segunda-feira, outubro 19, 2020

    Coletiva Negras que Movem

    Vitorí Barreiros da Silva (Arquivo Pessoal)

    Eu, uma mulher negra da Geração Z, inventei a minha profissão

    Deixa eu me apresentar: sou Vitorí, mulher, negra, cis, do Sul do Brasil, que trabalha com inovação e tecnologia. Tenho 21 anos e sou uma das lideranças aceleradas pelo fundo Baobá através do Programa de Aceleração de Mulheres Negras Marielle Franco e trabalho com pesquisa de tendências futuristas. Muito prazer! Eu penso o futuro. Eu ativo futuros. Eu sinto uma facilidade maior em me relacionar online do que pessoalmente. E sim, é “culpa” da tecnologia (e também do racismo que colocou pedras no desenvolvimento das minhas relações presenciais).  Quando fui começar a escrever esse artigo, encontrei vários desafios e conflitos internos, até enfim, externalizar um tema que fosse de minha escolha. Enquanto dormia e acordava com a ansiedade de encontrar algum tema para escrever e aprender a estruturar um artigo, visitei blogs, parei para consumir textos longos (coisas que não tenho praticado muito) e aqui, enquanto escrevo, quero de peito...

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    Reparação social da população negra através da arte e cultura

    Acredito que as injustiças e perversidades que a população negra sofre desde o período da escravidão podem ser minimizadas por meio de políticas públicas voltadas à arte e cultura, através de um maior investimento dos órgãos públicos competentes com o objetivo de fomentar as manifestações culturais negras, para que assim se obtenha uma reparação social histórica através da reconstrução da nossa identidade.   Por atuar desde a minha adolescência em ações ligadas à cultura negra tradicional e contemporânea, como a Capoeira e o Hip Hop, as quais tenho propriedade em mencionar, analiso que nestas importantes manifestações artísticas há diversidades, portanto, com representações distintas, por exemplo, a  Capoeira que através da oralidade, musicalidade e luta, explana  a história da população negra desde o século XVI. Jáá o Movimento Hip Hop nacional surge na década de 80 relata através de protestos as injustiças ainda presentes, além disso, explica o motivo pelo qual a...

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    Centro de acolhimento do Degase com superlotação: dois adolescentes dormem na mesma cama Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

    Medidas Socioeducativas: insustentabilidade desse sistema repressivo, que já nasceu abortado

    Se tem uma coisa que esse País sabe fazer é desumanizar e legitimar a morte de adolescentes e jovens negros. O projeto político dos homens brancos e cis-heteronormativos que se rotulam como homens de bem é promover a necropolítica e a aniquilação dos corpos indesejáveis. O Brasil ocupa o ranking de 3ª maior população carcerária do mundo. E sabe qual é a cor dessa população? Sim, essa população tem cor, e é preta. O Brasil foi o último país das Américas a “abolir” o sistema escravocrata. Esse abolir vem entre aspas mesmo, pois sabemos que abolição nunca existiu e o povo não branco continua sendo alvo de estratégias de dominação reinventadas para replicar um modelo formalmente extinto, mas que encontrou novas roupagens para se reproduzir na sociedade. Somos o País com maior população negra fora do continente africano. Entretanto, nossos corpos continuam sendo alvo de uma política higienista e genocida....

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    Arquivo Pessoal

    Quantas professoras negras você já teve na universidade?

    Quantas professoras negras eu já tive? Foi uma questão que me indaguei quando havia acabado de ser selecionada como professora substituta na Universidade Federal do Acre - Ufac, cargo este que ocupei no período de 2018 a meados de 2020. Percebi a invisibilidade de mulheres negras ocupando espaços na docência universitária, e a presença maior destas trabalhando em empresas terceirizadas nos setores de limpeza das instituições. Quanto à inserção maior de mulheres negras nos empregos terceirizados, ou de babás e empregadas domésticas, é importante  “ problematizar o porquê de tais lugares ainda serem os mais comuns ou naturais para mulheres de pertencimento étnico racial não branco (EUCLIDES, 2017, p. 44-45). A resposta para essa indagação é porque a raça é uma categoria que está presente nos modos de organização social. E não é sobre o ponto de vista biológico que falo, mas sobre uma perspectiva política, tendo haver com...

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    Giovana Xavier (@oniraproducoes)

    O que se ganha com o que se perde?

    Nunca gostei da expressão “correr contra o tempo”. Tudo que é a priori contrário à alguma coisa soa para mim como fadado ao fracasso. Antirracismo, antimachismo, anticapitalismo… Mais do que simples termos, estas são palavras perigosas porque quando definimos a nós e a movimentos pela contrariedade, nossos olhos voltam-se mais para o combate e a destruição do que para criação de formas alternativas ao que nos oprime. No pensamento feminista negro, esta mirada para o poder da criação foi nomeada por Patricia Hill Collins “epistemologia alternativa”: uma teoria crítica social focada nos interesses e referenciais de mulheres negras como grupo que posicionado à margem das estruturas de poder constrói alternativas radicais de afirmação e liberdade. (Pausa para conflitos e risos: a ideia não era teorizar… mas sou acadêmica. Acadêmicas teorizam, está tudo bem…) Mas voltando ao Tempo, Ele agora apresenta-se na versão maiúscula, condizente com a soberania do orixá que...

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    Joice Santos (Arquivo Pessoal )

    O que nós temos a receber da política?

    2020 é o ano da Pandemia da Covid-19, que impactou o mundo como não tínhamos notícias neste século. 2020 também é ano eleitoral no Brasil, em que  iremos eleger prefeitos e vereadores para nossos municípios. Como vamos determinar as pessoas que vão guiar nossas cidades nesse cenário pandêmico? Responder a essa pergunta, me parece fundamental para a construção do futuro que nos espera. É nítido que fazer a gestão de uma cidade não é só construir lindas pracinhas e decorar com luzes brilhantes no Natal. A gestão precisa ser efetiva em identificar, analisar e suprir as demandas do território mediante políticas públicas eficientes e pautadas na realidade das pessoas e na construção de vidas dignas. Falo da gestão pública para estar sempre lembrando que pessoas eleitas são funcionárias do Estado e estão (ou deveriam estar) cumprindo funções de um cargo ao qual ocupam no momento, ou seja, estamos falando de...

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    Evânia Maria Vieira (Foto: Arquivo Pessoal)

    Mindfulness pode ser um aliado para lidar com a dor crônica e aliviar os sintomas da depressão

    A prática de mindfulness, um estado mental que se concentra em aumentar a consciência e a aceitação das experiências vividas no momento presente, incluindo as experiências de dor crônica, estresse, ansiedade e depressão, vem se consolidando em diferentes dimensões da vida social tanto do ponto de vista da prática quanto do ponto de vista da pesquisa científica. O termo “mindfulness” ou “atenção plena”, como é traduzido para o português, pode ser usado para fazer referência ao Programa de Redução do Estresse Baseado em Mindfulness, o MBSR (Mindfulness Based Stress Reduction), criado na década de 1970 por Jon Kabat-Zinn, professor da Universidade de Massachusetts – EUA. Inicialmente o mindfulness foi desenvolvido para pacientes com dor e estresse crônicos. A partir de então, o mindfulness, seja como prática de intervenção, seja em sua significação enquanto conceito foi sendo introduzido gradativamente na medicina e na psicologia ocidentais. O interesse crescente pelo mindfulness no...

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    Magna Barboza Damasceno (Foto: Arquivo Pessoal )

    Meritocracia: uma piada de mal gosto

    Era 13 de março pela manhã… Bum... bum.. bum ...... e um menino sai desesperado pelas ruas. Seu único desejo: sobreviver. Correndo, aquele menino negro, esguio e assustado se depara com várias pessoas, mas nenhuma o acolhe. Todos estão olhando para ele, apavorados, e ele?! Com mais medo ainda, tinha em seu ombro um machado, um machado fincado, que sangrava, sangrava e sangrava. Ele era apenas um jovem menino negro assustado no meio de uma tragédia, um agravo social que havia acabado de presenciar –  o horror – mas, nem o tempo foi generoso e enquanto todos corriam pedindo compaixão, mais uma vez o menino negro teve que se justificar antes, que não queria fazer mal a ninguém, apenas pensou em sobreviver e percorreu quase meio km para conseguir ajuda em um hospital. Esta cena foi noticiada em vários veículos de comunicação da imprensa escrita e falada há um ano...

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    Arquivo Pessoal

    Juventude e política de morte no Brasil

    Sangue, vidas e glórias, abandono, miséria, ódio Sofrimento, desprezo, desilusão, ação do tempo Misture bem essa química e pronto (Diário De Um Detento, Racionais MC's, 1997). No próximo dia 12 de agosto será o Dia Internacional da Juventude, uma data estabelecida pela Organização das Nações Unidas há cerca de 20 anos. No Brasil, um longo processo de reconhecimento do jovem como sujeito de direitos se deu nos últimos 15 anos, embora o país tivesse desde 1990 o Estatuto da Criança e do Adolescente, o qual rege o conjunto de direitos voltados ao público de 0 a 18 anos, havia uma necessidade de reconhecer aqueles e aquelas que estavam entre a adolescência e a vida adulta, requerendo uma série de demandas ao Estado e a sociedade e ainda sem instrumentos legais que as validassem. Com o desenvolvimento de uma institucionalidade para gestão e monitoramento de políticas públicas de juventude, como a...

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    Direito à Ancestralidade

    Independentemente de como você professa sua fé, pessoas pretas precisam pensar sobre ancestralidade. Digo isso, porque os valores e os saberes do povo preto vêm sendo apagados ou embranquecidos ao longo da história, e o fundamentalismo religioso ganha força a cada dia e tem colocado no fronte irmãos como inimigos. Ancestral é o que foi, o que é, e o que ainda será. Reconhecer o que é ancestralidade te permite saber de onde você veio e como chegou até aqui. É muito importante para compreender e pacificar algumas formas de sentir que nos foram negadas e, ao mesmo tempo, desconstruir outras que nos foram e ainda são impostas. O desenvolvimento do continente africano foi extremamente prejudicado pelo tráfico de pessoas para a escravização, a qual não retirou aleatoriamente corpos do continente,, em verdade, houve uma seleção baseada nas habilidades e tecnologias de cada povo para construção e manutenção de vários...

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    Autocuidado e bem viver: Algo muito distante das periferias refém de Salvador- Bahia

    Tenho ouvido tanta gente falando de autocuidado para pessoas negras que isto tem me feito questionar, o que seria esse autocuidado para pessoas que passam o dia INTEIRO sob a mira de balas de autores diversos?    Salvador virou uma zona de guerra urbana, onde pessoas com cada vez menos idade tem sido protagonistas das situações mais desumanas e absurdas em suas comunidades. Gerações inteiras de pessoas negras têm crescido ou envelhecido sob constante pressão emocional por conta da ausência do uso de inteligência policial na segurança pública. Bairros minúsculos que com ações estratégicas teriam suas situações de violências eliminadas, seguem com moradores dia e noite sendo reféns do Estado e do tráfico em suas comunidades, sem que NENHUMA SOLUÇÃO seja tomada. Afinal, em quem confiar quando em qualquer conversa de cinco minutos com os residentes nas comunidades você sabe que a “boca” de tal lugar é dos ‘púliça’, a de...

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    Coletiva Negras que Movem

    O Portal Geledés inaugura hoje, 25 de julho - Dia Internacional da Mulher Negra latino-americana e Caribenha, a seção Coletiva Negras que Movem, integrada à área colaborativa “Guest Post”, que divulgará os artigos de integrantes do Programa de Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco, do Fundo Baobá. A iniciativa é resultado da demanda de 23 integrantes do Programa ao Portal Geledés, que requisitaram um espaço para publicação de suas produções, de reverberação de seus trabalhos e pesquisas, ação que já vislumbra o comprometimento delas com o fortalecimento de suas capacidades políticas e técnicas, e de articulação com as organizações da sociedade civil. A coluna Coletiva Negras que Movem se inicia com o artigo de Luciane Reis - Autocuidado e bem viver: Algo muito distante das periferias refém de Salvador- Bahia. Bem vindas Coletiva Negras que Movem!   Leia o primeiro texto Autocuidado e bem viver: Algo muito distante das periferias...

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