Hoje na História, 1972: É absolvida militante negra Angela Davis

FONTEDo Diário Liberdade
protest against the Vietnam War
(Foto: Imagem retirada do site Wikipédia)

Angela Yvonne Davis, militante negra, antiga professora de filosofia na Universidade da Califórnia e auto-proclamada comunista é absolvida em 4 de junho de 1972 das acusações de conspiração, assassinato e sequestro por um júri de San Jose, Califórnia, constituído somente por jurados brancos.

Davis, nascida em Birmingham, no dia 26 de janeiro de 1944, alcançou notoriedade mundial nos anos 1970 como integrante do Partido Comunista dos Estados Unidos, dos Panteras Negras, por sua militância pelos direitos das mulheres e contra a discriminação social e racial nos EUA e por ser personagem de um dos mais polêmicos e famosos julgamentos criminais da recente história norte-americana.

Em outubro de 1970, Davis foi presa em Nova York pela acusação de envolvimento em um tiroteio em 7 de agosto numa sala do tribunal de San Raphael, Califórnia. Ela foi acusada de ter fornecido armas a Jonathan Jackson, homem que invadiu a sala do tribunal e tentou libertar réus que estavam sendo julgados para transformá-los em reféns, na esperança de poder trocá-los por seu irmão George, um militante radical negro preso na prisão de San Quentin.

No tiroteio que se seguiu, já com a participação da polícia, Jackson foi morto, assim como o juiz da Corte Superior Harold Haley e mais dois réus.

Davis, líder da causa dos prisioneiros negros e amiga de George Jackson, foi indiciada pelo crime, mas permaneceu escondida. Uma das supostas criminosas mais procuradas pelo FBI foi capturada somente dois meses mais tarde.

O julgamento começou em março de 1972 e atraiu atenção internacional em virtude da debilidade das acusações contra Davis e pela evidente natureza política do processo. Em junho de 1972, ela foi absolvida de todas as acusações.

Depois de prestar contas com a justiça, Davis retornou à cátedra e a seus escritos. Em 1980, foi candidata a vice-presidente pelo Partido Comunista. Em 1991, tornou-se professora na disciplina de História da Consciência na Universidade da Califórnia, em Santa Cruz.

Quatro anos depois, foi eleita reitora da universidade em meio à controvérsias, já que seus adversários a acusavam de ser comunista e de ter um passado de militância nos movimentos negros.

Entre os livros publicados encontram-se Angela Davis: An Autobiography e Women, Race, and Class (Mulher, Raça e Classe). Embora não seja mais membro do Partido Comunista, Davis segue sendo uma ativista política de esquerda, manifestando-se, particularmente, em palestras e debates contra a pena de morte.

Foto em destaque: Reprodução/ Wikipédia 

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