Resultados da pesquisa por 'IBGE'

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O Tom da Cor

POR MÍRIAM LEITÃO Fonte: O Globo Só há o pós, depois do antes. Só se chega, depois da caminhada. Só se reúne o que esteve separado. Entender a diferença não é querê-la, pode ser o oposto. A imprensa brasileira, tão capaz de ver as desigualdades raciais dos Estados Unidos, tão capaz de comemorar um presidente negro, prefere, em constrangedora maioria, o silêncio sobre a discriminação no Brasil. Lendo certos artigos, editoriais e escolhas de edição sobre a questão racial no Brasil, me sinto marciana. Sobre que país eles estão falando, afinal? Com que constroem argumentos e enfoques tão estranhos? Por que ofender com o espantosamente agressivo termo “racialista” quem quer ver os dados da distância entre negros e brancos no Brasil? Não é possível estudar as desigualdades sem pesquisar as diferenças entre os grupos. Não se estuda sem dados. No Brasil, há quem se ofenda com a criação de critérios para ...

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Confira a íntegra do manifesto a favor das cotas

"Manifesto em favor da lei de cotas e do estatuto da igualdade racial     "Manifesto em favor da lei de cotas e do estatuto da igualdade racial Aos/as deputados/as e senadores/as do Congresso brasileiro A desigualdade racial no Brasil tem fortes raízes históricas e esta realidade não será alterada significativamente sem a aplicação de políticas públicas específicas. A Constituição de 1891 facilitou a reprodução do racismo ao decretar uma igualdade puramente formal entre todos os cidadãos. A população negra acabava de ser colocada em uma situação de completa exclusão em termos de acesso à terra, à instrução e ao mercado de trabalho para competir com os brancos diante de uma nova realidade econômica que se instalava no país. Enquanto se dizia que todos eram iguais na letra da lei, várias políticas de incentivo e apoio diferenciado, que hoje podem ser lidas como ações afirmativas, foram aplicadas para estimular a ...

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Negros e pardos sofrem mais com a falta de saneamento

*Tão perto e tão longe das soluções O Brasil evoluiu em termos de saneamento básico, mas ainda há muito por fazer. Estudo da pesquisadora Maria da Piedade Morais, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), revela que são 14,2 milhões de pessoas sem água canalizada, 34,5 milhões sem esgoto por rede ou fossa séptica e 4,4 milhões sem coleta de lixo, apenas nas áreas urbanas."Falta saneamento básico adequado principalmente para a população mais pobre, e nas áreas rurais a cobertura continua muito pequena", diz a pesquisadora. O estudo foi elaborado com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os progressos alcançados no acesso ao saneamento básico foram os seguintes:a parcela de moradores em domicílios particulares permanentes urbanos no Brasil que em 2001 não tinha água canalizada de rede geral era de 12,3%, e caiu para 9,1% em 2006; ...

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(Foto: Marcus Steinmayer)

O combate ao racismo no trabalho, por Sueli Carneiro

Uma iniciativa pioneira da sociedade civil vem resultando em proposições exemplares de políticas públicas para o combate ao racismo no trabalho. A Federação Nacional de Advogados (FENAdv) e o Instituto de Advocacia Racial e Ambiental (Iara) apresentaram, em dezembro de 2003, ao Ministério Público Federal do Trabalho 28 representações (denúncias) endereçadas a todos os seus vinte e oito pontos regionais sobre a desigualdade racial no mercado de trabalho, requerendo a instauração de inquéritos civis públicos para a investigação dos setores industrial, bancário e comerciário sobre o tema, visando apurar a desigualdade racial no mercado de trabalho, em todo o Brasil. Por Sueli Carneiro no Jornal Correio Braziliense - Coluna Opinião Comprovada a desigualdade, ações civis públicas são pedidas.  A reação do Ministério Público Federal a tal proposição foi a constituição do Programa de Promoção de Igualdade de Oportunidade para Todos, sob a liderança do vice-procurador do Ministério Público do Trabalho, ...

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Foto: Marcus Steinmayer

A guerra das estatísticas, por Sueli Carneiros

Demorou, mas enfim aconteceu e deve se transformar numa verdadeira enxurrada. São as novas fornadas de pesquisas que ameaçam proliferar em contraposição aos estudos, pesquisas e evidências empíricas sobre as desigualdades raciais no Brasil. Elas nos trazem novos números, que revelam realidades sociais inusitadas. A primeira, realizada pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), e divulgada pela revista Veja (23/3/05), apresenta os seguintes números sobre a composição racial dos alunos das universidades federais: 59,4% de brancos. 5,9% de negros, 28,3% de pardos e 6,4% de outros (indígenas e amarelos). Na sociedade brasileira, a proporção é de 52,1% de brancos, 5,9% de pretos, 41,4% de pardos e 0,6% de outros (indígenas e amarelos) por Sueli Carneiro A primeira conclusão desse estudo, a partir dos dados acima, é que o número de negros nas universidades federais corresponde exatamente à sua participação na população brasileira, que é de ...

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Foto: Marcus Steinmayer

Trabalho e exclusão racial, por Sueli Carneiro

Um estudo sobre o atual perfil profissional que está sendo exigido pelo mercado de trabalho brasileiro foi realizada pelo Ministério do Trabalho/IBGE. As preferências para o preenchimento das novas vagas recaem sobre aqueles que têm mínimo de 11 anos de estudos. É um alto nível de exigência em termos de escolaridade para os padrões nacionais, em que a média de escolaridade para brancos é da ordem de 6,6 anos de estudo e, para negros, 4,4. Por Sueli Carneiro Num contexto econômico marcado por altas taxas de desemprego e pelo desemprego estrutural, agrega-se à intensa disponibilidade de mão-de-obra desempregada exigências de altos níveis de escolarização para os trabalhos mais banais, que afastam cada vez mais os negros do mercado de trabalho, posto que reconhecidamente compõem o segmento social que experimenta as maiores desigualdades educacionais. Sessenta e quatro por cento das pessoas que conseguiram emprego segundo esse estudo têm 40 anos ou ...

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Diversidade além das cotas

Tatiana Lima Cotas- Conta Nelson Rodrigues em "O Óbvio Ululante" (Companhia das Letras) que, em 1960, o filósofo francês Jean-Paul Sartre estranhou o público de uma conferência no Brasil: "E os negros? Onde estão os negros?". Após quase 40 anos, em 1998, um executivo negro do BankBoston fez as mesmas perguntas numa filial brasileira. Em resposta, ouviu que eles não trabalhavam ali, porque não tinham as qualificações necessárias —nem sequer concorriam às vagas abertas. Pedro Azevedo/Folha Imagem Bruna Aparecida da Silva Oliveira, aluna da USP que passou por cursinho comunitário Esse foi o estopim para a criação do projeto Geração XXI, uma das diversas iniciativas de ação afirmativa que, de alguns anos para cá, vêm se espalhando pelo país, com o objetivo de fornecer meios para que jovens negros ou pobres consigam vagas em universidades e condições de assumir posições de destaque na sociedade. São ações dos mais diferentes tipos, ...

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(Foto: Marcus Steinmayer)

Golpes de caneta

O projeto de Lei do Deputado Paulo Paim (PT-RS) que procura regular a disposição racial e étnica na TV, determinando quotas mínimas para negros e pardos em filmes e peças publicitárias motivou editorial do jornal A Folha de São Paulo de 02 de abril último sob o título Problemas de Raça.  Nesse, o jornal reconhece a sub-representação dos negros em filmes e peças publicitárias e a necessidade de se combater essa sub-representação mas adverte que a reversão desse quadro não pode se dar a "golpes de caneta" como parecer ser o entendimento do jornal sobre o referido projeto, sobretudo porquanto entende o jornal haver dificuldades para a implantação de políticas de ação afirmativa no Brasil em função da dificuldade de se definir quem seja negro Brasil sobretudo quando segundo o jornal, "Na verdade o projeto se refere a afro-descendentes . Se o termo deve ser entendido em sentido amplo, é ...

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Pobreza tem cor no Brasil, por Sueli Carneiro

Pobreza tem cor no Brasil. E, existem dois Brasis. Por Sueli Carneiro Essa é a conclusão que se extrai do estudo "Desenvolvimento humano e desigualdades étnicas no Brasil: um retrato de final de século" apresentado pelo economista Marcelo Paixão, no II Foro Global sobre Desenvolvimento Humano, ocorrido nessa semana no Rio de Janeiro, conforme noticiado com destaque no dia 10 passado pelo Jornal O Globo em matérias de Flávia Oliveira e Mirian Leitão e já comentado anteriormente nessa coluna. Para Flávia Oliveira, "A desigualdade racial no Brasil é tão intensa que, se o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país levasse em conta apenas os dados da população branca, o país ocuparia a 48ª posição, a mesma da Costa Rica, no ranking de 174 países elaborado pela Organização das Nações Unidas (ONU). Isso significa que, se brancos e negros tivessem as mesmas condições de vida, o país subiria 26 degraus ...

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Miscigenação – Sueli Carneiro

A miscigenação racial presente em nossa sociedade vem se prestando a diferentes usos políticos e ideológicos. Não é assunto que se possa esgotar em um artigo, dada a sua complexidade, mas, em tempos de novo recenseamento, vale a pena levantar alguns de seus aspectos.  Em primeiro lugar, a miscigenação vem dando suporte ao mito da democracia racial na medida em que o intercurso sexual entre brancos, indígenas e negros seria o principal indicativo de nossa tolerância racial, argumento que omite o estupro colonial praticado pelo colonizador sobre mulheres negras e indígenas, cuja extensão está sendo revelada pelas novas pesquisas genéticas que nos informam que 61% dos que se supõem brancos em nossa sociedade têm a marca de uma ascendente negra ou índia inscrita no DNA, na proporção de 28% e 33%, respectivamente. Por Sueli Carneiro no Jornal Correio Braziliense  - Coluna Opinião Em segundo lugar, a miscigenação tem se constituído ...

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