terça-feira, agosto 4, 2020

    Violência Racial e Policial

    Imagem: Getty Images

    Genocídio: estudo revela programa de esterilização para reduzir negros nos EUA

    Um programa de esterilização realizado no estado da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, entre 1929 e 1974, foi explicitamente projetado para evitar a reprodução de cidadãos negros. Foi o que concluiu um estudo publicado esta semana, segundo o qual o projeto se encaixa na definição de genocídio da ONU. Quase 7,6 mil homens, mulheres e crianças a partir dos 10 anos foram esterilizadas cirurgicamente. O programa, criado para servir o "bem comum", pretendia prevenir que pessoas consideradas de "mente fraca" tivessem filhos. A maioria dessas pessoas foi coagida, mas algumas mulheres que não tinham acesso a outros métodos contraceptivos se declararam incapazes de ser mães e buscaram a esterilização. Publicada no American Review of Political Economy, a pesquisa avaliou os anos de 1958 a 1968, período em que mais de 2.100 esterilizações autorizadas foram feitas na Carolina do Norte. Segundo os autores, durante esses dez anos, as taxas de...

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    Polícia e manifestantes se reúnem em torno de um manifestante que foi baleado após vários disparos durante um protesto do Black Lives Matter em Austin. — Foto: Redes Sociais/ Hiram Gilberto - Reuters

    Protestos contra racismo deixam morto e dezenas de presos nos EUA

    Ao menos 45 manifestantes foram presos e policiais ficaram feridos em confrontos no maior protesto em semanas do movimento Black Lives Matter (“Vidas Negras Importam”, em inglês) em Seattle, no estado americano de Washington, neste sábado (26). A manifestação contra o racismo teve um gás novo após os episódios de violência entre ativistas e agentes federais nas proximidades de Portland, no Oregon. Em Austin, no Texas, uma pessoa foi morta quando vários tiros foram disparados em meio a um protesto. De acordo com o departamento de polícia de Austin, não houve outras mortes ou pessoas baleadas durante o tiroteio. Segundo a polícia, os agentes de segurança usaram armas não letais para tentar dispersar milhares de manifestantes no fim da tarde, depois que alguns participantes do protesto atearam fogo em um centro de detenção juvenil e um tribunal. A polícia de Seattle informou no Twitter que 21 policiais ficaram feridos depois...

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    Mortes negras importam?

    Por que os corpos negros só se tornam relevantes quando alguma tragédia acontece? A imagem consegue por si só contar inúmeras histórias, que nos ensinam e nos forjam dentro de uma estrutura social. Pensar o modo que temos vivido se dá em uma busca constante por conteúdos visuais, somados a uma defasagem educacional gigante e proposital em nosso país. Desde o fim de maio, circulam por todo o mundo imagens do assassinato de George Floyd, causando uma grande onda de denúncias de violência policial e ações de promoção de causas ligadas ao assunto. A questão que se levanta com tal movimento é o que de fato importa: as vidas ou as mortes negras? Durante os meses de junho e julho, vários veículos de mídia expandiram os debates sobre as questões raciais em seus editoriais, capas e artigos, na busca de suprir violências de mais de 400 anos de extermínio. Fato que tem...

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    Gabriel Sampaio (Foto: Imagem retirada do site Exame)

    Gabriel Sampaio: “Democracias fortes controlam suas forças policiais”

    A repercussão internacional dos protestos nos Estados Unidos contra a brutalidade policial, após o assassinato de George Floyd, impulsionou esse debate também no Brasil. Nas últimas semanas, diversos vídeos de violência de agentes de segurança pública contra a população negra têm tomado conta das redes sociais e ganhado destaque no horário nobre da televisão. Essa realidade, na análise de Gabriel Sampaio, coordenador do Programa de Enfrentamento à Violência Institucional da Conectas Direitos Humanos, tende a se repetir em sociedades que têm o racismo estrutural enraizado, como é o caso tanto do Brasil como dos EUA. Em entrevista exclusiva à EXAME, Sampaio faz um resumo sobre o histórico de violência policial no Brasil e aponta caminhos para que a sociedade civil faça sua parte e pressione os agentes públicos por mudanças. Leia a seguir os principais trechos da entrevista: O número de assassinatos segue altíssimo no Brasil. E casos de violência...

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    Reprodução/Imagem retirada do site Brasil 247

    Não quero mais pagar com o meu imposto o salário dos policiais, para que matem negros

    Se alguém se atrever a perguntar a um policial brasileiro sobre quem paga seu salário, ele dirá que é o tesoureiro. Não lhe passa pela cabeça que são os cidadãos, pagando seus impostos, que lhe pagam os salários. Somos eu, você, todos nós, os que pagamos, com os nossos impostos, o salário de todos os funcionários públicos, entre eles os dos policiais. No caso dos policiais, o caso é particular. Porque eles agem como nós lhes delegássemos a responsabilidade de impor a ordem, que inclui a repressão a pobres, entre os quais, especialmente os negros. Eles agem como nós lhes contratássemos para que se livrem dos pobres e negros, seja prendendo-os, seja matando-os, sempre golpeando-os, em nosso nome, para que possamos andar tranquilamente pelas ruas, com menos de sermos atacados por pobres e negros – via de regra, as mesmas pessoas. O mais hediondo crime cometido diariamente no Brasil é...

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    Policiais dão gravata em entregador — Foto: Reprodução/G1

    Nova filmagem mostra PM se ajoelhando em pescoço de motoboy rendido em SP

    Novas imagens mostram um policial militar se ajoelhando no pescoço de um motoboy que estava sendo rendido na tarde de ontem, na avenida Rebouças, área central de São Paulo. Enquanto o PM se ajoelhava no pescoço do rapaz, outros motoboys diziam: "Vai matar o cara!" e "ajoelhando no pescoço do cara!". As novas imagens foram obtidas pelo UOL e gravadas por um motoboy. É possível ouvir o homem que estava sendo abordado gritar "não consigo respirar" várias vezes. A mesma frase se tornou emblemática depois da morte do segurança negro George Floyd, que desencadeou uma série de protestos antirracistas em diversos países. Floyd morreu depois que um policial branco ficou ajoelhado sobre seu pescoço por mais de oito minutos, durante uma abordagem em Minneapolis, nos Estados Unidos. Suas últimas palavras foram "eu não consigo respirar". Abordagem em São Paulo Ontem, a reportagem do UOL já havia mostrado um vídeo em...

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    Taís Araújo (Foto: João Miguel Júnior/TV Globo)

    Taís Araújo sobre mulher pisada por PM: violência e horror se naturalizaram

    Taís Araújo se manifestou hoje sobre a agressão sofrida por uma mulher negra de 51 anos no bairro de Parelheiros, em São Paulo. Segundo a atriz, "tudo de mais violento e horroroso está naturalizado" no Brasil. As agressões contra a mulher, que não teve a identidade revelada, ocorreram no dia 30 de maio. Além de quase ser asfixiada, ela foi jogada no chão e arrastada, o que lhe causou escoriações no rosto e uma fratura na perna. Hoje, em entrevista ao programa "Encontro", da TV Globo, a vítima disse que temeu a morte no momento das agressões e pensou que teria um fim parecido com o do segurança George Floyd, que morreu em maio, nos Estados Unidos. "Eu continuo me lembrando da primeira imagem, quando ele estava me pisoteando. Ainda não consigo dormir a noite inteira, acordo várias vezes", contou. "Eu fico pensando porque ele fez aquilo comigo... Eu não...

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    Policiais dão gravata em entregador — Foto: Reprodução/G1

    Vídeo mostra PMs sufocando entregador em Pinheiros: ‘não consigo respirar’

    Um vídeo que circula nas redes sociais mostra dois policiais militares dando uma gravata e sufocando um entregador na tarde desta terça-feira (14), na Avenida Rebouças, em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo. No vídeo, é possível ver os dois policiais militares, um homem e uma mulher, segurando o motoboy. Ele grita: "tira a mão de mim, por que você está me agredindo? Um dos policiais responde: "você tá louco". Em seguida, o entregador diz: "eu estou louco porque você está me agredindo". Ao cair no chão com os policiais, o motoboy ainda grita: "Não consigo (...) não consigo respirar". Em outro vídeo, um policial militar aparece com arma nas mãos e pede que as pessoas se afastem. Ao fundo, é possível ver o motoboy no chão dominado por policiais militares. "Foi uma abordagem agressiva, abusiva. Os policiais já partem para a violência. As pessoas devem ser abordadas quando...

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    Policial pisa em pescoço de mulher durante abordagem em Parelheiros, zona sul de São Paulo Imagem: Reprodução/TV Globo

    PM pisar no pescoço de mulher negra explicita que somos #AlvosDoGenocídio

    Julho das pretas. Desde 1992, no 25 de julho se celebra o Dia da Mulher Afro-latino-americana e Caribenha. No Brasil, desde 2014 é também Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. Em todo o país, organizações de mulheres negras intensificam as atividades que promovem cotidianamente, voltadas à superação das desigualdades de gênero, raça e classe. Neste 2020, iniciamos os debates do julho das pretas com uma amostra de como a Polícia Militar de São Paulo, sob comando do governador João Dória, age em relação a mulheres negras. "Quanto mais eu me debatia, mais ele apertava a botina no meu pescoço", disse a mulher negra de 51 anos, comerciante, e moradora de Parelheiros, em entrevista veiculada pela TV no último domingo (12). Um vídeo, gravado em 30 de maio, cinco dias depois do assassinato de George Floyd, nos Estados Unidos, registra a abordagem policial violenta sofrida por ela....

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    Ilustração: Hadna Abreu

    Epidemia de execuções: PM catarinense mata 85% a mais no isolamento social

    Ilustração: Hadna Abreu Guilherme da Silva dos Santos, 21 anos, Matheus Cauling dos Santos, 17 anos, Derick da Luz Waltrik, 17, Walace Indio Farias, 18, Wellinton Jonatan da Silva, 21, Shilaver da Silva Lopes, 22, Yure Esquivel da Rosa, 17, Lucas Pereira da Silva, 21, Everton da Rosa Luz, 22, Leonardo Leite Arruda Alves, 18, Marlon Leite Arruda Alves, 15, e Jonatan Cristhof do Nascimento, 24. Os tempos são de pandemia, mas as 12 cruzes fincadas no canteiro central da rua Silva Jardim, na entrada do Morro do Mocotó, no Centro de Florianópolis, não prestam homenagens aos mortos da covid-19 como milhares idênticas espalhadas em memoriais pelo país. A epidemia que sobe o morro na calada da noite, que caça alvos em uma suposta lista e sentencia ali, no calor do momento, é outra, e teve início há muitos anos. Só não inventaram ainda vacina capaz...

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    João Pedro foi morto na casa dos tios Foto: Arquivo pessoal

    Caso João Pedro: MP encaminhará para a PF estojos de fuzil encontrados no quintal da casa onde garoto morreu

    Oito estojos de fuzil calibre 5.56 encontrados no quintal da casa onde o menino João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos, morreu, no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio, serão encaminhados pelo Ministério Público do Rio para a Polícia Federal. O material será comparado com estojos de três fuzis que estavam com policiais civis que participaram da operação - que contou também com equipes da PF - durante a qual o adolescente foi baleado. As informações são do G1. Além dos estojos, será também mandado para a perícia da PF um fragmento de um projétil calibre 5.56 encontrado no corpo de João Pedro, informou o portal de notícias. O adolescente morreu no dia 18 de maio deste ano. Após ser baleado, o garoto foi transportado pelo helicóptero da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), da Polícia Civil, até o heliponto da Lagoa, na Zona Sul do Rio,...

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    Policial pisa no pescoço de mulher negra e arrasta a vítima - Reprodução/Twitter

    Policial pisa no pescoço de mulher negra e arrasta a vítima na zona sul de SP

    Um policial pisou sobre sobre o pescoço de uma mulher negra, de 51 anos, durante uma confusão por causa de atividade comercial em um bar na zona sul de São Paulo, durante a pandemia de Covid-19. Um vídeo gravado por moradores, exibido pelo Fantástico, da TV Globo, no domingo (12), mostra uma sequência de ações da Polícia Militar durante uma ocorrência na tarde de 30 de maio, um sábado, em Parelheiros, por causa de um cliente cujo veículo estava com som em alto volume. A dona do bar, viúva, com cinco filhos e dois netos, foi agredida por um dos policiais ao tentar defender um amigo, que foi dominado pela PM e estava imobilizado no chão. Ela afirma ter pedido ao policial para não bater mais no homem, que já estaria desfalecido e havia sido agredido com joelhadas no rosto. Um segundo policial, que estava armado e abordando outras pessoas,...

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    Ringo Starr (Foto: Getty Images / Kevin Winter / Equipe)

    Vidas negras importam: Ringo se engaja na luta contra o racismo

    Ringo Starr fez uma live de 60 minutos para comemorar seus 80 anos. Foi, no fundo, uma grande celebração à música dos Beatles. Divertida, alto astral. Mas séria também. Lá pelo meio, um trecho do programa foi dedicado ao “Vidas negras importam”, o movimento e o slogan antirracistas que, com muita justiça, se espalham pelo planeta. Sim. “Black lives matter”. O apoio de Ringo ao movimento fala, pela milionésima vez, do quanto devemos nos orgulhar dos Beatles. Pela beleza da música que legaram ao mundo e por suas atitudes públicas. O baterista, misto de músico e ator, está sempre a dizer paz e amor e exibir os dedos em V. Não surpreende que marque posição quando a questão é a luta contra o racismo. Era um tema crucial na década de 1960, o tempo dos Beatles. Permanece agora, mais de meio século depois. John Lennon lutou pela paz. George Harrison...

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    Manifestação na Paulista abordou luta antirracista e lema de protestos dos EUA. Foto cedida por: Pedro Borges / Alma Preta

    Antes de tudo, ser antirracista nas ruas

    A cada 23 minutos, um jovem negro morre no Brasil. O dado é de um levantamento do Mapa da Violência, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, de 2017. Tempo sem pandemia. Mas mesmo com a presença do coronavírus, quem mora nas periferias tem que correr o risco de ser vítima, mais uma vez, da bala. Ficar em casa pode ser um risco para a vida quando o local pode ser alvo. O Menino João Pedro, de 14 anos, morreu após operação das polícias Federal e Civil, no Rio de Janeiro. As paredes da residência ficaram cravejadas de tiros. O caso gerou revolta. As imagens de George Floyd, morto no dia 25 de maio nos Estados Unidos, sufocado por mais de oito minutos pelo joelho de um policial, também causaram indignação. Por aqui, aconteceu um estrangulamento em circunstâncias parecidas:um jovem sufocado em Carapicuíba, na Grande São Paulo. Manifestações acontecem, principalmente na...

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    A cidade do colonizado e a cidade do colono. Fronteira territorial entre o bairro Morombi e a favela de Paraisópolis, São Paulo - Foto: Tuca Vieira

    Os condenados pela Covid-19: uma análise fanoniana das expressões coloniais do genocídio negro no Brasil contemporâneo

    Escrito no contexto de celebração dos 95 anos de Frantz Fanon (n. 20/7/25), discuto neste artigo as suas contribuições para a compreensão das relações sociais e econômicas nas sociedades que se estruturaram a partir da colonização. Proponho uma análise fanoniana das relações dialéticas entre capitalismo, colonialismo e racismo, subjacentes à conjuntura política e sanitária brasileira. Em um primeiro momento, tomo a noção de violência colonial presente em Os Condenados da terra, como referência para problematizar as respostas brasileiras à pandemia de Covid-19. Posteriormente, retomo alguns aspectos históricos e sociológicos que elucidem a via colonial de entificação do capitalismo no Brasil e as suas influências para a conjuntura atual. Ao final, argumento pela atualidade do pensamento fanoniano para o desvelamento das relações entre  o racismo e o atual estágio de acumulação capitalista na periferia global. Introdução  O mundo colonizado é um mundo cortado em dois. A linha de corte, a fronteira, é indicada pelas...

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    O slogan ‘Black Lives Matter’ é pintado em frente a Trump Tower, na Quinta Avenida, em Nova, York, na quinta-feira (9) — Foto: AP Photo/Mark Lennihan

    Nova York estampa slogan ‘Black Lives Matter’ em frente à Trump Tower

    O slogan "Black Lives Matter" foi pintado em letras gigantes nesta quinta-feira (9) em frente à Trump Tower, na icônica Quinta Avenida, em Nova York, replicando grafites semelhantes em apoio ao movimento antirracismo em outras cidades americanas. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não comentou imediatamente o enorme letreiro amarelo em frente à sua residência pessoal e sede do seu grupo imobiliário. No mês passado, quando o plano do prefeito Bill de Blasio foi divulgado, ele acusou os democratas de "denegrir" a luxuosa avenida "com um símbolo de ódio". O prefeito respondeu que queria que o presidente visse "três palavras pelas quais ele não tem respeito". Voluntários de diferentes organizações pintaram o slogan sob o olhar atento de alguns policiais e muitos jornalistas e, no final, o prefeito e o reverendo Al Sharpton, ativista pelos direitos civis, se uniram com algumas pinceladas. O prefeito de...

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    Márcia Aguiar e Queiroz (Arquivo Pessoal)

    Enquanto Queiroz e a mulher vão para domiciliar, jovem preso com 10 g de maconha morre na prisão de covid-19

    Enquanto a Justiça soltava Queiroz e concedia prisão domiciliar à esposa de Queiroz, um jovem negro morreu na prisão. Lucas Morais estava preso há dois anos em MG, à espera de julgamento após 3 habeas corpus, e morreu, vítima de Covid-19, no sábado (4). O presídio onde ele morreu tem capacidade para 193 presos – e 159 deles foram contaminados pelo novo coronavírus. JOVEM PRESO POR DEZ GRAMAS DE MACONHA MORRE DE CORONAVÍRUS EM MG. Lucas Morais (28) estava há 2 anos no Presídio de Manhumirim à espera de julgamento. Morreu no sábado (4). A causa da morte no atestado de óbito é Covid-19 pic.twitter.com/BjxrGQRzvy — Marcus Bruno (@OMarcusBruno) July 9, 2020

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    Arte C r i c a M o n t e i r o @crica.monteiro

    Infâncias negras importam: a luta antirracista deve ser de toda a sociedade

    A morte do menino Miguel Otávio Santana da Silva, de 5 anos, filho da trabalhadora doméstica Mirtes Renata Souza, ocorrido no Recife, revela a face mais cruel do racismo no Brasil: a desumanização das infâncias negras. O filho da trabalhadora caiu do nono andar do prédio em que a mãe trabalhava, ao ser negligenciado pela empregadora, aos cuidados de quem fora deixado enquanto a mãe cumpria a tarefa de levar os cães da patroa para passear. O episódio revela o racismo estrutural, que perpetua e aprofunda desigualdades sociais-econômicas na sociedade brasileira. Passado mais de um século da abolição da escravidão, os detalhes presentes no episódio trágico e inaceitável nos remetem a cenários do período colonial, em que sinhás se utilizavam dos corpos negros das mucamas, para que estas realizassem, de forma subalterna, as mais variadas atividades afetas aos cuidados e caprichos daquelas, como arrumar cabelos, roupas, preparar e servir refeições,...

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    Pilotos da F1 protestam contra o racismo antes da largada para o GP da Áustria Getty

    Fórmula 1: Pilotos protestam contra o racismo antes do GP da Áustria

    A Fórmula 1 tem se engajado mais com questões sociais neste ano. Depois de anunciar uma campanha de combate ao racismo e desigualdade de gênero, pilotos e mecânicos respeitaram um minuto de silêncio antes da largada para o GP da Áustria - abertura da temporada 2020 - em respeito às vítimas de COVID-19, de joelhos, um gesto que ficou popularizado pela luta antirracista. Os pilotos também usaram uma camisa preta com mensagens de “fim do racismo” e “vidas negras importam”. Lewis Hamilton, único piloto negro no grid e ativista, cobrou diversas vezes um posicionamento da F1 para causas sociais e liderou o protesto deste domingo. End Racism. One cause. One commitment. As individuals, we choose our own way to support the cause. As a group of drivers and a wider F1 family, we are united in its goal.#WeRaceAsOne pic.twitter.com/qjxYi1zWcJ — Formula 1 (@F1) July 5, 2020

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    Manifestantes carregam cartazes com os nomes de jovens mortos por ações policiais, durante o Ato Vidas Negras Importam, em Cidade Tiradentes, Zona Leste de São Paulo (Foto: Bruno Santos/ Folhapress)

    ‘Parem de matar nossos filhos’, dizem mães após assassinatos em SP

    Em protesto organizado por 15 coletivos da periferia, do movimento negro e frentes populares, manifestantes reivindicaram respostas para a morte de cinco jovens assassinados pela polícia e para a falta de acesso à saúde na zona leste de São Paulo durante a pandemia. O ato batizado de Vidas Pretas Importam aconteceu neste sábado (4), em Cidade Tiradentes. Ele partiu da Praça 65 , na av. dos Metalúrgicos, às 13h e foi até às 17h30, terminando em frente ao Terminal Tiradentes, na capital paulista. Segundo a organização, entre 150 e 200 pessoas participaram do ato, entre eles familiares dos jovens Felipe Santos Miranda, Brayam Ferreira dos Santos e Igor Bernardo dos Santos, assassinados durante a pandemia. A manicure Ana Paula Bernardo dos Santos, 45, mãe de Igor Bernardo, 17, morto em 18 de março, esteve presente. Segundo ela, o filho foi morto com quatro tiros por ter sido confundido com outro...

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