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Três grandes revistas femininas estão com mulheres negras poderosas em suas capas

Em setembro deste ano, 8 grandes revistas americanas trouxeram mulheres negras poderosas em suas capas. Beyoncé foi capa da Vogue, Ciara da Shape, Queen Latifah na Variety, Amadla Stenberg na Dazed, Kerry Washington na SELF, Serena Williams na New York Magazine, Willow Smith na i-D e Misty Copeland apareceu na Essence. Foi algo raro, se não único, dentro do mercado editorial dos Estados Unidos.

Por Artur Francischi, do Prosa Livre

As edições de setembro são as mais aguardadas entre as publicações de moda e vêm com mais páginas e anúncios, além de venderem mais e trazerem as coleções do outono/inverno direto das passarelas para as bancas. Não só isso, em geral, as revistas apostam em celebridades para estamparem as capas por serem pessoas com quem o público tem uma identificação maior.

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Imagem: Reprodução/Prosa Livre

Não é como se o problema de diversidade no entretenimento e na indústria da moda fosse resolvido com as capas das revistas, mas é ótimo ver a beleza negra sendo reconhecida e valorizada na grande mídia.

Uma ação similar – e que merece destaque – aconteceu neste mês nas revistas femininas brasileiras. A Estilo, Elle e Cláudia, três grandes publicações nacionais, trouxeram três mulheres negras em suas capas: a atriz Taís Araújo, a modelo Mahany Pery e a jornalista Maria Júlia Coutinho, a Maju do Jornal Nacional.

Cada uma das publicações traz nas suas páginas questões importantes. Taís Araújo, que está no ar como a Michele de “Mister Brau”, na Globo, estampa a Estilo, e comentou sobre as ofensas racistas que recebeu no Facebook recentemente. “As pessoas ficam impressionadas quando a gente fala que o Brasil é preconceituoso. É um país muito atrasado nesse sentido, mas estamos aqui, tentando mu­dar isso. Todo e qualquer negro sofre preconceito neste país. Mesmo depois de famoso e da ascensão social.”

A atriz contou ainda que sente-se privilegiada por ser referência para as meninas negras. “Adoro ser um ícone para outras meninas negras. Quando eu era mais nova, era carente de ícones. Você só via aque­las bonecas loiras e de olhos azuis no mercado e esse era um padrão de beleza impossível de alcançar. Isso é cruel. Sinto-me orgulhosa em ser uma referência.”

Nossa capa dezembro✨ Taís Araújo é um exemplo pra todas nós! Focada no trabalho, na família e em tudo que a faz feliz,…

Posted by Revista Estilo on Quarta, 2 de dezembro de 2015

Já a Elle fez diferentes capas para sua edição de dezembro. Em uma delas está a modelo Mahany Pery, que vem conquistando seu espaçona indústria da moda. A Vogue americana apontou a jovem como sendo uma nova geração de modelos brasileiras.

E a capa da Elle repercutiu na internet por conta do seu tom político. “Meu corpo, minhas regras” está escrito sobre Mahany. No recheio da publicação está um manifesto feminista escrito por Juliana de Faria, do Think Olga, Clara Averbuck, do Lugar de Mulher, a filósofa Djamila Ribeiro, Coletivo Blogueiras Negras, Sofia Soter, da Capitolina e Helena Dias, da AzMina. “Não é tendência nem modinha: o poder da mulher sobre o seu próprio corpo é lei”, diz a postagem no Facebook.

Ainda na rede social, Susana Barbosa, diretora de redação da revista, publicou uma carta, afirmando que era preciso fechar o ano “engrossando o coro de um assunto que nos toca diretamente e nunca esteve tão em pauta: a tomada de consciência sobre o feminismo.” Ela admite que revistas de moda são responsáveis por criar padrões de beleza inatingíveis, mas que a publicação tem se “policiado para, a cada edição, manter a coerência entre o discurso e a prática.”

“Se por um lado, como mídia impressa, sempre fomos acusadas de impor padrões – e durante anos tivemos mesmo esse poder –, por outro, está mais do que na hora de usar o alcance que temos em todas as nossas plataformas para contribuir de alguma forma para esse diálogo sobre a mudança.”

Não é tendência nem modinha: o poder da mulher sobre o seu próprio corpo é lei. Não importa se o look é curtinho,…

Posted by ELLE BRASIL on Segunda, 30 de novembro de 2015

Por último, a Cláudia é estampada pela jornalista Maria Júlia Coutinho, a Maju do Jornal Nacional. Em 2015, ela também foi alvo de ofensas racistas nas redes sociais, e é capa de uma “edição-manifesto em nome da tolerância e do amor”, segundo postagem da revista no Facebook. A garota do tempo da Rede Globo lembrou da primeira vez em que sofreu racismo na vida. “Uma garota me encarou para dizer: ‘Você tem tudo preto na vida. Seu cabelo, seu carro, sua casa’. E, olhando para outras crianças, determinou: ‘Não brinquem com ela, porque tudo nela é preto’.”

Maju contou à publicação que chorou com o episódio de racismo sofrido neste ano, mas foram lágrimas de alegria também. “Eu fechei a porta do quarto e chorei abraçada com o meu marido [o publicitário Agostinho Paulo Moura]. Um choro por me sentir também acariciada por milhares de pessoas que se solidarizaram”, revela. “Muita gente imaginou que eu estaria chorando pelos corredores […] Eu já lido com essa questão do preconceito desde que me entendo por gente […] Fico muito indignada, mas não esmoreço, não perco o ânimo […] A militância que faço é o meu trabalho, com carinho, dedicação e competência

E a jornalista aproveitou ainda para dizer que assumiu seu cabelo crespo após ver uma mulher negra, na capa da revista Raça, durante os anos 90. “Uma negra com ar decidido, de tranças afro, enormes e lindas, e falei: ‘Eu quero isso’. Funcionou como uma permissão para ser eu mesma’.”

Com vocês, nossa capa de dezembro! Maju Coutinho estampa esta que é uma edição-manifesto em nome da tolerância e do…

Posted by CLAUDIA Online on Domingo, 29 de novembro de 2015

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