terça-feira, agosto 3, 2021

Resultados da pesquisa por 'Biopoder'

“Charlie Hebdo”, Nigéria, Salvador… ou de como o jornalismo (re)afirma o biopoder e a necropolítica

“A carne mais barata do mercado é a carne negra” Marcelo Yuka, Seu Jorge e Wilson Capellette Num mundo que se quer transparente, onde tudo ou quase ganha visibilidade, porções significativas de fatos e ocorrências de inegável importância são relegadas à sombra. As tragédias recentes, a exemplo do ataque ao semanário francês “Charlie Hebdo”, das mortes na Nigéria e da chacina de jovens negros em Salvador nos levam a tensionar o par visibilidade-invisibilidade a partir do instituto jornalístico. Para tanto, recorremos aos conceitos de biopoder e necropolítica na chave explicativa dos pensadores Michel Foucault, Achille Mbembe e Sueli Carneiro.  As coisas como são. Será? Depois de mais de um mês do ocorrido no semanário francês “Charlie Hebdo”, o episódio não cessa de provocar comentários que se desdobram em diversas escalas analíticas. “Charlie Hebdo” persiste, insiste, resiste e, mesmo com a tendência contemporânea de volatizar os fatos na velocidade da luz, de tal modo que se perdem rapidamente nas ...

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Foto: Marcus Steinmayer

Biopoder por Sueli Carneiro

A descriminalização do aborto, uma bandeira histórica do movimento feminista nacional, encontrou nova e perversa tradução de política pública na voz do governador do estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. O governador defende a legalização do aborto como forma de prevenção e contenção da violência, por considerar que a fertilidade das mulheres das favelas cariocas as tornam "fábrica de produzir marginais". Uma reivindicação histórica dos movimentos de mulheres de efetivação dos direitos reprodutivos das mulheres e de reconhecimento do aborto como questão de saúde pública sobre a qual o Estado não pode se omitir é pervertida em proposta de política pública eivada de ideologia eugenista destinada à interrupção do nascimento de seres humanos considerados como potenciais marginais. No lugar do respeito ao direito das mulheres de decidir sobre a própria concepção, coloca-se como diferença radical de perspectiva a indução ao aborto, pelo Estado, como "linha auxiliar" no combate à ...

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Christian Ribeiro (Foto: Arquivo Pessoal)

A Chacina de Jacarezinho e a naturalização da morte, e do racismo, na sociedade brasileira!

A Chacina de Jacarezinho, ocorrida em 06 de Maio de 2021, nos revela a face de uma sociedade cada vez mais orientada pelo ódio e intolerância, em que o Estado é utilizado enquanto elemento de perseguição e extermínio daqueles considerados como os “outros”, os “indesejáveis”, os “inumanos”. Seres desqualificados e desprovidos de sua condição humana, sem significados, importâncias ou historicidades aos olhos de nossas elites, em seu ideário civilizatório de cunho racista e classista. Nesse sentido, sendo essa chacina um reflexo de um Brasil profundo e reacionário que não se acanha mais em mostrar a sua verdadeira face, não mais aceitando ser regulado nem mesmo pelos padrões institucionais-jurídicos, vide ter sido uma ação policial cometida sem pudores, em flagrante desrespeito a chamada “Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF 635) das Favelas”, ratificada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em que o aparelho estatal passa a exercer uma naturalização e adoração ...

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Imagem: iStock

Dez grandes intelectuais brasileiras

No Dia Internacional da Mulher de 2021, vivemos tempos de pouca fé no potencial criatividade e ousadia do nosso povo. Por isso, vale a pena falar de mulheres superpoderosas na pesquisa e no pensamento deste imenso país. Essas intelectuais brasileiras semeiam a crença de que dias melhores virão. O único problema desta lista é que nela só cabem dez mulheres admiráveis. Escolhi-as com um pouco de dor no coração, por ter excluído muitas outras intelectuais brasileiras que me dão orgulho de ter nascido aqui. Orgulhe-se também conhecendo um pouquinho sobre essas mulheres. Rosiska Darcy de Oliveira (1944-) Jornalista desde a década de 1960, Rosiska Darcy de Oliveira partiu exilada para a Europa com o marido diplomata em 1969. De lá, iniciou uma campanha de denúncia da tortura por parte do regime militar no Brasil. Ao retornar, foi interrogada pelos militares, e acabou retornando à Europa. Quem influenciou Oliveira a escrever sobre Educação ...

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(Foto: REUTERS)

Mas afinal de contas, o que deseja a luta antirracista?

As vivências e escrevivências nos revelam caminhos contemporâneos, com novas e louváveis iniciativas, porém, permanecendo intrínsecas, velhas práticas já denunciadas pelas nossas referências, tais como Lélia Gonzalez e Sueli Carneiro. O objetivo é a luta antirracista, mas o que deseja essa luta infidável? Certamente, muitos responderão automaticamente essa indagação, enfatizando sobre a construção de uma sociedade igualitária. A dúvida é se esse desejo de igualdade está imbricado na minimização das categorias de opressão de gênero e de classe. Dá para lutar contra o fim de uma opressão que é estrutural e alimentar outra? Isso auxilia ou reforça a desumanização? Afinal de contas, não é justamente a luta antirracista que se estrutura na desconstrução da ideia de modelo de sujeito universal,que aborda sobre respeito às diferenças? Aqui estamos falando dos quadrados onde somente uma bandeira pode ser hasteada. Assim, temos que deixar de sermos pretas para pautar sobre ser mulher, temos ...

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Bianca Santana - Foto: João Benz

Em livro, Preta Ferreira tira o sono e convoca à luta

A ansiedade para ler "Minha carne: diário de uma prisão" (Boitempo, 2021), de Preta Ferreira, começou há pouco mais de um ano, quando soube que o livro seria publicado. Nos mais de 100 dias de cárcere, a escrita, assim como a leitura, foi companheira, arma e cura de Preta, acusada de de associação criminosa e extorsão por ser liderança do Movimento Sem Teto do Centro (MSTC). "Eu sei que não sou nada disso que me acusam, mas, no momento, até provar que sou inocente, estou na condição de re-educanda e sou mais um número entre as presas injustamente do país, mais uma presa política", escreveu Preta no 52° dia de cárcere. Capa do livro "Minha Carne", de Preta FerreiraImagem: Divulgação Nas 223 páginas do livro, Preta Ferreira narra o dia a dia da Penitenciária Feminina de Sant'Anna e das outras celas por onde passou, conta histórias de ...

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Advogada Beatriz de Almeida (Arquivo Pessoal)

O controle racializado: o racismo religioso no judiciário

Primeiramente, antes das considerações jurídicas acerca do caso, faz-se necessário um breve excerto histórico. Ao longo do período pós abolição sob fundamentos eugenistas e higienistas, o Estado Brasileiro criminalizou e reprimiu o culto sagrado de origem africana, imperioso ressaltar que ocorria nesses tempos ocorre hoje, mesmo sob a égide da constituição cidadã, o estado continua promovendo a barbárie apreendendo imagens de orixás, nkisis, ibas, ferramentas do culto ancestral, instrumentos. De suma importância rememorar os tempos em que, legalmente, as crenças de matriz africana foram consideradas retrocesso e atraso cultural, pelo prisma hegemônico e eurocêntrico. O biopoder, conceito apresentado por Michel Foucault, aponta que uma das funções do racismo é regular a distribuição de morte e tornar possível as funções assassinas do Estado. Segundo Foucault, essa é “a condição para a aceitabilidade do fazer morrer”. Ao falar-se em morte, neste contexto, é essencial ressaltar que não se dá somente de forma ...

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Thula Pires (Foto: André Melo Andrade/Folha de S.Paulo )

Reverenciando Sueli Carneiro: A contribuição de seus escritos para o Direito

No dia 15 de julho de 2020, nos encontramos para celebrar os 70 anos de Sueli Carneiro. Participaram desse encontro a própria Sueli Carneiro, Maria Sylvia Oliveira, Bianca Santana, Elaine Pimentel, Winnie Bueno e eu, Thula Pires. Tomamos o auditório virtual da Ordem das Advogadas de São Paulo, a convite de Maria Sylvia Oliveira, representando a Comissão da Igualdade Racial da OAB-SP¹. Foi um momento de muita alegria, de celebração da vida e da possibilidade de agregar longevidade e continuidade, de reconhecer a importância e ao mesmo tempo de nos implicarmos com a trajetória de quem admiramos.  Acompanho com emoção e aprendizado muitas das homenagens que os setenta anos de Sueli vem proporcionando a ela, e em nome dela a todas nós. O legado de Sueli é tão complexo e potente que não pode ser esgotado em um campo de conhecimento, em fronteiras de Estados Nacionais ou em um dado ...

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Arquivo Pessoal

Juventude e política de morte no Brasil

Sangue, vidas e glórias, abandono, miséria, ódio Sofrimento, desprezo, desilusão, ação do tempo Misture bem essa química e pronto (Diário De Um Detento, Racionais MC's, 1997). No próximo dia 12 de agosto será o Dia Internacional da Juventude, uma data estabelecida pela Organização das Nações Unidas há cerca de 20 anos. No Brasil, um longo processo de reconhecimento do jovem como sujeito de direitos se deu nos últimos 15 anos, embora o país tivesse desde 1990 o Estatuto da Criança e do Adolescente, o qual rege o conjunto de direitos voltados ao público de 0 a 18 anos, havia uma necessidade de reconhecer aqueles e aquelas que estavam entre a adolescência e a vida adulta, requerendo uma série de demandas ao Estado e a sociedade e ainda sem instrumentos legais que as validassem. Com o desenvolvimento de uma institucionalidade para gestão e monitoramento de políticas públicas de juventude, como a ...

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Tereza de Benguela (Imagem: Wikimedia Commons)

Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha: tempos de luta, de luto, e de resistência à violência contra as mulheres negras

Nesse momento de grandes sobressaltos e de tantas incertezas, venho oferecer meu afetuoso abraço a todas aquelas que fazem deste mundo um lugar de acolhimento, compreensão e de concórdia. Pois, são inúmeras as atribulações, a correria que mal temos tempo de olhar para nós mesmas e de nos reconhecermos como aquelas que também precisam de cuidados, de atenção e de escuta. Afeto é doação, é compartilhar o que se tem, independente de quantidade, mas sim, o valor legítimo dessa afetuosidade em forma de empatia. Mulheres negras se levantam todos os dias do ano para enfrentar o racismo o sexismo, mas no 25 de julho Dia da Mulher Afro Latino e Caribenha e Dia Nacional de Tereza de Benguela, são mais altivas para que outras mulheres negras não precisem passar pelas mesmas situações vexatórias, as quais muitas já vivenciaram. É necessário rememorar que as principais conquistas neste campo foram auferidas por ...

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Sueli Carneiro (Foto: Caroline Lima)

Homenagem aos 70 anos de Sueli Carneiro

A Congregação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, reunida em 25 de junho de 2020, soma-se às celebrações por ocasião do aniversário de 70 anos da filósofa, escritora e militante antirracista Aparecida Sueli Carneiro, fundadora do Geledés – Instituto da Mulher Negra. A contribuição de Sueli Carneiro ao campo da teoria do feminismo negro no país é incomensurável. Suas pesquisas deram consequência a caminhos abertos por intelectuais como Lélia Gonzalez e Abdias do Nascimento para o combate do epistemicídio do pensamento negro, tão afim aos modos como a dinâmica racial brasileira busca inscrever negras e negros em lugares sociais de nossa estrutura: entre os mais pobres ou, quando ascendem socialmente, raramente por meio de profissões ligadas à cultura legitimada ou ao trabalho intelectual. Sueli Carneiro recebeu inúmeras honrarias em reconhecimento ao seu trabalho. Dentre elas destacam-se o Prêmio de Direitos Humanos da República Francesa (República Francesa,1998); Prêmio ...

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A filósofa e educadora Sueli Carneiro (Foto: Marcus Steinmayer)

Dia de celebrar Sueli Carneiro

Hoje é dia de uma das mais importantes intelectuais brasileiras e estou grata por tê-la entre nós. Sueli Carneiro completa 70 anos, com uma trajetória de formulações e lutas fundamentais para compreendemos o Brasil e enfrentarmos os principais desafios do país. Sueli Carneiro é uma filósofa, escritora e feminista negra brasileira, fundadora do Geledés – Instituto da Mulher Negra, uma das organizações de maior importância e intervenção epistêmica e política no país. Em seu doutorado, “A construção do outro como não ser como fundamento do ser”, desenvolveu o conceito de “dispositivo de racialidade”, operador da naturalização de papéis sociais, a partir dos conceitos de “dispositivo” e “biopoder” de Michel Foucault. Um dos seus textos mais emblemáticos, entre vários, é “Enegrecer o feminismo”, que questiona a universalização da categoria mulher na sociedade. Em um encontro no qual a homenageamos, no ano passado, Sueli Carneiro disse a mim e a algumas companheiras negras que, ...

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A filósofa Sueli Carneiro (Foto: Natalia Sena )

Viva Sueli Carneiro!

Pelos documentos, o aniversário é amanhã, no São João. Mas o nascimento foi dia 23 de junho de 1950. Por 69 anos, a maratona de comemorações do aniversário de Sueli Carneiro, como brincam seus irmãos, durou dois dias. Mas em 2020, apesar da pandemia, são 70 anos a celebrar. Graças a um erro do Google, felizmente já corrigido, os parabéns começaram há 10 dias. E há programação na agenda até o final de junho. Teremos, então, quinze dias de festa online, no mínimo. A ativista responsável por enegrecer o feminismo no Brasil diz que não confia tanto assim na humanidade, mas vai lutar sempre contra quaisquer formas de opressão, como faz desde menina. Apaixonada pelo pai, Zé Horácio, não hesitava em enfrentá-lo na defesa da mãe e dos irmãos. Depois do golpe de 1964, foi uma das adolescentes a organizar uma passeata pelas ruas da Freguesia do Ó. Estudante da ...

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Alberto Henschel (1867). (Reprodução/Sul21)

O genocídio do negro brasileiro: uma (re)leitura para espaços-tempos de pandemia

O transcorrer do mês de maio no Brasil, nos impele enquanto sujeitos negros e negras, a refletir criticamente acerca de nossas trajetórias, no contexto denominado de pós-abolição, segundo o qual, afirma um dos autores clássicos da sociologia brasileira, “o negro permaneceu sempre condenado a um mundo que não se organizou para tratá-lo como ser humano e como “igual” (FERNANDES, 1972 p.15). Diante desta questão, bem como no contexto da crise pandêmica (COVID-19), escancara-se mais uma vez, as referidas condições de reprodução da existência e sujeição da população negra no país, diante de sua posição de ser um objeto visto por um olhar tortuoso, conforme problematizou o geógrafo negro baiano Milton Santos (1926-2011). Tais elementos, nos instigam a uma (re)leitura – no sentido de produzir uma interpretação e de indicar uma leitura, sobretudo às gerações mais jovens, que vivem desde a formação territorial brasileira – no âmbito de um trabalho de grande relevância. Trata-se da obra O Genocídio do Negro ...

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Pessoa segura um cartaz com os dizeres 'Black lives matter' ("vidas negras importam", em português) durante um protesto na sexta-feira (29) em Detroit, no Michigan, pela morte de George Floyd. (Foto: Seth Herald/AFP)

Vidas negras importam! Mas por que precisamos afirmar o óbvio?

Quando um homem branco, a serviço do Estado, assassina brutalmente um homem negro, sob os olhos do mundo inteiro; quando, mais uma vez, incontáveis tiros da polícia terminam com a vida de uma pessoa negra em uma favela; não é mais possível silenciar as vozes que gritam, no Brasil e no mundo: Vidas Negras Importam! Mas, por que é necessário afirmar que vidas negras importam, já que isso é óbvio? Porque, assustadoramente, não é tão óbvio para muitos brancos, nem para as estruturas racistas da nossa sociedade. A vida – e a morte – de pessoas negras é banalizada na sociedade ocidental, há mais de 500 anos. “A carne mais barata do mercado é a carne negra”, lembra-nos a artista brasileira Elza Soares. Vidas negras são banalizadas quando um agente do Estado mata uma pessoa negra, sem que ela esteja apresentando nenhuma ameaça. A isso chamamos Genocídio da População Negra ...

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(Foto: Imagem retirada do site Os Constitucionalistas)

Necropolítica por Oscar Vilhena

João Pedro, 14, foi morto por forças policiais no quintal de sua casa, enquanto brincava com seus primos. Seu corpo ficou desaparecido por cerca de 16 horas, aumentando o desespero de seus familiares. Já o corpo de Valnir da Silva, 62, possível vítima do coronavírus, ficou exposto por mais de 30 horas numa rua de outro bairro pobre do Rio de Janeiro, sem causar maior consternação em quem jogava bola no terreno ao lado. São retratos cotidianos da barbárie e da negligência a que estão submetidas largas parcelas da sociedade brasileira. O racismo e as profundas desigualdades que estruturam a sociedade brasileira dificultam que nos vejamos como parte de uma mesma comunidade, ligada por laços de respeito e obrigações recíprocas. A vida de um morador de rua parece não ter nenhum significado. São seres moralmente invisíveis. Suas necessidades e sofrimentos não geram nenhuma dor; menos ainda gestos de solidariedade. A ...

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Reprodução/Facebook

Reverenc’Yás: memória, resistência e preservação

O quilombo é um avanço, é produzir um momento de paz. Quilombo é um guerreiro quando precisa ser um guerreiro. E também é o recuo se a luta não é necessária. É uma sapiência, uma sabedoria. A continuidade da vida, o ato de criar um momento feliz, mesmo quando o inimigo é poderoso, e mesmo quando ele quer matar você. A resistência. Uma possibilidade nos dias de destruição  Maria Beatriz do Nascimento     Por Cássia Cristina – Makota Kidoiale e  Jair da Costa Junior, enviado para o Portal Geledés Nas tradições de matriz africana, na cultura africana, e esta refletida na cultura afro-brasileira como herança de nossos ascendentes (ancestrais), bem como nas comunidades e populações afro-brasileiras, de maioria negra, as mais velhas e os mais velhos têm uma importância vital na transmissão e preservação de saberes e conhecimentos que estão sendo esquecidos ao longo dos anos e dos processos institucionalizados ...

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Sociedade incivil e barbárie

Degradação social incita classes à produção do ódio Por Muniz Sodré, Da Folha de S. Paulo (Foto: Margarida Neide Ag. A Tarde) A distopia televisiva “Years and Years” (HBO), onde o mundo parece posto de cabeça para baixo, é amostra curiosa de um fenômeno ainda em busca de interpretação, que escolhemos designar como sociedade incivil. Não se trata de mera oposição entre incivilidade e civilização, e sim de uma nova forma social, que emerge de norte a sul do planeta, com especial destaque no Brasil. Para maior clareza teórica, um bom ponto de partida é a suposição de um “comum” inerente a toda atividade humana. Transparece na expressão sociedade civil que, já em meados do século 18, se opunha à noção de indivíduo isolado. A palavra “civil” (civis, cidadão) conota a ideia do homem desvinculado de uma função estatal, mais especificamente de uma obrigação militar. Civil ...

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Imagem: Pixabay

O racismo na realidade brasileira e a inscrição da necropolítica

Ao invés de um país que favoreceria a participação política e o protagonismo juvenil nos contextos de alta vulnerabilidade, na realidade brasileira podemos notar que historicamente a violência estatal faz parte de sua dinâmica social. Por isso, precisamos refletir sobre o papel estatal e as interfaces que são produzidas no campo das práticas de segurança pública. Por Maciana de Freitas e Souza, no Empório do Direito Imagem: Pixabay Nas palavras de Agamben, podemos perceber que há em curso na política ocidental: “(...) a instauração, por meio do estado de exceção, de uma guerra civil legal que permite a eliminação física não só dos adversários políticos, mas também de categorias inteiras de cidadãos que, por qualquer razão, pareçam não integrar o sistema político. Desde então, a criação voluntária de um estado de exceção permanente (ainda que eventualmente não declarado no sentido técnico) tornou-se uma das práticas essenciais ...

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Violência tem cor

Nesta semana o Instituto de Pesquisa Economia Aplicada (Ipea) juntamente com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública publicou o Atlas da Violência 2019, no qual se verificou a espantosa divisão racial da violência no Brasil. A violência tem cor segundo o documento! De acordo com os dados fornecidos pelo importante documento mostra que 75,5% das vítimas de homicídio no País são negras. Por Lúcio Antônio Machado Almeida para o Guest Post Geledés A espantosa informação confirma a maior proporção da última década. Há uma clara política de extermínio da população negra no Brasil, tendo em conta o crescimento nos registros de assassinatos no Brasil atingir preponderantemente uma significativa parcela da população negra, na qual a taxa de mortes chega a 43,1 por 100 mil habitantes - para não negros, a taxa é de 16. O Brasil dá sinais de continuidade da política de genocídio da população ...

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