Nossas Histórias

Musas Negras: raça, gênero e classe na vida de Gilka da Costa Machado

Em 2018 assistimos ao florescer da maior campanha popular para eleição da primeira mulher negra como imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL): Conceição Evaristo. Porém, os imortais desprezaram quase que completamente tal campanha, pois a premiada e consagrada escritora recebeu apenas um voto. Essa suposta indiferença tem explicação histórica: é um comportamento característico da tradição racista, patriarcal e aristocrática dos cânones literários moderno-coloniais. As regras que legitimam a produção de conhecimento são, até hoje, eurocentradas, excluindo os saberes que não se encaixam neste padrão. Isto faz com que um país de maioria negra como o Brasil mantenha esta ausência de escritoras negras na ABL e, com isso, o reconhecimento de seus saberes, de suas escrevivências. Não que nós, escritoras afro-diaspóricas, deixemos nos silenciar. Mulheres negras, ameaçadoramente brilhantes, perturbaram e perturbam a (des)ordem do patriarcado colonizador que institui também as regras de produção do conhecimento considerado legítimo. Este é o...

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Imprensa e cidadania em São Tomé e Príncipe (1911-1925)

Em 10 de julho de 1911, no primeiro número do periódico Folha de Annuncios / A Verdade (o jornal mudou de nome em seu terceiro número), publicou-se um texto sem título, mas assinado por Josué Aguiar, que dizia: “Os nativos d’esta ilha não têm outra ambição que não seja lutar pela Liberdade, Igualdade e Fraternidade, e pelo interesse moral e material da terra que os viu nascer. Querem que justiça se faça a todos, sem distinção de cores e de raças e é isso que solicitam do governo central nas suas reclamações. É necessário que isto se diga para que se saiba e não se façam juízos errados”. Em março de 1925, a redação do jornal O Combate, em texto de apresentação, por sua vez, afirmou o seguinte: “Não fazemos programa porque o nome do nosso jornal diz tudo. O Combate, nasce para a luta; luta sem tréguas nem quartel...

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Uma mãe obstinada: maternidade negra no pós-abolição (Recife, 1890)

No habeas corpus aberto em 1890 na cidade do Recife, encontramos a história de Gertrudes Rosario Maria da Conceição, acusada da faina de “pegar crianças”. Gertrudes era uma criada doméstica de 21 anos, ex-escravizada, analfabeta, solteira, africana – pela idade importada ilegalmente para o Brasil – e mãe de Olindina, alvo do litígio.  Em algum período próximo ao 13 de maio de 1888, Gertrudes decidiu ir para Belém. Como tinha uma filha “em tenríssima idade”, precisou deixá-la aos cuidados da família Siqueira, de modo a garantir um teto para a menina enquanto se aventurava nessa empreitada. Anos depois, quando resolveu morar no Ceará, resolveu buscar sua filha. De início, tentou recuperá-la de forma amistosa, mas sem sucesso. A fim de alcançar o seu intento, pediu para sua amiga, Maria de França, uma liberta que tinha conhecido no Pará, que resgatasse a menina da casa dos Siqueira. Elas concordaram em partir...

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O patrício José Cláudio Nascimento e as experiências negras de educação popular

Já são muitos os/as estudiosos/as que reconhecem a figura de Abdias do Nascimento quando se trata do ativismo negro no período pós-abolição. Isso não acontece por acaso, visto que esse intelectual negro esteve em diversas frentes de ativismo e resistência da população afro-brasileira. Entre uma das mais famosas, estava a participação na gestão do Teatro Experimental do Negro (TEN), onde com outros intelectuais negros, como Guerreiro Ramos, construiu seminários de proporção nacional. De todo modo, sabemos que ele não atuou sozinho e entre as figuras que faziam parte de sua rede de sociabilidade está o patrício negro José Cláudio Nascimento, personalidade ainda muito pouco conhecida entre os/as pesquisadores/as que investem na história do pós-emancipação e da educação brasileira.  Em 5 de novembro de 1949, o jornal Diário Carioca reporta uma das atividades promovidas pela Conferência Nacional do Negro, capitaneada pelo já citado Teatro Experimental do Negro. A mesa daquele dia...

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Uma cidade e um complexo industrial sob o mito da democracia racial

A região do Vale do Paraíba, Sul Fluminense do Estado do Rio de Janeiro, foi historicamente ligada à produção de café. Memorialistas locais escreveram sobre fazendas, plantações e famílias importantes (geralmente escravocratas). A cidade de Barra Mansa está nesse circuito e Volta Redonda, que ao final dos anos 1930 possuía menos de 3.000 habitantes, era seu distrito rural. Tudo muda nos anos 1940, pois o governo Vargas, no contexto da Segunda Guerra, em associação com o capital estadunidense constrói a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).  O período de construção da usina (1941-1946) envolveu um processo de migração tamanho que mais de 48.000 trabalhadores chegaram à região. Na década de 1950 a população local cresce, chegando a 56.380 habitantes e em 1954, Volta Redonda se emancipa de Barra Mansa. Nesse cenário, a CSN já era um complexo fabril presente em vários estados.  Quando iniciei minha pesquisa de mestrado (2008), eu procurava os...

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Judiciário brasileiro em preto e branco: os casos de Juvêncio Serafim e Eduardo Silva no Rio de Janeiro do início do século XX

Não é de hoje que o tratamento desigual no âmbito das instituições prejudica a população negra. O racismo, ao figurar como motor das relações sociais no país, impacta nossas vidas dos mais diversos modos e intensidades. Lembro os casos de dois curandeiros que atuaram no início da República, que trouxe consigo nova legislação. O Código Penal de 1890 é um exemplo disso. Ele criminalizava a manipulação e a prescrição de ervas, chás, a prática do hipnotismo, do magnetismo e do espiritismo, caso fossem praticados por pessoas não diplomadas em medicina. Era muito frequente que africanos e afro-brasileiros que lidavam com suas crenças e tradições fossem enquadrados nesses crimes. Os curandeiros aos quais quero me referir eram Juvêncio Serafim do Nascimento, negro, alfaiate, analfabeto, descendente de africanos escravizados, nascido na Bahia; e Eduardo Silva, branco, engenheiro, europeu, nascido em Gibraltar, território inglês na costa da Espanha. Ambos se envolveram com práticas...

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Arquivo Pessoal

Reações ao mito da democracia racial no contexto moçambicano (séc. XX)

No início da década de 1950, houve uma crescente contestação contra o colonialismo, resultando no surgimento de vários movimentos de libertação nacional no continente africano. De forma relacional, ocorreu uma significativa mobilização do regime salazarista (1933-1974) para garantir as colônias portuguesas na África: Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné portuguesa, Angola e Moçambique. O Estado português, no intuito de fortalecer sua posição no continente, valeu-se estrategicamente das ideias do sociólogo Gilberto Freyre nessa conjuntura, bem como financiou a sua viagem à Portugal, à África e à Ásia e promoveu a divulgação de suas obras e do seu pensamento nos meios de comunicação.  É nessa conjuntura que Freyre aproxima-se cada vez mais da política colonial portuguesa e cria uma teoria que beneficiava os interesses políticos, econômicos, culturais e étnico-raciais de Portugal: o luso-tropicalismo. Tal conceito defendia que os portugueses tinham uma forma específica de agir e estar nas sociedades tropicais...

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O Pioneirismo haitiano nas lutas pela liberdade no Atlântico

Quando falamos em liberdade, igualdade de direitos, cidadania, democracia, países europeus e os Estados Unidos são facilmente acionados como lugares pioneiros e espaços de protagonismo. A Revolução Americana e a Revolução Francesa são exemplos constantemente mobilizados para justificar uma “aspiração” quase natural desses países à liberdade e à igualdade. Porém, a pretensa universalidade do acesso aos direitos reivindicada por esses países é colocada em xeque quando observamos a ausência de debates raciais e de discussões sobre a abolição da escravidão nas demandas levantadas por esses movimentos. Durante a Revolução Francesa, poucas vezes a abolição da escravidão foi uma pauta real dos debates. Quando o assunto surgia na Assembleia, quase sempre puxado pelos membros da Societé des Amis des Noirs , as discussões eram ambíguas e falavam mais sobre o fim do tráfico de escravizados e as relações econômicas com as colônias do que propriamente sobre o...

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Arquivo Pessoal

Estratégias Coletivas de Liberdade em Goiás do séc. XIX

As estratégias de liberdade desempenhadas pelos escravizados tiveram muitas dinâmicas. Em algumas oportunidades, era a carta de alforria o recurso daqueles que buscavam conquistar a saída da escravidão. Por meio desse instrumento jurídico, o escravizado poderia alterar seu status, passando-se a liberto. Vale lembrar que a experiência colonial portuguesa, signatária do Direito Romano, definia o status do filho pelo ventre da mãe, ou seja: filhos de mães cativas eram considerados escravos; ao passo que aqueles gerados por mães livres ou libertas eram considerados livres.  Como fonte estratégica para recuperar nossas histórias, as cartas de liberdade dispõem de informações sobre as personagens históricas como: procedência, ofício, preço e, também, as formas de concessão. A alforria decorria de um acordo entre senhor e escravizado, sendo essencialmente uma questão privada. Mas estes arranjos também se tornavam possíveis em decorrência de relações coletivas, as verdadeiras redes que permeavam as várias fases das negociações.  Para...

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Arquivo Pessoal

Mobilizações de professores negros em Salvador na Primeira República

Em 16 dezembro de 1912, a localidade do Politeama, no centro de Salvador estava movimentada com a presença de estudantes, professores, professoras, jornalistas, autoridades e o público em geral que prestigiavam a abertura da exposição anual de trabalhos escolares do ensino primário público da cidade. O intendente municipal (o prefeito daquele tempo) estava presente compondo a tribuna junto com outras autoridades e o professor Vicente Ferreira Café. Vicente Café era um homem negro, um docente influente, que tinha como característica o bom manejo das palavras e sua oratória. Na ocasião, ele figurava como representante do professorado e fora convidado para proferir um discurso que contemplasse aquele momento festivo. Professor Vicente Ferreira Café. Fonte: A Tarde, 19 de junho de 1924, p.1. O professor Café em seu discurso elogiou a iniciativa da intendência, tratou sobre o trabalho desenvolvido pela categoria, lembrando que os professores eram os formadores...

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O trânsito para a liberdade e a precarização do trabalho livre no final do século XIX

O Brasil foi o último país a abolir a escravidão. Apesar da resistência de mulheres e homens escravizados e de movimentos antiescravistas nacionais e internacionais, aqui ela sobreviveu à conjuntura global antiescravista surgida com a crise dos sistemas coloniais. A abolição vai acontecer apenas no final do século XIX, respaldada por legisladores, depois de um conjunto de normas jurídicas que pretendiam uma “transição” para o trabalho livre mediante a indenização das elites escravistas, do controle e da disciplina dessas trabalhadoras e trabalhadores que passariam a ter liberdade para negociar a força de trabalho. A resistência à abolição da escravidão foi justificada pela dependência do trabalho cativo e pela racialização do comportamento em liberdade dessas mulheres e desses homens, que seria marcada por insubordinação, desordens e perversão moral, como argumenta a historiadora Wlamyra Albuquerque. Aliás, esses argumentos foram usados em todas as sociedades que passaram por processos emancipacionistas, desde os Estados...

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Relembrando Palmares: do quilombo histórico à memória do povo negro

Com muita alegria, anunciamos a abertura de quarta sala da Exposição “20 de Novembro - Dia Nacional da Consciência Negra” no Google Arts & Culture! Esta sala é especialmente dedicada às experiências de rememoração do Quilombo de Palmares estabelecidas pelo povo negro entre o século XIX e a primeira metade do século XX. Para isso, criamos uma proposta de imaginação histórica a partir das ilustrações de Marcelo D’Salete, de fotografias do acervo do Museu Theo Brandão e de coleções particulares, bem como de jornais da imprensa negra. As aproximações com as histórias sobre Palmares são também embaladas pelas chamadas da Rádio Palmarina, uma novidade deste painel! Acompanhado de faixas do álbum “Malungos”, do trompetista Allan Abadia, o poeta Carlos de Assumpção revisita suas memórias a partir de seus poemas nos quais incorpora as imagens do quilombo e sua gente guerreira. Isso incluiu até mesmo o reencontro com o poema “Diálogo...

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Experiências da negritude na fotografia baiana do final do século XX

Os negros sob o olhar da câmera Lucídio Lopes. Fotografia de Isabel Gouvea. Fonte: Catálogo Fotobahia, Salvador, 1984. Nesta primeira imagem, vemos Licídio Lopes, pescador, nascido em 1899, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador. A fotografia foi feita em 1984 por Isabel Gouvea, fotógrafa paulistana, integrante do Grupo de Fotógrafos da Bahia, à época. O homem octogenário, em traje elegante, encara a câmera exibindo duas telas por ele pintadas, nas quais se veem a Igreja de Santa Ana do Rio Vermelho. O fotografado foi enquadrado numa posição que permite observar os objetos representados nas pinturas: a igreja, num plano mais atrás, convivendo no espaço tradicional do festivo bairro costeiro com as linhas arquitetônicas de um prédio recentemente erigido. No mesmo ano da captura fotográfica, o livro O Rio Vermelho e Suas Tradições, com crônicas escritas por Seu Licídio, foi publicado pela Fundação Cultural do Estado...

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Arquivo Pessoal

Mulheres negras, política e cultura do cancelamento no Brasil republicano

Em 23 de agosto de 1946, o jornal baiano O Momento, vinculado ao então Partido Comunista do Brasil (PCB), estampava em sua segunda página uma matéria sobre o protagonismo da líder sindical Luiza Matos na região do Recôncavo Baiano. De acordo com a reportagem, ela liderou a criação do sindicado dos trabalhadores na Indústria do Fumo em São Félix, fundado em 19 de novembro de 1935. Entre 1937 e 1942, a sindicalista assumiu a presidência do sindicado e enfrentou muitas perseguições da classe patronal. Na época, ela trabalhava na fábrica Dannemann. Em decorrência de suas atividades políticas, foi demitida. Forjaram uma arapuca e acusaram-na de roubo para justificar a demissão. Ela buscou a justiça, provou sua inocência e foi reintegrada, mas não voltou à mesma indústria. Foi trabalhar na fábrica Suerdiek, de onde também foi demitida e readmitida após contendas envolvendo perseguições dos patrões e inquéritos policiais.  [caption id="attachment_158721" align="aligncenter"...

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1960-1970: Grupo Palmares de Porto Alegre e a afirmação do Dia da Consciência Negra

Está disponível mais uma sala da Exposição “20 de Novembro - Dia Nacional da Consciência Negra” no Google Arts & Culture! Esta sala é especialmente dedicada à movimentação do Grupo Palmares em Porto Alegre, fundado em 1971, afirmando o Vinte de Novembro como Dia da Consciência Negra. Em 2021, o Vinte completa 50 anos! Conecte-se ao compromisso de ativistas negros e negras gaúchas em defesa de uma história justa sobre as lutas negras por liberdade por meio de depoimentos, fotografias, poemas, anotações, cartas, entre outros documentos. Vamos [email protected]! O material pode ser acessado em português e inglês e é mais um resultado da parceria entre a Rede de HistoriadorXs NegrXs, o Geledés e o Acervo Cultne! Ao longo de todo 2021, muitas outras “Nossas Histórias” sobre vidas, lutas e saberes da gente negra serão contadas em salas de exposições virtuais! Acesse: 1960-1970: Grupo Palmares de Porto Alegre e a afirmação...

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Branqueamento, indígenas e o tráfico de escravos

Em sua tese de livre docência, John Monteiro afirmou que “não se pode menosprezar a importância da abolição, em 1850, do tráfico negreiro e a lenta extinção da escravidão no Brasil para o debate indigenista”. Poderíamos, na verdade, afirmar que já na década de 1820 o debate acerca do fim do trato negreiro teve grande relevância na formulação de projetos de políticas indigenistas.  Logo após a declaração da independência do Brasil, D. Pedro I iniciou negociações com países europeus em busca de reconhecimento diplomático. A Inglaterra, a nação mais poderosa à época, exigiu a abolição do trato negreiro “dentre em mui curto período” como condição indispensável para reconhecer o novo país. Após aproximadamente quatro anos de negociação, um acordo foi selado entre os dois países: o tráfico de escravos seria abolido três anos após a sua ratificação no Parlamento brasileiro, o que ocorreu em março de 1827.  Todavia, como afirmou...

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Coluna ‘Nossas Histórias’ – uma retrospectiva em 16 capítulos

A coluna “Nossas Histórias” fechou 2020 com a auspiciosa marca de dezesseis títulos publicados nos formatos de artigos e vídeos explicativos sobre a vida da gente negra no Brasil e no mundo! São histórias que a História já conta por meio da escrita e das vozes de historiadoras negras e historiadores negros de diversas regiões brasileiras. Graças à parceria entre a Rede de Historiadoras Negras e Historiadores Negros, o Geledés e o Acervo Cultne, desde o dia 16 de setembro, em todas as quartas-feiras, são apresentados conteúdos produzidos especialmente com o objetivo de fortalecer o diálogo com profissionais da Educação Básica, ativistas e demais pessoas interessadas em História Negra e Antirracista. Confira o vídeo da Retrospectiva da Coluna “Nossas Histórias” em 2020, que conta com os depoimentos de Sueli Carneiro e Dom Filó, a quem a Rede de HistoriadorXs NegrXs agradece publicamente pelo exemplo, a confiança e o apoio recebidos! ...

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Memórias e Reexistências em Vozes Negras do Recôncavo Baiano

“Eu conheci dois escravos. Eu conheci minha madrinha Tereza, que foi escrava e foi minha madrinha. Mamãe morou no terreno de compadre Joaquim Inácio e esse Paulo morava tudo perto... Era tudo vizinho. Na fonte que nós panhava água elas também panhava, na fonte que nós lavava, elas também lavava”. Essas são palavras de Dona Verônica Francisca de Jesus, uma mulher negra que, com a narrativa de suas experiências marcadas pelo convívio com o “povo do cativeiro”, despertou o meu olhar para as memórias das trabalhadoras e dos trabalhadores rurais do Recôncavo sul da Bahia, a partir do contexto do pós-escravidão.  Segundo ela, “Paulo andava todo pateando, chamava Paulo Sapo. O Romão chamava Romão Lagartixa. Feliciano chamava Feliciano Pato. Andava tudo pateando de andar esbagaçado trabalhando na escravidão”. Essa fala de Dona Verônica foi captada em entrevistas realizadas em 1997 e 1998, durante um trabalho de campo que traria importantes...

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Uma história negra com certeza: a escrita histórica nos jornais negros paulistanos

No ensolarado sábado de 24 de outubro de 2020, algo inusitado ocorreu a um grupo de doze pessoas, a maioria delas negras, que fazia um passeio turístico no centro de São Paulo oferecido pela empresa Black Bird Viagem, que tem o propósito de destacar pontos e lugares importantes da história e da cultura negra da cidade. Ao custo de R$ 60,00 por pessoa, o percurso dura mais ou menos três horas, e começa no antigo Largo da Forca no bairro da Liberdade, passa por vários locais de referência negra e vai até a estátua da Mãe Preta, no Largo do Paissandu. Estando todos paramentados com máscaras e prezando pelo distanciamento social, em respeito aos protocolos de prevenção da Covid-19, o pequeno grupo teve a ingrata surpresa de ser seguido por policiais militares. Mesmo tentando despistar a vigília ostensiva e inexplicável, outras equipes de policiais em suas motocicletas e até na...

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Respeitabilidade também é de luta: uma história da Sociedade Beneficente 13 de maio de Piracicaba

Os jornais de Piracicaba anunciaram que os “homens de cor” da cidade planejavam, pelo sétimo ano seguido, promover festejos em comemoração à abolição da escravatura. Pode-se dizer que, nas primeiras décadas do século XX, a expressão “homens de cor” era usada para identificar pessoas negras em situações respeitosas, em casos de desordens e suspeitas de crimes os periódicos costumavam chamar de pretos/as ou mulatos/as. A Gazeta de Piracicaba, na edição de 5 de maio de 1908, e o Jornal de Piracicaba, do dia 10 de maio de 1908, disseram que “Os sócios da Sociedade ‘Luiz Gama’ em marcha” sairiam da rua Santa Cruz, às seis horas da tarde, até sua “sede social, onde os aguardar o distinto orador dr. Osório de Souza”. Além dos ritos de costumes, que envolviam missa, préstito com vivas à imprensa, abolicionistas de prestígio nacional e local, discursos, músicas e fogos de artifício, eles desfilariam com...

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