Grupo Carrefour rejeita recomendação do Ministério Público do Trabalho após caso de racismo

FONTEDo Carta Capital
Foto: Reprodução/GloboNews

O Ministério Público do Trabalho (MPT) propôs ao Hipermercado Atacadão, na Zona Oeste do Rio, a contratação de uma consultoria do movimento negro para orientar seus trabalhadores. A recomendação ocorre após uma auxiliar de cozinha ser demitida depois de denunciar racismo e intolerância religiosa cometida por outro funcionário. O órgão solicitou ainda a readmissão da vítima de racismo. Os dois pedidos foram negados pelo estabelecimento que pertence ao Grupo Carrefour.

Em entrevista ao UOL, a procuradora do Trabalho Fernanda Diniz diz que a empresa foi omissa e permitiu que o empregado adotasse tal postura racista e de intolerância religiosa.

“Esse funcionário dizia que não gostava de preto, está envolvido em caso de agressão física a uma outra funcionária e nunca foi punido. Neste caso de agressão, a empresa chegou a alegar acidente. Então, eu entendi é que a atitude omissa da empresa permitiu que ele fizesse tudo isso”, afirma.

Em razão da negação na recontratação da funcionária, a procuradora pediu indenizações coletivas de 50 milhões de reais. O valor não beneficiaria a profissional que foi vítima. Para danos morais individuais, a ex-funcionária deve ajuizar uma ação na Justiça.

“A omissão da empresa ficou clara. A rigor, essa demissão de justa causa também foi errada, pois pela CLT [Consolidação das Leis do Trabalho], a justa causa tem que ser imediata. Não sendo, caracteriza perdão do funcionário”, explicou a procuradora.

O caso

Nataly afirmou que logo que começou a trabalhar no local passou a conviver com a discriminação de um colega. Segundo o MPT, a funcionária foi surpreendida com a frase “só para branco usar” em seu avental. A mensagem foi assinada e escrita por Jeferson Emanuel Nascimento, que assumiu o crime.

De acordo com documentos internos do próprio mercado, o funcionário já havia sido acusado de racismo e agressão contra outra colega de trabalho na mesma unidade.

“Eu fui desligada da empresa. Voltei no refeitório para pegar os meus pertences: celular, bolsa de remédio, carregador, e estava lá o avental. No mesmo momento eu tirei a foto, fotografei, mas fiquei muito chateada”, contou Nataly ao G1.

Posteriormente, Jeferson foi demitido, mas o MPT apontou que a demissão só ocorreu após o início da investigação do caso por promotores.

Resposta da empresa

À Globonews, o Grupo Carrefour diz que repudia veementemente qualquer tipo de discriminação. Confira a íntegra abaixo.

“O Atacadão atua a partir de políticas sérias de diversidade e repudia veementemente qualquer tipo de discriminação. Assim que tomou conhecimento do caso por meio do Ministério Público do Trabalho, abriu rigorosa sindicância para apurar o ocorrido, que resultou no desligamento do colaborador em questão.

A empresa reforça que, quando a denúncia do episódio mencionado foi realizada, a colaboradora já tinha sido desligada após avaliação de desempenho do período de experiência de 90 dias. O Atacadão conta com um canal exclusivo para denúncias, para que os funcionários possam reportar casos internamente de forma anônima.”

Leia também:

Mulher é demitida após denunciar racismo e intolerância religiosa em hipermercado no Rio

Haitiana será indenizada por assédio moral e discriminação racial no trabalho

Nunca fui tão humilhado, diz confeiteiro que acusa segurança de racismo

-+=