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Caso Ari: o episódio de racismo que está na origem das cotas no Brasil

Arivaldo Lima, o primeiro estudante negro a ingressar no doutorado de Antropologia da UnB Imagem: Reprodução: documentário "Raça Humana"

Arivaldo de Lima Alves foi o primeiro aluno negro no doutorado de Antropologia da UnB (Universidade de Brasília). Ao final de 1998, fez história outra vez: foi o único a reprovado em uma matéria obrigatória nos 20 anos do programa. Isso poderia inviabilizar o sonho de virar doutor.

Sem motivos que justificassem a nota baixa, Ari enfrentou dois anos desgastantes até conseguir revisar a reprovação. A falta de critério fez o episódio ser entendido como um caso de racismo e homofobia (o aluno também era homossexual) e motivou a elaboração do projeto de cotas étnico raciais na UnB.

Em 2003, a universidade se tornou a primeira instituição de ensino superior federal a implementar cotas para negros e indígenas. Na época, Ari fazia parte de um grupo representado por apenas 4,3% do total de alunos. No ano seguinte, os cotistas começaram a chegar. Quase duas décadas após a implementação da lei, a UnB colhe os frutos da política: estudantes negros e indígenas representavam 48% do total de alunos em 2019. Não foi fácil. A reportagem do UOL conta como a universidade foi alvo de inúmeras manifestações contrárias, todas que passavam pelo entendimento de que não há racismo no Brasil.

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