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Temos de juntar forças para mudar o perigoso rumo que o Brasil está tomando

É fortalecendo a educação e a escola que poderemos manter nosso patrimônio histórico

Candidatos entram em local para o primeira dia de prova do Enem, em São Paulo (Foto: Eduardo Anizelli - 21.nov.2021/Folhapress)

Daqui a três semanas, adentraremos o ano de 2022.

Mais do que nunca, temos de coletivamente juntar forças para mudar o perigoso rumo que o Brasil está tomando neste momento.

Em 2021, o IBGE nos diz que o Brasil é um país jovem, pois mais da metade da população tem entre 0 e 34 anos. E, dentre essas crianças, adolescentes e jovens, a maioria é negra (61%) e foi particularmente afetada pela pandemia e pelas políticas de derrubada de direitos e rede de proteção que presenciamos nos últimos anos.

Devemos apostar no futuro. É preciso não perder de vista que o ano de 2022, ano eleitoral, vem mobilizando articulações entre parlamentares, lideranças do Executivo e de grandes corporações, num esforço de permanecerem no poder, a qualquer custo, tomando decisões em áreas estratégicas como o ambiente, que nunca sofreu tanta devastação como nos últimos cinco anos.

São decisões que impactam diretamente a vida (ou a morte) da maior parcela do povo brasileiro, que nunca teve tantos desempregados, vivendo nas ruas, com famílias inteiras morando em praças, debaixo de pontes e viadutos, numa situação de fome e desalento desesperadora, movimento oposto ao que vivemos entre 2003 e 2014, quando 30 milhões foram tirados da pobreza.

Essas lideranças no Parlamento lutam para emplacar um “orçamento secreto” bilionário com o mínimo de transparência e possibilidades de fiscalização possível.

E é nesse cenário, através da educação enquanto bem público, que podemos incidir coletivamente barrando governos violentos que desmantelam políticas públicas como se fossem proprietários do bem concreto e simbólico que as escolas representam.

Não nos faltam dispositivos legais e orçamentários para implementar programas que visem a equidade, que fortaleçam as ações afirmativas em toda a educação básica num enfrentamento às desigualdades. Mas temos de zelar por eles, monitorar a implantação, produzir e oferecer subsídios conceituais e metodológicos para que a sociedade civil organizada possa realizar o controle social, ações que a Anansi (Observatório da Equidade Racial na Educação Básica), que está nascendo a partir de esforços de diferentes organizações da sociedade civil, se propõe a realizar a partir de 2022.

É fortalecendo a educação e a escola que poderemos manter nosso patrimônio histórico, nossos bens culturais e as balizas dos valores civilizatórios, que, embora atacados nos últimos anos, principalmente após a entrada da juventude negra nas universidades, vicejam novamente a partir das ações dos movimentos sociais e de organizações da sociedade civil.

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