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Com duas indicações ao Prêmio APCA, espetáculo Preto no Branco reestreia no teatro do Núcleo Experimental

Montagem do Núcleo Experimental recebeu as indicações de melhor direção para Zé Henrique de Paula e melhor atriz para Clara Carvalho. Texto inédito do autor inglês Nick Gill, comédia aborda temas como: racismo, preconceito, segregação, consumismo e alienação. 

Enviado por Amália Pereira via Guest Post 

Texto inédito do autor inglês Nick Gill, a comédia PRETO NO BRANCO reestreia dia 5 de dezembro, sexta-feira, às 21h, no TEATRO DO NÚCLEO EXPERIMENTAL. Peça aborda temas como: racismo, preconceito, segregação, consumismo e alienação. Montagem do Núcleo Experimental recebeu duas indicações ao Prêmio APCA, melhor direção para Zé Henrique de Paula e melhor atriz para Clara Carvalho. Elenco reúne ainda os atores Marco Antônio Pâmio, Bruna Thedy, Thiago Carreira e Sidney Santiago.

 

Retrato crítico da sociedade atual PRETO NO BRANCO mostra a reação de uma família britânica tradicional (de classe média, branca e cristã) ao se deparar com o novo namorado da filha. A peça começa com a família Jones conversando sobre banalidades, a Sra. Jones revela seus medos e fantasias sobre os negros. Durante o almoço, a filha informa que está namorando Kwesi, um jovem afro descendente de origem muçulmana.

 

As coisas ficam mais vertiginosas quando o Sr. Jones, que é um vendedor de armas, é enviado ao Oriente Médio para fechar uma venda de armas. Além da família, ele agora tem Kwesi como funcionário em seu negócio. O namorado negro, sofre entre o preconceito e a tentativa de assimilação. Durante esse processo, Kwesi se revela a única criatura com bom senso e se vê imerso numa verdadeira armadilha.

 

“Me interessei pelo texto pela maneira como ele explora o tema do racismo, com muito humor e ironia. Nos coloca frente a frente com nossos preconceitos e, especialmente, com uma estrutura social de classes em que há opressão do capital, colonialismo e segregação, elementos que, apesar de a peça ser inglesa, são infelizmente universais e ecoam as manchetes dos jornais no Brasil de hoje”, afirma o diretor Zé Henrique de Paula.

 

Montagem enfatiza a artificialidade dos diálogos, criando um jogo cênico que extrapola os limites do real. Há pitadas de farsa na construção dos personagens, que trazem como principal característica dizer tudo aquilo que pensam. Ao longo da peça, o humor cede lugar ao reconhecimento de graves falhas sociais. “Há um contraste entre a primeira metade e a segunda, ampliando a discussão sobre a aceitação do outro e de suas diferenças”, finaliza o diretor.

 

A concepção visual exagera os elementos característicos de classe média inglesa. O cenário e figurinos, de Zé Henrique de Paula, apresentam uma lente de aumento, exorbitando as cores, as estampas e padronagens. A trilha, composta por Fernanda Maia, faz paródia das vinhetas de séries de TV, com seu universo edulcorado e idealizado. A iluminação é de Fran Barros. Espetáculo estreou em outubro no Sesc Bom Retiro.

 

PRETO NO BRANCO realizou duas apresentações em maio deste ano dentro do Festival da Cultura Inglesa. E, segundo o autor Nick Gill, que esteve presente nas duas apresentações, a reação foi muito parecida com a das plateias inglesas e francesas, onde a peça já esteve em cartaz: gargalhadas na primeira metade que, gradativamente, cedem lugar a um silêncio constrangido na segunda metade.

 

Nick Gill: É um jovem londrino de múltiplos talentos: músico, dramaturgo, designer gráfico e tipógrafo. Auto definindo-se como um dramaturgo experimental e investigativo, Nick Gill, aos trinta anos, utiliza-se, entre outros procedimentos, de entrevistas para a elaboração de seus textos e ainda faz algumas de suas apresentações em teatros localizados em bares. Além de peças curtas e Preto no Branco (Mirror Teeth), escreveu: Heaven (2006), A kingdom (2005) e Fiji Land (2007). Está trabalhando em dois textos: 3 seizures e Sand. Preto no Branco (Mirror Teeth), estrou em Londres em 2011 no Finborough Theatre e foi indicada a quatro Off West End Awards, incluindo melhor texto.

 

Zé Henrique de Paula: Bacharel em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Mackenzie e pós-graduado em Artes Cênicas pela Escola de Comunicação e Artes da USP. Foi assistente do cenógrafo J.C. Serroni em Nova Velha Estória e Trono de Sangue. Dirigiu A Comédia dos Erros, Judas em Sábado de Aleluia, É 20! As Folias do Século, Revelação, Noite de Reis, Naked Boys Singing, O Despertar da Primavera, R&J, Mojo, Side Man, Novelo, além das peças do repertório do Núcleo Experimental: Senhora dos Afogados, Cândida, As Troianas – Vozes da Guerra, O Livro dos Monstros Guardados, Casa/Cabul, O Contrato e Bichado. Atuou em O Jovem Hamlet, A Comédia dos Erros, É 20! As Folias do Século, Mojo, Camaradagem e Amargo Siciliano. Indicado ao Prêmio Shell em 2009 e 2010, como Melhor Diretor, por As Troianas – Vozes da Guerra e Side Man, respectivamente e em 2012 como Melhor Cenógrafo por Bichado e Melhor Figurinista por L’Illustre Molière.

 

Núcleo Experimental: O Núcleo Experimental é um grupo de artistas que se dedica a explorar novos autores e repensar os clássicos. Focando na busca de excelência artística, na formação e aperfeiçoamento de seus atores e na opção por textos que dialoguem com a sociedade contemporânea, uma de suas vertentes é, também, explorar a relação entre a música e o teatro. A vitalidade dos processos de criação é resultado do intercâmbio e maturação da equipe por meio do trabalho com profissionais de formação heterogênea. Além da equipe estável, vários profissionais da cena paulistana participam das montagens. Uma das características que justificam a existência de um grupo é a atividade contínua e rotineira de pesquisa de linguagem. Um repertório só pode ser resultado desta continuidade. Foram 11 peças produzidas, 14 indicações a prêmios e um público direto de mais de 90.000 espectadores. A política de repertório permite ainda ao Núcleo Experimental contar hoje com 55 atores e 14 técnicos.

Para Roteiro

PRETO NO BRANCO – Reestreia dia 5 de dezembro de 2014, sexta-feira, às 21h. Texto:Nick Gill. Direção: Zé Henrique de Paula. Direção Musical: Fernanda Maia. Com a Cia Núcleo Experimental. Elenco: Marco Antônio Pâmio, Clara Carvalho, Bruna Thedy, Thiago Carreira e Sidney Santiago. Duração: 90 minutos. Recomendação: 14 anos. Ingressos: R$ 40,00 (inteira) e R$20,00 (meia). Sextas e Sábados, às 21h. Domingos, às 19h. Até 21 de dezembro.

 

 

OBS: O espetáculo volta em cartaz no Teatro do Núcleo Experimental no dia 16 de janeiro, nos mesmos dias da semana e horários, até o dia 15 de fevereiro. 

 

TEATRO DO NÚCLEO EXPERIMENTAL – Rua Barra Funda, 637 – Barra Funda, tel: 3259-0898. Capacidade 56 lugares. Bilheteria funciona somente em dias de espetáculo, 1 hora antes do início da sessão. Aceita cartões. Acesso para pessoas com deficiência. Ar Condicionado. Estacionamento na frente do teatro (não conveniado). Café no hall do teatro.

1- Preto no branco - Marco Antonio Pamio e  Clara Carvalho - Foto Ronaldo Gutierrez 2- Preto no branco - Bruna Thedy e Sidney Santiago - Foto Ronaldo Gutierrez 3- Preto no branco - Clara Carvalho e Marco  Antônio Pâmio - Foto Ronaldo Gutierrez 7- Preto no branco - Thiago Carreira e Bruna Thedy - Foto Ronaldo Gutierrez

Fotos: Ronaldo Gutierrez

 

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