Cemitério de escravos africanos

Escravos que não sobreviviam após a sua chegada eram enterrados num cemitério no Rio de Janeiro

Escravos que não sobreviviam após a sua chegada eram enterrados num cemitério no Rio de Janeiro

“Esse cemitério é único no Brasil até o momento. É um ícone da exploração da escravidão. Eles eram postos de quarentena e aqueles que não sobreviviam eram enterrados nesse pequeno cemitério.”

Mais pormenores das ligações históricas entre o Brasil e África deverão ser conhecidos como resultado de estudos que vão ser efectuados no local de um cemitério de escravos no Rio de Janeiro.

Centenas de milhar de africanos foram levados para Brasil e outras zonas das américas e uma grande parte deles era proveniente de zonas que fazem hoje parte de Angola.

Para tentar conhecer mais pormenores dos escravos levados para o Brasil o Instituto de Pesquisa Memória Pretos Novos (IPN) inicia, neste mês Outubro, uma sondagem no solo do sítio arqueológico “Cemitério dos Pretos Novos”, localizado no bairro da Gamboa, no centro da cidade do Rio de Janeiro.

O Cemitério de escravos africanos

No local, onde no passado chegavam navios negreiros, foi descoberto, na década de 90, um dos mais importantes patrimônios históricos da humanidade: um cemitério de escravos africanos vindos da África, que não resistiam à viagem e morriam antes de serem comercializados aqui no Brasil.

A pesquisa no solo do cemitério será conduzida pelo professor de história e arqueólogo Reinaldo Tavares, membro do IPN que anunciou a novidade na Rádio Nacional.

Ele disseque serão abertos sete postos de sondagens nas ruas Sacadura Cabral, Pedro Ernesto, Leôncio de Albuquerque e Rua do Propósito. As vias fazem parte do quarteirão onde ficava o antigo cemitério de escravos.

“Esse cemitério é único no Brasil até o momento. É um ícone da exploração da escravidão. Os escravos que chegavam ao Rio de Janeiro eram colocados em quarentena em função das doenças que eles adquiriam na costa da África ou mesmo as doenças endêmicas da região onde eles se contaminavam, inclusive, nos próprios navios negreiros. Eles eram postos de quarentena e aqueles que não sobreviviam eram enterrados nesse pequeno cemitério,” conta o estudioso.

Por meio de estudos de ossos humanos encontrados em sítios arqueológicos é possível conhecer as condições socioculturais das antigas populações, como as influências deixadas por populações negras africanas que vieram do outro lado do Atlântico.

Os estudiosos acreditam os restos mortais desse sítio arqueológico vão ajudar a descobrir os costumes, hábitos e a arte destes povos, tornando mais fácil entender a origem da nação brasileira.

Mas, para o arqueólogo a sondagem com objetivo de demarcação da área tem um significado para além da história do Brasil.

“Essa sondagem tem o objetivo principal de delimitar o cemitério dos Pretos Novos para fins de proteção. Somos obrigados a delimitar esse local de forma correta para que possamos proteger esse bem que não é somente um bem brasileiro ou africano, é um bem mundial,” conclui Reinaldo Tavares.

Fonte: Voa News

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