quarta-feira, março 3, 2021

Resultados da pesquisa por 'Frantz Fanon'

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Pele negra, máscaras brancas ou Frantz Fanon, o anjo anunciador

Senta que lá vem... Para Alexandra Dumas por Alberto Heráclito Ferreira (Facebook) no Correio 24h Imagem da peça: Facebook do Autor Ainda estou sob o impacto do espetáculo Pele Negra, Máscaras Brancas, que o Departamento de Fundamentos de Teatro escolheu para montar esse ano na Escola de Teatro da UFBa. O texto é do grande teatrólogo negro baiano Aldri Anunciação e a direção (ma-ra-vi-lho-sa!) é da não menos competente Fernanda Júlia Onisajé. Escrevo à quente (sai há pouco do espetáculo e ainda tenho no rosto a lembrança das muita lágrimas que rolaram). Como bem diz o título da peça, trata-se de uma releitura da obra homônima do intelectual negro martinicano Frantz Fanon, e que foi escrito por este aos 25 anos para ser apresentado com tese de doutorado na Universidade de Lion. Mas a banca recusa, terminantemente, a cientificidade e importância da investigação original desse pensador ...

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O psiquiatra e militante Frantz Fanon (Arte Andreia Freire / Reprodução)

Frantz Fanon, racismo e pensamento descolonial

Li recentemente em um artigo publicado no site Cafezinho que os quatro candidatos presidenciais que atualmente se apresentam como de “esquerda” se diferenciam entre aqueles que priorizam as pautas identitárias, desenvolvimentismo, nacionalismo e um mix entre estas perspectivas. O interessante é que o artigo vincula a defesa das agendas propostas pelo movimento negro (e também o feminista e o LGBT) ao que chama de “identitarismo”. Ao diferenciar, inclusive, a dimensão de defesa das pautas antirracistas (colocadas no campo do “identitarismo”) e de desenvolvimento nacional (colocadas no campo da macropolítica estrutural), o artigo corrobora a ideia de que o racismo está desvinculado das lógicas de relações de classe. Boa parte desta compreensão decorre da ideia de que o sistema capitalista tem uma generalidade estruturante (a sua base econômica) que determina as demais relações sociais, culturais e políticas (inclusive as raciais, de gênero, de orientação sexual etc). Daí o seccionamento entre políticas mais gerais (sempre no campo da ...

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Livro: Frantz Fanon – Um revolucionário, particularmente negro

Lançamento no dia 11/05, ás 19h30, no Al Janiah Por Anderson Moraes. do Jornal Empoderado  Divulgação/Frantz Fanon – Um revolucionário, particularmente negro Dia 11/05, na casa Al Janiah, no centro de São Paulo, acontecerá o lançamento do livro: “Frantz Fanon – Um revolucionário, particularmente negro”. O livro já tem o primeiro lançamento marcado para o dia 11 de maio, no Al Janiah, em São Paulo. O evento contará com debate sobre o livro com o professor Dennis de Oliveira e Deivison Mendes Faustino. Para encerrar o evento, intervenção musical a cargo de Conde Favela Sexteto. SOBRE O LIVRO  Há mais de cinco décadas de seu falecimento, Frantz Fanon, publicado em diversos países e analisado por destacados estudiosos do pensamento crítico contemporâneo, é, sem dúvidas, um dos intelectuais negros mais importantes do século XX, que atuou como psiquiatra, filósofo, cientista social e militante anti-colonial. Sua obra influenciou movimentos políticos e teóricos em todo ...

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Frantz Fanon

Nonagésimo aniversário de Frantz Fanon – Os Condenados da Terra

FANON VIDA E OBRA Reflexões retiradas do artigo: FAUSTINO, D. M. . Colonialismo, racismo e luta de classes: a atualidade de Frantz Fanon. In: V Simpósio Internacional Lutas Sociais na América Latina, 2013. Anais do V Simpósio Internacional Lutas Sociais na América Latina, 2013. p. 216-232. (não deixe de citar suas fontes quando compartilhar!!!) O Texto de hoje é o mais famoso do que lido Os Condenados da Terra, escrito por Fanon em 1961. O livro, cercado de curiosidades e polêmicas, é comentado por diversos pensadores em todo o mundo. O título original do livro, Les damnés de la terre,  foi inspirado na primeira estrofe de L’INTERNATIONALE, hino  do movimento comunista internacional: Debout! l’âme du prolétaire (De pé! ó alma do proletário) Travailleurs, groupons-nous enfin. (Trabalhadores, agrupemo-nos finalmente) Debout! les damnés de la terre! (Levante-se! os miseráveis da terra!) Debout! les forçats de la faim! (Levante-se! condenados de fome!) Pour vaincre la misère et l’ombre (Para superar a pobreza e a sombra) Foule esclave, debout ! debout! (Multidão de ...

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Frantz Fanon, Psiquiatra e militante escreveu uma das obras mais importantes sobre o racismo, traduzido em português como "Pele Negra, Máscaras Brancas" (Foto: Imagem retirada do site Brasil de Fato)

20 de julho de 1925 nascia Frantz Fanon

Autor de Pele Negra, Mascaras Brancas e Os Condenados da Terra, Frantz Fanon, nasceu em 20 de julho de 1925. O epistemicídio acadêmico não permite "ainda" que estudantes das ciências da saúde conheça as contribuições de Fanon na Saúde Mental e na Reforma Psiquiátrica    Aos 20 de julho de 1925 nascia Frantz Fanon, um dos pensadores pretos mais importantes do século XX.Nasceu em Forte de France, Martinica (território francês de Ultramar) em 1925 no seio de uma família de classe média. Em 1944 se alistou no exercito francês para lutar contra a invasão alemã ocorrida durante a II Guerra Mundial e posteriormente seguiu para Lyon para estudar medicina e psiquiatria.  Em 1950 Fanon escreveu uma tese doutorado em psiquiatria discutindo os efeitos psíquicos do racismo colonial. Entretanto, a tese foi rejeitada por confrontar as correntes positivistas então hegemônicas em sua área de estudos. Escreve então uma segunda tese de doutorado no ano seguinte nomeada: Troubles mentaux et ...

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Racismo e cultura: a leitura psicanalítica e política de Frantz Fanon

A comunicação “Racismo e cultura”, no Primeiro Congresso de Escritores e Artistas Negros, realizado em 1956, marca – e justifica – a opção pela ação política de Frantz Fanon. Sem abandonar a gramática psicanalítica de Pele Negra, Máscaras Brancas* - talvez mesmo tomando-a por base -, este texto anuncia o ponto de virada de Fanon na exegese do racismo e suas consequências para a alma/psiquê dos oprimidos: depois do mergulho para dentro, o mergulho no mundo, o reconhecimento da necessidade da luta armada e da eliminação completa de qualquer traço de estruturas opressoras. Além do texto completo, réplica de uma edição portuguesa de 1980, o registro radiofônico da voz firme de Fanon, um raro registro multimídia. As legendas em português foram feitas tendo por base a edição portuguesa acima mencionada, com algumas adaptações para o português do Brasil. Segue o texto de Fanon Racismo e Cultura  A reflexão sobre o valor normativo ...

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Frantz Fanon Pele negra máscaras brancas

Frantz Fanon: Pele negra máscaras brancas – Download

Frantz Fanon - Pele negra máscaras brancas Tradução de Renato da Silveira Prefácio de Lewis R. Gordon Falo de milhões de homens em quem deliberadamente inculcaram o medo, o complexo de inferioridade, o tremor, a prostração, o desespero, o servilismo. ( Aimé Césaire, Discurso sobre o colonialismo) ****************** A explosão não vai acontecer hoje. Ainda é muito cedo... ou tarde demais. Não venho armado de verdades decisivas. Minha consciência não é dotada de fulgurâncias essenciais. Entretanto, com toda a serenidade, penso que é bom que certas coisas sejam ditas. Essas coisas, vou dizê-las, não gritá-las. Pois há muito tempo que o grito não faz mais parte de minha vida. Faz tanto tempo... Por que escrever esta obra? Ninguém a solicitou. E muito menos aqueles a quem ela se destina. E então? Então, calmamente, respondo que há imbecis demais neste mundo. E já que o digo, vou tentar prová-lo. Em direção a ...

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Racismo e Dominação Psíquica em Frantz Fanon

Dossiê – II Seminário Sankofa "Descolonização e Racismo: atualidade e crítica" "Racismo e dominação Psíquica em Frantz Fanon" Thiago C. Sapede Este trabalho pretende explorar as ideias do psiquiatra Frantz Fanon sobre o colonialismo, focando-se na esfera psicológica da dominação colonial. Este autor enxerga o racismo como elemento central, operador psíquico da dualidade entre colono e colonizador, branco e negro, no colonialismo. Esse sistema profundo e complexo será observado como alicerce fundamental para a empreitada colonial e a manutenção da dominação europeia sobre "outros" povos. Esta discussão será importante para compreensão do racismo como elemento fundante do processo histórico de construção do ocidente. Frantz Fanon nasceu em 1925, na ilha da Martinica, colônia francesa desde o século XVII. Era uma ilha povoada majoritariamente por descendentes de africanos escravizados. Aos dezoito anos, Fanon alistou-se no exército francês durante a segunda guerra mundial, lutando no norte da África. Após o fim da ...

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A cidade do colonizado e a cidade do colono. Fronteira territorial entre o bairro Morombi e a favela de Paraisópolis, São Paulo - Foto: Tuca Vieira

Os condenados pela Covid-19: uma análise fanoniana das expressões coloniais do genocídio negro no Brasil contemporâneo

Escrito no contexto de celebração dos 95 anos de Frantz Fanon (n. 20/7/25), discuto neste artigo as suas contribuições para a compreensão das relações sociais e econômicas nas sociedades que se estruturaram a partir da colonização. Proponho uma análise fanoniana das relações dialéticas entre capitalismo, colonialismo e racismo, subjacentes à conjuntura política e sanitária brasileira. Em um primeiro momento, tomo a noção de violência colonial presente em Os Condenados da terra, como referência para problematizar as respostas brasileiras à pandemia de Covid-19. Posteriormente, retomo alguns aspectos históricos e sociológicos que elucidem a via colonial de entificação do capitalismo no Brasil e as suas influências para a conjuntura atual. Ao final, argumento pela atualidade do pensamento fanoniano para o desvelamento das relações entre  o racismo e o atual estágio de acumulação capitalista na periferia global. Introdução  O mundo colonizado é um mundo cortado em dois. A linha de corte, a fronteira, é indicada pelas ...

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En la foto. Yvette Modestin (ARAAC'USA), Chucho Garcia y Mireille Fanon, hija de Frantz Fanon.

Aniversario de la muerte de Franz Fanon

FRANTZ FANON: LOS CONDENADOS DE LA TIERRA…SIGUEN CONDENADOS Por Jesus Chucho Garcia para o Portal Geledés  En la foto. Yvette Modestin (ARAAC'USA), Chucho Garcia y Mireille Fanon, hija de Frantz Fanon. (Arquivo Pessoal) Hoy 6 de diciembre se cumplen cincuenta y seis años…de la  muerte del líder afromartiniqueño,   Frantz Fanon, habia nacido el 20 de julio de 1925 en Fort de FRance, Martinica. Pionero de la descolonización, que hoy lamentablemente, ese planteamiento teórico ha sido blanquedao por la izquierda blanca en America Latina y el Caribe, quitándole el sentido profundo como lo planteo este médico, psiquiatra y diplomático que combatió a los nazis y luego aporto para la liberación de Argelia.  En una reunión reciente realizada en la ciudad de New Orleans, organizada por la Comision Nacional de Reparaciones y el Instituto del Mundo Negro, dirigido pro el Dr. Ron Daniels, donde se abordo  el tema del ...

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A pertinência de se ler Fanon, hoje – parte 1

PREFÁCIO a Os Condenados da Terra, edição da Letra Livre. por Inocência Mata, do Buala Ó meu corpo, faça sempre de mim um homem que questiona! (Última prece de Frantz Fanon em Pele negra, máscaras brancas.)   No dia 6 de Dezembro de 1961, morria em Maryland, Washington, Frantz Fanon. Soubera um ano antes, em Túnis, que sofria de leucemia e que teria menos de um ano de vida. Ainda assim, empenhara-se por acabar a tarefa que tinha entre mãos, Os Condenados da Terra, livro que escreveu entre Abril e Julho de 1961, com um ritmo febril, nas palavras de Homi Bhabha, e que acabaria por ver publicado. Morreria dias depois, aos 36 anos, sete meses antes da proclamação da independência da Argélia (5 de Julho de 1962), a pátria adoptiva a que chegara em 1953 (e de que seria expulso em 1957), depois de oito longos anos de uma guerra ...

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Curso Kilombagem – Fanon; Vida e Obra, dia 20 de julho em Campinas

No dia 20 de julho Frantz Fanon completaria 90 anos. por Grupo KILOMBAGEM via Guest Post para o Portal Geledés Em reverência à sua trajetória, mas também, interessados/as em discutir a atualidade da sua obra para o entendimento do racismo na sociedade contemporânea, o Grupo Kilombagem oferecerá o Mini-curso Fanon: vida e obra. Objetivo O Mini Curso se propõe a apresentar e discutir o legado político e teórico do autor enfatizando suas contribuições para a compreensão das relações raciais na sociedade contemporânea. Provocador: Deivison Faustino (Nkosi) – Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFSCAR e integrante do Grupo KILOMBAGEM Fazer a Inscrição Por que estudar Fanon? Como psiquiatra, filósofo, cientista social e revolucionário, Frantz Fanon é sem dúvida um dos pensadores mais instigantes do século XX. Sua obra influenciou diversos movimentos políticos e teóricos na África e Diáspora Africana e segue reverberando em nossos dias como referência obrigatória nos os estudos ...

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Documentário inspirado nas ideias de Fanon

por martalanca Concerning Violence é um documentário “em nove cenas sobre a autodefesa contra o imperialismo”. Usa filmagens feitas em África por equipas suecas, entre 1966 e 1984, inscrevendo frases da obra mais conhecida do Frantz Fanon, Os Condenados da Terra, o livro que o psiquiatra martiniquês escreveu em 10 dias, já perto da morte,depois do golpe dos generais e da repressão sangrente de 17 de Outubro de 1961, em Paris, opondo a polícia francesa aos manifestantes argelinos. O filme traz à tona a crueldade do colonialismo em África, repensando as complexidades e efeitos devastadores deixados aos povos colonizados. Frantz Fanon nasceu na ilha caribenha da Martinica em 1925, e cresceu no império francês. Quando veio da ilha da Martinica para a metrópole França na Europa, compreendeu, através do envolvimento no exército frances por todo o lado, que esta classe privilegiada sobre o seu povo negro não queria dizer nada no país dos principais colonizadores – ele não era nada senão ...

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Getty Images

Impacto do racismo na saúde mental

“Ninguém pode ser autenticamente humano enquanto impede que os outros o sejam.” Paulo Freire Há uma prolífica discussão nos meios acadêmicos que os conceitos de raça e etnia são construções sociais dependentes das complexas relações vigentes dentro dos grupos sociais. De acordo com muitos autores o conceito de raça serve para garantir o funcionamento de normas sociais, em sociedades marcadas por uma grande desigualdade. Silvio Luiz de Almeida, autor do livro “O que é racismo estrutural?” argumenta que o racismo pode ser definido a partir de três concepções: 1) individualista, pela qual se apresenta como uma deficiência patológica, decorrente de preconceitos; 2) institucional, pela qual se conferem privilégios e desvantagens a determinados grupos em razão da raça, normalizando estes atos, por meio do poder e da dominação; e 3) estrutural que, diante do modo “normal” com que o racismo está presente nas relações sociais, políticas, jurídicas e econômicas, a responsabilização ...

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Edinaldo César Santos Junior é juiz de direito em Sergipe e mestre em Direitos Humanos pela USP (Arquivo Pessoal)

Acosta Martínez, você e eu, em suspeição de cor

A Corte Interamericana de Direitos Humanos (CorteIDH) publicou, em 31 de agosto de 2020, sentença de mérito no Caso Acosta Martínez e outros versus Argentina. Pela primeira vez, o tribunal interamericano analisa de forma mais aprofundada a questão do racismo estrutural e institucional nas Américas, a partir do contexto de discriminação racial na Argentina¹.  Em 1982, os irmãos José Delfín e Ángel Acosta Martínez, afro-uruguaios, migraram para a Argentina e lá fundaram um Grupo Cultural dedicado à difusão da cultura africana e à luta contra a discriminação racial. José Delfín (Acosta Martínez), a partir desse olhar de ativista e de consciência racial, decidiu intervir numa abordagem policial, que, por perfilamento racial, detivera ilegalmente dois jovens afro-brasileiros (os irmãos Gonçalves da Luz), na saída de uma discoteca, em 5 de abril de 1996. A polícia teria recebido uma denúncia anônima de que no local se encontrava uma pessoa armada, que estava provocando perturbação. Em razão ...

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Ato Contra a Discriminação Racial convocado pela vereadora Sonia Cruz (com microfone) na Câmara Municipal de Osasco e com presenças de Tereza Santos e Sueli Carneiro (ARQUIVO PESSOAL)

‘Mãe preta, casa comum’

A casa construída no debaixo da rua dos Pirineus, localizada no Pau Miúdo, bairro periférico soteropolitano, no ano de 2020, ainda existe. A casa construída no debaixo da rua dos Pirineus foi erguida sobre um naco de terra cedido aos novos proprietários pela Igreja Católica, dois quartos, sala, cozinha e o cercado destelhado na parte externa era o único banheiro. A casa construída no debaixo da rua compartilha uma das suas paredes com a comunidade tradicional de terreiro, chamada Ilê Axé Adjemim, fundada pelo pai de santo Apolinário e conduzida por sua filha Aureliana, mais tarde conhecida como “mãe Lelu”. A casa construída no debaixo é apenas acessível desde uma escada bastante íngreme e, no dentro da casa, concluída a ribanceira de degraus mal-acabados, uma família absolutamente negra. São absolutamente negros porque a mãe é a mulher responsável pela casa, pela comida, pelas roupas, pela limpeza e pelas seis crianças ...

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Arquivo Pessoal

25 de julho comemoração do Mês da Mulher Negra Latino -Americana e Caribenha e de Tereza de Benguela : a clínica do testemunho

Como você se percebeu Negra? Você falou que era Negra ou te gritaram Negra? Na construção da sua identidade racial você se sente escutada? Você se sente invisível nas suas relações afetivas, se sente acolhida? Sente-se com espaço para expressar seus sentimentos, suas afetações? As pessoas com quem se relaciona lhe reconhecem no que tange espaço para você ser? Ou somente percebem como objeto de subalternização ou sexual? Você se sente representada nos movimentos sociais? E como percebe seu laço com o Social? Esta e muitas perguntas a partir do vídeo impactante da poeta Victoria Santa Cruz sobre a descoberta de Ser através do outro/ Outros me convocam uma para uma escuta como “Testemunho, Instrumento” da dor e reverberações do racismo estrutural, fenômeno social com característica de negação no nosso país, que apesar do inconsciente não ser racista, machista e misógino, mas é atravessado pela reprodução destas construções da estrutura ...

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ilustrações Amanda Favali (@favali_)

Se os privilegiados estão cansados, imagine os negros

   Não venho armado de verdades decisivas.                                             − Frantz Fanon   No ano passado, a discussão racial ocupou grande parte dos meios de comunicação e provocou debates em diferentes espaços da sociedade. Ainda que esse movimento tenha acontecido, tardiamente, existem razões para que o tema continue repercutindo. O racismo estrutural ainda impõe obstáculos à sobrevivência dos negros, e não encontra políticas de Estado que o enfrente radicalmente; as consequências são devastadoras, produzindo um elenco de cidadanias mutiladas na vida da população negra (SANTOS, 1996/1997). Por exemplo: o preterimento nas seleções para as melhores oportunidades de emprego, exceto em atividades que ofertam baixa remuneração e maior exploração humana; estabelecimento de moradias em locais com alta vulnerabilidade social; principais vítimas de encarceramentos e assassinatos nas abordagens policiais. Milton Santos, doutor em ...

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José Antonio Correa Francisco (Arquivo Pessoal)

Ruptura: antirracismo x banalização

“Não chego armado de verdades categóricas. Minha consciência não está permeada de fulgurações precípuas. No entanto, com toda a serenidade, acho que seria bom que certas coisas fossem ditas. Essas coisas, eu as direi, não as gritarei. Pois há muito o grito saiu da minha vida. E fez tão distante…” (Frantz Fanon) À Emily Victória Silva dos Santos (In memoriam) À Rebeca Beatriz Rodrigues dos Santos (In memoriam) Em 25.5.2020, em Minneapolis, Minnesota, EUA, George Perry Floyd Jr, negro, foi fria e covardemente assassinado por um policial branco, por suspeita de ter utilizado nota falsificada na aquisição de um produto. Por 11 vezes George disse “Eu não consigo respirar”, apelo dolosamente ignorado pelo policial branco. No dia seguinte ao assassinato de George, os jogadores da equipe do Milwaukee Bucks da NBA (liga profissional do basquetebol, nos EUA) se recusaram a entrar em quadra, boicote que foi seguido por outras equipes, jogadores, técnicos ...

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Frantz Fanon, Psiquiatra e militante escreveu uma das obras mais importantes sobre o racismo, traduzido em português como "Pele Negra, Máscaras Brancas" (Foto: Imagem retirada do site Brasil de Fato)

Exorcismo revolucionário

O que Pele negra, máscaras brancas, de Frantz Fanon (1925-61), nos convida a pensar e fazer? Uma maneira de começarmos um livro, assim como terminá-lo, é refazer as perguntas do autor. De um modo mais geral, Fanon faz um convite explícito para interrogarmos como a violência dos processos de colonização e do racismo faz que a humanidade das pessoas negras seja rasurada. Na busca pela nossa humanidade, o racismo impõe a nós, pessoas negras, que busquemos máscaras brancas. De acordo com Fanon, nessa relação de opressão e violência sistemática e cotidiana, as pessoas brancas também estão desumanizadas. Tema este que continua bastante atual no Brasil, ainda mais no momento em que vivemos momentos de lutas antirracistas e de questionamento dos privilégios da branquitude. O livro chega, assim, em boa hora por aqui, em uma nova edição caprichada da editora Ubu, com tradução de Sebastião Nascimento em colaboração com Raquel Camargo ...

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