Weintraub critica Talíria Petrone: “Não existe povo negro, existe brasileiro de pele escura”

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, participa da reunião da comissão mista, que analisa a MP 890/19, que cria o programa Médicos pelo Brasil em substituição ao antigo programa Mais Médicos

Em resposta, Talíria disse que quem divide o país “é esse governo, que governa apenas para os que sempre detiveram o poder: homens, ricos, latifundiários – como nos tempos coloniais”

Da Revista Fórum 

Mistro Weintraub- homem branco, de cabelos e barba grisalhos, usando roupa social e óculos de grau- diante de um microfone gesticulando
(Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Em pronunciamento na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, fez críticas à deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) dizendo que ela não tem o direito de representar os negros do país, pois “não existe povo negro, existe brasileiro de pele escura”.

O ministro ainda usou como argumento para atacar a deputada que seu avô tinha a pele mais escura do que a dela. “Meu avô era mais escuro que ela. Quando ela se atribui como grande defensora do povo negro, não sei quem lhe deu esse cargo”, disse.

A deputada, que estava presente no debate da Câmara, acusou o ministro de desconhecer sobre educação pública, dizendo que ele é contra cotas raciais e que não tem informações sobre políticas afirmativas no ensino superior. Porém, na sequência, a deputada deixou a comissão por outro compromisso, mas disse que ouviria depois a resposta de Weintraub, que usou a ausência da deputada para atacá-la.

veja o vídeo:  Clélia Rosa – Trabalhando relações étnico-raciais na educação

Questionada sobre o caso, a deputada contou à Fórum que vê a fala do ministro como uma tentativa de invisibilizar diversas problemáticas decorrentes do racismo. “Quando o Ministro diz que ‘não existe povo negro’ ele está apagando toda uma história de dor, mas também de resistência, que nosso país passou. Milhares de seres humanos foram sequestrados e escravizados. Esse história traz marcas para o Brasil até os dias de hoje”, respondeu Talíria.

“Precisamos olhar para essa realidade para conseguir transformá-la. Negar a existência do povo negro é na verdade reforçar a tese de que não existe racismo – já que não se trataria de uma questão social, estrutural e política, e sim de apenas uma diversidade de tons”, continuou a deputada. “É lamentável que um Ministro da Educação se recuse a entender isso – assim como faz todo esse governo. A educação é uma das principais ferramentas para combater opressões e violências. Quem divide esse país é esse governo, que governa apenas para os que sempre detiveram o poder: homens, ricos, latifundiários – como nos tempos coloniais”, completou.

Veja o vídeo com a fala do ministro:

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