam vantagem e combata o racismo, a máquina estatal para e o sistema se reinicia. Projetos de leis são engavetados ou voltam para serem redigidos no sentido de contemplar o sistema e seu status quo. Precisamos sair do sistema para combatê-lo. Precisamos de uma nova matriz que nos permita navegar pelo estado sem ser dirigido por seu sistema.

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