O legado de Serena Williams dentro e fora das quadras

Detentora de 23 Grand Slams em simples, norte-americana revolucionou o tênis mundial e abriu portas inimagináveis

FONTEPor Giba Perez e Nathalia Movilla, do Ge
Serena Williams (Foto: Julian Finney/Getty Images)

Chegou o dia: Serena Williams se despediu das quadras no Arthur Ashe Stadium, a quadra principal do US Open, local onde foi campeã pela primeira vez na carreira, há 23 anos, ao perder para Alja Tomljanovic na terceira rodada do major americano por 2 sets a 1.

O ano era 1999, e Serena era apenas uma menina com 17 anos e grandes sonhos. Não satisfeita em chegar à final do US Open daquele ano, a jovem teve a “audácia” de desbancar a então melhor tenista do mundo, Martina Hingis. Este seria o primeiro de 23 títulos de Grand Slam em simples.

Após a conquista do Aberto dos Estados Unidos sobre a favorita, Serena Williams encerrou a temporada como a quarta melhor tenista do mundo. A norte-americana apareceria no topo do ranking três anos depois.

Serena Williams conquista primeiro título de Grand Slam em 1999 (Foto: Jamie Squire /Allsport)

Serena é a maior vencedora de majors entre homens e mulheres na Era Aberta do tênis, com 23 conquistas. Contando as duplas, são 39 títulos, além de quatro medalhas de ouro em Olimpíadas. É também a tenista mais velha a conquistar um slam e a ocupar a liderança do ranking, com 319 semanas na primeira colocação, sendo 186 consecutivas.

Estes são alguns dos espetaculares números de Serena Williams como atleta, mas para ser a maior de todos os tempos, isso não basta. Precisa de mais. E a Serena fez muito. Além dos recordes, ela tem prêmios fora das quadras tão valiosos quanto, inclusive, Martina Navratilova e Billie Jean King, que devem ser exaltadas também.

Billie Jean King e Serena Williams durante WTA Finals de 2014 (Foto: Julian Finney/Getty Images)

Maternidade e preconceito

Em setembro de 2017, Serena Williams deu à luz Alexis Olympia, porém, ergueu o troféu do Australian Open em janeiro, sem sequer saber que já carregava sua filha. Na ocasião, Serena venceu a própria irmã, Venus Williams, por 2 a 0 (duplo 6/4), o último título de Grand Slam da carreira.

Após a gestação, a tenista sofreu com muitos problemas, e quase morreu por complicações pulmonares. Além das dificuldades clínicas, Williams enfrentou intensas e desonestas críticas. Entre elas, a de que não teria condição de jogar bem pós-parto e aos 36 anos.

Mesmo com as complicações, Serena retornou às quadras e em menos de um ano já estava disputando Roland Garros. Devido aos problemas de saúde, a ex-número um do mundo teve que utilizar um macacão que ajudava na circulação de sangue. Porém, foi visto com maus olhos pela Federação Francesa, e o presidente Bernard Giudicelli lastimou o uso e declarou que a vestimenta seria proibida no torneio.

Serena Williams na estreia de Roland Garros em 2018 (Foto: REUTERS/Christian Hartmann)

As regras do circuito não permitiam que mulheres vestissem a legging sem uma saia ou um short por cima, mas graças à Serena Williams, a Associação Feminina de Tênis (WTA) liberou o uso para as atletas.

Outra mudança importante foi referente ao ranking. A entidade tratava uma gravidez e uma lesão da mesma maneira. Ficar fora de uma competição por conta de uma torção no tornozelo ou por estar por estar grávida tinha o mesmo peso aos olhos da WTA. Na época, Serena saiu da primeira colocação para a 453ª. Williams chegou a dizer que “o ranking da WTA me puniu por engravidar”.

Após as reivindicações, as tenistas que se tornassem mães teriam até três anos para retornarem ao circuito sem perdas bruscas de posições no ranking.

Serena Williams e Olympia: mãe e filha adoram combinar roupa, hábitos e até poses (Foto: Instagram/ Serena Williams)

E no mesmo ano, ainda em 2018, Serena Williams novamente calou milhares de pessoas ao chegar a duas finais de Grand Slam: Wimbledon e US Open. Na grama sagrada, Angelique Kerber levou a melhor em sets diretos e ficou com o título.

Já no Aberto dos EUA, Naomi Osaka, fã declarada de Williams, a derrotou em uma partida marcada por sexismo do árbitro Carlos Ramos. O juiz de cadeira afirmou que o técnico Patrick Mouratoglou dava instruções à vencedora de 23 Grand Slams. Serena disse que Ramos não agiria da mesma maneira se fosse um homem, e a WTA saiu em defesa da norte-americana.

Além das quadras

Mais do que uma atleta de absoluto sucesso dentro das quadras, Serena tornou-se também muito bem sucedida fora delas. A americana é a atleta mulher mais bem paga da história do esporte mundial, tendo acumulado US$ 94 milhões em premiações ao longo da carreira.

A fortuna arrecadada pelo desempenho esportivo, somada aos patrocínios a possibilitaram também investor na carreira de empresária. A “The Serena Ventures” é acionista de mais de 50 startups comandadas por mulheres negras, além de ter participações de franquias esportivas bilionárias como o Miami Dolphins e o UFC.

Dados da carreira de Serena Williams — Foto: Infoesporte

A tenista usou também o dinheiro que ganhou em prol de quem mais precisa, fazendo trabalho filantrópico. Serena tem um fundo para promover equidade de raça, gênero e de pessoas com deficiência através da educação.

A, agora, ex-tenista já faz doações para mais de 13 instituições de caridade, é embaixadora da UNICEF e já ajudou a construir escolas para crianças carentes na África e no Caribe.

Legado. Essa é a melhor palavra para descrever a brilhante carreira de Serena Williams. A cortina se fecha e as luzes se apagam, mas Serena é para sempre.

-+=
Sair da versão mobile