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Zumbi dos Palmares

Cronologia

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• Mais ou menos em 1600: negros fugidos do trabalho escravo nos engenhos de açúcar, onde hoje são os estados de Pernambuco e Alagoas no Brasil, fundam na serra da Barriga o Quilombo dos Palmares. Os quilombos, eram povoados de resistência, seguiam os moldes organizacionais da república e recebiam escravos fugidos da opressão e tirania. Para muitos era a terra prometida, um lugar para fugir da escravidão. A população de Palmares em pouco tempo já contava com mais de 3 mil habitantes. As principais funções dos quilombos eram a subsistência e a proteção dos seus habitantes, e eram constantemente atacados por exércitos e milícias.

• 1630: Começam as invasões holandesas no nordeste brasileiro, o que desorganiza a produção açucareira e facilita as fugas dos escravos. Em 1644, houve uma grande tentativa holandesa de aniquilar com o quilombo de Palmares, que como nas investidas portuguesas anteriores, foi repelida pelas defesas dos quilombolas.

• 1654: Os portugueses expulsam os holandeses do nordeste brasileiro.

Porto A palavra Zumbi, ou Zambi, vem do africano zumbi. Em quimbundo "nzumbi", significa, grosso modo, "duende". No Brasil, Zumbi significa fantasma que, segundo a crença popular afro-brasileira, vagueia pelas casas a altas horas da noite.

 

História


O Quilombo dos Palmares (localizado na atual região de União dos Palmares, Alagoas) era uma comunidade auto-sustentável, um reino (ou república na visão de alguns) formado por escravos negros que haviam escapado das fazendas, prisões e senzalas brasileiras. Ele ocupava uma área próxima ao tamanho de Portugal e situava-se onde era o interior da Bahia, hoje estado de Alagoas. Naquele momento sua população alcançava por volta de trinta mil pessoas.

Zumbi nasceu em Palmares, Alagoas, livre, no ano de 1655, mas foi capturado e entregue a um missionário português quando tinha aproximadamente seis anos. Batizado 'Francisco', Zumbi recebeu os sacramentos, aprendeu português e latim, e ajudava diariamente na celebração da missa. Apesar destas tentativas de aculturá-lo, Zumbi escapou em 1670 e, com quinze anos, retornou ao seu local de origem. Zumbi se tornou conhecido pela sua destreza e astúcia na luta e já era um estrategista militar respeitável quando chegou aos vinte e poucos anos.

Por volta de 1678, o governador da Capitania de Pernambuco cansado do longo conflito com o Quilombo de Palmares, se aproximou do líder de Palmares, Ganga Zumba, com uma oferta de paz. Foi oferecida a liberdade para todos os escravos fugidos se o quilombo se submetesse à autoridade da Coroa Portuguesa; a proposta foi aceita, mas Zumbi rejeitou a proposta do governador e desafiou a liderança de Ganga Zumba. Prometendo continuar a resistência contra a opressão portuguesa, Zumbi tornou-se o novo líder do quilombo de Palmares.

Quinze anos após Zumbi ter assumido a liderança, o bandeirante paulista Domingos Jorge Velho foi chamado para organizar a invasão do quilombo. Em 6 de fevereiro de 1694 a capital de Palmares foi destruída e Zumbi ferido. Apesar de ter sobrevivido, foi traído por Antonio Soares, e surpreendido pelo capitão Furtado de Mendonça em seu reduto (talvez a Serra Dois Irmãos). Apunhalado, resiste, mas é morto com 20 guerreiros quase dois anos após a batalha, em 20 de novembro de 1695. Teve a cabeça cortada, salgada e levada ao governador Melo e Castro. Em Recife, a cabeça foi exposta em praça pública, visando desmentir a crença da população sobre a lenda da imortalidade de Zumbi.

Em 14 de março de 1696 o governador de Pernambuco Caetano de Melo e Castro escreveu ao Rei: "Determinei que pusessem sua cabeça em um poste no lugar mais público desta praça, para satisfazer os ofendidos e justamente queixosos e atemorizar os negros que supersticiosamente julgavam Zumbi um imortal, para que entendessem que esta empresa acabava de todo com os Palmares."

 

Calvo


• 1670: Zumbi aos quinze anos de idade foge e regressa a Palmares. Neste mesmo ano de 1670, Ganga Zumba, filho da Princesa Aqualtune, tio de Zumbi, assume a chefia do quilombo, então com mais de trinta mil habitantes.

• 1675: Na luta contra os soldados portugueses comandados pelo Sargento-mor Manuel Lopes, Zumbi revela-se grande guerreiro e organizador militar. Neste ano, a tropa portuguesa comandada pelo Sargento-mor Manuel Lopes, depois de uma batalha sangrenta, ocupa um mocambo com mais de mil choupanas. Depois de uma retirada de cinco meses, os negros contra-atacam, entre eles Zumbi com apenas vinte anos de idade, e após um combate feroz, Manuel Lopes é obrigado a se retirar para Recife. Palmares se estendia então da margem esquerda do São Francisco até o Cabo de Santo Agostinho e tinha mais de duzentos quilômetros de extensão, era uma república com uma rede de onze mocambos, que se assemelhavam as cidades muradas medievais da Europa, mas no lugar das pedras haviam paliçadas de madeira. O principal mocambo, o que foi fundado pelo primeiro grupo de escravos foragidos, ficava na Serra da Barriga e levava o nome de Cerca do Macaco. Duas ruas espaçosas com umas 1500 choupanas e uns oito mil habitantes. Amaro, outro mocambo, tem 5 mil. E há outros, como Sucupira, Tabocas, Zumbi, Osenga, Acotirene, Danbrapanga, Sabalangá, Andalaquituche.

• 1678: A Pedro de Almeida, governador da capitania de Pernambuco, mais interessava a submissão do que a destruição de Palmares, após inúmeros ataques com a destruição e incêndios de mocambos, eles eram reconstruídos, e passou a ser economicamente desinteressante, os habitantes dos mocambos faziam esteiras, vassouras, chapéus, cestos e leques com a palha das palmeiras. E extraiam óleo da noz de palma, as vestimentas eram feitas das cascas de algumas árvores, produziam manteiga de coco, plantavam milho, mandioca, legumes, feijão e cana e comercializavam seus produtos com pequenas povoações vizinhas, de brancos e mestiços. Sendo assim o governador propôs ao chefe Ganga Zumba a paz e a alforria para todos os quilombolas de Palmares. Ganga Zumba aceita, mas Zumbi é contra, não admite que uns negros sejam libertos e outros continuem escravos. Além do mais eles tinham suas próprias Leis e Crenças e teriam que abrir mão de sua cultura.

• 1680: Zumbi assume o lugar de Ganga Zumba em Palmares e comanda a resistência contra as tropas portuguesas. Ganga Zumba morre assassinado com veneno.

• 1694: Domingos Jorge Velho e Bernardo Vieira de Melo comandam o ataque final contra a Cerca do Macaco, principal mocambo de Palmares e onde Zumbi nasceu, cercada com três paliçadas cada uma defendida por mais de 200 homens armados, após 94 anos de resistência, sucumbiu ao exército português, e embora ferido, Zumbi consegue fugir.

• 1695, 20 de Novembro: Zumbi foi traído e denunciado por um antigo companheiro, ele é localizado, preso e degolado aos 40 anos de idade. Zumbí ou "Eis o Espírito", virou uma lenda e foi amplamente citado pelos abolicionistas como herói e mártir.

Atualmente, o dia 20 de novembro, feriado em mais de 200 cidades brasileiras, é celebrado como Dia da Consciência Negra. O dia tem um significado especial para os negros brasileiros que reverenciam Zumbi como o herói que lutou pela liberdade e como um símbolo de liberdade. Hilda Dias dos Santos incentivou a criação do Memorial Zumbi dos Palmares.

 

Várias referências nas artes fazem tributo a seu nome:


• Música composta por Edu Lobo e Vinicius de Moraes e popularizada por Elis Regina.

• Mencionado em diversas letras da banda Soulfly.

• Mencionado na música "Ratamahatta", da banda Sepultura.

• Seu nome é dado a um lutador no jogo feito em Adobe Flash: Capoeira Fighter 2.

• Quilombo, 1985, filme de Carlos Diegues sobre o Quilombo dos Palmares, ASIN B0009WIE8E

• Gilberto Gil lançou um CD chamado "Z300 Anos de Zumbi".

• A banda de nome Chico Science & Nação Zumbi (atualmente é chamada somente de Nação Zumbi, após a morte do vocalista Chico Science).

• Música de Jorge Ben também cantada por Caetano Veloso nos CDs Noites do Norte e Noites do Norte Ao Vivo.

• Música "300 anos" gravada por Alcione em 2007 (composta por Alty Veloso e Paulo César Feital).

• Nome do aeroporto de Maceió, Alagoas (Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares).

 

Referências bibliográficas


• CARNEIRO,Edison.O Quilombo dos Palmares, Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 3a ed., 1966, p. 35

• FONSECA Júnior, Eduardo. Zumbi dos Palmares, A História do Brasil que não foi Contada. Rio de Janeiro: Soc. Yorubana Teológica de Cultura Afro-Brasileira, 1988. 465 p.

• FREITAS, Décio. Palmares, a guerra dos escravos. Porto Alegre: Movimento,1973.

• LEAL, I.S. & LEAL, A. (1988). O menino de palmares. Coleção "Jovem do Mundo Todo". Editora Brasiliense. 18ª Edição.

• MARTINS Souza, José.Divisões Perigosas: Políticas Raciais no Brasil Contemporâneo.Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira,2007 p.99

• SANTOS, Joel Rufino dos. (1988). Zumbi. Projeto Passo à Frente - Coleção Biografias.Editora Moderna.

• SCISÍNIO, Alaôr Eduardo. Dicionário da escravidão. Rio de Janeiro: Léo Christiano, 1997.

• VAINFAS, Ronaldo (org.). Dicionário do Brasil Colonial. Rio de Janeiro: Objetiva, 2000.

 

Ver também

O Wikiquote tem uma coleção de citações de ou sobre: Zumbi dos Palmares.

• Escravidão

• Guerra dos Palmares

• Panteão da Pátria

• Quilombo

• Quilombo dos Palmares

 

Ligações externas

• Heróis negros no Brasil

• Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial - SEPPIR

 

Obtido em "http://pt.wikipedia.org/wiki/Zumbi_dos_Palmares"

Categorias:

 

Pesquisa de textos e seleção de imagens: Carlos Eugênio Marcondes de Moura

Comentários
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JOAO  - Zumbi   |2009-11-12 18:17:40
Não podemos jamais deixar ficar no esquecimento o fato histórico de Zumbi dos P
almares.
Parabens ao Geledes.
Vamos levar o caso adiante e contribuir para a
continuação desta luta que Zumbi travou c omo lider para a nossa libertação; c
om certeza dev emos dar continuidade a esta luta para a igualdade e progresso d
a raça negra no Brasil e no mundo, d evemos tomar posse daquilo que é nosso, com
democr acia e garra, pode contar comigo porque eu tambem sou um deles, nsaci n
o Certão de Pernambuco numa c idade prócimo de Palmares (Água Preta).
Moro em S
ão Paulo há quarenta anos, mas tenho consciência N egra. Hoje estou com cinquen
ta anos e quero lutar pelos Negros, não com armas de guerra mas om ideai s e de
mocracia tenho certeza que esta é a hora de vencermos.
VAMOS A LUTA!!!
KARINA  - ZUMBI   |2009-11-13 17:35:05
GOSTEI DE SUAS ATITUDES TAMBEM SOU NEGRA .
Código:
Paulina Ap. Paes de Melo  - SER NEGRO   |2009-11-14 02:22:08
Só quem é negro de corpo e alma, pode entender que o sangue que corre em nossas
veias é puro, que no ssa alma é nobre, que a cor da nossa pele é linda, que a
alegria em nossos corações é dádiva e a nos sa força herança dos nossos ancestra
is. Estes e ou tros atributos do nosso povo ninguém conseguiu tir ar, porque som
os o que somos em qualquer parte do planeta.

Maria José Macedo  - Somos de Todas as Cores   |2009-11-17 15:14:54
Somos um País de todas as cores mas nem todas as cores tem voz e vez,mas todas
as cores tem voto,en tão é preciso que possamos manter esse sentimento e tradi
ção que sempre marcou o povo negro desde qu e aqui chegou.Que a herança da garra
determinção,t ambém as tradições estão e possam continuar vivas dentro de cada
afro-dencendente,que vive no Brasil .Continuemos com os nossos Axé. Eparei.Salv
e! Oxal a Pai de todos Nós.
Afonso  - cor querida   |2009-11-18 17:07:02
Nossa cor é um talento em todo o Brasil
Anônimo   |2009-11-18 17:36:24
[/img]m]
gabryella  - zumbi   |2009-11-20 12:53:27
Citaçao:
Código:
gabryella  - negro zumbi   |2009-11-20 12:57:02
gostei de suas atitudes e dos textos legais e dive tidos de se ler eu tambem sou
negra.
dynamara mendes  - o herói Zumbi dos Palmares   |2009-11-27 00:04:53
zumbi é considerado um grande heroi para "todo s" nos dias atuais!

Eu o vejo como um líder re sponsável e de carater justo.todos somos iguais,
es sa é verdade!E hoje mais do q nunca devemos reconh ecer isso,nao im
porta a cor e sim o q ha dentro de  cada um de nossos coraçoes por todos te
mos um san gue negro correndo nas veis!!!!!!!!adorei os comen tarios i
sso indica um futuro sem preconceito de ra ças.
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