Artigos e Reflexões

"Somos um país genocida. Não apenas hoje, quando temos quase 400 mil mortos pela pandemia. Mas desde sempre."

O Brasil é um país genocida

Há muito tempo, uma grande amiga, também historiadora, me disse: "Você precisa ler este livro." O tema é devastador. O genocídio no maior hospício do Brasil. Eu, que já trabalho com um dos temas mais violentos da história brasileira, retardei minha leitura por anos. E quando a fiz, foi de supetão, numa espécie de atropelo guiado pela fina escrita da autora Daniela Arbex e por toda a violência e tristeza que o livro carrega. Como um remédio amargo, que tomamos num gole só. Foram 60 mil mortos dentro de uma instituição, administrada pelo Estado, que tinha a função de oferecer tratamento e condições de vida adequadas àqueles considerados doentes mentais. O Hospício de Barbacena, fundado em 1903, abrigou milhares de vidas. E, infelizmente, destituiu de humanidade praticamente todas elas, naquilo que a autora bem chamou de "Holocausto brasileiro", expressão que dá título ao livro. Uma sucessão de tragédias pessoais, incompreensões da...

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Christian Ribeiro (Foto: Arquivo Pessoal)

“Vá e diga a todo mundo que eu tentei”: Ismael Ivo, construtor do impossível, bailarino do Universo!

Um jovial Ismael Ivo (1955-2021), entre o final de adolescência e começo da maioridade adulta identificou no teatro o caminho, para encontrar e construir o seu lugar no mundo, para encontrar-se e situar-se enquanto cidadão em busca de sua afirmação enquanto pessoa, de valorizar e fazer respeitar os valores, as ancestralidades e historicidades que se encontravam vivas e pulsantes dentro de seu ser. Uma busca inquieta, ávida em fazer por desestruturar as regras que negavam, maldiziam, desvalorizavam a sua existência tanto individual, quanto coletiva. Caminho de procura para encontrar o seu centro, um equilíbrio pessoal que possibilitaria traçar perspectivas e condições para transformar a mediocridade do mundo em infinitas e plurais possibilidades, para bem longe do arcaísmo e tempos cinzentos que reinavam em terras brasileiras de então. É no teatro que descobre as possibilidades de ser aquilo que bem quiser, sem deixar-se limitar por padrões de controle ou dominação social,...

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Foto: @alyssasieb/ Nappy

Racismo é coisa de criança? Quando os desenhos ensinam a odiar

Nelson Mandela já nos ensinou que “Ninguém nasce odiando o outro pela cor de sua pele, ou por sua origem ou religião. Para odiar as pessoas precisam aprender, e se elas aprendem a odiar, podem ser ensinadas a amar”. Na década de 1980, época em que eu nasci, a programação infantil da televisão era dominada por programas como Xou da Xuxa, Os Trapalhões e Sítio do Picapau Amarelo, só para citar alguns. Não tínhamos grandes referências, se é que tínhamos alguma, de pessoas negras. Cresci, como milhares de crianças, sob a influência do racismo estrutural, institucional (ALMEIDA, 2019) e recreativo (MOREIRA, 2019) disseminado pela TV, que nos faziam acreditar que o padrão de beleza, inteligência e superioridade era branco, cis e heteronormativo, em uma época que essas expressões nem eram tão conhecidas. Quantos meninas (eu me incluo) não sofreram por não serem brancas, loiras e de cabeços lisos, características que...

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Foto: Christopher Polk/Getty Images

Oscar, Política e Música: A arte e nosso tempo

A música Fight For You, da H.E.R. que ganhou o prêmio de melhor canção original do Oscar domingo me lembra bem Marvin Gaye, a quem ela inclusive fez referência em seu discurso do prêmio. A música faz parte do filme Judas e o Messias Negro, sobre o assassinato de Fred Hampton, líder dos Panteras Negras, pela polícia dos EUA em uma emboscada, e sobre o informante que ajudou a polícia no plano para assasiná-lo. Este fato também é abordado pelo filme Os 7 de Chicago onde Bobby Seale, companheiro de Fred Hampton e também liderança dos Panteras Negras, é julgado junto com outros sete ativistas por uma ação contra a Guerra do Vietnã, chegando inclusive a ter as mãos e pernas algemadas e a boca amordaçada pela guarda por determinação do juiz em uma das audiências, em uma ação racista. Em um momento do filme, o assassinato de Fred Hampton...

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Flávia Oliveira  (Foto: Arquivo/ O Globo)

Vade-retro, malévola trindade

Deveria escrever sobre a polícia fluminense ter multiplicado o número de operações e pessoas mortas em favelas em 2021, apesar de proibidas pelo Supremo Tribunal Federal. Desde o início do ano, segundo a plataforma Fogo Cruzado, a Região Metropolitana do Rio registrou 1.415 tiroteios, que deixaram 305 mortos e 313 feridos. Em 454 ocorrências havia agentes do estado, 22 morreram, 27 foram feridos. Houve 21 chacinas, quando uma só situação deixa pelo menos três vítimas fatais. A Rede de Observatórios de Segurança contabilizou 257 operações policiais com 69 mortes no primeiro trimestre deste ano, respectivamente, 55% e 33% a mais que no mesmo período de 2020. Pensei em festejar o tombamento do terreiro de Joãozinho da Gomeia, espaço de memória e resistência dos cultos afro-brasieiros, agora preservado, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, epicentro da intolerância religiosa no estado. Ou a transformação do 27 de março, data de nascimento...

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Daniel Kaluuya e LaKeith Stanfield (de braços erguidos) protagonizam 'Judas e o Messias Negro' — Foto: Divulgação

Uma análise do filme Judas e o Messias Negro

Segundo a Bíblia, Judas Iscariotes foi um dos doze discípulos que Jesus, o Messias, escolheu para acompanhá-lo em sua missão de levar ensinamentos e promover milagres, como a distribuição de comida, para o povo. Na história tradicional, Judas teria sido o responsável por trair Jesus e entregá-lo aos romanos para que fosse crucificado e morto, na intenção de enfraquecer a construção do poder popular entre os povos dominados pelo Império ao eliminar sua principal liderança. Sob essa premissa, o diretor estadunidense Shaka King traçou, de forma perspicaz, um paralelo entre o conto bíblico e uma história real que serviria de inspiração para seu segundo filme. Assim, Judas e o Messias Negro, dirigido e escrito por King, se tornou um dos lançamentos cinematográficos mais aguardados do ano, que, sob a luz dos recentes episódios da luta antirracista global, é um dos principais nomes da seleção do Oscar 2021. O filme conta...

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Foto: @RootedColors/ Nappy

A minha dor você não quer

(Crônica) Às 7h45 acordo depois de uma noite mal dormida. Minha cabeça não para. O azar é todo meu. Memórias, dores e sabores são revividos a cada minuto que permaneço deitada. Uma lembrança é inevitável: a época da escola e o que eu poderia ter feito de diferente se eu soubesse a potência da minha cor. As dores e os traumas não teriam me feito passar por anos de silenciamento. Confesso! Até hoje luto contra isso. Pretendo superar, mas tendo consciência de que tudo é um processo. Doloroso! Lábios grossos e nariz achatado. Me lembro como se fosse hoje: - Nariz que o boi pisou!!! Depois de tanto tempo ainda me lembro...e a dor não é diminuta. Me recordo como se fosse agora; - Por que você não alisa esse cabelo? Nem tem como usar solto! Ou Por que você não faz as sobrancelhas? Frases ditas a uma criança de...

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Rita Cristina de Oliveira (Arquivo Pessoal)

Rita Cristina de Oliveira: O salário psicológico como projeto de governo

“Antes eu vejo essas almas despidas e por todos os lados. Eu vejo o funcionamento de suas entranhas. Eu conheço os seus pensamentos e elas sabem que eu conheço. Este conhecimento as torna ora envergonhadas, ora furiosas.”(W.E. Du Bois)     Nesta fase aguda da pandemia, me deparei com um “protesto” contra o lockdown, a favor da ditadura e de um tal “mito”, em Curitiba, onde resido. Fiquei intrigada por poucos segundos com aquele nível de abstração política capaz de comprometer o menor grau de racionalidade de tantas pessoas. A dúvida logo passou quando me recordei do que W. E. B. Du Bois cunhou como “the public and psychological wage”, aqui chamado apenas “salário psicológico”, conforme a tradução de Silvio Almeida. Michele Alexander trata do assunto em A Nova Segregação e se vale do exemplo de Malcon X quando este condenou o homem branco e o declarou como inimigo, elucidando...

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Perifa Connection/Divulgação

Na guerra às drogas, entre mortos e feridos, salvam-se os brancos e ricos

Por conta dos golpes que recebeu na cabeça quando lutava, Maguila desenvolveu encefalopatia traumática crônica, doença degenerativa do cérebro. Apesar da sua situação de saúde, o que virou notícia foi o tratamento da enfermidade com o uso de canabidiol (CBD). Dentre os avanços estão a ONU ter retirado a maconha da lista de drogas mais perigosas e a Anvisa, excluído o tetra-hidrocanabinol (THC) e o CBD, componentes da Cannabis, da relação de substâncias que não podem ser prescritas ou manipuladas no Brasil. Houve também, no Rio de Janeiro, a aprovação da lei estadual que permite o cultivo de Cannabis para fins de pesquisa e a concessão de habeas corpus coletivo à Cultive, Associação de Cannabis e Saúde, de SP, para que 21 famílias possam plantar maconha em suas casas sem correrem o risco de serem presas. No ano passado, a Associação de Apoio à Pesquisa e à Pacientes de Cannabis Medicina (Apepi-RJ) já havia obtido a autorização para...

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A jornalista Anielle Franco (Foto: Bléia Campos)

Futuro do mundo e o enfrentamento ao racismo ambiental

No dia 22 de abril, o Dia da Terra e dia onde acontecia a Cúpula do Clima e representantes de mais de 40 países se reuniram virtualmente para discutir medidas de garantia do futuro do planeta e da humanidade e a prevenção a catástrofes climáticas e o aquecimento global. A última vez que Bolsonaro falou em um evento internacional sobre o tema, em setembro de 2020, protagonizou um verdadeiro show de horrores, ao não apenas negar a existência do aquecimento global, como culpar povos indígenas pela devastação ambiental da floresta amazônica. Dessa vez, com os olhos nas eleições e em uma tentativa de amenizar as críticas que vem recebendo, o presidente adotou um discurso menos incisivo, mas igualmente mentiroso com relação ao que tem sido feito pela proteção da Amazônia. Hoje, com a pandemia, o debate sobre preservação das águas e de nossas florestas são mais que urgentes. Sabemos que...

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Elaine Mineiro, candidata a vereadora pelo Quilombo Periférico, pelo PSOL (Foto: Reprodução/Facebook/Quilombo Periférico)

Artigo: Mulheragem

Expressão ao ato público como mostra de admiração a uma mulher. (dic) As celebrações do 8 de março, Dia Internacional da Mulher, um dia histórico de luta das trabalhadoras, também foram marcadas com a palavra homenagem, palavra que na origem vem do provençal omenatge, todos da família do homem (do latim hominem, acusativo de homo), dicionário Houaiss. Apesar de semanticamente afastadas da palavra homem, a etimologia permite ligar estas palavras à família de palavras. Por esse motivo, em março de 2021 a Mandata Coletiva Quilombo Periférico decidiu usar o termo Mulheragem para celebrar e demonstrar admiração às mulheres negras e trabalhadores que entraram para a história. Mulheres como Soujouner Truth que em 1851, na Convenção dos Direitos da Mulher em Akron, levantou-se para uma multidão e questionou se por ser negra, não seria também mulher. Como Maria Carolina de Jesus, uma das escritoras mais lidas do Brasil, que teve sua...

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Cena do filme Dengo (Foto: Divulgação)

Um outro nome para aconchego

Dengo é um filme que trata de encontros, afetividades pretas e gueis, de amizade como modo de existência e resistência. Também aborda questões de como construímos imagens de nós mesmos, e também sobre as imagens projetadas sobre nós através das mídias e dos produtos culturais e artísticos. Como se perceber afetivamente e afirmativamente? Na montagem do referido média-metragem vemos a sensualidade, a liberdade e a beleza dos corpos anunciarem um mundo fundado na alegria, no amor e na solidariedade: "por favor, não fale sobre armas que você nunca vai usar. Todos contam sempre sobre todos vocês. Estou tão confuso", está na letra de Moonlight (do rapper afro-americano Jay Z), que tem um trecho exibido na película. Em Dengo "essa merda está para trás": são os três jovens que se dizem, se afirmam, fabulam seus desejos, se unem e se fortalecem. A busca por identificações positivas. Dengo é um filme solar,...

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Eduardo Pereira da Silva é juiz Federal em Goiânia (Arquivo Pessoal)

Eduardo Pereira da Silva: Os gorilas invisíveis no processo penal brasileiro

Há pouco mais de dez anos, os psicólogos estadunidenses Christopher Chabris e Daniel Simons publicaram um livro voltado para leigos chamado O gorila invisível e outros equívocos da intuição (The invisible Gorilla and other ways our intuitions deceive us) compartilhando com o público uma série de experiências, inclusive aquela que dá nome à obra. A experiência do Gorila Invisível pode ser facilmente visualizada na internet e é bastante simples. Um vídeo de pouco mais de um minuto é exibido para um grupo de cerca de 30 pessoas. Na gravação, se vêem seis pessoas: três delas com camisetas brancas trocando passes de bola de basquete entre si, e outras três pessoas vestidas com camisetas pretas trocando passes entre si com outra bola de basquete, todos juntos em uma roda. Os exibidores do vídeo propõem aos espectadores que contem quantos passes de bola o time de branco troca, ignorando os passes de bola feitos pelo time...

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Foto: Valdecir Galor/SMCS

As mulheres estão no centro da crise humanitária da pandemia

A análise do movimento do mercado de trabalho em 2020, marcado pela pandemia, aponta que as maiores perdas estão relacionadas às mulheres. Elas formam a maioria no mercado de trabalho (53%), mas são as que amargam uma maior participação no desemprego atualmente (64,2%), segundo o IBGE. Apesar de mascarar a realidade com critérios que podem subnotificar a realidade, a PNADC (Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar Contínua) traduz em números, pelo menos parcialmente, as dificuldades atuais encontradas por elas, e que antecipam os efeitos diretos sobre a sociedade em geral. O grupo de economistas reunidas no Núcleo de Pesquisas de Economia e Gênero da FACAMP (NPEGen) se debruçou sobre os números de 2020 e descreve os detalhes da crise humanitária que tem um perfil essencialmente feminino. A vulnerabilidade social teve início na falta da rede de apoio que as mulheres poderiam contar para poder assumir postos de trabalho fora de casa....

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Bianca Santana, jornalista, cientista social e pesquisadora - Foto: Bruno Santos/Folhapress

Assa-peixe

"Mas um punhado de folhas sagradas pra me curar, pra me afastar de todo mal. Para-raio, bete branca, assa peixe abre caminho, patchuli." Banho de Folhas, de Luedji Luna O arbusto de assa-peixe — também conhecido como chamarrita, cambará- guaçu, cambará-açu, cambará-branco — existe em abundância da Bahia a Santa Catarina. Aqui na Serra da Mantiqueira, no pedacinho do sul de Minas de onde escrevo, pode-se encontrar as folhas ásperas e pequenas flores brancas por todo lado. As abelhas atraídas por sua florada produzem um mel leve. Pecuaristas consideram a espécie invasora ou daninha, por atrapalhar o pasto. Eu, por minha vez, cantarolo Luedji Luna quando o vento traz seu perfume doce. Banhos de limpeza energética e espiritual costumam ser preparados com suas folhas e flores. Chás de suas folhas são indicados para tratar tosse e bronquite. Compressas aliviam dores musculares, reumatismo e problemas na pele. A infusão das raízes...

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Eduardo Pereira da Silva é juiz Federal em Goiânia (Arquivo Pessoal)

Eduardo Pereira da Silva: Breve nota sobre o direito de defesa

Há pouco mais de sessenta anos, a obra “O sol é para todos” (“To Kill a Mockingbird”), de Harper Lee, era lançada. O romance foi premiado com o Pulitzer e logo foi adaptado para o cinema, dando origem ao filme homônimo que recebeu dois prêmios Oscar (melhor roteiro adaptado e melhor ator para Gregory Peck). “O sol é para todos” conta a história do julgamento de Tom Robinson, um lavrador negro injustamente acusado de estuprar uma garota branca, numa comunidade do sul dos Estados Unidos nos anos 30. Para a sua defesa, o tribunal designa o advogado branco Atticus Finch. A narrativa segue o ponto de vista de sua filha, a pequena Scout. A obra tem como tema principal a injustiça racial. Há, porém, um aspecto menos discutido do romance que nos parece bastante relevante e atual: o desprezo pelo direito de defesa. Numa comunidade cega pelo ódio racial, o...

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(Foto: @ Artsy Solomon/ Nappy)

Eu e a Outra: experiências de racismo, sexismo e xenofobia

apesar do sol das palmeiras do sabiá, tudo aqui é um exílio. (Lubi Prates, 2018) A publicação deste texto foi motivada a partir da leitura de um outro, da autoria de uma conterrânea, a intelectual baiana Carla Akotirene. Li o texto dela dias atrás, disponível no seu instagram. Ela discutia sobre as “clivagens regionais nas experiências de raça”, a partir da vivência de Juliette Freire, participante branca e nordestina, da Paraíba, no Big Brother Brasil 2021. Carla Akotirene destacava o fato de que “as existências são avenidas identitárias”. Ela explicava que se entre os negros, Juliette Freire goza os privilégios de ser uma branca, entre os brancos, ela é lida como uma nordestina “apenas”. E eu, mulher, negra, nordestina, vivendo em terras sudestinas? Nas Minas, mais especificamente. Como as “clivagens regionais” atuam nas minhas experiências de ser negra? A fim de responder essas perguntas, resolvi publicizar algumas experiências que venho...

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Foto: @pixabay/ Nappy

E as nossas crianças negrxs da periferia?

Atualmente, nos últimos dias, viemos acompanhando no noticiário, em diversas mídias, o caso da criança Henry Borel, de 4 anos, que sofreu uma morte violenta por meio de tortura e consequentemente homicídio cometido pelo médico e vereador Jairinho, apontado como principal suspeito do assassinato. Sobre o principal acusado do crime temos a sua formação de médico que diante do seu juramento em que consagra a sua vida pela saúde e bem-estar dos pacientes, como pode aquele que deve cuidar do outro com zelo com o objetivo de curar as dores sendo ele, o médico, o próprio causador da dor? As faculdades de medicina aprofudam os seus conhecimentos nos Direitos Humanos? Jairinho, um homem branco formado em medicina, construiu sua campanha para vereador com base nos preceitos de familia, contra a ideologia de gênero e a favor da escola sem partido apoiado pelo então presidente genocida da República. Até quando iremos...

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Anielle Franco (Foto: Bléia Campos)

Educação e saúde: Será que é a hora de reabrir nossas escolas?

Esta semana, no Rio de Janeiro, fomos surpreendidas com a notícia que as escolas serão reabertas neste que é o pior momento da pandemia no Brasil. Após uma forte disputa, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decidiu que mesmo o Rio de Janeiro registrando pessoas morrendo à espera de leitos de UTI, nós, professores e alunos, devemos retornar à sala de aula. O cenário onde a justiça toma tal decisão não poderia ser pior. A determinação aconteceu na mesma semana em que pela primeira vez na história do país, o número de mortes ultrapassou o número de nascimentos na região sudeste, foram 13.998 nascimentos contra 15.967 óbitos no mesmo período. Nessa mesma semana, batemos mais um recorde de mortes, com mais de 4 mil óbitos por covid-19 em 24 horas e com a vacinação só agora chegando a 10% da população tendo tomado a primeira dose, e menos...

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Marc Bruxelle via Getty Images

Bichas pretas afeminadas: sem direitos, silenciadas na escola e sozinhas na vida

Tem algum tempo que venho me dedicando a escrever sobre como os corpos desobedientes da norma de gênero concluem seu percurso formativo (apesar da) na escola de educação básica. A cidadania sempre negada em função da falta de entendimento sobre quem subverte as regras em busca de entender e performar sua alteridade. A pauta tornou-se obrigatória em minha trajetória de professora por conta dos alunos com os quais convivo na Universidade e das/dos pesquisadoras do Grupo de Pesquisa Ativista Audre Lorde: são jovens a quem uma biblioteca com os livros que precisavam, duas refeições por dia e dinheiro para ir e voltar da faculdade fizeram a diferença em seu percurso e taxa de sucesso na relação com a Universidade. Mas, ainda continua no debate interseccional: a Bicha Preta ocupa um não lugar abaixo das mulheres pretas na cadeia de opressão. Mas, sobre isso falaremos em outros textos. Neste, por conta...

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