Homens e mulheres concordam: o preconceito de gênero interfere no salário

A PESQUISA APONTOU QUE PARA 53% DELES É MITO QUE AS MULHERES PRECISAM SE ESFORÇAR MAIS, CONTRA 85% DAS MULHERES QUE VEEM COMO UMA VERDADE (FOTO: PEXELS)

De 13 perguntas da pesquisa Mitos & Verdades, feita pelo grupo Mulheres do Varejo, há consenso em oito

Por  ÉRICA CARNEVALLI, da Revista Época

A PESQUISA APONTOU QUE PARA 53% DELES É MITO QUE AS MULHERES PRECISAM SE ESFORÇAR MAIS, CONTRA 85% DAS MULHERES QUE VEEM COMO UMA VERDADE (FOTO: PEXELS)

Até onde as diferenças entre os gêneros no mercado de trabalho são percebidas? Segundo a pesquisa Mitos & Verdades, feita pelo grupo Mulheres do Varejo, homens e mulheres concordam que existem diferenças salariais conforme o gênero, além de preconceito contra a gravidez. Mas, para os entrevistados, trabalhadoras não precisam se esforçar mais para provar que têm talento.

Oito em cada dez homens concordaram que as mulheres sofrem preconceito no mundo corporativo quando engravidam e 65% acreditam que a gravidez dificulta a recolocação no mercado. Sete em cada dez responderam que existe diferença salarial por gênero. Entre as mulheres, os percentuais foram ainda maiores.

A percepção dos entrevistados bate com os registros oficiais do mercado de trabalho. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mulheres ganham 76,5% do salário dos homens.

Segundo Bruna Fallani, membro do comitê do Mulheres do Varejo, a percepção correta da realidade é importante para a promoção de mudanças. “Se os homens e mulheres estão alinhados e verbalizam que essas diferenças existem, precisamos começar a discutir”, diz.

Na pesquisa, 53% dos homens não acham que as mulheres precisam se esforçar mais para alcançar uma conquista profissional — bem menos que as entrevistadas: 85%. “Os homens não percebem esse esforço”, diz Bruna. “Eles enxergam como algo natural do comportamento feminino”.

Semelhanças

Das 13 perguntas da pesquisa, homens e mulheres concordaram em oito.

Para 82% das entrevistadas e 91% dos entrevistados, os homens não entendem mais de tecnologia que as mulheres. É uma surpresa, dada a predominância masculina nas carreiras de exatas.

“Os homens se destacam numericamente nessa área, mas os entrevistados apontaram que isso não necessariamente significa que entendam mais”, diz Bruna.

Ambos também acham que é possível conciliar filhos e carreira, com a concordância de 94% dos homens e 92% de mulheres.

Outro ponto de destaque é que os dois gêneros valorizam a diversidade e consideram um mito a afirmação de que as empresas com mais homens em liderança são mais rentáveis.

Divergências

Apesar de reconhecer o preconceito contra grávidas no mercado de trabalho, 68% dos homens dizem não serem, eles mesmos, preconceituosos. E dizem que elas não são as únicas que precisam faltar no trabalho para levar filhos ao médico.

Em relação ao comportamento no ambiente corporativo, eles também não veem como verdade que têm mais facilidade em negociar sua carreira ou que as mulheres precisam adotar uma postura “masculina” para impor liderança.

A pesquisa foi realizada entre fevereiro e março deste ano, pela internet com 107 mulheres e 77 homens da área do varejo.

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