As mulheres não têm noção da própria beleza?

Enviado por / FonteDo Terra

Eles sabiam o fato: as mulheres não têm noção da própria beleza. Mas como elas iriam agir ao serem confrontadas com essa verdade era totalmente imprevisível. Mesmo assim, a empresa apostou e a equipe brasileira da agência Ogilvy embarcou para os Estados Unidos para gravar a propaganda.

O vídeo da marca Dove Real Beauty Sketches (Retratos da Beleza Real) conseguiu mostrar, com delicadeza e sensibilidade, que as mulheres conseguem enxergar melhor a beleza da concorrência do que a delas mesmas.

“A gente sabia que as mulheres eram muito mais críticas com elas mesmas do que o mundo e começamos a trabalhar a ideia do retrato falado, entramos em contato com o artista. Mas quando fomos filmar não tínhamos ideia do que podia acontecer, não sabíamos o que podia sair desses retratos e qual seria a reação delas. Rolou um alinhamento planetário e deu tudo certo”, diz Diego Machado, diretor de arte da agência.

No vídeo, um desenhista faz dois retratos de uma mesma mulher. Um com base na percepção da própria sobre seu rosto e outro com base na percepção de uma desconhecida. Em todos os desenhos, as mulheres viam em si mais rugas, mais olheiras e mais detalhes que as deixavam feias, pálidas, reprimidas, tristes.

As desconhecidas não viram tantos defeitos e seus retratos ficaram mais bonitos, iluminados, felizes. Ao serem confrontadas com os dois desenhos, as personagens do filme mesclavam a alegria de serem percebidas por outros de uma forma mais bonita do que esperavam e uma certa melancolia por viverem “cegas” por uma autoimagem destorcida.

A Unilever, proprietária da marca Dove, queria promover o renascimento da campanha da Beleza Real, que começou em 2003 e estava sem novidades. Para isso, pediu a proposta inovadora, que funcionasse universalmente. “A empresa pediu um projeto que resgatasse o conceito que estava perdendo um pouco do vigor criativo. Precisávamos de uma campanha grandiosa, que funcionasse na Índia, na China, no Brasil, mas que não tinha um formato específico”, comenta o redator Hugo Veiga.

Após pesquisas, a agência pensou em utilizar o desenhista forense do FBI (polícia americana) Gil Zamora, que já havia participado de documentários e programas de TV, como o da apresentadora Oprah Winfrey. Com um processo de criação diferente, Zamora faz seus retratos falados quase como um terapeuta, com base em perguntas pessoais e sem olhar para a entrevistada. Assim, era a pessoa certa para descrever essas mulheres.

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(Foto: Divulgação/ Dove)

Gravada nos EUA, país escolhido por ser onde mora o desenhista, as escolhidas foram mulheres reais, selecionadas nas ruas de São Francisco, e que nunca tinham feito propaganda, com diferentes etnias e diferentes faixas etárias. Por não serem atrizes e por não ter um roteiro, a reação delas diante dos dois retratos era uma surpresa que poderia não ter o resultado esperado, segundo Machado.

“O vídeo superou as expectativas principalmente porque o filme é longo (três minutos) e na internet o que costuma funcionar é o humor. Esse é um projeto extremamente emocional, não esperávamos que fosse o mais visto no mundo em apenas um mês. Tocamos em um ponto bem sensível das mulheres e elas quiseram compartilhar com os amigos. Os homens também compartilharam muito, como forma de valorizá-las. O vídeo ainda nem passou em todos os países, ainda está começando, mas vamos pensar em uma forma de continuar com esse projeto”, diz Veiga.

 

 

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