quarta-feira, agosto 5, 2020

    Resultados da pesquisa por 'Frantz Fanon'

    imagem- facebook do autor

    Pele negra, máscaras brancas ou Frantz Fanon, o anjo anunciador

    Senta que lá vem... Para Alexandra Dumas por Alberto Heráclito Ferreira (Facebook) no Correio 24h Imagem da peça: Facebook do Autor Ainda estou sob o impacto do espetáculo Pele Negra, Máscaras Brancas, que o Departamento de Fundamentos de Teatro escolheu para montar esse ano na Escola de Teatro da UFBa. O texto é do grande teatrólogo negro baiano Aldri Anunciação e a direção (ma-ra-vi-lho-sa!) é da não menos competente Fernanda Júlia Onisajé. Escrevo à quente (sai há pouco do espetáculo e ainda tenho no rosto a lembrança das muita lágrimas que rolaram). Como bem diz o título da peça, trata-se de uma releitura da obra homônima do intelectual negro martinicano Frantz Fanon, e que foi escrito por este aos 25 anos para ser apresentado com tese de doutorado na Universidade de Lion. Mas a banca recusa, terminantemente, a cientificidade e importância da investigação original desse pensador ...

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    O psiquiatra e militante Frantz Fanon (Arte Andreia Freire / Reprodução)

    Frantz Fanon, racismo e pensamento descolonial

    Li recentemente em um artigo publicado no site Cafezinho que os quatro candidatos presidenciais que atualmente se apresentam como de “esquerda” se diferenciam entre aqueles que priorizam as pautas identitárias, desenvolvimentismo, nacionalismo e um mix entre estas perspectivas. O interessante é que o artigo vincula a defesa das agendas propostas pelo movimento negro (e também o feminista e o LGBT) ao que chama de “identitarismo”. Ao diferenciar, inclusive, a dimensão de defesa das pautas antirracistas (colocadas no campo do “identitarismo”) e de desenvolvimento nacional (colocadas no campo da macropolítica estrutural), o artigo corrobora a ideia de que o racismo está desvinculado das lógicas de relações de classe. Boa parte desta compreensão decorre da ideia de que o sistema capitalista tem uma generalidade estruturante (a sua base econômica) que determina as demais relações sociais, culturais e políticas (inclusive as raciais, de gênero, de orientação sexual etc). Daí o seccionamento entre políticas mais gerais (sempre no campo da ...

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    Livro: Frantz Fanon – Um revolucionário, particularmente negro

    Lançamento no dia 11/05, ás 19h30, no Al Janiah Por Anderson Moraes. do Jornal Empoderado  Divulgação/Frantz Fanon – Um revolucionário, particularmente negro Dia 11/05, na casa Al Janiah, no centro de São Paulo, acontecerá o lançamento do livro: “Frantz Fanon – Um revolucionário, particularmente negro”. O livro já tem o primeiro lançamento marcado para o dia 11 de maio, no Al Janiah, em São Paulo. O evento contará com debate sobre o livro com o professor Dennis de Oliveira e Deivison Mendes Faustino. Para encerrar o evento, intervenção musical a cargo de Conde Favela Sexteto. SOBRE O LIVRO  Há mais de cinco décadas de seu falecimento, Frantz Fanon, publicado em diversos países e analisado por destacados estudiosos do pensamento crítico contemporâneo, é, sem dúvidas, um dos intelectuais negros mais importantes do século XX, que atuou como psiquiatra, filósofo, cientista social e militante anti-colonial. Sua obra influenciou movimentos políticos e teóricos em todo ...

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    Frantz Fanon

    Nonagésimo aniversário de Frantz Fanon – Os Condenados da Terra

    FANON VIDA E OBRA Reflexões retiradas do artigo: FAUSTINO, D. M. . Colonialismo, racismo e luta de classes: a atualidade de Frantz Fanon. In: V Simpósio Internacional Lutas Sociais na América Latina, 2013. Anais do V Simpósio Internacional Lutas Sociais na América Latina, 2013. p. 216-232. (não deixe de citar suas fontes quando compartilhar!!!) O Texto de hoje é o mais famoso do que lido Os Condenados da Terra, escrito por Fanon em 1961. O livro, cercado de curiosidades e polêmicas, é comentado por diversos pensadores em todo o mundo. O título original do livro, Les damnés de la terre,  foi inspirado na primeira estrofe de L’INTERNATIONALE, hino  do movimento comunista internacional: Debout! l’âme du prolétaire (De pé! ó alma do proletário) Travailleurs, groupons-nous enfin. (Trabalhadores, agrupemo-nos finalmente) Debout! les damnés de la terre! (Levante-se! os miseráveis da terra!) Debout! les forçats de la faim! (Levante-se! condenados de fome!) Pour vaincre la misère et l’ombre (Para superar a pobreza e a sombra) Foule esclave, debout ! debout! (Multidão de ...

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    Frantz Fanon (Foto: Imagem retirada do site Brasil de Fato)

    20 de julho de 1925 nascia Frantz Fanon

    Autor de Pele Negra, Mascaras Brancas e Os Condenados da Terra, Frantz Fanon, nasceu em 20 de julho de 1925. O epistemicídio acadêmico não permite "ainda" que estudantes das ciências da saúde conheça as contribuições de Fanon na Saúde Mental e na Reforma Psiquiátrica    Aos 20 de julho de 1925 nascia Frantz Fanon, um dos pensadores pretos mais importantes do século XX.Nasceu em Forte de France, Martinica (território francês de Ultramar) em 1925 no seio de uma família de classe média. Em 1944 se alistou no exercito francês para lutar contra a invasão alemã ocorrida durante a II Guerra Mundial e posteriormente seguiu para Lyon para estudar medicina e psiquiatria.  Em 1950 Fanon escreveu uma tese doutorado em psiquiatria discutindo os efeitos psíquicos do racismo colonial. Entretanto, a tese foi rejeitada por confrontar as correntes positivistas então hegemônicas em sua área de estudos. Escreve então uma segunda tese de doutorado no ano seguinte nomeada: Troubles mentaux et ...

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    Racismo e cultura: a leitura psicanalítica e política de Frantz Fanon

    A comunicação “Racismo e cultura”, no Primeiro Congresso de Escritores e Artistas Negros, realizado em 1956, marca – e justifica – a opção pela ação política de Frantz Fanon. Sem abandonar a gramática psicanalítica de Pele Negra, Máscaras Brancas* - talvez mesmo tomando-a por base -, este texto anuncia o ponto de virada de Fanon na exegese do racismo e suas consequências para a alma/psiquê dos oprimidos: depois do mergulho para dentro, o mergulho no mundo, o reconhecimento da necessidade da luta armada e da eliminação completa de qualquer traço de estruturas opressoras. Além do texto completo, réplica de uma edição portuguesa de 1980, o registro radiofônico da voz firme de Fanon, um raro registro multimídia. As legendas em português foram feitas tendo por base a edição portuguesa acima mencionada, com algumas adaptações para o português do Brasil. Segue o texto de Fanon Racismo e Cultura  A reflexão sobre o valor normativo ...

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    Frantz Fanon Pele negra máscaras brancas

    Frantz Fanon: Pele negra máscaras brancas – Download

    Frantz Fanon - Pele negra máscaras brancas Tradução de Renato da Silveira Prefácio de Lewis R. Gordon Falo de milhões de homens em quem deliberadamente inculcaram o medo, o complexo de inferioridade, o tremor, a prostração, o desespero, o servilismo. ( Aimé Césaire, Discurso sobre o colonialismo) ****************** A explosão não vai acontecer hoje. Ainda é muito cedo... ou tarde demais. Não venho armado de verdades decisivas. Minha consciência não é dotada de fulgurâncias essenciais. Entretanto, com toda a serenidade, penso que é bom que certas coisas sejam ditas. Essas coisas, vou dizê-las, não gritá-las. Pois há muito tempo que o grito não faz mais parte de minha vida. Faz tanto tempo... Por que escrever esta obra? Ninguém a solicitou. E muito menos aqueles a quem ela se destina. E então? Então, calmamente, respondo que há imbecis demais neste mundo. E já que o digo, vou tentar prová-lo. Em direção a ...

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    Racismo e Dominação Psíquica em Frantz Fanon

    Dossiê – II Seminário Sankofa "Descolonização e Racismo: atualidade e crítica" "Racismo e dominação Psíquica em Frantz Fanon" Thiago C. Sapede Este trabalho pretende explorar as ideias do psiquiatra Frantz Fanon sobre o colonialismo, focando-se na esfera psicológica da dominação colonial. Este autor enxerga o racismo como elemento central, operador psíquico da dualidade entre colono e colonizador, branco e negro, no colonialismo. Esse sistema profundo e complexo será observado como alicerce fundamental para a empreitada colonial e a manutenção da dominação europeia sobre "outros" povos. Esta discussão será importante para compreensão do racismo como elemento fundante do processo histórico de construção do ocidente. Frantz Fanon nasceu em 1925, na ilha da Martinica, colônia francesa desde o século XVII. Era uma ilha povoada majoritariamente por descendentes de africanos escravizados. Aos dezoito anos, Fanon alistou-se no exército francês durante a segunda guerra mundial, lutando no norte da África. Após o fim da ...

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    A cidade do colonizado e a cidade do colono. Fronteira territorial entre o bairro Morombi e a favela de Paraisópolis, São Paulo - Foto: Tuca Vieira

    Os condenados pela Covid-19: uma análise fanoniana das expressões coloniais do genocídio negro no Brasil contemporâneo

    Escrito no contexto de celebração dos 95 anos de Frantz Fanon (n. 20/7/25), discuto neste artigo as suas contribuições para a compreensão das relações sociais e econômicas nas sociedades que se estruturaram a partir da colonização. Proponho uma análise fanoniana das relações dialéticas entre capitalismo, colonialismo e racismo, subjacentes à conjuntura política e sanitária brasileira. Em um primeiro momento, tomo a noção de violência colonial presente em Os Condenados da terra, como referência para problematizar as respostas brasileiras à pandemia de Covid-19. Posteriormente, retomo alguns aspectos históricos e sociológicos que elucidem a via colonial de entificação do capitalismo no Brasil e as suas influências para a conjuntura atual. Ao final, argumento pela atualidade do pensamento fanoniano para o desvelamento das relações entre  o racismo e o atual estágio de acumulação capitalista na periferia global. Introdução  O mundo colonizado é um mundo cortado em dois. A linha de corte, a fronteira, é indicada pelas ...

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    En la foto. Yvette Modestin (ARAAC'USA), Chucho Garcia y Mireille Fanon, hija de Frantz Fanon.

    Aniversario de la muerte de Franz Fanon

    FRANTZ FANON: LOS CONDENADOS DE LA TIERRA…SIGUEN CONDENADOS Por Jesus Chucho Garcia para o Portal Geledés  En la foto. Yvette Modestin (ARAAC'USA), Chucho Garcia y Mireille Fanon, hija de Frantz Fanon. (Arquivo Pessoal) Hoy 6 de diciembre se cumplen cincuenta y seis años…de la  muerte del líder afromartiniqueño,   Frantz Fanon, habia nacido el 20 de julio de 1925 en Fort de FRance, Martinica. Pionero de la descolonización, que hoy lamentablemente, ese planteamiento teórico ha sido blanquedao por la izquierda blanca en America Latina y el Caribe, quitándole el sentido profundo como lo planteo este médico, psiquiatra y diplomático que combatió a los nazis y luego aporto para la liberación de Argelia.  En una reunión reciente realizada en la ciudad de New Orleans, organizada por la Comision Nacional de Reparaciones y el Instituto del Mundo Negro, dirigido pro el Dr. Ron Daniels, donde se abordo  el tema del ...

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    A pertinência de se ler Fanon, hoje – parte 1

    PREFÁCIO a Os Condenados da Terra, edição da Letra Livre. por Inocência Mata, do Buala Ó meu corpo, faça sempre de mim um homem que questiona! (Última prece de Frantz Fanon em Pele negra, máscaras brancas.)   No dia 6 de Dezembro de 1961, morria em Maryland, Washington, Frantz Fanon. Soubera um ano antes, em Túnis, que sofria de leucemia e que teria menos de um ano de vida. Ainda assim, empenhara-se por acabar a tarefa que tinha entre mãos, Os Condenados da Terra, livro que escreveu entre Abril e Julho de 1961, com um ritmo febril, nas palavras de Homi Bhabha, e que acabaria por ver publicado. Morreria dias depois, aos 36 anos, sete meses antes da proclamação da independência da Argélia (5 de Julho de 1962), a pátria adoptiva a que chegara em 1953 (e de que seria expulso em 1957), depois de oito longos anos de uma guerra ...

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    Curso Kilombagem – Fanon; Vida e Obra, dia 20 de julho em Campinas

    No dia 20 de julho Frantz Fanon completaria 90 anos. por Grupo KILOMBAGEM via Guest Post para o Portal Geledés Em reverência à sua trajetória, mas também, interessados/as em discutir a atualidade da sua obra para o entendimento do racismo na sociedade contemporânea, o Grupo Kilombagem oferecerá o Mini-curso Fanon: vida e obra. Objetivo O Mini Curso se propõe a apresentar e discutir o legado político e teórico do autor enfatizando suas contribuições para a compreensão das relações raciais na sociedade contemporânea. Provocador: Deivison Faustino (Nkosi) – Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFSCAR e integrante do Grupo KILOMBAGEM Fazer a Inscrição Por que estudar Fanon? Como psiquiatra, filósofo, cientista social e revolucionário, Frantz Fanon é sem dúvida um dos pensadores mais instigantes do século XX. Sua obra influenciou diversos movimentos políticos e teóricos na África e Diáspora Africana e segue reverberando em nossos dias como referência obrigatória nos os estudos ...

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    Documentário inspirado nas ideias de Fanon

    por martalanca Concerning Violence é um documentário “em nove cenas sobre a autodefesa contra o imperialismo”. Usa filmagens feitas em África por equipas suecas, entre 1966 e 1984, inscrevendo frases da obra mais conhecida do Frantz Fanon, Os Condenados da Terra, o livro que o psiquiatra martiniquês escreveu em 10 dias, já perto da morte,depois do golpe dos generais e da repressão sangrente de 17 de Outubro de 1961, em Paris, opondo a polícia francesa aos manifestantes argelinos. O filme traz à tona a crueldade do colonialismo em África, repensando as complexidades e efeitos devastadores deixados aos povos colonizados. Frantz Fanon nasceu na ilha caribenha da Martinica em 1925, e cresceu no império francês. Quando veio da ilha da Martinica para a metrópole França na Europa, compreendeu, através do envolvimento no exército frances por todo o lado, que esta classe privilegiada sobre o seu povo negro não queria dizer nada no país dos principais colonizadores – ele não era nada senão ...

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    A filósofa e ativista feminista María Lugones (Foto:  Daily Nous/Reprodução)

    Referência do pensamento feminista decolonial, ativista e filósofa argentina María Lugones morre aos 76 anos

    Morreu nesta terça-feira (14) a filósofa, professora e ativista feminista argentina María Lugones, aos 76 anos, devido a uma parada cardíaca. De acordo com familiares, ela estava internada por causa de uma pneumonia e tinha câncer de pulmão. A informação sobre a morte da intelectual foi publicada pelo filósofo Nelson Maldonado-Torres em sua conta no Facebook e posteriormente confirmada ao GLOBO pela Binghamton University, do estado de Nova York, onde Lugones atuava como professora de Literatura Comparada e de Estudos Latino-americanos. A sobrinha de Lugones, Gabriela Veronelli, informou que o corpo da filósofa será cremado e haverá um funeral em Binghamton-Endicott, NY, nesta sexta-feira (17), restrito a um número pequeno de convidados em função da pandemia de Covid-19. Outros serviços memoriais online ainda estão sendo planejados. Lugones é uma das referências máximas do pensamento sobre a colonialidade do conceito de gênero e suas implicações. Seu interesse era o de teorizar ...

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    Ministério da Cultura

    Teorias críticas e estudos pós e decoloniais à brasileira: Quando a branquitude acadêmica silencia raça e gênero

    Coluna Empório Descolonial / Coordenador Marcio Berclaz Este é um texto escrito, sentido, partilhado, vivido por duas mulheres negras, cujas trajetórias de vida, embora diferentes, aproximam-se e rearticulam-se em torno de algo em comum: trata-se de uma composição que une em ‘dororidade’ (PIEDADE, 2017) as experiências pessoais e acadêmicas de duas professoras universitárias negras. E neste campo acadêmico, predominantemente masculino e branco, nos deslocamos de lugar e irrompemos o imaginário social forjado no racismo e no sexismo. Aprendemos com a irreverência da escrita e criticidade de Lélia Gonzalez, também uma intelectual negra, que este lugar (a academia) nos pertence e aqui vamos ficar. Nestes muros não nos moldamos à estética da brancura e lutamos contra o branqueamento que insistem, às vezes, nos impor. E, assim, seguimos insubmissas e aqui tomamos a liberdade de promover algumas desobediências sobre a branquitude acadêmica e o esvaziamento do potencial emancipatório das teorias críticas e ...

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    (Foto: Imagem retirada do site Correio Brazileinse)

    Faremos Palmares de novo

    O ano de 1988 foi marcado por experiências significativas que ficaram na memória do ativismo negro no Brasil. A promulgação da Constituição cidadã, contemplando demandas do segmento, o centenário da abolição da escravatura, ocorrido entre festas e protestos, e a criação da Fundação Cultural Palmares FCP/ MinC, em meio à turbulência resultante das divergências entre o Estado e expressiva parcela do movimento social, são episódios importantes que nos remetem a profundas reflexões. No momento em que se aproximava o centenário da abolição da escravatura, interpretações dissonantes acerca da ocasião tornaram-se perceptíveis para maior percentual da sociedade brasileira. A Nova República de José Sarney, primeiro presidente pós-ditadura, eleito indiretamente pelo Colégio Eleitoral na chapa encabeçada por Tancredo Neves, falecido antes mesmo de assumir o mandato, regozijava-se com a ideia de comemoração daquele centenário. A visão do Palácio do Planalto era um tanto distinta da referente ao Ministério da Cultura, que, nos ...

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    Pessoas deitam no chão em protesto contra a violência policial, no Rio de Janeiro (Foto: Ricardo Moraes/Reuters)

    Discurso da ‘passividade’ do negro brasileiro é artimanha de ideologia racista

    Quando Ta-Nehisi Coates, autor do livro "Entre o Mundo e Eu” (ed. Objetiva), decidiu imigrar para a França com o objetivo de escapar à polêmica que seu livro tinha provocado nos Estados Unidos por confrontar o racismo de maneira muito direta, ele estava longe de suspeitar que se depararia com outra forma de racismo, menos evidente, mas igualmente devastadora. Ao ser entrevistado por uma dezena de jornais franceses, além de emissoras de rádios e televisão, Coates percebeu que havia pouca diversidade entre os jornalistas que os meios de comunicação enviavam para entrevistá-lo, o que o levou a perguntar a uma jornalista se na França não havia jornalistas negros ou de origem árabe. A jornalista não encontrou uma resposta. O que esta história nos revela é que o racismo se manifesta de maneira diferente a depender do contexto social de cada país. Ainda que seja um fenômeno mundial atrelado à formação ...

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    Adobe

    Afetos e relações raciais: quando o “suposto” afeto ofusca o racismo

    Querida Branca, Estou muito cansada hoje. Apesar disso, a necessidade de te escrever me veio. Escrever é um processo criativo que demanda esforço mental e lucidez para articular as ideias. Embora tudo isso esteja ofuscado agora, pode ser esse um modo de esvaziar-me do cansaço e dar sentido a tantos sentimentos misturados. Temos tido dias difíceis, com situações complexas, mas nada novo para nós, negras e negros. O novo, para mim, parece ser o des-cobrimento do racismo no Brasil. Aqui, falo como uma pessoa de pele preta, que bateu várias vezes na porta de vidro que existia entre mim e você, que sorria assim que me via. Lembro sempre de você e de todas as outras colegas em muitas situações. Mas algumas situações foram mais marcantes do que outras. Foram várias situações de racismo que passei, com você ao meu lado, me olhando, sorrindo, sempre delicada, educada e sutilmente me ...

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    Alberto Henschel (1867). (Reprodução/Sul21)

    O genocídio do negro brasileiro: uma (re)leitura para espaços-tempos de pandemia

    O transcorrer do mês de maio no Brasil, nos impele enquanto sujeitos negros e negras, a refletir criticamente acerca de nossas trajetórias, no contexto denominado de pós-abolição, segundo o qual, afirma um dos autores clássicos da sociologia brasileira, “o negro permaneceu sempre condenado a um mundo que não se organizou para tratá-lo como ser humano e como “igual” (FERNANDES, 1972 p.15). Diante desta questão, bem como no contexto da crise pandêmica (COVID-19), escancara-se mais uma vez, as referidas condições de reprodução da existência e sujeição da população negra no país, diante de sua posição de ser um objeto visto por um olhar tortuoso, conforme problematizou o geógrafo negro baiano Milton Santos (1926-2011). Tais elementos, nos instigam a uma (re)leitura – no sentido de produzir uma interpretação e de indicar uma leitura, sobretudo às gerações mais jovens, que vivem desde a formação territorial brasileira – no âmbito de um trabalho de grande relevância. Trata-se da obra O Genocídio do Negro ...

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    Silvio de Almeida: advogado, doutor em Filosofia e Teoria Geral do Direito, professor e presidente do Instituto Luiz Gama (Foto: imagem retirada do site O Globo)

    Silvio de Almeida: ‘As pessoas descobriram que o racismo não é uma patologia. É o que organiza a vida delas’

    Os acontecimentos das últimas semanas nos EUA deixaram muita gente estarrecida - inclusive no Brasil. Um homem negro sufocado até a morte por um policial branco, protestos diários contra a violência policial, a resposta truculenta do presidente Donald Trump, a indignação crescente nas redes sociais. Será que finalmente as pessoas brancas entenderam a gravidade do racismo e o quanto ele pauta a política, a economia e as relações sociais? O que é preciso ser feito para desmontar a estrutura cruel e violenta que nega a uma parte da população, não apenas as condições materiais de vida, mas a possibilidade de sonhar? Silvio Luiz de Almeida é um dos intelectuais brasileiros que têm articulado respostas para essas e tantas outras perguntas. Aos 43 anos, é advogado, doutor em Filosofia e Teoria Geral do Direito pela USP, professor na FGV-SP e na Universidade Presbiteriana Mackenzie. É presidente do Instituto Luiz Gama, associação ...

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