sábado, agosto 13, 2022
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Johnny Alf começou a estudar música aos 9 anos

Pianista, cantor e compositor, Alfredo José da Silva, o Johnny Alf, nasceu no Rio de Janeiro, em 19 de maio de 1929. Considerado por muitos como um dos “pais” da bossa nova, Alf era filho de uma empregada doméstica com um cabo do Exército, que morreu em 1932, no Vale da Paraíba, combatendo na Revolução Constitucionalista.

Johnny morreu nesta quinta-feira (4), aos 80 anos, em decorrência de um câncer de próstata.

Começou os estudos de piano aos 9 anos com a professora Geni Borges, amiga de uma das famílias para a qual a sua mãe trabalhava. Inicialmente se dedicou ao piano clássico, mas logo se interessou pelo som de pianistas de jazz dos Estados Unidos, como Nat King Cole, George Gershwin e Cole Porter.

Foi quando tocava e estudava inglês no Instituto Brasil Estados Unidos (Ibeu) que ganhou o apelido de Johhny Alf, por sugestão de uma amiga norte-americana.

Acervo UH/Folha Imagem
O pianista, compositor e intérprete Johnny Alf, em foto do início de sua carreira, em 1955

 

Fundou, junto com amigos do Ibeu, um clube para promover intercâmbio cultural e musical entre Brasil e EUA, do qual fizeram parte também o músico João Donato e o diretor de televisão e cinema Carlos Manga.

Após tocar no Sinatra-Farney Fan Club, Alf, por indicação de Dick Farney, começou a tocar, em 1952, na Cantina do César, que pertencia ao radialista César de Alencar. Nesta época realizou suas primeira gravação, um álbum instrumental com as músicas “Falsete” de sua autoria, e “De Cigarro em Cigarro”, de Luiz Bonfá.

Duas de suas músicas compostas em 1953, “Rapaz de Bem” e “Céu e Mar”, são consideradas precursoras da dos arranjos e batidas característicos da bossa nova.

Conciliava sua profissão de cabo do Exército com a de músico que toca na noite, e fez bastante sucesso na boate do hotel Plaza, em Copacabana, que tinha entre seu público nomes como João Gilberto, Tom Jobim, Carlos Lyra, e João Donato acompanhado de Dolores Duran, então sua namorada.

Em 1955 mudou-se para São Paulo, para inaugurar a boate Baiúca e no bar Michel. Foi nessa época que Vinícius de Moraes, ao ouvir jovens paulistas criticando Alf, aconselhou o amigo a voltar ao Rio, cravando que “São Paulo é o túmulo do samba”.

Folha Imagem
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Johnny Alf, com trio musical, em foto do início da década de 1960.

 

Voltou ao Rio em 1962, e se apresenta no Bottle’s Bar, junto com nomes como Tamba Trio, Sérgio Mendes, Sylvia Telles, dentre outros. Mas volta a São Paulo três anos depois, para excursionar pelo interior do estado, e dar aulas no Conservatório Meireles.

Em 1967 participou do 3º Festival de Música Brasileira, da TV Record, defendendo “Eu e a Brisa”, interpretada pela cantora Márcia. Mesmo desclassificada, a música tornou-se um dos maiores sucessos de sua carreira.

Nos anos 70 e 80, já definitivamente radicado em São Paulo, participa de diversas gravações de discos e shows. Em 1990 lança o disco “Olhos Negros”, que teve participações especiais de Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Roberto Menescal, Emílio Santiago, entre outros.

Eduardo Anizelli/Folha Imagem
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O músico e compositor, Johnny Alf, posa para foto no Sesc Vila Mariana, em São Paulo, em 2009

 

Em 1998, depois de sete anos sem gravar, apresentou-se no Sesc Pompéia, na capital paulista, no show de lançamento do CD “Noel Rosa – Letra e Música”, e participou, em 2000, do espetáculo “Da Fossa à Bossa”, no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro. Em 2006 lançou “Mais Um Som”, com 15 músicas inéditas.

Nos últimos anos, devido à saúde debilitada, diminuiu o número de shows e aparições públicas.

Fonte: Folha de São Paulo

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