quinta-feira, janeiro 21, 2021

Resultados da pesquisa por 'Frantz Fanon'

Anna Ismagilova/Adobe

Será que eu sou uma fraude? A mestiçagem e o meu não lugar

A vida inteira fui chamada de branquinha pelo meu pai e era assim que eu me via, apesar dos constantes comentários acerca do meu cabelo “ruim”, do meu nariz de “barraca” e da minha boca de “nego”. Sempre ouvi que apesar da minha pele clara, eu tinha um “pezinho na senzala”. Quando eu entrei no Ensino Fundamental em uma escola pública perto da minha casa, eu e um primo íamos e voltávamos juntos, pela rua de barro. Eu adorava a escola, mas a gente tinha muitos problemas, como trocas de professores, greve, salas pequenas e abarrotadas de alunos. Todos nós queríamos a atenção da Tia, mas era impossível ela fazer um atendimento individualizado. Eu não me lembro de ter dificuldades de aprendizado nesta fase, mas acabei passando para a segunda série sem saber ler, ou pelo menos foi isso que disseram para os meus pais. Acho que foi aí que ...

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Ilustração de Jairo Malta

Com diferenças políticas, movimento negro no Brasil luta contra apagamento histórico

A onda de protestos antirracistas que tomou os EUA e o mundo desde maio, quando imagens da execução de George Floyd por um policial branco viralizaram globalmente, ganhou novo capítulo dentro das quadras da maior liga de basquete do planeta, a NBA. Jogadores do Milwaukee Bucks boicotaram uma partida dos playoffs no final de agosto em protesto contra um outro episódio de violência. Em efeito cascata, outras equipes e ligas esportivas aderiram à greve, que se tornou um novo marco na longa história de luta por igualdade racial nos EUA. “Imagina o impacto que teria Pelé, o maior atleta do século, discutindo racismo no Brasil em pleno auge da sua carreira?”, devaneia Douglas Belchior, ativista negro da Uneafro Brasil e articulador da Coalizão Negra por Direitos, ao comentar o impacto da atuação política de LeBron James, supercraque do Los Angeles Lakers, que passou a usar as quadras como plataforma do ...

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Reprodução/Twitter

Inveja do quê, meu “fi”? Sobre as coisas que nos atribuem

Matheus foi fazer uma entrega de comida em um condomínio classe média em Valinhos, interior de São Paulo, antro da ostentação da descendência italiana. Tem condomínios fechados que são como casas populares, todas iguais e da mesma cor, construídas com material de baixa qualidade, superfaturado,  e que custa 1 milhão de reais, como um que visitei em Campinas, perto do Shopping Center Dom Pedro. Mas quando cercado e altamente vigiado, com porteiro e zelador,  com  áreas separadas para domésticas e babás, vira chique para os padrões da classe média brasileira cafona e retrógrada.  Ali pertinho de Valinhos, na cidade de Jundiai, também tem um, ao lado do Jundiai Shopping , que tem até praça de empregada. Ué,  a empregada passa o dia inteiro dentro da mesma casa com a patroa e na hora de usar a pracinha, tem que ser separado? Quanto mal gosto! Quanta falta de noção! Mas aí ...

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A escritora e ativista Ana Paula Lisboa (Foto: Ana Branco / Agência O Globo)

O Mateus já sabia

Alguém, que não me lembro quem, falou esses dias que “a cada dois anos o Brasil lembra que existe o racismo”. Eu não sei bem em qual parte do ciclo dos dois anos estávamos, mas a pandemia veio certamente para embaralhar essa cronologia. Eu não me preocupo muito com “os que se lembram a cada dois anos”, me preocupo com os que não podem esquecer, todos os dias. Às vezes a gente finge que esquece, faz umas viagens, um churrasco na laje, come num restaurante caro, compra carro, faz obra na casa da mãe, escreve um livro, planta árvore, coloca o filho na melhor escola particular, faz doutorado. Quando eu digo que a gente finge que esquece, não é porque o ser negro seja uma coisa ruim, ou que não se queira ser, mas é no mínimo chato lembrar o porquê de ser olhado estranho no aeroporto, ser seguido no ...

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A filósofa e ativista feminista María Lugones (Foto:  Daily Nous/Reprodução)

Referência do pensamento feminista decolonial, ativista e filósofa argentina María Lugones morre aos 76 anos

Morreu nesta terça-feira (14) a filósofa, professora e ativista feminista argentina María Lugones, aos 76 anos, devido a uma parada cardíaca. De acordo com familiares, ela estava internada por causa de uma pneumonia e tinha câncer de pulmão. A informação sobre a morte da intelectual foi publicada pelo filósofo Nelson Maldonado-Torres em sua conta no Facebook e posteriormente confirmada ao GLOBO pela Binghamton University, do estado de Nova York, onde Lugones atuava como professora de Literatura Comparada e de Estudos Latino-americanos. A sobrinha de Lugones, Gabriela Veronelli, informou que o corpo da filósofa será cremado e haverá um funeral em Binghamton-Endicott, NY, nesta sexta-feira (17), restrito a um número pequeno de convidados em função da pandemia de Covid-19. Outros serviços memoriais online ainda estão sendo planejados. Lugones é uma das referências máximas do pensamento sobre a colonialidade do conceito de gênero e suas implicações. Seu interesse era o de teorizar ...

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Ministério da Cultura

Teorias críticas e estudos pós e decoloniais à brasileira: Quando a branquitude acadêmica silencia raça e gênero

Coluna Empório Descolonial / Coordenador Marcio Berclaz Este é um texto escrito, sentido, partilhado, vivido por duas mulheres negras, cujas trajetórias de vida, embora diferentes, aproximam-se e rearticulam-se em torno de algo em comum: trata-se de uma composição que une em ‘dororidade’ (PIEDADE, 2017) as experiências pessoais e acadêmicas de duas professoras universitárias negras. E neste campo acadêmico, predominantemente masculino e branco, nos deslocamos de lugar e irrompemos o imaginário social forjado no racismo e no sexismo. Aprendemos com a irreverência da escrita e criticidade de Lélia Gonzalez, também uma intelectual negra, que este lugar (a academia) nos pertence e aqui vamos ficar. Nestes muros não nos moldamos à estética da brancura e lutamos contra o branqueamento que insistem, às vezes, nos impor. E, assim, seguimos insubmissas e aqui tomamos a liberdade de promover algumas desobediências sobre a branquitude acadêmica e o esvaziamento do potencial emancipatório das teorias críticas e ...

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(Foto: Imagem retirada do site Correio Brazileinse)

Faremos Palmares de novo

O ano de 1988 foi marcado por experiências significativas que ficaram na memória do ativismo negro no Brasil. A promulgação da Constituição cidadã, contemplando demandas do segmento, o centenário da abolição da escravatura, ocorrido entre festas e protestos, e a criação da Fundação Cultural Palmares FCP/ MinC, em meio à turbulência resultante das divergências entre o Estado e expressiva parcela do movimento social, são episódios importantes que nos remetem a profundas reflexões. No momento em que se aproximava o centenário da abolição da escravatura, interpretações dissonantes acerca da ocasião tornaram-se perceptíveis para maior percentual da sociedade brasileira. A Nova República de José Sarney, primeiro presidente pós-ditadura, eleito indiretamente pelo Colégio Eleitoral na chapa encabeçada por Tancredo Neves, falecido antes mesmo de assumir o mandato, regozijava-se com a ideia de comemoração daquele centenário. A visão do Palácio do Planalto era um tanto distinta da referente ao Ministério da Cultura, que, nos ...

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Pessoas deitam no chão em protesto contra a violência policial, no Rio de Janeiro (Foto: Ricardo Moraes/Reuters)

Discurso da ‘passividade’ do negro brasileiro é artimanha de ideologia racista

Quando Ta-Nehisi Coates, autor do livro "Entre o Mundo e Eu” (ed. Objetiva), decidiu imigrar para a França com o objetivo de escapar à polêmica que seu livro tinha provocado nos Estados Unidos por confrontar o racismo de maneira muito direta, ele estava longe de suspeitar que se depararia com outra forma de racismo, menos evidente, mas igualmente devastadora. Ao ser entrevistado por uma dezena de jornais franceses, além de emissoras de rádios e televisão, Coates percebeu que havia pouca diversidade entre os jornalistas que os meios de comunicação enviavam para entrevistá-lo, o que o levou a perguntar a uma jornalista se na França não havia jornalistas negros ou de origem árabe. A jornalista não encontrou uma resposta. O que esta história nos revela é que o racismo se manifesta de maneira diferente a depender do contexto social de cada país. Ainda que seja um fenômeno mundial atrelado à formação ...

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Adobe

Afetos e relações raciais: quando o “suposto” afeto ofusca o racismo

Querida Branca, Estou muito cansada hoje. Apesar disso, a necessidade de te escrever me veio. Escrever é um processo criativo que demanda esforço mental e lucidez para articular as ideias. Embora tudo isso esteja ofuscado agora, pode ser esse um modo de esvaziar-me do cansaço e dar sentido a tantos sentimentos misturados. Temos tido dias difíceis, com situações complexas, mas nada novo para nós, negras e negros. O novo, para mim, parece ser o des-cobrimento do racismo no Brasil. Aqui, falo como uma pessoa de pele preta, que bateu várias vezes na porta de vidro que existia entre mim e você, que sorria assim que me via. Lembro sempre de você e de todas as outras colegas em muitas situações. Mas algumas situações foram mais marcantes do que outras. Foram várias situações de racismo que passei, com você ao meu lado, me olhando, sorrindo, sempre delicada, educada e sutilmente me ...

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Alberto Henschel (1867). (Reprodução/Sul21)

O genocídio do negro brasileiro: uma (re)leitura para espaços-tempos de pandemia

O transcorrer do mês de maio no Brasil, nos impele enquanto sujeitos negros e negras, a refletir criticamente acerca de nossas trajetórias, no contexto denominado de pós-abolição, segundo o qual, afirma um dos autores clássicos da sociologia brasileira, “o negro permaneceu sempre condenado a um mundo que não se organizou para tratá-lo como ser humano e como “igual” (FERNANDES, 1972 p.15). Diante desta questão, bem como no contexto da crise pandêmica (COVID-19), escancara-se mais uma vez, as referidas condições de reprodução da existência e sujeição da população negra no país, diante de sua posição de ser um objeto visto por um olhar tortuoso, conforme problematizou o geógrafo negro baiano Milton Santos (1926-2011). Tais elementos, nos instigam a uma (re)leitura – no sentido de produzir uma interpretação e de indicar uma leitura, sobretudo às gerações mais jovens, que vivem desde a formação territorial brasileira – no âmbito de um trabalho de grande relevância. Trata-se da obra O Genocídio do Negro ...

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Silvio de Almeida: advogado, doutor em Filosofia e Teoria Geral do Direito, professor e presidente do Instituto Luiz Gama (Foto: imagem retirada do site O Globo)

Silvio de Almeida: ‘As pessoas descobriram que o racismo não é uma patologia. É o que organiza a vida delas’

Os acontecimentos das últimas semanas nos EUA deixaram muita gente estarrecida - inclusive no Brasil. Um homem negro sufocado até a morte por um policial branco, protestos diários contra a violência policial, a resposta truculenta do presidente Donald Trump, a indignação crescente nas redes sociais. Será que finalmente as pessoas brancas entenderam a gravidade do racismo e o quanto ele pauta a política, a economia e as relações sociais? O que é preciso ser feito para desmontar a estrutura cruel e violenta que nega a uma parte da população, não apenas as condições materiais de vida, mas a possibilidade de sonhar? Silvio Luiz de Almeida é um dos intelectuais brasileiros que têm articulado respostas para essas e tantas outras perguntas. Aos 43 anos, é advogado, doutor em Filosofia e Teoria Geral do Direito pela USP, professor na FGV-SP e na Universidade Presbiteriana Mackenzie. É presidente do Instituto Luiz Gama, associação ...

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Pessoa segura um cartaz com os dizeres 'Black lives matter' ("vidas negras importam", em português) durante um protesto na sexta-feira (29) em Detroit, no Michigan, pela morte de George Floyd. (Foto: Seth Herald/AFP)

Vidas negras importam! Mas por que precisamos afirmar o óbvio?

Quando um homem branco, a serviço do Estado, assassina brutalmente um homem negro, sob os olhos do mundo inteiro; quando, mais uma vez, incontáveis tiros da polícia terminam com a vida de uma pessoa negra em uma favela; não é mais possível silenciar as vozes que gritam, no Brasil e no mundo: Vidas Negras Importam! Mas, por que é necessário afirmar que vidas negras importam, já que isso é óbvio? Porque, assustadoramente, não é tão óbvio para muitos brancos, nem para as estruturas racistas da nossa sociedade. A vida – e a morte – de pessoas negras é banalizada na sociedade ocidental, há mais de 500 anos. “A carne mais barata do mercado é a carne negra”, lembra-nos a artista brasileira Elza Soares. Vidas negras são banalizadas quando um agente do Estado mata uma pessoa negra, sem que ela esteja apresentando nenhuma ameaça. A isso chamamos Genocídio da População Negra ...

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O racismo, tal como o conhecemos hoje, tem seu espírito competitivo e hierárquico, tão bem cultivado nas curtidas das redes sociais, entranhado no longo processo de nascimento e construção do capitalismo (Foto: Seth Herald/AFP)

Branco, você é racista

Se você é branco/a, mora no Brasil e está lendo esse texto, você é racista. Frantz Fanon nos ensina isso. Você, branco/a, nascido em uma sociedade racista, cresce sendo racista. Esse é o pressuposto do qual devemos partir para refletir sobre as questões raciais em nosso país tendo em conta a branquitude. O racismo está gravado em nós – e ele é estrutural, institucional e cotidiano Do lugar que eu e você sabemos que ocupamos na estrutura social, podemos adotar uma postura antirracista. Ser antirracista é uma construção diária e relacional, por ser uma experiência singular, mas que só é possível, assim como o racismo, de se realizar na coletividade. É diante do outro que somos racistas ou antirracistas. Isto não é sinônimo de aderir a campanhas publicitárias de curta duração. Colocar uma tela toda preta no seu Instagram durante um dia não tem necessariamente significado concreto. Pelo contrário: pode ...

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Crédito: Reprodução/Twitter @georgegalloway

Sejamos honestos as ruas são preciosas demais para abandoná-las aos perversos

ESTAMOS VIVENDO UM DAQUELES MOMENTOS HISTÓRICOS DECISIVOS. Aquele ponto a partir do qual, nada mais será como antes. A pergunta que está aberta neste momento é qual a intensidade da piora ou se há chances de reverter o jogo: um governo genocida, miliciano e corrupto, eleito por fake news, que opta por boicotar medidas sanitárias diante de uma crise pandêmica sem precedentes (levando milhares à morte); aproveita a comoção para privatizar bens públicos e legalizar a grilagem de terras indígenas e áreas de proteção ambiental; um governo perverso que tem um projeto de ultra-direita que caminha declaradamente na direção de um recrudescimento antidemocrático, amparado pelos já conhecidos (e nunca sancionados) militares brasileiros e um empresariado que tem saudades da escravidão . ATÉ ANTES DE ONTEM, a principal oposição política à essa calamidade era composta pelo Dória (da pior facção do PSDB), o Witzel (que atirava na favela, de helicóptero) e ...

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Babu Santana BBB20 (Reprodução/TVGlobo)

As convicções de Babu Santana

Não, esse não é um texto sobre a atual edição do Big Brother Brasil. Não iremos fazer uma análise moral sobre os participantes do programa ou suas torcidas. Aqui queremos tratar de um tema presente no programa a partir de apontamentos e fala de um dos jogadores. Alexandre da Silva Santana, ou somente Babu. De forma simples e direta, Babu, trouxe em diversos momentos o tema racial em seus diversos aspectos. Uma das principais convicções apresentadas por Babu é que o Brasil é um país racista, e que ele é um homem negro inserido nessa realidade. É sobre isto que este texto aborda: raça, racismo, negritude e branquitude no Brasil. A raça como processo histórico Devolver o orgulho pro gueto, e dar outro sentido pra frase “tinha q ser preto” Leandro Oliveira, ou Emicida A noção de raça, como forma de dividir e categorizar seres humanos, surgiu durante a expansão ...

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Foto: Getty Images

Coronavírus e África: reflexos

Os dados sobre o Coronavírus-19 no Continente Africano são poucos. Nas principais agencias de noticias o assunto é escasso e apresenta uma oscilação em relação aos números dos países afetados e total de casos confirmados. O Globo registra mais 42 países africanos com casos confirmados; na sua maioria pessoas que vieram do exterior. Já o Terra, no dia 21 de março, fala em 40 países afetados, o Jornal de Angola apresenta 38 países, e o Observatório da África apresenta um total de 29 países atingidos pela pandemia. Por  Gilda Portella, enviado para o Portal Geledés Foto: Getty Images Por que não se fala sobre a pandemia do Covid-19 na África? Invisíveis para quem? Por quê? Quem não consegue ver que estatísticas não são meros números. São vidas. São vidas negras. E vidas negras importam. As concepções brasileiras de ciência, de doença, vida e morte são baseadas numa ...

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(Foto: Enviado por Maria do Carmo Rebouças dos Santos ao Portal Geledés)

Amílcar Cabral: o pedagogo político-cultural das lutas anticoloniais africanas

Mario de Andrade, combatente contra o colonialismo português em Angola, primeiro biógrafo político de Amílcar Cabral e seu companheiro de luta, vai nos lembrar que na trágica história da África revolucionária, em meio a uma débil memória de grandes revolucionários, três figuras ganham indubitável destaque: Kwame Nkrumah, o visionário que liderou a independência de Gana; Patrice Lumumba, o mártir, assassinado enquanto lutava pela independência do Congo; e Amílcar Cabral, o unificador, o líder político da teoria e da ação que conduziu a luta pela independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde (ANDRADE, 2008). No 47a ano de sua morte, na coluna Amefricanidades – Apontamentos sobre o Atlântico Negro, pretendo desvelar uma pequena parte do pensamento e da ação política do principal idealizador de uma das mais bem sucedidas lutas pela independência colonial do século XX no Continente africano – Amílcar Cabral e demonstrar a potência e a contemporaneidade de suas ideias ...

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"Nos revoltamos simplesmente porque por muitas razões não podemos mais respirar." Arte homenageia Faton - Tony Webster/ Wikicommons

Como combater um mundo estreito e repleto de violência

Dossiê do Instituto Tricontinental insere o pensamento do intelectual negro Frantz Fanon na atualidade Por Nara Lacerda, do Brasil de Fato "Nos revoltamos simplesmente porque por muitas razões não podemos mais respirar." Arte homenageia Faton - Tony Webster/ Wikicommons Em 1961, sofrendo com os sintomas de uma leucemia em estágio terminal, o pensador, pesquisador e militante negro Frantz Fanon, ditou seu último livro Os condenados da terra, no qual faz um relato angustiante sobre as divisões sociais. Nas palavras do intelectual, o sistema colonial deixava uma herança a ser combatida “um mundo estreito, repleto de violência”. Quase 60 anos depois, o pensamento e a percepção de Fanon parecem carregar ainda mais o peso da realidade. No dossiê Frantz Fanon: o brilho do metal, o Instituto Tricontinental de Pesquisa Social faz uma análise sobre a atualidade das pesquisas e conclusões do intelectual. Nascido na ilha caribenha Martinica ...

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O chicote, o racismo e o poder de mulheres

Que existe racismo no Brasil, não há dúvidas. Que isto é estrutural, institucional ou (como diria Frantz Fanon) existencial, também é sabido por parte da população que tem autocrítica. Porém, pouco se fala sobre o que acontece quando o poder está em mãos de mulheres negras. Por  Jaqueline Vasconcellos, enviado para o Portal Geledés Jaqueline Vasconcellos (Arquivo Pessoal) Na pirâmide social da exclusão, são as mulheres negras que estão no assoalho e que são pisadas por toda sorte de opressores. Porém, em se tratando de mulheres com algum nível de poder, existe certo esforço social, em especial dos homens ao seu redor, em tornar velado o racismo e o machismo, mas ainda assim, não deixá-las achar que as ordens são dadas por elas. Alexandra Loras, ex-consulesa da França, mulher negra, denomina essa cordialidade como “apartheid cordial”, para definir o que mulheres negras enfrentam em nosso país. ...

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Freepick

Os olhares racistas causam constrangimentos

“Você tá dirigindo um carro O mundo todo tá de olho em você, morou? Sabe por quê? Pela sua origem, morou irmão?” Racionais MC´s Por Ricardo Corrêa para o Portal Geledés Freepick "Entramos em uma loja de roupas para comprar umas peças, e num descuido de minha parte o meu filho de 10 anos abriu a mochila para pegar o pacote de bolacha pra comer. Fiquei desesperada, arranquei da mão dele e rapidinho fechei a mochila”. Esse é o relato da minha amiga, Fernanda (nome fictício), sobre a situação que a deixou bastante nervosa numa loja no centro de São Paulo. E continuou "Imagine se alguém visse a gente com a mochila aberta, poderiam pensar que estávamos roubando alguma coisa. Quem é negro precisa estar sempre atento.” Lamentei muito o ocorrido e sabia perfeitamente quais os sentimentos que a acometeram naquele momento. Nós, negros, vivemos aprisionados em ...

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