Coletiva Negras que Movem

Clara Marinho Pereira (Foto: Arquivo Pessoal)

Sete lições de liderança que aprendi com mulheres negras

Que lições as mulheres negras que ocupam a cena pública em presença e espírito têm deixado para nós? Apresentando-nos a negritude como lugar de força, criatividade e conquistas, pretas de diferentes segmentos têm nos deixado ensinamentos preciosos, partilhados conosco a partir da certeza da influência positiva na nossa autonomia. Neste texto, listo 7 lições aprendidas que busco recordar continuamente, por entender que elas nos dão régua e compasso para seguir em frente. 1. “Nossos passos vêm de longe²”. Se hoje temos a possibilidade de contar com referências políticas e teóricas que municiam nosso ser no mundo e nossas lutas específicas, é porque mulheres de gerações que nos precederam lutaram por estabelecer um campo de práticas e reflexões centrados na mulher negra. À minha possibilidade de usar meu cabelo natural, me aceitar como sou e me perceber bonita, há a articulação entre negritude e psicanálise e estética negra e a política⁴...

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Taís Nascimento (Foto: Arquivo Pessoal)

Das escolas informais no período escravista às redes de apoio em TI

Em 2013, a chegada dos primeiros médicos e médicas cubanas do programa Mais Médicos foi acompanhada de vários episódios explícitos de racismo. Uma jornalista do Rio Grande do Norte na época publicou no Facebook: “essas médicas cubanas tem uma cara de empregada doméstica… Será que são médicas mesmo? Médico geralmente tem uma postura, tem cara de médico, se impõe a partir da aparência”. Esse caso em especial me chama atenção porque fala diretamente a nós mulheres negras e do espaço que a sociedade espera que nós ocupemos. O espaço destinado à mulher negra no imaginário social está sempre ligado ao servir, ao trabalho doméstico, às cozinhas, o que não é uma desonra, mas todos sabemos que só recentemente as empregadas domésticas conseguiram direitos já consagrados há décadas a todas as outras categorias profissionais, de modo que sempre foi uma classe muito ligada ao subemprego ou ao trabalho informal. A imagem...

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Desde a CF/88 há cotas para brancos e ricos e ninguém nunca questionou

Vira e mexe nós encontramos pessoas que condenam a reserva de vagas em concursos públicos para pessoas negras. Conforme definido na Lei 12.990/2014, os certames na esfera federal do governo devem preservar 20% de suas vagas para pessoas pretas e pardas. São as famosas cotas raciais. Muitas vezes, inclusive, eu vejo os termos “cota” ou “cotista” serem usados com cunho pejorativo. O que me intriga é que boa parte das pessoas que condenam as reservas têm uma elevada formação e, pasmem, nunca questionaram as cotas para brancos e ricos previstas desde a promulgação da Constituição Federal de 1988. Não sabe do que eu estou falando? Deixe-me explicar. A CF/88 instituiu o chamado “Quinto Constitucional”, que reserva 1/5 das vagas nos tribunais regionais ou superiores para advogados e procuradores. Ou seja, eles podem se tornar desembargadores e julgar, primordialmente, os recursos interpostos contra as decisões das varas de primeira instância sem...

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Vitorí da Silva (Foto: Arquivo Pessoal)

Internet como ferramenta revolucionária

“I woke up like this! We flawless, ladies, tell ‘em” “Eu acordei assim! Somos maravilhosas, garotas, falem pra eles” A música Flawless², conhecida na voz de Beyoncé em parceria com a escritora Chimamanda Ngozi Adichie, a cantora, artista e compositora deixa visível a interferência da autoestima e protagonismo como ferramenta de impacto na estrutura. Nos dias de hoje, no mundo do agora, é essencial integrar imagens caracterizadoras de um passado recente ao futuro que cada vez evolui mais como um digital. O mundo on-line mistura-se com o off-line. Robôs e seres humanos. Isso é o que alguns chamam de: afrofuturismo. Com inteligência tecnológica, o afrofuturismo busca nesse novo, e único momento histórico, uma aproximação visando um compartilhamento de ideias, projetos, propostas e mais. O que contradiz os modelos de gestão capitalista, tal qual o de Henry Ford, que enfatizava a limitação da capacidade de produção humana. A relevância do protagonismo...

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Foto: Dani Opulesco

Que Oxum nos dê olhos de ver Vênus. É ano novo no Céu.

São Paulo, 20 de março de 2021 BRASIL. ANO 521 P.E. (Pós- escravidão). Diáspora. Prólogo. Pela íris dos teus olhos, sua mais antiga ancestral mira a Lua. Hoje é dia de lembrar. Saudações aos Oris que estão acordados. Atravessando a mais escura das noites, a contagem dos mortos, o cansaço da alma, a batalha íntima, o absurdo, o surreal, o tremer da carne, a des- ilusão, o dia raiou. E eis que no raiar do dia, às 6h37, o Sol se levanta no grau zero de Áries. Equinócio. Equinox, como no sopro saturnino de Coltrane. No grau zero do fogo cardinal, o Sol abraça Vênus a 29º de Peixes. “A imagem e o gesto, lutar por amor”*. Lua em Gêmeos, que para dar conta do corre, ascende a memória de dias esquecidos, em que nossos ancestrais atravessaram o Atlântico, as senzalas, a peste branca, o assalto a mão armada ao...

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Mayara Silva de Souza (Foto: Enviada ao Portal Geledés pela autora)

As últimas depois de ninguém: meninas em privação de liberdade

Início este texto agradecendo todas as mulheres, especialmente às mulheres negras, que vieram antes de mim, e também aquelas com as quais andamos juntas e às que estão por vir. Para além de março e da luta, desejo que tenhamos ar para que, depois desta longa ausência de motivos, possamos sorrir juntas e com tantas outras. Junto às mulheres “livres” que me inspiram quero referenciar as mais de 200 meninas e mulheres em privação de liberdade que, por meio do Sarau Asas Abertas, desde 2012 me ensinam sobre o que significa na prática ser um ser humano cada dia melhor, sem vocês minha prática feminista seria ainda mais falha e incompleta, pois enquanto vocês não forem “livres” não será completa. Mundialmente março é um mês marcado por muitas comemorações e celebrações às mulheres, mesmo com altos números de violência doméstica, feminicídio, desigualdade de salários e de direitos, muitas flores e...

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Clara Marinho Pereira/ Arquivo Pessoal

Desafios das mulheres negras no mercado de trabalho

As mulheres negras enfrentam desafios históricos na sua inserção no mercado de trabalho. A escravização deixou marcas duradouras na trajetória laboral desse grupo populacional, as quais perpassam início precoce e saída tardia do mercado de trabalho; desemprego elevado; concentração em ocupações subordinadas; bloqueios à competição por posições com maiores remunerações e prestígio e então, baixo retorno em relação ao avanço da escolaridade; ameaças constantes de rebaixamento e expulsão, provocadas por mudanças sócio-econômicas, mudanças no ciclo de vida ou pelo racismo direto. No contexto da pandemia provocada pelo novo coronavírus, o conjunto desses desafios tem se agravado, renovando em bases ainda mais complexas o desafio de lutar por um padrão civilizatório em que a interseccionalidade seja vista como ponto de partida incontornável da ação estatal e social, e não como mero recorte. “Pra começo de conversa” Como já nos ponderou Beatriz Nascimento², a escravização estabeleceu o lugar da mulher negra na...

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Fotos: @enredo.fotografia

Em caso de despressurização racial, máscaras antirracistas cairão automaticamente!

“Sim. Eu corri para não ser rotulada. Corri da violência doméstica, das escolas de brancos, da  humilhação na sala de aula, dos assédios, das portas fechadas, dos enquadramentos eurocêntricos, dos vícios, da cidade que não oferece oportunidades e das relações abusivas. A partir de um tempo, meus pés sagraram tanto, que não pude mais correr. Mas, logo percebi que tenho asas e comecei a voar.” Começo esse texto agradecendo às minhas irmãs, tias, primas, orientadoras e a todas as mulheres negras, especialmente, à minha mãe pelo apoio e estímulo que sempre me deram, para que eu não tivesse medo de abrir as asas e me deixasse conduzir por elas em voos cada vez mais altos. Durante um tempo, as impactantes reverberações do racismo e da opressão de gênero quase me convenceram de que eu jamais conheceria outros lugares. Minha família sempre gostou muito de viajar. Assim, meus pais e tios juntavam...

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Jéssica Remédios (Foto: Arquivo pessoal)

O SUS que não se vê

Em setembro de 2020 o Sistema Único de Saúde (SUS) completou 30 anos. A Lei 8080/90, conhecida também como Lei Orgânica da Saúde definiu as diretrizes para funcionamento e organização do SUS que estão em vigor até hoje. O sistema de saúde público e universal brasileiro serve de exemplo para outros países e sistemas, e têm como princípios doutrinários a universalidade, equidade e integralidade. Seus princípios organizativos, por sua vez, são a participação popular, regionalização e hierarquização, descentralização. O princípio da equidade traz à tona as iniquidades sociais e econômicas ao reconhecer a desigualdade no acesso, na gestão e produção de serviços de saúde. Este princípio ressalta as diferenças e a importância de priorizar os grupos onde a iniquidade é maior. Entendendo que os princípios dão alicerce e representam os valores do SUS, embora prevista teoricamente a equidade está longe de ser um princípio de fato. Isto porque, no que...

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Arquivo Pessoal

O espectro de Marielle Franco é a urgência da resistência negra¹

No dia 14 de março de 2018, Marielle Franco e Anderson Gomes foram assassinados pelo Estado brasileiro. Ela era uma mulher negra, mãe, socióloga, LGBTQ, e como ela mesma dizia: cria da favela da Maré. Marielle foi eleita Vereadora da Câmara do Rio de Janeiro pelo PSOL, com 46.502 votos e foi também Presidenta da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara. Sua execução aconteceu num cenário de deflagração da intervenção militar no Rio de Janeiro, estabelecida um mês antes, e da qual a parlamentar era uma crítica contundente. É bom lembrar que quatro dias antes de seu assassinato, ela denunciou o extermínio de quatro jovens negros, supostamente executados pela polícia numa favela do Rio de Janeiro, na comunidade do Acari. Ela escreveu assim nas redes sociais: “Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe? (...). O 41º Batalhão da Polícia Militar do Rio está aterrorizando...

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Foto Poliana Rodrigues

Tecnologia ancestral

Saudações,  Hoje é um dia no futuro que foi sonhado pelos nossos ancestrais.  Nessa encruzilhada em quem seus olhos encontram as minhas palavras, seu corpo dança.  Danço eu, dança você.  Vamos fazer de conta que estamos bem perto. Você me dá licença, e com a permissão do seu Ori, leio no seu semblante trejeitos herdados de um ancestral, o piscar de olhos, talvez um fogo azul cintilando atrás dos óculos quando se enfurece, a mão na cintura quando se coloca, o dedo em riste quando diz não. Leio a memória trêmula e enfurecida dos teus músculos, quando colocado de cara pro muro com as mãos na cabeça, o sorriso de canto de boca “igual o da sua mãe”, aquele gesto que lembra o parente antigo, e as pessoas dizem “é a cara do avô”.  Leio devagar e discretamente seu peito arfar com a mensagem que chega no whats up, seus...

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Foto: Arquivo Pessoal

Notas para uma nova geração de políticas antirracistas

Entre 2003 e 2016, o Brasil conheceu sua primeira geração de políticas públicas dedicadas a promover a igualdade racial e combater o racismo. Ao longo desses anos, o dinamismo econômico, a expansão das políticas sociais e a criação de oportunidades específicas para a população negra permitiram a melhoria das condições de vida de nossa população. Com a crise econômica iniciada em 2014, parte das conquistas foi revertida. Com o novo ciclo político, novos desafios foram colocados. O presente texto se coloca como um conjunto de notas - de ideias que já transitam entre os movimentos negros, acadêmicos e servidores públicos - sobre quais princípios podem orientar a renovação das políticas públicas que têm impacto direto na garantia de direitos para a população negra. Aqui, o ponto de vista é de quem já participou de sua execução na esfera federal de governo, entrevendo a possibilidade de mudança na correlação de forças...

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Arquivo Pessoal

Uma carta de amor às mulheres negras

Em 30 de outubro de 1970 uma jovem negra, de 21 anos, dava luz a terceira de sete filhos em Ibotirama, uma pequena cidade do interior do estado da Bahia. Mariazinha, como era chamada por todas pessoas que a conheciam, tem uma história que se repete a cada menina negra que nasce no meio da roça, que não tem acesso à educação e a saúde de qualidade e vida, e o lazer quase que como um pecado, mas que nunca abriu mão de brigar por nenhum dos seus. Fosse filho, fosse neto, fosse o que fosse, se ela amasse ela defendia contra qualquer coisa. Dona Mariazinha era mãe de 7, avó de 19 e bisavó de 12. Dona de histórias de amores, de dores, de alegrias e de tristezas, como qualquer outra mulher. Há um ano, quando minha avó morreu, pensei quem contaria suas histórias e com quem eu aprenderia...

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Arquivo Pessoal

Um livro independente, escrito por uma mulher negra, sobre o sucesso de mulheres negras, entre os finalistas do principal prêmio literário do país

O título que abre este artigo já deixa evidente o que vamos falar aqui. Este texto é sobre nós, mulheres negras, sobre nossos sucessos e conquistas. Mas, antes de dar sequência, permitam que eu me apresente. Eu sou Jaqueline Fraga, pernambucana, jornalista, administradora e escritora. No ano passado, durante a Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, o principal evento literário do estado, lancei meu primeiro livro. O nome da obra, aliás, já diz sobre o que gosto de falar. E escrever. “Negra Sou: a ascensão da mulher negra no mercado de trabalho”. Este é o título do meu livro-reportagem. É nele que conto as histórias e sonhos e carreiras de mulheres negras que estão movendo o país. Como bem nos ensinou Angela Davis: “Quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela”. É uma frase que, sem dúvidas, virou símbolo. Mas, mais ainda, virou...

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Arquivo Pessoal

As tantas porteiras desnecessárias

“Por que está dentro de mim, se porteira é coisa que existe fora? Me abro para você sair.” Achei estas frases, escritas por mim, perdidas na agenda. E se juntaram a algo que venho pensando há um tempinho. Quantas demandas que nós, pretos e pretas, temos que dar conta para, simplesmente, sermos pretas e pretos. Tantas porteiras fincadas. Quem colocou porteira aqui e acolá? No terreiro, é dizer, que já ouvi algumas vezes: “da porteira para fora é uma coisa, da porteira para dentro é outra”. Orientando nossos maus-modos-e-maus-costumes de cultura não-preta, que não são bem-vindos ali na roça. Entendi por muito tempo. Concordei.  Concordo até chegar na frente da porteira, saindo do terreiro e indo para casa: eu não quero ser outra quando atravessar a cancela. Quero levar comigo o que vivi aqui estes dias. Levar em mim o bocadinho-de-novo, que aprendo em todo canto e tempo, dentro do...

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Renata Vaz (Arquivo Pessoal)

Afro Turismo

Viajar é uma oportunidade de experimentar culturas e conhecer pessoas de uma maneira diferente. E ainda, a possibilidade de conhecer realidades diversas de ter empatia por pessoas, que até então eram desconhecidas. Turismo etinco-afro, Afro Turismo, Turismo Afro Referenciado ou ainda Black Travel Moviment. Todas essas denominações o que está em pauta é o foco na população preta e sua identidade. Histórias que foram esquecidas ou apagadas durante muitos séculos ao longo de nossas vidas passam a ser protagonista através do turismo. Esse movimento no turismo não é recente, vem sendo discutidos em alguns espaços, em sua maioria como forma de resistência, e sendo desenvolvido por vários profissionais no Brasil e no Mundo.   Durante o #BlackLivesMatter a pauta do turismo afro ganhou visibilidade e espaço em alguns lugares que antes não tinham vez. Como ocorreu no evento ABAV COLAB realizado de  27 de Setembro a 2 de outubro, onde o...

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Brígida Rocha dos Santos (Foto: Arquivo Pessoal)

Os aliciamentos para fins de exploração no trabalho continuam mesmo com a pandemia

O discurso de crise é “fake” e serve para preservar e aprofundar o sistema de exploração no trabalho urbano e rural: as decadências atingem somente trabalhadoras e trabalhadores que são enganados e violentados desde o aliciamento, traficados para serem submetidos a servidão por dívida, restrição de liberdade, trabalho forçado e jornada exaustiva. São, ainda, expostos aos riscos de acidentes e de contaminação pela Covid-19. Entre julho e agosto de 2020, foram identificados através de denúncias registradas pela Comissão Pastoral da Terra mais de 46 trabalhadores que partiram do Maranhão, aliciados nos municípios de Codó e Timbiras. Destes, foi já confirmado que 15 jovens foram submetidos a condições análogas à escravidão, levados e largados em Santa Catarina para tentar a sorte nas fileiras do plantio de cebolas, além de difamados e abandonados ao reclamarem por seus direitos. Este caso escancara a frequente perversidade e desumanização dos aliciadores, disfarçados de empregadores, que...

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“Não aceitamos ganhar menos”, diz coletiva negra em carta aberta

“Nosso posicionamento é objetivo: as mulheres negras não aceitam ganhar menos que qualquer pessoa que desempenhe as mesmas profissões, cargos e funções”. É o que diz um dos trechos da carta aberta sobre a desvalorização do trabalho de mulheres negras ‘Não aceitamos ganhar menos‘, organizado pela Coletiva Negras que Movem. Lançada nesta quarta-feira (30), a carta tem como objetivo jogar luz à histórica desigualdade salarial entre brancos e negros, principalmente no que diz respeito ao trabalho desenvolvido por mulheres pretas e pardas. “Com Mãe Stella aprendemos que as pessoas não valem pelos cargos sociais ou postos religiosos que possuem, mas sim pelo simples fato de existirem. As mulheres negras não só existem, como movimentam R$ 704 bi por ano na economia brasileira”, aponta um trecho. A coletiva é formada por 23 mulheres negras contempladas pelo Programa de Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco, do Fundo Baobá, que...

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Vitorí Barreiros da Silva (Arquivo Pessoal)

Eu, uma mulher negra da Geração Z, inventei a minha profissão

Deixa eu me apresentar: sou Vitorí, mulher, negra, cis, do Sul do Brasil, que trabalha com inovação e tecnologia. Tenho 21 anos e sou uma das lideranças aceleradas pelo fundo Baobá através do Programa de Aceleração de Mulheres Negras Marielle Franco e trabalho com pesquisa de tendências futuristas. Muito prazer! Eu penso o futuro. Eu ativo futuros. Eu sinto uma facilidade maior em me relacionar online do que pessoalmente. E sim, é “culpa” da tecnologia (e também do racismo que colocou pedras no desenvolvimento das minhas relações presenciais).  Quando fui começar a escrever esse artigo, encontrei vários desafios e conflitos internos, até enfim, externalizar um tema que fosse de minha escolha. Enquanto dormia e acordava com a ansiedade de encontrar algum tema para escrever e aprender a estruturar um artigo, visitei blogs, parei para consumir textos longos (coisas que não tenho praticado muito) e aqui, enquanto escrevo, quero de peito...

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Reparação social da população negra através da arte e cultura

Acredito que as injustiças e perversidades que a população negra sofre desde o período da escravidão podem ser minimizadas por meio de políticas públicas voltadas à arte e cultura, através de um maior investimento dos órgãos públicos competentes com o objetivo de fomentar as manifestações culturais negras, para que assim se obtenha uma reparação social histórica através da reconstrução da nossa identidade.   Por atuar desde a minha adolescência em ações ligadas à cultura negra tradicional e contemporânea, como a Capoeira e o Hip Hop, as quais tenho propriedade em mencionar, analiso que nestas importantes manifestações artísticas há diversidades, portanto, com representações distintas, por exemplo, a  Capoeira que através da oralidade, musicalidade e luta, explana  a história da população negra desde o século XVI. Jáá o Movimento Hip Hop nacional surge na década de 80 relata através de protestos as injustiças ainda presentes, além disso, explica o motivo pelo qual a...

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