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Maternidade, a melhor viagem

Primeira repórter negra da tevê brasileira trabalhou muito para conquistar o status de celebridade do jornalismo; mas nada, segundo ela, se compara à experiência de ser mãe

Glória Maria, de origem humilde, superou muitas barreiras, como o preconceito de ser a primeira negra a aparecer na tevê. Talentosa, com uma história forte de vida, conquistou o carinho e a admiração de todos. “Acredito que as pessoas gostem de mim, por eu ter vindo de uma família pobre e ter conseguido superar todos os obstáculos, todas as dificuldades de ser mulher, negra, pobre, com muita determinação e alegria. Nunca me lamentei. Bom humor acima de tudo”, ressalta.

O início, recorda Glória, foi natural. “Eu não sonhava em ser jornalista. Mas ao saber da vaga, como sempre fui boa em redação, resolvi tentar. Comecei escrevendo para as notícias do rádio e logo depois já estava fazendo reportagem, mas na época ainda não aparecia no vídeo, só depois de uns cinco anos é que comecei a fazer passagens em vídeos para os telejornais. O jornalismo estava crescendo e fui crescendo junto. A aspiração, na época, era ser repórter do Jornal Nacional”, recorda. Realizou o sonho por 15 anos, cobrindo assuntos como política e economia, tendo sido a primeira repórter negra da televisão brasileira. Foi também a primeira mulher a cobrir uma guerra e a primeira a fazer matérias de aventura. “Anunciei o fim da guerra das Malvinas. Foi uma experiência única, mas guerra nunca mais”, salienta. Em 1998, quando assumiu a apresentação do Fantástico, diz que sofreu muito preconceito. “Teve resistência, boicote, pressão. Mas venci isso com trabalho”, conta.

Com cerca de quatro décadas de jornalismo e dez passaportes preenchidos, conheceu mais de 120 países. Mas a melhor e maior viagem teve início quando, ao completar 35 anos de carreira, em 2008, decidiu afastar-se da emissora para descansar e repensar a vida. Durante dois anos fez trabalhos voluntários com crianças abandonadas e mendigos na Índia e na Nigéria. De volta ao Brasil, dando continuidade à busca pessoal, foi para Salvador, onde trabalhou como voluntária em uma instituição de crianças abandonadas. Lá encontrou suas duas filhas, as irmãs Maria, à época com nove meses e, Laura, com 17 dias. Hoje, as meninas são sua razão de viver. “Quando as vi senti que eram minhas filhas. Antes delas o trabalho preenchia meus espaços, agora renuncio a ele por elas”, afirma.

Independente, dinâmica e extremamente competente, a jornalista voltou ao trabalho, em 2010, como repórter especial do Globo Repórter. Dona de um dos físicos mais invejados da televisão, Glória que não revela a idade de jeito nenhum, diz que nunca fez plástica nem preenchimentos e tem verdadeiro horror a botox. “Tenho uma boa alimentação, não como fritura nem carne vermelha, não fumo, não bebo e raramente como doces. Dizem que sou doida por causa das minhas pílulas, tomo umas 100 por dia, tudo natural, mas acham normal fazer injeção na testa com uma substância paralisante. Mas cada um com a sua escolha. O importante é sentir-se bem”, conclui.

Fonte: Persona Mulher

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