quinta-feira, fevereiro 25, 2021

Resultados da pesquisa por 'Lelia gonzales'

Lélia Gonzales (Foto: Acervo JG/Foto Januário Garcia)

Curso online sobre Lélia Gonzalez e Beatriz Nascimento

O Coletivo Cultural Dijejê apresenta o curso de formação sobre o pensamento das intelectuais brasileiras Lélia Gonzales e Beatriz Nascimento. As inscrições podem ser feitas até 17 de agosto e o início das atividades está marcado para o dia 19 do mês. As aulas podem ser vistas pelos participantes na plataforma e-learning Moodle, ferramenta aberta, gratuita e de simples manejo. A formação está divida em três módulos que ao todo contabilizam 20 horas. O primeiro momento aborda o feminismo afrolatino e os demais tratam sobre os quilombos e a liderança feminina. No terceiro módulo, as participantes serão convidadas a produzir um artigo sobre as reflexões estimuladas pelos encontros virtuais. Lélia Gonzalez criou o conceito de feminismo afrolatino. Para ela, é necessário que haja um dialogo entre mulheres negras e latinas do continente de maneira pautada pelo panafricanismo, como saída possível para a luta da diáspora negra na região. Beatriz Nascimento pesquisou sobre ...

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Lélia Gonzales (Foto: Acervo JG/Foto Januário Garcia)

Livros e textos de Lélia Gonzalez

A historiografia brasileira tem sido marcada pela invisibilidade dos afro-descendentes. A imposição dessa qualidade, exercida de forma orquestrada e sistemática, fez com que, nos anos 1970, em vários estados brasileiros, grupos formados por diversos setores da comunidade afro-descendente desenvolvessem uma reflexão abrangente sobre a situação social, política, econômica e cultural do país, e em especial sobre o processo de exclusão dos afro-descendentes nesse contexto. Foram muitos os grandes pensadores/articulares que contribuíram para essa reflexão. Mas, dentre todos, destacou-se uma figura feminina: Lélia de Almeida Gonzalez, ou Lélia Gonzalez, como ficou conhecida. Sua atuação sempre foi caracterizada pela capacidade de articular, com extrema propriedade, sobre a questão do povo negro, em geral, e da mulher negra, em particular. Militante negra e feminista, atuou como desencadeadora das mais importantes propostas de atuação do Movimento Negro Brasileiro. Participou da criação do Instituto de Pesquisas das Culturas Negras (IPCN-RJ), do Movimento Negro Unificado (MNU), ...

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Lélia Gonzales (Foto: Acervo JG/Foto Januário Garcia)

Hoje na História, 10 de Julho de 1994, a 20 anos, Lélia Gonzalez entrava no Orun

Ana Maria Felippe* Texto postado no Portal Geledés em 14.09.11 A guerreira Lélia Gonzalez passou à condição de "ancestral". A atualidade da luta que travou; sobre a qual refletiu e ensinou nos faz reviver um pouco de sua trajetória. Que seu exemplo seja guia nessa luta que, a cada caminhada, constatamos mais a fazer: a luta contra o racismo. Lélia Gonzalez nasceu "de Almeida", em Belo Horizonte-MG, em 1º de fevereiro de 1935. Tinha 59 anos quando faleceu, em 10 de julho de 1994, no bairro de Santa Teresa, na cidade do Rio de Janeiro. Quando Lélia era criança, sua família instalou-se no Rio, na favela do Pinto, bairro do Leblon, ao lado do Clube de Regatas do Flamengo, onde jogava (e depois foi técnico) seu irmão, Jaime de Almeida (nascido em 1920), por quem nutria enorme admiração e nos passos de quem seguiu torcendo pelo Flamengo e gostando muito de ...

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Lélia Gonzales (Foto: Acervo JG/Foto Januário Garcia)

Tornar-se negra, intelectual e ativista: percursos de Lélia Gonzalez – Por: Flavia Rios e Alex Ratts

No último dia 1º de Fevereiro comemoramos 78º aniversário de Lélia Gonzales, ícone da luta antirracista e feminista no Brasil. Lembrar a memória e a história de luta desta destemida mulher negra é necessário sobretudo para que sua imagem e exemplo sirvam de inspiração para a juventude brasileira. Minha querida amiga Flavia Rios e seu parceiro de trabalho, Alex Ratts, autores da biografia de Lélia Gonzalez, publicada pela  Selo Negro/Summus, em 2010, nos trazem essa importante contribuição no artigo abaixo. Tornar-se negra, intelectual e ativista: percursos de Lélia Gonzalez Em tempos de intensos protestos e mobilização por todo o país, é necessário trazer à tona a referência de uma grande personagem, que esteve no furacão das lutas pela democratização do Brasil. Intelectual, feminista e militante do movimento negro brasileiro, Lélia Gonzalez (1935-1994) nos legou vários dos temas que ainda agitam as reivindicações políticas brasileiras e levam milhares de pessoas às ruas. Lélia ...

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Lélia Gonzales (Foto: Acervo JG/Foto Januário Garcia)

Governo lança ‘Prêmio Lélia Gonzalez’

  Brasilia (Brasil) – O 'Prêmio Lélia Gonzalez – Protagonismo de Organizações de Mulheres Negras' será lançado nesta quarta-feira (18/12), pelas secretarias de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) e de Políticas para as Mulheres (SPM), ambas da Presidência da República. A atividade acontece às 15h, no Auditório do Anexo da SEPPIR, localizado na SEPN 514, Bloco C – Asa Norte, em Brasília-DF. O prêmio tem os objetivos de promover o reconhecimento das afro-brasileiras como protagonistas do enfrentamento ao racismo e ao sexismo, a articulação entre ações destinadas a esse público específico na sociedade civil e no âmbito governamental, bem como a disseminação de experiências inovadoras realizadas por organizações de mulheres negras. A nomenclatura é uma homenagem a Lélia Gonzalez (1935-1994), antropóloga e ativista afro-brasileira, cujo legado é fonte permanente de inspiração para diversas ações de enfrentamento ao racismo e ao sexismo, além de iniciativas que visam ampliar a ...

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Lélia Gonzales (Foto: Acervo JG/Foto Januário Garcia)

Lélia Gonzalez sobre o feminismo

Foto: Acervo JG/Foto Januário Garcia "Nós não podemos reproduzir mecanicamente as propostas de um movimento feminista judaico-cristão." Lélia Gonzalez Hoje é dia de lembrar Lélia Gonzalez, intelectual, feminista, negra, antropóloga, política, professora, militante que morreu no dia 10 de julho de 1994. Para nos lembrarmos de sua luta e do seu exemplo, como uma das feministas negras mais importantes de seu século, reproduzimos um trecho de uma entrevista concedida ao Jornal do Movimento Negro em 1991. Assertiva, tece críticas ao movimento de mulheres brancas e discorre sobre o relacionamento entre homens e mulheres negras. No meio do movimento das mulheres brancas, eu sou a criadora de caso, porque elas não conseguiram me cooptar. No interior do movimento havia um discurso estabelecido com relação às mulheres negras, um estereótipo. As mulheres negras são agressivas, são criadoras de caso, não dá pra gente dialogar com elas, etc. Eu ...

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Lélia Gonzales (Foto: Acervo JG/Foto Januário Garcia)

Lélia Gonzalez: feminista, sim, mas negra!

Muito cedo, a antropóloga, educadora e feminista mineira, Lélia Gonzales aprendeu que, na luta dos movimentos sociais, também existem castas e hierarquias. Por isso, questões específicas como as das mulheres negras, eram subestimadas em favor do chamado "interesse maior". Assim como ocorria nas fotografias da liderança do Movimento Feminista, com as militantes negras, suas reivindicações também eram mantidas na segunda ou na terceira fila. A fidelidade às causas que abraçou - em especial a do feminismo e das relações raciais - foi a principal marca dessa ativista que, em 19 de julho de 1994, aos 59 anos, se transformou em ancestral. Mineira, nascida Lélia Almeida, em Belo Horizonte, ainda criança, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, onde foram viver na favela do Morro do Pinto, no Santo Cristo, junto ao Leblon. A proximidade com o Clube de Regatas Flamengo deu a um dos irmãos mais velhos, Jaime ...

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Lélia Gonzales (Foto: Acervo JG/Foto Januário Garcia)

Happy Birthday, Lélia Gonzalez – English version

Today, February 1st, I dedicate this post to what would have been the 77th birthday of Lélia Gonzalez, an important militant of women's rights and the Movimento Negro in Brazil. Any black women that adores and appreciates the work and dedication of women such as Angela Davis, Assata Shakur, bell hooks, Kathleen Cleaver or Frances Cress-Welsing should also be familiar with the story of Gonzalez, who was their Afro-Brazilian equivalent. One of my first memories of Lelia Gonzalez was the realization of how Afro-Brazilian militants and leaders are often ignored or under appreciated in Brazil. I remember walking into a restaurant in the historic Pelourinho area of Salvador, Bahia, to eat lunch with two Bahian friends. When I entered the restaurant, I saw a large photo of Gonzalez on the wall above a table. Because of her importance to black Brazilian history, I was excited to see the poster as ...

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Lélia Gonzales (Foto: Acervo JG/Foto Januário Garcia)

Hoje na História, 1935, nascia Lélia Gonzalez

Lélia Gonzalez nasceu em 1º de fevereiro de 1935, em Minas Gerais, filha do negro ferroviário Accacio Serafim d' Almeida e de Orcinda Serafim d' Almeida Lélia de Almeida González. Era a penúltima de 18 irmãos. Com a mãe indígena, que era doméstica, recebeu as primeiras lições de independência. Mudou-se com a família em 1942 para o Rio de Janeiro, acompanhando o irmão Jaime, jogador de futebol do Flamengo. No Rio de Janeiro, cidade que amava, seu primeiro emprego foi de babá. Não raro se identificava como carioca, foi torcedora incondicional do Flamengo. Graduou-se em história e filosofia, exercendo a função de professora da rede pública. Posteriormente, concluiu o mestrado em comunicação social. Doutorou-se em antropologia política /social, em São Paulo (SP), e dedicou-se às pesquisas sobre a temática de gênero e etnia. Professora universitária, lecionava Cultura Brasileira na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC – Rio). Seu ...

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Lélia Gonzales (Foto: Acervo JG/Foto Januário Garcia)

Lélia Gonzalez: Mulher Negra na História do Brasil

A guerreira Lélia Gonzalez passou à condição de "ancestral". A atualidade da luta que travou; sobre a qual refletiu e ensinou nos faz reviver um pouco de sua trajetória. Que seu exemplo seja guia nessa luta que, a cada caminhada, constatamos mais a fazer: a luta contra o racismo. Lélia Gonzalez nasceu "de Almeida", em Belo Horizonte-MG, em 1º de fevereiro de 1935. Tinha 59 anos quando faleceu, em 10 de julho de 1994, no bairro de Santa Teresa, na cidade do Rio de Janeiro. Quando Lélia era criança, sua família instalou-se no Rio, na favela do Pinto, bairro do Leblon, ao lado do Clube de Regatas do Flamengo, onde jogava (e depois foi técnico) seu irmão, Jaime de Almeida (nascido em 1920), por quem nutria enorme admiração e nos passos de quem seguiu torcendo pelo Flamengo e gostando muito de futebol. Logo depois, a família mudou-se para o subúrbio, ...

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Lélia Gonzalez (Foto: Cezar Louceiro / Reprodução)

Lélia Gonzalez: Mulher Negra na História do Brasil

Neste ano de 2009, já contamos 15 anos que a guerreira Lélia Gonzalez passou à condição de "ancestral". A atualidade da luta que travou; sobre a qual refletiu e ensinou nos faz reviver um pouco de sua trajetória. Que seu exemplo seja guia nessa luta que, a cada caminhada, constatamos mais a fazer: a luta contra o racismo. Lélia Gonzalez nasceu "de Almeida", em Belo Horizonte-MG, em 1º de fevereiro de 1935. Tinha 59 anos quando faleceu, em 10 de julho de 1994, no bairro de Santa Teresa, na cidade do Rio de Janeiro. Quando Lélia era criança, sua família instalou-se no Rio, na favela do Pinto, bairro do Leblon, ao lado do Clube de Regatas do Flamengo, onde jogava (e depois foi técnico) seu irmão, Jaime de Almeida (nascido em 1920), por quem nutria enorme admiração e nos passos de quem seguiu torcendo pelo Flamengo e gostando muito de ...

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Arte: Portal Geledés

EUA terão ativista negra na nota de US$ 20; listamos 7 mulheres para o real

À frente de muitas lutas por direitos iguais na sociedade, as mulheres negras nem sempre têm seus méritos reconhecidos. Os Estados Unidos pretendem mudar essa realidade: nesta semana, a Casa Branca anunciou que dará seguimento ao projeto de mudar a figura da nota de US$ 20 para a da ativista negra Harriet Tubman, ex-escravizada que ajudou outras pessoas negras a se libertarem do mesmo destino antes e durante a Guerra Civil. Com isso, se tornou uma importante figura no movimento abolicionista dos EUA. O governo Biden retomará a proposta de colocá-la no dinheiro que circula por aí. Segundo o porta-voz presidencial estadunidense, Jen Psaki, "é importante que nossas cédulas, nosso dinheiro... Reflitam a história e a diversidade de nosso país". A mudança, se confirmada, colocará Tubman no lugar do rosto do ex-presidente americano Andrew Jackson, que teve uma estátua com sua figura atacada durante protestos pela morte de George Floyd. No Brasil, ...

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Imagem: Júlia Rodrigues/Divulgação

Emicida e o direito de sermos quem somos

“Eu mudarei o curso da vida/Farei um altar para comunhão/Nele eu serei um com um/Até ver o ubuntu da emancipação/Porque eu descobri o segredo que me faz humano/Já não está mais perdido o elo/O amor é o segredo de tudo/E eu pinto tudo em amarelo.” (“Principia”, EMICIDA, faixa: 01: 2019) Este artigo começa com a seguinte afirmação: “AmarElo”, acima de ser um documentário, é expressão viva que se revela a nossa vista, acerca da experiência civilizatória afro-brasileira ao longo de nossa história. Referência seminal para qualquer pessoa que busque compreender o que é ser uma pessoa negra no Brasil, o que a afrodescendência representa em uma sociedade construída, desenvolvida e modernizada por ela, mas que vive e se reproduz através de um processo secular de poder que nega, persegue – numa fúria genocida física e mental – dessa mesma população. Renegar e enfrentar o racismo estrutural que nos mata, é ...

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Agência Brasil/EBC

Mulheres pretas

Conversar com a atriz Ruth de Souza era como viver a ancestralidade. Sinto o mesmo com Zezé Motta. Sua fala, imortalizada no filme "Xica da Silva', tece ventos que suavizam nossa face. Há coisas que marcam a existência, e sutilezas, como delicado palimpsesto, tatuado em camadas na nossa memória e nossa pele. Vai um caso. Em 2020, minha neta Alika, hoje com três anos, foi "pega" pela mãe batendo panelinha da janela da casa onde mora, no bairro do Méier, no auge dos protestos contra Bolsonaro (me recuso a chamar de presidente). A precocidade está no sangue das mulheres pretas. E não se aplica só a Alika, mas a todas as mulheres. Elas combateram à escravidão, de dentro da senzala e da casa-grande, onde já se perpetravam estupros coletivos, e, na resistência, o feminicídio. Na luta das letras, nada justifica o apagamento de Maria Firmina dos Reis e Carolina Maria ...

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Divilgação

Nota da Coalizão Negra Por Direitos sobre o “Comitê Externo de Diversidade e Inclusão” do Carrefour Brasil

A COALIZÃO NEGRA POR DIREITOS, articulação com mais de 150 organizações, coletivos e entidades do movimento negro e antirracista de todo o Brasil, que atuam coletivamente na promoção de ações de incidência política nacional e internacional na defesa dos direitos da população negra brasileira, vem a público expressar seu mais profundo repúdio à postura adotada pela Rede Carrefour na tentativa de tentar invisibilizar a violência racista que levou à óbito João Alberto Silveira de Freitas no interior de uma de suas lojas da cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. A referida rede tem reiteradas denúncias de crime de racismo e discriminação racial  em suas lojas,  através de seu corpo de funcionários e do seu aparato de segurança privada. São diversos casos que não deixam dúvidas quanto ao conhecimento da direção da rede no Brasil sobre o papel ativo do Carrefour em práticas violentas fundadas no racismo. Ao longo do ...

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Jussara Oliveira

Uma liderança em Ferraz de Vasconcelos

A voz que atendeu a reportagem de Geledés por trás do grande portão cinza é forte e rouca. É na garagem de sua casa, lugar onde também realiza os atendimentos às mulheres vítimas de violência da região do Parque São Judas Tadeu, em Ferraz de Vasconcelos, por meio do Núcleo Maria Tereza, que Jussara Oliveira, líder comunitária, de 59 anos, nos recebe. As diversas violências sofridas fez de Jussara uma sobrevivente que usa a dororidade como um dispositivo contra a violência doméstica, comumente sofrida por mulheres negras da periferia. Ela é do tipo que não manda recado, e o que teve que engolir, ficou para trás, nas marcas do passado. Em sua trajetória da cidade de Mococa, no interior de São Paulo, onde nasceu, à Ferraz de Vasconcelos, onde vive, essa mulher passou a reivindicar uma vida sem violência para outras tantas como ela. Seu tom de voz firme traduz ...

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“Eu nasci e me criei aqui”: o processo de reconhecimento do território quilombola do Vale do Iguape

“Organizem-se, é em legítima defesa, porque não há mais limite para a violência racista”. Inicio esta abordagem sobre o processo de reconhecimento do território quilombola do Vale do Iguape, trazendo à baila a convocação feita por Sueli Carneiro no FestiPoa Literária-2019, momento no qual a filósofa chamou atenção para a importância das organizações negras no combate ao racismo, que estrutura a sociedade brasileira.  Mapa das Comunidades do Vale Iguape. Acervo particular de Ivan Faria. O Vale do Iguape é uma microrregião pertencente ao município de Cachoeira no Recôncavo da Bahia, composta por 18 comunidades quilombolas que se constituíram em espaços de antigos engenhos de açúcar da Freguesia de São Thiago do Iguape. Defendo, a partir das premissas lançadas pelo historiador Walter Fraga Filho, que as comunidades dessa região são frutos de um dos sentidos de liberdade acionados pela população egressa do cativeiro – a permanência! Continuar ...

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Fonte: Shaih Norway

A Branca Benfeitora

Muito falamos das Imagens de Controle das mulheres negras, criadas pela branquitude durante o período colonial e, como o nome já diz, para nos controlar e assim utilizar dos nossos corpos. Além disso, as imagens criadas sobre e para as mulheres negras tem também como função sustentar a imagem de si da branquitude e das classes privilegiadas, como por exemplo, aquela da superioridade. Lélia Gonzales  (brasileira) e  Patricia Hill Collins (estadunidense) são duas feministas negras que apontaram a construção dessas imagens e as identificaram, desnudando como elas operam. E são elas: a negra raivosa, a jezebel ou prostituta, a mammy, aquela que cuida de todos e está sempre a disposição, como a Anastácia, do sítio do pica-pau amarelo, a mula ou  burro que carga, igualada aos homens no trabalho e pouco feminina,  a mulata de exportação, no caso brasileiro e a serva ou doméstica.  Que mulher negra já não foi ...

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Anna Ismagilova/Adobe

Será que eu sou uma fraude? A mestiçagem e o meu não lugar

A vida inteira fui chamada de branquinha pelo meu pai e era assim que eu me via, apesar dos constantes comentários acerca do meu cabelo “ruim”, do meu nariz de “barraca” e da minha boca de “nego”. Sempre ouvi que apesar da minha pele clara, eu tinha um “pezinho na senzala”. Quando eu entrei no Ensino Fundamental em uma escola pública perto da minha casa, eu e um primo íamos e voltávamos juntos, pela rua de barro. Eu adorava a escola, mas a gente tinha muitos problemas, como trocas de professores, greve, salas pequenas e abarrotadas de alunos. Todos nós queríamos a atenção da Tia, mas era impossível ela fazer um atendimento individualizado. Eu não me lembro de ter dificuldades de aprendizado nesta fase, mas acabei passando para a segunda série sem saber ler, ou pelo menos foi isso que disseram para os meus pais. Acho que foi aí que ...

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Wikimedia Commons

Legado dos griôs é tecnologia: dá voz na ciência, artes, cultura é altivez diante dos racistas

Anunciação Silva¹ Eu sou parte de você, mesmo que você me negue. Na beleza do afoxé, ou no balanço no reggae. (...)  A minha pele é linguagem e a leitura é toda sua. (Jorge Portugal). O mês de agosto, para os baianos, trouxe em sua primeira semana tristeza e comoção em função da morte de dois ícones negros, antirracistas ligados à educação e cultura: Jorge Portugal e Jaime Sodré. E, no sábado, quem se tornou mais uma encantada foi a maravilhosa Chica Xavier. A dor que nos rasga o coração pela partida desses griôs contemporâneos é realimentada, positivamente, em meio às inúmeras e merecidas homenagens nas redes sociais e nos veículos de comunicação impressos e televisivos que nos lembram suas trajetórias e seus legados. Os griôs são valorizados aqui por serem pessoas que dedicaram suas vidas à aquisição, constituição e transmissão de conhecimentos. No ano passado, o Conselho Universitário da Universidade ...

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