Mulher é presa por chamar vendedor de ‘negrinho’ em Goiânia

A vendedora de uma empresa de telefonia celular foi presa em flagrante na última semana, em Goiânia, suspeita de injuriar um promotor de vendas da mesma operadora. Segundo a polícia, a mulher o teria chamado de “negrinho analfabeto” durante discussão dentro de um shopping da capital, no Jardim Goiás. A vítima procurou o G1 nesta semana para denunciar o caso.

O promotor de vendas Vagner Rocha de Souza conta que na segunda-feira (2) dirigiu-se à loja onde trabalha a suspeita para resolver um problema em sua conta telefônica. Chegando ao estabelecimento, ele percebeu uma cliente com problemas e tentou orientá-la: “Eu sou funcionário de uma empresa terceirizada que presta serviço para a instituição que ela [suspeita] trabalha. Então, eu sabia que o problema da cliente poderia ser resolvido lá na loja e a orientei”.

Vagner afirma que depois de orientar a cliente voltou para sua loja, também dentro do shopping. Chegando lá, ele diz que a vendedora da loja de telefonia celular estava na porta e começou a ofendê-lo. “Ela me chamou de negrinho analfabeto e me mandou estudar para aprender os procedimentos internos da empresa para a qual prestamos serviço. Também disse que ia acabar com a minha raça. Ela fez isso na frente de outros funcionários”, afirma Vagner Rocha.

O promotor de vendas acionou a Polícia Militar (PM) e a mulher foi levada ao 8º Distrito Policial. Na delegacia, o caso foi registrado como injúria por preconceito racial. A suspeita pagou fiança de R$ 500 e acabou liberada. Se condenada, ela pode pagar de 1 a 3 anos de pena alternativa.

O titular do 8º DP, Gilberto Ferro, informou ao G1 que testemunhas confirmaram a denúncia de Vagner. No entanto, em depoimento, a suspeita negou o crime: “Ela nega a autoria e diz que em nenhum momento chamou o rapaz de negro. Ela alega, inclusive, que existem negros em sua família”. O delegado contou também que a mulher confirma ter ido à loja onde trabalha Vagner Rocha, mas nega tê-lo ofendido com termos preconceituosos.

Racismo

Vagner Rocha reclama e diz que o caso deveria ser registrado como racismo. “O delegado registrou como injúria dizendo que foi só uma ofensa”, questiona. Já o delegado Gilberto Ferro esclarece: “A lei do racismo é mais específica e o que aconteceu se encaixa no crime de injúria por preconceito com racismo. É como chamar o branco de branquelo e o negro de negrinho”.

O inquérito foi formalizado e deve ser remetido à Justiça. Em nota, a empresa de telefonia para a qual os envolvidos prestam serviços afirmou ao G1 que é contrária a qualquer ato de discriminação e disse que acompanhará as investigações. A assessoria não informou se a funcionária foi afastada do cargo.

Fonte: G1

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