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Homem negro espancado, suspeito de roubar o próprio carro Imprimir E-mail
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SOS Racismo - Notícias
Fonte: Afropress-

roubo-de-carros

S. Paulo - Tomado por suspeito de um crime impossível - o roubo do seu próprio carro, um EcoSport da Ford - o funcionário da USP, Januário Alves de Santana, 39 anos, foi submetido a uma sessão de espancamentos com direito a socos, cabeçadas e coronhadas, por cerca de cinco seguranças do Hipermercado Carrefour, numa salinha próxima à entrada da loja da Avenida dos Autonomistas, em Osasco. Enquanto apanhava, a mulher, um filho de cinco anos, a irmã e o cunhado faziam compras.

A direção do Supermercado, questionada pelo Sindicato dos Trabalhadores da USP, afirma que tudo não passou de uma briga entre clientes.

O caso aconteceu na última sexta-feira (07/08) e está registrado no 5º DP de Osasco. O Boletim de Ocorrência - 4590 - assinado pelo delegado de plantão Arlindo Rodrigues Cardoso, porém, não revela tudo o que aconteceu entre as 22h22 de sexta e as 02h34 de sábado, quando Santana - um baiano há 10 anos em S. Paulo e que trabalha como Segurança na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, há oito anos - chegou a Delegacia, depois de ser atendido no Hospital Universitário da USP com o rosto bastante machucado, os dentes quebrados.

Ainda com fortes dores de cabeça e no ouvido e sangrando pelo nariz, ele procurou a Afropress, junto com a mulher - a também funcionária do Museu de Arte Contemporânea da USP, Maria dos Remédios do Nascimento Santana, 41 anos - para falar sobre as cenas de terror e medo que viveu. "Eu pensava que eles iam me matar. Eu só dizia: Meu Deus".

Santana disse pode reconhecer os agressores e também pelo menos um dos policiais militares que atendeu a ocorrência - um PM de sobrenome Pina. "Você tem cara de que tem pelo menos três passagens. Pode falar. Não nega. Confessa, que não tem problema", teria comentado Pina, assim que chegou para atender a ocorrência, quando Santana relatou que estava sendo vítima de um mal entendido.

Depois de colocar em dúvida a sua versão de que era o dono do próprio carro, a Polícia o deixou no estacionamento com a família sem prestar socorro, recomendando que, se quisesse, procurasse a Delegacia para prestar queixa.

 

Terror e medo


"Cheguei, estacionei e, como minha filha de dois anos, dormia no banco de trás, combinei com minha mulher, minha irmã e cunhado, que ficaria enquanto eles faziam compra. Logo em seguida notei movimentação estranha, e vi dois homens saindo depressa, enquanto o alarme de uma moto disparava, e o dono chegava, preocupado. Cheguei a comentar com ele: "acho que queriam levar sua moto". Dito isso, continuei, mas já fora do carro, porque notei movimentação estranha de vários homens, que passaram a rodear, alguns com moto. Achei que eram bandidos que queriam levar a moto de qualquer jeito e passei a prestar a atenção", relata.

À certa altura, um desses homens - que depois viria a identificar como segurança - se aproximou e sacou a arma. Foi o instinto e o treinamento de segurança, acrescenta, que o fez se proteger atrás de uma pilastra para não ser atingido e, em seguida, sair correndo em zigue-zague, já dentro do supermercado. "Eu não sabia, se era Polícia ou um bandido querendo me acertar", contou.

Os dois entraram em luta corporal, enquanto as pessoas assustadas buscavam a saída. "Na minha mente, falei: meu Deus. Vou morrer agora. Eu vi essa cena várias vezes. E pedia a Deus que ele gritasse Polícia ou dissesse é um assalto. Ele não desistia de me perseguir. Nós caímos no chão, ele com um revólver cano longo. Meu medo era perder a mão dele e ele me acertar.

Enquanto isso, a mulher, a irmã, Luzia, o cunhado José Carlos, e o filho Samuel de cinco anos, faziam compras sem nada saber. "Diziam que era uma assalto", acrescenta Maria dos Remédios.

Segundo Januário, enquanto estava caído, tentando evitar que o homem ficasse em condições de acertar sua cabeça, viu que pessoas se aproximavam. "Eu podia ver os pés de várias pessoas enquanto estava no chão. É a segurança do Carrefour, alguém gritou. Eu falei: Graças a Deus, estou salvo. Tô em casa, graças a Deus. Foi então que um pisou na minha cabeça, e já foi me batendo com um soco. Eu dizia: houve um mal entendido. Eu também sou segurança. Disseram: vamos ali no quartinho prá esclarecer. Pegaram um rádio de comunicação e deram com força na minha cabeça. Assim que entrei um deles falou: estava roubando o EcoSport e puxando moto, né? Começou aí a sessão de tortura, com cabeçadas, coronhadas e testadas", continuou.

 

Sessão de torturas


"A sessão de torturas demorou de 15 a 20 minutos. Eu pensava que eles iam me matar. Eu só dizia: Meu Deus, Jesus. Sangrava muito. Toda vez que falava "Meu Deus", ouvia de um deles. Cala a boca seu neguinho. Se não calar a boca eu vou te quebrar todo. Eles iam me matar de porrada", conta.

Santana disse que eram cerca de cinco homens que se revezavam na sessão de pancadaria. "Teve um dos murros que a prótese ficou em pedaços. Eu tentava conversar. Minha criança está no carro. Minha esposa está fazendo compras, não adiantava, porque eles continuaram batendo. Não desmaiei, mas deu tontura várias vezes. Eu queria sentar, mas eles não deixavam e não paravam de bater de todo jeito".

A certa altura Januário disse ter ouvido alguém anunciar: a Polícia chegou, sendo informada de que o caso era de um negro que tentava roubar um EcoSport. "Eles disseram que eu estava roubando o meu carro. E eu dizia: o carro é meu. Deram risada."

 

A Polícia e o suspeito padrão


A chegada da viatura com três policiais fez cessar os espancamentos, porém, não as humilhações. "Você tem cara de que tem pelo menos três passagens. Pode falar. Não nega. Confessa que não tem problema", comentou um dos policiais militares, enquanto os seguranças desapareciam.

O policial não deu crédito a informação e fez um teste: "Qual é o primeiro procedimento do segurança?". Tonto, Januário, Santana disse ter respondido: "o primeiro procedimento é proteger a própria vida para poder proteger a vida de terceiros".

Foi depois disso que conseguiu que fosse levado pelos policiais até o carro e encontrou a filha Ester, de dois anos, ainda dormindo e a mulher, a irmã e o filho, atraídos pela confusão e pelos boatos de que a loja estava sendo assaltada. "Acho que pela dor, ele se deitou no chão. Estava muito machucado, isso tudo na frente do meu filho", conta Maria dos Remédios.

 

Sem socorro


Depois de conferirem a documentação do carro, que está em nome dela, os policiais deixaram o supermercado. "Daqui a pouco vem o PS do Carrefour. Depois se quiserem deem queixa e processem o Carrefour", disse o soldado.

Em choque e sentindo muitas dores, o funcionário da USP conseguiu se levantar e dirigir até o Hospital Universitário onde chegou com cortes profundos na boca e no nariz. "Estou sangrando até hoje. Quando bate frio, dói. Tenho medo de ficar com seqüelas", afirmou.

A mulher disse que o EcoSport, que está sendo pago em 72 parcelas de R$ 789,00, vem sendo fonte de problemas para a família desde que foi comprado há dois anos. "Toda vez que ele sai a Polícia vem atrás de mim. Esse carro é seu? Até no serviço a Polícia já me abordaram. Meu Deus, é porque ele é preto que não pode ter um carro EcoSport?", se pergunta.

Ainda desorientado, Santana disse que tem medo. "Eu estou com vários traumas. Se tem alguém atrás de mim, eu paro. Como se estivesse sendo perseguido. Durante a noite toda a hora acordo com pesadelo. Como é que não fazem com pessoas que fizeram alguma coisa. Acho que eles matam a pessoa batendo", concluiu.

 

Matéria original: Homem negro espancado, suspeito de roubar o próprio carro

Comentários
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Anônimo   |2009-08-16 00:22:14
não suporto mais este tipo de situação penso nos m eus filhos como sobreviv
er neste mundo de injustiç as todas nós já passamos por constrangimentos qu
e  envolve um racismo disfarçado me preocupo pois gos taria de dar um
estudo digno para meus filhos e nã o posso,marido desempregado e o que faze
r ?
ayraon  - Só no Brasil se acha isso...   |2009-08-17 01:05:46
Só no Brasil se acha que o racismo é velado. Velad o nada! Só não vê quem não qu
er, ou seja, o povo b rasileiro iludido por uma visão deturpada de si me smo. &#
34;Somos mestiços!" diz um, "Não ex iste preto ou branco" diz outro
na hora que es se preto inexistente diz sofrer racismo. Lá fora, quem conhece o
Brasil, não consegue entender como esse país pode, por tanto tempo, esconder s
eu raci smo doente. Aqui dentro, vivemos na insanidade col etiva: brancos acham
que racismo não existe, que t á na cabeça dos pretos (que, segundo alguns pretos
e brancos, não existem), negros dizem que o racis mo brasileiro é "velado&
#34; e muitos aceitam essa situação (alguns até dizendo nunca terem sofr ido ra
cismo, mesmo sendo alvo dele todo o dia). A história do bahiano me deixa triste
, por que ela v ai se repetir, e se repetir, e se repetir sem que façamos nada.
Ou iremos fazer algo?
paulo   |2009-08-17 09:47:41

Se acontece isso comigo e eu tiver armado eu dou  uma porçao de tiro na c
ara desses segurança e dep ois ainda
mato a familia dele racismo tem que


s er tratado a base de bala
alexandra pericão  - será que...   |2009-08-17 21:48:22
isso algum dia vai ter fim?

tem solução p/ o raci smo?

tem solução pra tamanha
ignorância?


Luciano  - Tem que boicotar o carrefour   |2009-08-20 16:55:49
Tem que boicotar o carrefour. Pare ce comprar no c arrefour Sr. Santana.
Exigir
a demissão dos segur anças. Processar o supermercado. Cobrar explicação na imp
rensa.
vera  - a falta de amor ao proximo, diga não ao racismo   |2009-08-21 03:56:35
sou de uma familia branca e casada com negro, e te nho uma neta linda negra, e u
m genro negro, amo mu ito eles, quero um mundo melhor para os meus filho s e net
os, e que a justiça faça estes elemento pag arem com o que eles fizerão com este
homen e a sua familia , isto me vergonha,espero que o carrefour e o estado (
policias) e os animais ( segurança) paguem pela humilhação que fizerão o santan
a passa r.
Luiz L. Marins  - Direitos Humanos   |2009-08-21 12:46:25
Gostaria de convocar agora os "Direitos

Huma nos" para defender este h
omem, da

mesma form a que defende os bandidos.
Karina  - Mentira!   |2009-08-21 17:19:14
Trabalho no carrefour e estão omitindo informação no maximo segurança terceriza
da são 2, o resto era tudo da prevenção de risco da loja mesmo. acho q ue o qu
e fizeram foi racismo mesmo e esse cliente tem que processar o carrefour mas ar
rancar tudo qu e tenha direito.O Estado devia aplicar uma multa b ilhonaria no c
arrefour para quebrar as pernas dess a empresa que não prepara os fucionarios e
não dá o minimo de segurança para seus clientes !
CAMILA  - ALI KAMEL   |2009-08-24 18:58:36
ALI KAMEL,RESPONSAVÉL SOBRE A MAIORIA DOS PROGRAMA S DA MAIOR TV BRASILEIRA.ESC
REVEU UM LIVRO CUJO O TITÚLO É: "NÃO SOMOS RACISTAS".
ESTE  4;NÃO S
OMOS" REFERE-SE Á SOCIEDADE BRASILEIRA. COMO OBSERVAMOS NO NOSSO COTIDIANO,P
RÁTICA É TOTAL MENTE CONTRARIA.
SERÁ QUE O SR.DIRETOR DE PROGRAM AS NÃO ASSISTE
TELEVISÃO?
daniel  - vivir   |2009-10-13 15:09:58
Januario soy de Punta del Este Uruguay,
me solidar izo contigo y con tu familia.

Me gusta mucho el br asil encuentro que la gente es muy linda, pero si para vo
s
esta dificil ser feliz deberias vivir ac a en Uruguay.
Te dejarian tranquilo
y podrias tene r el auto que quisieras

abrazo

daniel
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