ENTRADA GRATUITA: Espetáculo musical Besouro Cordão-de-Ouro 16 a 26 de Setembro

Com entrada gratuita entre os dias 16 e 26 de setembro de 2010, de quinta-feira a sábado, às 19h, e domingo, às 18h, acontece no Grande Salão da Caixa Cultural SP (Sé) o espetáculo musical Besouro Cordão-de-Ouro.

A apresentação patrocinada pela Caixa Econômica Federal é em homenagem ao capoeirista e herói popular Besouro, que viveu e construiu sua trajetória em terras baianas no final do século XIX e início do século XX. O evento mostra, de maneira lúdica, a trajetória, filosofia, prática e música do mestre – um personagem brasileiro, tão rico e pouco explorado – e conta um pouco da história do Brasil e da nossa formação, com suas raízes culturais na música, na dança e no ritual.

Besouro é um símbolo do Brasil, símbolo de coragem, qualidade, criatividade e resistência; um símbolo da cultura que forma o ser brasileiro. Waldemar de tal, apelidado Besouro Cordão-de-Ouro, foi o maior capoeirista de todos os tempos da Bahia de Todos-os-Santos. Nascido em Santo Amaro da Purificação, deixou seu nome gravado nas rodas de capoeira. Sua legenda foi construída em atos de bravura e destemor contra fazendeiros tiranos, inconformados com a abolição da escravatura no Brasil. Sua saga, contada pelo povo, correu o país inteiro. Era compositor de samba-de-roda e chula. Um de seus sambas, “Canto do Besouro”, teve um trecho usado por um dos mais famosos compositores cariocas dos anos 30, Noel Rosa: “Quando eu morrer/ não quero choro nem vela/ quero uma fita amarela/ gravada com o nome dela”.

Atento à política da região, impunha respeito e temor aos poderosos, naqueles tempos turbulentos de transição de século, na velha Bahia, a primeira capital do Brasil. O povo deu curso à sua lenda. A peça a evoca, em versos e música, no embalo dos ritmos que inspiraram Besouro, tendo a capoeira, na qual foi mestre, como pano de fundo coreográfico.

A peça conta várias histórias do Mangangá (outro apelido de Besouro), através de outros mestres capoeiristas conhecidos: Canjiquinha, Bimba, Barroquinha, Caiçara, Pastinha, etc. (transformados em personagens) para seus discípulos mais novos e para o público. O palco se transforma numa roda de atabaques, berimbaus, pandeiros e caxixis, e no fio condutor da música – e música brasileiríssima – desfia-se a vida de Besouro Cordão-de-Ouro, o Exu Kerekekê dos candomblés baianos.

O espetáculo é uma homenagem à cultura negra, contando por intermédio de um de seus mitos mais populares parte importante e pouco conhecida da história do povo do Brasil.

A direção geral é de João das Neves, a dramaturgia e composições inéditas de Paulo César Pinheiro e direção musical de Luciana Rabello. Sua estreia foi no Rio de Janeiro, em dezembro de 2006, no Centro Cultural Banco do Brasil, onde realizou temporada de sucesso – de público e de crítica. Bárbara Heliodora, a mais rigorosa crítica teatral brasileira, considerou a peça “um dos espetáculos mais bonitos e emocionantes dos últimos tempos”. E ainda: “Um momento precioso de teatro e de descoberta do Brasil”. (O Globo, 21.12.2006). Desde sua estreia no Rio de Janeiro, o espetáculo recebeu diversos convites, se apresentando em vários lugares do país. Fez temporada na Casa França Brasil (RJ) e Sesc Pompéia (SP), participou dos maiores festivais de teatro do Brasil como: Festival de Teatro de Curitiba – FTC (PN), Festival de Artes Negras – FAN (MG), Festival Internacional de Teatro de Londrina – FILO (SC) e Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto – FIT (SP). Foi convidado para fazer o Circuito Palco Giratório pelo SESC Nacional se apresentando nos seguintes SESCs: SESC Fortaleza, SESC Cuiabá, SESC Recife, SESC Porto Alegre, SESC Brasília, SESC Araraquara, SESC Santos, SESC Salvador e SESC Rio de Janeiro. Apresentou-se também na Caixa Cultural de Brasília e Curitiba, no Circuito Cultural do Banco do Brasil, em Fortaleza, além de ser convidado para fazer a comemoração do aniversário da Fundação Palmares e pela Secretaria de Cultura de São Paulo para realizar o projeto Pedrinho.

O espetáculo foi indicado para o Prêmio Contigo de Teatro 2007 nas categorias: melhor cenário e melhor espetáculo. Foi indicado também para o Prêmio Shell 2007 nas categorias: melhor diretor, melhor cenário e melhor música, sendo vencedor desta última categoria.

Sobre o elenco:

O elenco, todo composto de atores negros, foi escolhido em workshops realizados no CCBB, onde aconteceu a primeira montagem (dezembro de 2006 e janeiro de 2007): Anna Paula Black, Cridemar Aquino, Letícia Soares, Valéria Mona, Iléa Ferraz, Raphael Sil, William de Paula, Wilson Rabelo, Marcelo Capobiango, Maurício Tizumba e Sérgio Pererê – os dois últimos vindos especialmente de Belo Horizonte para atuar no espetáculo. Maurício Tizumba e Sergio Pererê são músicos, cantores, compositores e atores. Tizumba tem quatro CDs lançados (o último, Moçambique, é de 2003) e, além de atuar e dirigir a Cia. Burlantins, fez o espetáculo Grande Otelo – Êta Moleque Bamba. Já Pererê lançou seu primeiro CD, Linha de Estrelas, e participa também do grupo Tambolelê. No elenco, estão também dois capoeiristas cariocas: Gilberto Santos da Silva “Laborio” e Victor Alvim “Lobisomem”.

O elenco contou com dois grandes mestres na preparação corporal e coordenação de capoeira, Mestre Casquinha e Mestre Camisa, para transmitir-lhes os princípios desta arte ancestral e futura, que é a expressão da liberdade de um povo e deve ser praticada com reverência.

Besouro, nascido em Santo Amaro da Purificação, deixou seu nome gravado nas rodas de capoeira por esse Brasil inteiro. Metido em política, impunha respeito e temor aos poderosos daquele princípio de século XX na velha Bahia. Sua vida virou lenda. Além de capoeirista, também tocava violão e compunha sambas-de-roda e chulas. Existe um samba, chamado Canto do Besouro, cujos versos de sua autoria “Quando eu morrer/Não quero choro nem vela/ quero uma fita amarela/ gravada com o nome dela” fazem parte desse samba conhecido de Noel Rosa, no qual nosso poeta escreveu a segunda parte. Esse refrão também foi usado por Paulo César Pinheiro em Lapinha (em parceira com Baden Powell) – sua primeira música gravada e sucesso na voz de Elis Regina – com a qual venceu um dos mais concorridos festivais de música popular, a Bienal do Samba, da TV Record, em 1968, hoje um clássico da MPB.

SERVIÇO:

Espetáculo BESOURO CORDÃO DE OURO
Datas: de 16 a 26 de setembro de 2010
Horário: de quinta-feira a sábado, às 19h, domingo, às 18h
Local: CAIXA Cultural São Paulo – Praça da Sé, 111 – Grande Salão – São Paulo (SP)

Entrada: franca (os ingressos poderão ser retirados na bilheteria com uma hora de antecedência)
Capacidade: 80 lugares
Duração: 80 minutos
Classificação etária: livre
Informações – Tel: (11) 3321-4400
Acesso para pessoas com necessidades especiais
Patrocínio: Caixa Econômica Federal

 

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