sexta-feira, julho 23, 2021

Nossas Histórias

Hemetério, Rufina e Coema: professores negros e o legado da educação

Em outubro de 1910, cerca de duzentas moças seriam solenemente diplomadas professoras naquela que prometia ser uma “brilhantíssima festividade” promovida pela Prefeitura do Distrito Federal (à época a cidade do Rio de Janeiro). Como havia três anos que não ocorria uma cerimônia desse tipo, seriam reunidas as concluintes dos anos de 1907, 1908 e 1909. Dentre as formandas estava a jovem Coema Hemetério dos Santos, que naquele mesmo mês completaria vinte e dois anos de idade. Seu nome, de origem Tupi, “o início da manhã”, foi a forma escolhida por seus pais, Hemetério José e Rufina Vaz, para marcarem o início da família Hemetério dos Santos. Formada a partir da união de um casal de professores negros, os Hemetério dos Santos procuraram transmitir o legado do magistério à menina “flor de beleza” e “luz de amor”. Nascida em 20 de outubro de 1888 na Corte do Rio de Janeiro, Coema...

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40 anos do Adé Dudu: a história do Grupo de Negros Homossexuais

Há 40 anos, em março de 1981, surgiu em Salvador, na Bahia, o Adé Dudu, o Grupo de Negros Homossexuais. Com um nome originado no iorubá, significando “negro homossexual”, o grupo contou em sua fundação com diversos militantes do Movimento Negro como Tosta Passarinho, o jornalista Hamilton Vieira (que utilizava o pseudônimo Estêvão dos Santos), Ermeval da Hora e Wilson Bispo dos Santos, hoje Wilson Mandela. Contudo, este grupo que teve relevante atuação, nas palavras do próprio Wilson Mandela, contra as estruturas racistas e homofóbicas da sociedade e dos movimentos sociais por uma década, acabou caindo no ostracismo nos anos seguintes e quase não é lembrado nas narrativas históricas e discursos contemporâneos do Movimento LGBTI+ brasileiro, anteriormente Movimento Homossexual. A história do Movimento Homossexual Brasileiro costuma ter o seu início demarcado pela historiografia especializada com a fundação, em 1978, do jornal Lampião da Esquina e do grupo Somos – Grupo...

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Exposição virtual: Adé Dudu: Caminhos LGBT+ na luta negra

Com muita satisfação, anunciamos a abertura da Exposição "Adé Dudu: Caminhos LGBT+ na luta negra” no Google Arts & Culture No dia 28 de junho, Dia Internacional do Orgulho LGBT+, apresentamos a exposição “Adé Dudu: Caminhos LGBT+ na luta negra”. A partir de arquivos privados, documentos públicos e entrevistas com remanescentes e apoiadores contruímos a história do “Adé Dudu: grupo de negros homossexuais”. O grupo construiu uma sólida reflexão e traçou importantes mecanismos de atuação para combater e evidenciar o preconceito contra os negros homossexuais em Salvador, nos anos 1980. A articulação entre os movimentos sociais do período, as formas de reprodução do racismo e da homofobia, as estratégias para combater o “duplo preconceito” e a cidade criada para vivenciar a homossexualidade estão presente ao longo da exposição, que ainda aborda a importância do direito à memória dos homossexuais negros que agiram, lutaram e existiram nessa sociedade racista e LGBTfóbica....

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Esperança Garcia e os usos do passado no presente: Direito e memória

Em 2017, a Ordem dos Advogados e Advogadas do Brasil, Seção Piauí, reconheceu simbolicamente Esperança Garcia, uma mestiça escravizada na segunda metade do século XVIII, como a sua primeira advogada. Esperança utilizou a escrita para exigir que as autoridades locais agissem conforme as regras jurídicas e religiosas coloniais. Estas concediam aos súditos prerrogativas simples, como as de se conservarem cristãos, constituírem famílias e batizarem seus filhos. Neste pequeno texto buscaremos socializar essa experiência local em que diversos setores – movimentos sociais organizados – e instituições – universidades e OAB – se uniram na construção de um dossiê histórico situando uma mulher negra e escravizada como símbolo de luta e resistência na contemporaneidade. Em 6 de setembro de 1770, Esperança redigiu uma petição ao governador da Capitania do Piauí, na qual denunciava a situação que ela, seus familiares e suas companheiras de cativeiro enfrentavam. Desde que o capitão Antônio Vieira Couto,...

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Espaços de Liberdade e Autonomia – os clubes negros em Minas Gerais

Os clubes negros, também chamados de associações negras, são espaços culturais, recreativos e políticos formados por pessoas negras e para pessoas negras, voltados para a abordagem e defesa dos seus interesses e questões. Esses espaços estão presentes na sociedade brasileira desde o século dezenove, disseminados por todas as regiões do país. Em Minas Gerais, os clubes negros se espalharam por diversas regiões do seu território. Para se ter uma ideia dessa difusão, entre 1870 e 1960 foram criadas ao menos cerca de 60 associações negras. Ainda que seja difícil incluir os clubes negros dentro de um tempo específico, a maioria das associações negras em Minas Gerais foi fundada no século vinte, momento posterior à abolição da escravidão no Brasil, ocorrida em 13 de maio de 1888. Esse período ficou conhecido como pós-abolição, marcado pelo fortalecimento da discriminação racial e do racismo – chamados à época de “preconceito de cor” ou...

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Janira Sodré Miranda (Arquivo pessoal)

Leodegária de Jesus: mulher negra intelectual e poeta em Goiás no pós-abolição

“Sempre o mesmo punhal na mesma chaga.”  “Ainda e Sempre”, poema de Leodegária de Jesus  publicado no livro Orquídeas) A presença das poetas negras é parte da história da literatura brasileira. Em 1906, com 17 anos, Leodegária Brazília de Jesus (1889-1978) publicou o primeiro livro de poesia de autoria feminina em Goiás, intitulado Corôa de Lyrios, pela editora Azul, de Campinas, São Paulo. É uma obra poética com características da literatura romântica que marcou suas leituras aos 15 anos, quando escreveu o livro. Esse feito é parte de uma vida marcada pela história familiar de investimento em educação por gerações sucessivas, desde o efervescente século XIX. É quando se pode identificar mobilidade territorial e social entre a gente negra em Goiás, em especial nas décadas seguintes à Abolição. Seu avô havia sido alfaiate em Minas Gerais. Sua mãe Ana Isolina Furtado Lima era professora, assim como seu pai José Antônio...

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Os Pretos do Rosário de São Paulo: um novo olhar sobre a cidade

Os Pretos do Rosário de São Paulo é o título de um livro de autoria de Raul Joviano Amaral, advogado, intelectual e militante negro, com passagem pela Frente Negra Brasileira (1931-1937), Associação José do Patrocínio, Centro Cultural do Negro, Associação cultural do Negro e pelos jornais A Voz da Raça, Clarim d´Alvorada, entre outros. Amaral fez parte de uma das agremiações mais antigas de São Paulo, a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, entidade ativa na cidade desde a primeira metade do século XVIII.  As irmandades eram organizações tipicamente urbanas, atuantes principalmente no período colonial, em que senhores de engenhos e os representantes oficiais da Igreja Católica – padres e vigários – centralizavam as relações entre política, economia e religião. Essas agremiações religiosas se organizavam em torno do compromisso de devoção a um santo.  Capa do Livro: Os Pretos de Rosário de São Paulo. São Paulo: Editora...

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Aguinaldo de Oliveira Camargo e as multifaces de um ativista

Nossas histórias, a história da gente negra está recheada de personagens que aos poucos se tornam cada vez mais visíveis e cujas ações revelam seu compromisso com as demandas sociais negras marcadas temporalmente. Adentrar essas histórias é desfiar um novelo em que se desvelam tantas e tantas outras trajetórias de mulheres e homens negros, e desnudam a forma com que perseguiram a liberdade e a igualdade. Desfiando esse novelo ao adentrar o acervo documental do Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-brasileiros (Ipeafro), emergiu a figura de Aguinaldo de Oliveira Camargo. Amigo de Abdias Nascimento, Camargo teve uma trajetória pouco conhecida envolvida por militância, arte e educação. Encarnava as multifaces de um ativismo que reconhecia ser o teatro, o jornalismo e a educação estratégias fundamentais para combater o racismo e alcançar a igualdade da gente negra. Aguinaldo Camargo, 1944, Acervo Ipeafro. Em 8 de maio de 1945,...

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Cidadania e Gente Negra no Brasil – uma incompatibilidade construída

Para o bem e – por mais estranho que pareça – para o mal das pessoas negras, desde 13 de maio de 1888, passou-se a dizer aos quatro cantos que estava abolida a escravidão no Brasil. Nos primeiros dias, não faltaram manifestações de crença no início de uma “Nova Era”, tal como feito pelos integrantes da Revista Illustrada, em 19 de maio daquele ano: “Com orgulho, podemos levantar a cabeça e encarar as nações livres do nosso continente e do mundo e fraternizar com elas, pois a palavra escravo deixou, também, de ter significação, na língua que falamos”. Legalmente, todos os homens e mulheres eram pessoas livres, logo em condições de pleitear a cidadania brasileira.  Revista Illustrada, n. 498, 19 de maio de 1888. Fonte: Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. Porém, as coisas não eram tão simples assim e precisamos admitir que o gesto de virar...

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Finalização do Aeroporto de Brasília (Inaugurado em 1957). Acervo: Arquivo Público do Distrito Federal. NOV-D-4-4-B-16' (864)

Historiadoras e historiadores negros realizam exposição virtual sobre racismo e trabalho

Sob a curadoria da Rede Historiadorxs Negrxs, Geledés - Instituto da Mulher Negra, em parceria com o Acervo Cultne e com o Google Arts & Culture, a exposição Racismos: lutas negras no trabalho livre é parte do projeto "Nossas Histórias: vidas, lutas e saberes da gente negra". Ela será a quinta sala de um conjunto de exposições on-line que têm tratado da trajetória, experiências e ativismos de homens e mulheres negras. No dia 13 de maio de 1888 foi assinada a Lei Áurea, que decretou a abolição formal da escravidão no Brasil. De forma que, o fim desse regime foi marcado por uma série de disputas em torno dos projetos de emancipação, em um contexto no qual a maior parte da população negra já era livre e liberta. Gente que lidou com  muitos desafios para assegurar a vida em liberdade. Antes e após o fim do escravismo, os percursos desses...

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Exposição virtual: Racismos – Lutas Negras no Trabalho Livre

Com muita satisfação, anunciamos a abertura da Exposição “Racismos - Lutas Negras no Trabalho Livre” no Google Arts & Culture! Nesse 13 de maio, fazem 133 anos desde a abolição formal da escravidão no Brasil. Na época, muitos homens e mulheres negras já questionavam a precariedade do projeto de liberdade assinado. No século que se seguiu, o que vemos é a constante reatualização dos racismos no mundo do “trabalho livre”. A partir de uma reflexão sobre esse processo, apresentamos nessa exposição fotografias e periódicos da imprensa negra e operária que nos dão notícias da situação dos trabalhadores negros em diferentes centros urbanos. Na Rádio Amefricana, apresentamos diversos documentos históricos, além de canções da sambista Cris Pereira. O material pode ser acessado em português e inglês e é mais um resultado da parceria entre a Rede de HistoriadorXs NegrXs, o Geledés e o Acervo Cultne! Ao longo de todo 2021, muitas...

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José do Patrocínio Marques Tocantins e a abolição em Goiás

A história de luta das pessoas negras em diáspora revela a constante renovação de estratégias na busca pelo direito fundamental à “liberdade”. Um olhar para a Província de Goiás no século XIX revela a participação de pessoas escravizadas, libertas e livres em variadas ações abolicionistas. Entre as experiências negras durante o oitocentos, nos deparamos com a atuação de José do Patrocinio Marques Tocantins (1844-1889), principalmente na imprensa, onde funda o jornal O Publicador Goyano, especialmente criado para debater a abolição. Antes desse empreendimento, o jornalista foi diretor e redator do Correio Official de Goyaz, ligado aos atos do governo provincial, além de ter atuado como redator, editor e sócio n’A Tribuna Livre e como redator no Goyaz, os dois últimos vinculados à oligarquia Bulhões e às ideias do Partido Liberal. Primeira folha do órgão O Publicador GoyanoFonte: Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional Em todo o Império...

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Amanda Paranaguá Dória, a baronesa “morena” da abolição

Era aniversário da República naquela tarde de 15 de novembro de 1925, quando a senhora Maria Amanda Lustosa da Cunha Paranaguá Dória, baronesa de Loreto, abriu o portão da residência da sua irmã, Maria Argemira, onde morava, em Botafogo, Rio de Janeiro, para o jornalista Mozart Monteiro, que a procurava para saber mais sobre o falecido imperador Pedro II, por ocasião do seu centenário de nascimento. Ter sido amiga íntima da família imperial e dama de companhia da princesa Isabel a tornou uma autoridade largamente conhecida e recomendada no assunto. “Amandinha”, como os íntimos a chamavam, era acostumada a receber muitos interessados sobre os tempos do império e mostrar-lhes as inúmeras fotografias, postais e cartas que colecionava. Sua morada se constituía como um “lugar de memória”, expressão de Pierre Nora, na medida em que privilegiava a recriação de laços entre o tempo presente e o tempo vivido, materializado e perenizado...

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Quem conta um conto, aumenta um ponto: a trajetória da luxuosa senhora baiana Rita Gomes da Silva

Em meados do século XVIII, uma mulher negra escandalizou a sociedade baiana por sua riqueza, luxo e inteligência. Rita Gomes da Silva, de alcunha Rita Cebola, morou na conhecida Cidade da Bahia, Salvador. Mulher negra, possivelmente escravizada, casou-se duas vezes com homens importantes. Nesse meio tempo conquistou sua liberdade e, quando cabia, esbanjava luxo colonial. No que foi possível reconstruir de sua trajetória, Rita da Silva soube usar os recursos disponíveis a seu favor e de seus pares. Por isso o codinome de “cebola” fazia referência a sua astúcia e versatilidade. Sua fama marcou histórias por séculos. A notável trajetória de Rita continuou sendo lembrada no século XXI, ora como uma mulher negra, vendedora de verduras, conhecida por sua habilidade de negociar espaços de sobrevivência no interior daquela sociedade, ora como um exemplo da importância de mulheres negras baianas ao longo da história.   Ana Bittencourt, membro de família importante de...

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Ceilândia – Distrito Federal, território negro na contramão de Brasília

Vinte e um de abril de 2021, dia que marca os 61 anos da inauguração de Brasília. Anunciada como meta e síntese do governo de Juscelino Kubistchek, a cidade foi erguida sobre concepções desenvolvimentistas, modernistas e racionalistas. Ao mesmo tempo, as expectativas acerca da cidade moderna mobilizaram populações de todas as regiões do país, de modo que homens e mulheres vislumbraram na construção da capital a possibilidade de uma melhoria na condição de vida.  Como sinalizado por historiadoras e historiadores, o país onde Brasília foi anunciada como capital da esperança fora fundado numa estrutura escravista e racializada, em que as elites não se ocuparam em promover políticas públicas de garantia de cidadania para a população negra no pré e no pós-abolição. Nesse sentido, Brasília não foi um ponto fora da curva, visto que a população negra que para lá se dirigiu enfrentou diversas tentativas de interdição do exercício de uma...

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Musas Negras: raça, gênero e classe na vida de Gilka da Costa Machado

Em 2018 assistimos ao florescer da maior campanha popular para eleição da primeira mulher negra como imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL): Conceição Evaristo. Porém, os imortais desprezaram quase que completamente tal campanha, pois a premiada e consagrada escritora recebeu apenas um voto. Essa suposta indiferença tem explicação histórica: é um comportamento característico da tradição racista, patriarcal e aristocrática dos cânones literários moderno-coloniais. As regras que legitimam a produção de conhecimento são, até hoje, eurocentradas, excluindo os saberes que não se encaixam neste padrão. Isto faz com que um país de maioria negra como o Brasil mantenha esta ausência de escritoras negras na ABL e, com isso, o reconhecimento de seus saberes, de suas escrevivências. Não que nós, escritoras afro-diaspóricas, deixemos nos silenciar. Mulheres negras, ameaçadoramente brilhantes, perturbaram e perturbam a (des)ordem do patriarcado colonizador que institui também as regras de produção do conhecimento considerado legítimo. Este é o...

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Imprensa e cidadania em São Tomé e Príncipe (1911-1925)

Em 10 de julho de 1911, no primeiro número do periódico Folha de Annuncios / A Verdade (o jornal mudou de nome em seu terceiro número), publicou-se um texto sem título, mas assinado por Josué Aguiar, que dizia: “Os nativos d’esta ilha não têm outra ambição que não seja lutar pela Liberdade, Igualdade e Fraternidade, e pelo interesse moral e material da terra que os viu nascer. Querem que justiça se faça a todos, sem distinção de cores e de raças e é isso que solicitam do governo central nas suas reclamações. É necessário que isto se diga para que se saiba e não se façam juízos errados”. Em março de 1925, a redação do jornal O Combate, em texto de apresentação, por sua vez, afirmou o seguinte: “Não fazemos programa porque o nome do nosso jornal diz tudo. O Combate, nasce para a luta; luta sem tréguas nem quartel...

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Uma mãe obstinada: maternidade negra no pós-abolição (Recife, 1890)

No habeas corpus aberto em 1890 na cidade do Recife, encontramos a história de Gertrudes Rosario Maria da Conceição, acusada da faina de “pegar crianças”. Gertrudes era uma criada doméstica de 21 anos, ex-escravizada, analfabeta, solteira, africana – pela idade importada ilegalmente para o Brasil – e mãe de Olindina, alvo do litígio.  Em algum período próximo ao 13 de maio de 1888, Gertrudes decidiu ir para Belém. Como tinha uma filha “em tenríssima idade”, precisou deixá-la aos cuidados da família Siqueira, de modo a garantir um teto para a menina enquanto se aventurava nessa empreitada. Anos depois, quando resolveu morar no Ceará, resolveu buscar sua filha. De início, tentou recuperá-la de forma amistosa, mas sem sucesso. A fim de alcançar o seu intento, pediu para sua amiga, Maria de França, uma liberta que tinha conhecido no Pará, que resgatasse a menina da casa dos Siqueira. Elas concordaram em partir...

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O patrício José Cláudio Nascimento e as experiências negras de educação popular

Já são muitos os/as estudiosos/as que reconhecem a figura de Abdias do Nascimento quando se trata do ativismo negro no período pós-abolição. Isso não acontece por acaso, visto que esse intelectual negro esteve em diversas frentes de ativismo e resistência da população afro-brasileira. Entre uma das mais famosas, estava a participação na gestão do Teatro Experimental do Negro (TEN), onde com outros intelectuais negros, como Guerreiro Ramos, construiu seminários de proporção nacional. De todo modo, sabemos que ele não atuou sozinho e entre as figuras que faziam parte de sua rede de sociabilidade está o patrício negro José Cláudio Nascimento, personalidade ainda muito pouco conhecida entre os/as pesquisadores/as que investem na história do pós-emancipação e da educação brasileira.  Em 5 de novembro de 1949, o jornal Diário Carioca reporta uma das atividades promovidas pela Conferência Nacional do Negro, capitaneada pelo já citado Teatro Experimental do Negro. A mesa daquele dia...

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Uma cidade e um complexo industrial sob o mito da democracia racial

A região do Vale do Paraíba, Sul Fluminense do Estado do Rio de Janeiro, foi historicamente ligada à produção de café. Memorialistas locais escreveram sobre fazendas, plantações e famílias importantes (geralmente escravocratas). A cidade de Barra Mansa está nesse circuito e Volta Redonda, que ao final dos anos 1930 possuía menos de 3.000 habitantes, era seu distrito rural. Tudo muda nos anos 1940, pois o governo Vargas, no contexto da Segunda Guerra, em associação com o capital estadunidense constrói a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).  O período de construção da usina (1941-1946) envolveu um processo de migração tamanho que mais de 48.000 trabalhadores chegaram à região. Na década de 1950 a população local cresce, chegando a 56.380 habitantes e em 1954, Volta Redonda se emancipa de Barra Mansa. Nesse cenário, a CSN já era um complexo fabril presente em vários estados.  Quando iniciei minha pesquisa de mestrado (2008), eu procurava os...

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