quarta-feira, julho 6, 2022
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Album: Ellington mostra vitalidade de sua orquestra nos anos 50

A década de 50 prometia não ser muito animadora para figuras como Duke Ellington (1899-1974). Ícone de outros tempos, o pianista e sua orquestra lutavam para não serem esquecidos por um público seduzido por novas formas, como o bebop.

Nesse contexto, Ellington desembarcou em Zurique, em 1950. Acompanhado de parceiros de peso e de um repertório sem arestas, Ellington mostrou que tinha fôlego, que ainda não era passado. A apresentação foi gravada e arquivada por todos esses anos, tendo sido redescoberta, remixada e lançada lá fora há não muito tempo.

Somente pela versão de “Creole Love Call”, um de seus clássicos, o álbum já mereceria ser conhecido. O andamento lento, conduzido pelo trompete de Harold Baker e o clarone de Harry Carney, recebe encanto novo com as vocalises de Kay Davis, que criam uma atmosfera sedutora e etérea. Mesmo quem já conheça várias leituras para o clássico, irá se surpreender com essa versão.

Mantendo composições próprias como eixo da apresentação, o pianista não se esquece de contemplar standards, como “How High the Moon” e “S’wonderful”. E, a cada faixa, o generoso Ellington abre espaço para o desfile dos solistas que o acompanhavam na ocasião, como Johnny Hodges, Don Byas e Jimmy Hamilton. Mesmo sendo um grande pianista, Ellington costumava surgir como uma figura discreta em seus discos, destacando-se muito mais como líder da orquestra.
Raras são as vezes em que solava, dando destaque a seu dedilhado. Aqui não é diferente. Ao executar uma de sua canções mais conhecidas, “Take The A Train”, cede seu posto ao piano a Billy Strayhorn, parceiro antigo e coautor da faixa.

Apesar de sempre ter se mantido fiel à sua música, Ellington não ignorou os novos que chegavam. Gravou, em 1962, um belíssimo disco ao lado do saxofonista John Coltrane que, na época, ainda não havia se tornado o mito que viria a ser depois. Também descobriu e lançou o pianista sul-africano Dollar Brand, que se tornaria mais à frente um nome respeitado na cena freejazzística.

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