terça-feira, maio 11, 2021

Resultados da pesquisa por 'mulheres negras'

Maria Carolina Trevisan (Foto: André Neves Sampaio)

Calar sobre ataques a Manuela, Marília e mulheres negras é ser conivente

Não é um acaso que os ataques de ódio e fake news recaíram sobretudo contra Manuela D'Ávila (PCdoB) nas eleições municipais de 2020. Ela disputou pela terceira vez a Prefeitura de Porto Alegre em uma campanha acirrada. Perdeu o segundo turno para o emedebista Sebastião Melo, eleito com nove pontos percentuais de diferença. Duas condições fizeram de Manuela o principal alvo dessa ofensiva: a rejeição à esquerda e o fato de ser mulher, com muito mais peso no fator gênero. O machismo é um forte componente nas práticas de disseminação de ódio e de desinformação. Essas estratégias, com recorrência, apelam para a condição de mulher, como se fosse uma fraqueza ser mulher e, portanto, um alvo mais fácil de constranger e desmobilizar. Isso só ganha força em uma sociedade que se escora no machismo e na misoginia, no racismo e na homofobia. Foi assim com Manuela, com Marília Arraes (PT) ...

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A filósofa e educadora Sueli Carneiro (Foto: Marcus Steinmayer)

Mulheres negras e poder: um novo ensaio sobre as vitórias

Em respeito às mais velhas, peço licença, agradeço e me pergunto: por onde andavam todos vocês, que não estavam lendo e ouvindo Sueli Carneiro? Em 2009, Sueli Carneiro (filósofa, escritora e ativista) escreveu um ensaio intitulado “Mulheres negras e poder: Um ensaio sobre a ausência”, afirmando que, infelizmente, a relação entre as mulheres negras e o poder era inexistente. Sueli não tratava apenas da ausência pela baixa representação, falava sobre aquelas mulheres negras que, mesmo presentes na institucionalidade, foram interrompidas por questões advindas da das discriminações de raça e de gênero. As políticas Matilde Ribeiro (Ex-ministra da SEPPIR) e Benedita da Silva (Ex-governadora, atual deputada federal, que também disputou a prefeitura do Rio, ficando em quarto lugar), estavam entre elas. Na descrição cirúrgica dos episódios, Sueli Carneiro tratou em seu texto sobre a violência política de gênero e raça sofrida por essas mulheres e como, ontologicamente, se vinculam as mulheres ...

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Anielle Franco (Foto: Bléia Campos)

Há esperança em um futuro com mulheres negras eleitas

A população brasileira se mobilizou ontem (15) para exercer sua cidadania, nessa que por si só já é uma eleição histórica para o país. Pandemia global, aumento das desigualdades e resistência cotidiana para reforçar a importância da participação política de mulheres na definição dos caminhos possíveis de transformação do Brasil. Durante os últimos meses aproveitei este espaço para apresentar as mais diversas ferramentas e ações que construímos dentro do Instituto Marielle Franco para visibilizar, fortalecer e impulsionar candidaturas de mulheres negras nestas eleições, hoje, pretendo exercitar meu imaginário sobre este futuro liderado por estes corpos que - assim como a minha irmã - movimentam as estruturas cotidianas de poder. Primeiro, é importante dizer que o trabalho para fortalecer mulheres negras começa muito antes do período eleitoral. É comum utilizarmos estes períodos de 2 a 2 anos para debatermos sobre as questões que rondam o espectro político, inclusive as noções de ...

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Arquivo Pessoal

Uma carta de amor às mulheres negras

Em 30 de outubro de 1970 uma jovem negra, de 21 anos, dava luz a terceira de sete filhos em Ibotirama, uma pequena cidade do interior do estado da Bahia. Mariazinha, como era chamada por todas pessoas que a conheciam, tem uma história que se repete a cada menina negra que nasce no meio da roça, que não tem acesso à educação e a saúde de qualidade e vida, e o lazer quase que como um pecado, mas que nunca abriu mão de brigar por nenhum dos seus. Fosse filho, fosse neto, fosse o que fosse, se ela amasse ela defendia contra qualquer coisa. Dona Mariazinha era mãe de 7, avó de 19 e bisavó de 12. Dona de histórias de amores, de dores, de alegrias e de tristezas, como qualquer outra mulher. Há um ano, quando minha avó morreu, pensei quem contaria suas histórias e com quem eu aprenderia ...

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Simony dos Anjos, de 34 anos, é candidata à Prefeitura de Osasco (Foto: Imagem retirada do site O Globo)

Pesquisa mostra violência política sofrida por mulheres negras durante campanha

Simony dos Anjos, de 34 anos, é uma mulher negra e candidata à Prefeitura de Osasco, em São Paulo, pelo PSOL. Dos seis candidatos homens, Simony é a única postulante feminina e negra no município. Ela relata que, durante a campanha, sofreu ataques virtuais com mensagens LGBTfóbicas, sexistas e racistas em um grupo de Whatsapp exclusivo para trocar informações sobre a candidata. O ataque a Simony não é um caso isolado. Um levantamento feito pelo Instituto Marielle Franco com apoio da Terra de Direitos e Justiça Global contabilizou que 78% das candidatas negras relataram ter sofrido ataques virtuais no período eleitoral. De 21 a 28 de outubro, 142 mulheres negras candidatas pertencentes a 93 municípios (em 21 estados) e 16 partidos responderam a um questionário para analisar o cenário da violência política eleitoral neste ano. De acordo com o relatório, os principais autores dos ataques virtuais são grupos não identificados ...

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Ilustração: Stephanie Pollo

Que Brasil teríamos, com mais mulheres negras no poder?

Por CFEMEA, para a coluna Baderna Feminista O Brasil já está às voltas com as eleições municipais. Mergulhadas numa crise profunda, ainda mais trágica pela crise sanitária que já matou quase 150 mil pessoas em nosso País, nos perguntamos sobre o que significa a realização de um processo como este em um contexto político marcado por um golpe e pelo fascismo crescente na sociedade brasileira. O que significa termos um processo eleitoral já com quase dois anos do governo Bolsonaro? Os movimentos feministas têm uma trajetória de monitoramento de políticas públicas e de ação junto ao Parlamento. Desde a Constituinte, organizações e movimentos incidem para aprovar legislações igualitárias e pressionar para que os marcos normativos se traduzam em políticas e serviços que alterem concretamente a vida das mulheres. Nós, do CFEMEA, atuamos nesse front e temos alertado para a presença cada vez maior de partidos políticos criados a partir de fés religiosas e para ...

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Arquivo Pessoal

Um livro independente, escrito por uma mulher negra, sobre o sucesso de mulheres negras, entre os finalistas do principal prêmio literário do país

O título que abre este artigo já deixa evidente o que vamos falar aqui. Este texto é sobre nós, mulheres negras, sobre nossos sucessos e conquistas. Mas, antes de dar sequência, permitam que eu me apresente. Eu sou Jaqueline Fraga, pernambucana, jornalista, administradora e escritora. No ano passado, durante a Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, o principal evento literário do estado, lancei meu primeiro livro. O nome da obra, aliás, já diz sobre o que gosto de falar. E escrever. “Negra Sou: a ascensão da mulher negra no mercado de trabalho”. Este é o título do meu livro-reportagem. É nele que conto as histórias e sonhos e carreiras de mulheres negras que estão movendo o país. Como bem nos ensinou Angela Davis: “Quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela”. É uma frase que, sem dúvidas, virou símbolo. Mas, mais ainda, virou ...

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Foto: GETTY

Maioria das mulheres negras não exerce trabalho remunerado, aponta estudo

Menos da metade das mulheres negras brasileiras exerce trabalho remunerado e apenas 8% das que trabalham no mercado formal ocupam cargos de gerente, diretora ou sócia proprietária de empresas, aponta pesquisa realizada pela consultoria Indique Uma Preta e pela empresa Box1824. Segundo as responsáveis pelo levantamento, os dados mostram a importância de as empresas estarem atentas à diversidade, não apenas nos processos de seleção, mas também na evolução da carreira das profissionais negras dentro das corporações. Prevista para ser lançada nesta quarta-feira (28), a pesquisa "Potências (in)visíveis: a realidade da mulher negra no mercado de trabalho" ouviu 1 mil mulheres negras, com idades entre 18 e 65 anos, entre março e setembro deste ano. Das entrevistadas, 54% não exerciam trabalho remunerado e, destas, 39% estavam em busca por emprego. "Apesar de a população negra ser a maioria da população, ela é ao mesmo tempo a mais subutilizada e mais desocupada. ...

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Foto: Mídia Ninja/CC

Precisamos de mais mulheres negras na politica!

Estamos diante de mais uma eleição só que agora a nível municipal, e ainda que os tempos difíceis que viemos passando parecem não ter mais fim, é preciso termos um pouco de esperança neste momento. Esperançar no sentido freiriano da palavra, o quer dizer ir à luta, construir coletivamente possibilidades de um futuro melhor, e será no campo das disputas políticas que juntos iremos pavimentar o caminho em direção a esta realidade. Apesar dos efeitos trágicos que uma pandemia tem nos submetido, os últimos anos no país tem sido de grandes ataques a democracia e aos direitos sociais, tão importantes para o desenvolvimento digno da sociedade civil, além das constantes violências contra minorias e do genocídio da população negra. Os ataques a estes direitos que foram conquistados por meio de muitas lutas, fazem parte da agenda neoliberal implantada por governos de direita que tem ocupado o poder. E o que ...

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Getty Images/Brittany Theophilus

Pelo direto a desaguar: uma carta para as meninas-mulheres negras

Queridas irmãs, Como vocês, aprendi, ainda menina, que a fragilidade não era algo reservado às mulheres negras. Como vocês, entendi que o adjetivo “frágil”, que a sociedade racista e patriarcal atribuiu às mulheres, nunca nos representou. Sojouner Thuth, nossa ancestral, em seu discurso mais conhecido “E eu não sou mulher?” (1851) questionou: “ Aqueles homens ali dizem que as mulheres precisam de ajuda para subir em carruagens, e devem ser carregadas para atravessar valas, e que merecem o melhor lugar onde quer que estejam. Ninguém jamais me ajudou a subir em carruagens, ou a saltar sobre poças de lama, e nunca me ofereceram melhor lugar algum! E não sou uma mulher? Olhem para mim? Olhem para meus braços! Eu arei e plantei, e juntei a colheita nos celeiros, e homem algum poderia estar à minha frente. E não sou uma mulher? Eu poderia trabalhar tanto e comer tanto quanto qualquer ...

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Cineasta e professora Edileuza Penha de Souza — Foto: Lauro Vasconcelos/Seduc-MA

Filme brasiliense que conta histórias de mulheres negras é premiado em festival internacional

O filme brasiliense "Filhas de Lavadeiras" conquistou o júri da 25ª edição do Festival É Tudo Verdade – um dos eventos mais importantes para o cinema documental da América Latina. A produção deu à professora do Instituto Federal de Brasília (IFB) e cineasta, Edileuza Penha de Souza, o prêmio de melhor curta-documentário., O filme conta a história de mulheres negras que, graças ao trabalho árduo de suas mães, puderam ir para a escola. Ele é inspirado na obra de Maria Helena Vargas, mulher negra que foi escritora, pedagoga e professora, e que viveu em Brasília. O resultado do festival saiu no domingo (4). A professora de audiovisual do IFB do Recanto das Emas foi a única mulher negra, em sua posição, premiada neste ano. "Não sei se sou a primeira mulher negra premiada no Festival É Tudo Verdade em 25 anos. Nesse, eu sei que sou a única mulher negra”, ...

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Getty Images

Brasil é nação construída em estupro de mulheres negras e indigenas por brancos europeus, aponta estudo

A maior pesquisa de genoma está sendo realizada no Brasil a fim de desenvolver a base de dados genéticos mais abrangente disponível sobre a população. O projeto “DNA do Brasil” anunciou a iniciativa há nove meses e já está entregando seus primeiros resultados, que espantou muitas pessoas pela herança desigual que eles simbolizam. Este gráfico me deixou absolutamente chocado pic.twitter.com/MkLn1h1wCN — Cientista no jardim (@carloshotta) October 1, 2020 Da meta de analisar 40 mil brasileiros, os pesquisadores já completaram o sequenciamento do genoma de 1.247. Os voluntários são de todas as partes do país, o que inclui desde comunidades ribeirinhas na Amazônia até moradores da cidade de São Paulo. De acordo com os dados, 75% dos cromossomos Y na população são herança de homens europeus. 14,5% são de africanos, e apenas 0,5% são de indígenas. Os outros 10% são metade do leste e do sul asiáticos, e metade de outros locais da ásia. Com o ...

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Cidinha Raiz, pré-candidata a vereadora pelo Podemos em SP: primeira negra a disputar uma vaga no Senado pelo estado em 2018
(Foto: Imagem retirada do site Universa)

Mulheres negras na política: “Verba vai primeiro para loiras de olho azul”

Desde que a primeira mulher negra foi eleita para um cargo político no Brasil (Antonieta de Barros se elegeu deputada estadual em Santa Catarina, em 1935), o país caminhou pouco. Passados 85 anos, mulheres negras não chegam a 1% das assembleias legislativas e a 5% das câmaras de vereadores. Nas prefeituras do país, também são subrepresentadas: 3% ocupam o cargo máximo dos executivos municipais. Não há uma sequer comandando uma capital. Os números escancaram a falta de representatividade, uma vez que elas compõem 25% da população brasileira. Em 2020, nas eleições para câmaras de vereadores e prefeituras, há maior mobilização por parte de possíveis candidatas, de coletivos para ajudá-las nas campanhas e de partidos para aumentar o quadro de candidaturas. Mas por que há tão poucas mulheres negras na política brasileira? E por que é importante que esses números aumentem? Universa conversou com pré-candidatas e nomes experientes para responder a ...

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Foto: Heloise Hamada/G1

Mulheres negras enfrentam barreiras para sustentar candidaturas

Apesar dos registros existentes de eleições no Brasil ocorrerem desde o período colonial, as eleições diretas e democrática tem história recente. A primeira eleição em território brasileiro aconteceu em 1532, de forma indireta, com regras compiladas de Portugal. Determinavam a escolha das pessoas que ocupariam os cargos da Câmara Municipal e que seriam responsáveis pela administração das vilas coloniais. Somente os denominados homens bons podiam votar e, ser votados. (Grupo de homens que possuíam alguma linhagem nobre ou que possuíam algum negócio de importância). Em 1824 no período monárquico, além do voto não ser secreto, somente os homens livres, maiores de 25 anos e ricos poderiam votar. Por que faço esta abertura? As eleições no Brasil, é marcada por um passado com profundas exclusões e alterações de ordem conjuntural, mas trazem sequelas do sistema escravagista, apontadas de forma direta nas regras e resoluções tomadas internamente por vários partidos políticos que ...

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Ilustração: Caio Baldi

Oportunidades para mulheres negras cis e trans!

Mulheres negras cis e trans: queremos vocês no nosso projeto! O Museu da Vida torna público o processo seletivo de duas profissionais de nível superior e uma bolsista graduanda para atuar no projeto “Meninas negras na ciência: a divulgação científica como estratégia de promoção da saúde, cidadania e empoderamento”. A proposta é potencializar o trabalho educativo-cultural do Museu com escolas e organizar atividades para 25 meninas negras, estudantes de escolas públicas dos territórios de Manguinhos, Maré, Jacarezinho e Complexo do Alemão, cursando o ensino médio. Para atingir os objetivos do projeto, serão utilizadas diferentes estratégias, como rodas de conversa, cine-debates, palestras, dinâmicas e apresentações artísticas. Queremos montar uma rede colaborativa de trabalho, que será construída com a participação de cientistas e movimentos sociais. As atividades serão realizadas de modo remoto e/ou presencial, conforme as diretrizes do Plano de Contingência da Casa de Oswaldo Cruz, em linha com as determinações das autoridades sanitárias do país e da própria Fiocruz para ...

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Elsimar Coutinho (Foto: Adilton Venegeroles/Ag. A Tarde)

Elsimar Coutinho e o domínio sobre o corpo de mulheres negras e seus filhos

No turbilhão de conteúdos que lotaram as redes sociais no último final de semana sobre a sucessão de violências sofridas pela criança, uma menina de 10 anos, do Espírito Santo, vítima da monstruosidade criminosa do tio, da burocracia machista do Estado e do fanatismo religioso, que tentou impedir a esperança dela ainda viver um pouco da infância, como criança que é, dois conteúdos chamaram muito atenção. Primeiro uma charge que expressa a hipocrisia e a seletividade de quem se diz lutar pela vida. Outro, mais espantoso, foi um tuíte que recomendava como forma de convencimento àquelas pessoas que se encontravam na porta do hospital, acusando médico e criança de assassinos: digam que esse ser gerado do estupro poderá crescer e se tornar um marginal. Pronto, será suficiente para que eles preguem a morte. O tuíte, em outras palavras, expressava essa ideia, relacionada diretamente ao exercício que a sociedade vem fazendo ...

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FOTO: tumblr.com

A distopia do cuidado no brasil opera no corpo das mulheres negras

O corpo negro é um corpo encruzilhada. Sua existência é plena realização dinâmica entre a decisão e o sacrifício. Douglas Malûngu   Cuidado com conceito A abordagem deste ensaio reconhece as múltiplas possibilidades de conceitos e definições que versam sobre cuidado. No entanto, aqui nos interessa lançar mão de algumas lentes com capacidades multidisciplinares para destacar lugares específicos de interação das mulheres negras e suas relações com a organização social do cuidado bem como a própria economia do cuidado. Tal abordagem se impõe com urgência, já que se dá em contexto da pandemia do novo coronavírus no Brasil e se soma aos resultados da combinação entre divisão racial e divisão sexual do trabalho, que, conformada a partir do momento colonial e de duração perene, apresenta como naturalmente associados raça, trabalho e sexo. Dou início a esse texto ao analisar, primeiramente, a categoria care e localizá-la no tempo e espaço. Afinal, dissecar os termos ...

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Reprodução/Facebook

As Mulheres Negras – Eu vos agradeço

Venho pensando a dias como transformar os meus pensamentos, as minhas inquietudes em palavras, sempre me pergunto o porque as pessoas taxarem as mulheres negras que tem postura, ética, senso crítico, opinião de "grosseiras", "estressadas", "raivosas", "intransigentes"? Quando essas mesmas características são colocadas a uma mulher branca, elas são taxadas de "assertivas", "pessoas com credibilidade", "postura", "que tem opinião" etc, quando foi/é que uma mulher negra deixa/deixou de ser assertiva na educação de seus filhos ou na maneira que atua em sua profissão? Quando é/foi que a mulher negra deixa/deixou de ter credibilidade ao trazer dados e informações dentro do expertise dela? Quando é/foi que a mulher negra não tem/teve postura ao se pronunciar? A mulher negra não tem a obrigação de continuar na subserviência, a mulher negra está na base da pirâmide, mas é ela que movimenta toda a sua estrutura, a mulher negra de personalidade herdou de seus ...

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MARIA CAROLINA TREVISAN/ Foto: André Neves Sampaio

Mais de 4,2 mi de mulheres negras saíram da pobreza extrema com auxílio

O Brasil nunca tinha vivido uma experiência de transferência de renda como o auxílio emergencial. Sem ele, milhões de brasileiros estariam sem recursos financeiros para as necessidades mais básicas, como pagar contas de água e luz e comprar alimentos. Tudo isso no meio da pandemia de covid-19. O programa atingiu cerca de 66 milhões de beneficiários em agosto. E muita gente saiu da pobreza extrema. Uma pesquisa publicada nesta quarta-feira (5) pelo economista Daniel Duque, pesquisador da FGV IBRE (Instituto Brasileiro de Economia), mostra que o auxílio emergencial tem grande poder de repor os rendimentos do trabalho e até os rendimentos totais das famílias mais pobres. "É a primeira vez em 30 anos que houve uma redução tão forte da pobreza junto a uma queda igualmente forte da renda média", explica Duque. A coluna obteve com exclusividade dois recortes importantes para compreender o país neste momento: os estados onde o ...

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Gestantes e puérperas brasileiras correspondiam a 77% das mortes maternas por Covid-19 de todo o mundo
(Imagem: Getty Images)

Nós por nós: Mulheres negras, mães e faveladas

Nos aproximamos das 100 mil mortes em menos de 6 meses desde o início da pandemia. Foram milhares de vidas perdidas e famílias destruídas, não somente pelo vírus, mas pelo abandono do Estado que não foi capaz de atender, de forma ampla, a população que mais precisa, a população que não pode parar e se isolar em casa, que não teve tempo de correr para um hospital quando mais precisou, e que segue, mais uma vez, sendo massacrada pela desigualdade. Nessa mesma semana, saiu a notícia de que o Brasil bateu um novo recorde, o de mortes maternas por Covid-19. No início de julho, nossas gestantes e puérperas já correspondiam a 77% das mortes maternas de todo o mundo. Somos o país onde mais morrem gestantes e puérperas em decorrência do novo coronavírus. Ao todo, já são mais de 200 mulheres brasileiras que não tiveram a chance de ver suas ...

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