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Futuro Black: não naturalize nossas ausências. Sigamos criando e ocupando espaços!

Evento Futuro Black (Foto: Divulgação)

Como prometi no artigo intitulado Mulheres negras felizes e sorrindo: é esse o Brasil que eu quero, em que também falei sobre a procuradora federal Chiara Ramos, cofundadora da Abayomi Juristas Negras, e sobre nosso encontro em um dos eventos promovidos pelo Futuro Black (FB), eu vou dedicar a coluna de hoje ao FB ou, melhor dizendo, a falar sobre o trabalho tão importante que o Futuro Black se propõe a fazer e que vem realizando com maestria.

O projeto nasceu em 2021, por iniciativa do amigo jornalista e fundador da plataforma Thiago Augusto, como um banco de talentos e de fontes profissionais pretas, criado para conectar a população negra a oportunidades. Eu mesma, por exemplo, enquanto jornalista, encontrei, na plataforma, fontes para matérias e reportagens que estava produzindo. Como já comentei inúmeras vezes, inclusive nas entrevistas que dou e eventos que participo, é de extrema importância que tenhamos profissionais negros sendo fonte em materiais jornalísticos. É preciso naturalizar as nossas presenças também nestes espaços.

Quando pensamos, por exemplo, em uma médica, um advogado ou uma engenheira dando entrevista a um jornal, como você imagina esse profissional? Você pensou imediatamente em uma pessoa branca ou negra? Pois bem, muitas das vezes são profissionais brancos que vêm à mente das pessoas e, muitas das vezes também, são profissionais brancos que acabam atuando como fonte de reportagens.

Enquanto jornalista, eu, mulher negra, busco sempre pautar pessoas negras nas matérias que produzo. Foi nesse sentido, como mencionei acima, que o FB se mostrou uma importante ferramenta para mim porque, por exemplo, quando eu não conhecia novos profissionais, pude encontrá-los por meio da plataforma. Por exemplo, conheço muitas nutricionistas negras, mas não posso sempre incluir as mesmas pessoas nas reportagens, então, posso encontrar novos profissionais no banco de talentos. Profissionais esses que se tornam pessoas queridas, formando uma rede de potências e networking.

Aliás, essa rede representativa é uma das características mais valiosas do Futuro Black. E a plataforma reúne profissionais das mais diferentes áreas de trabalho. Após a criação, o FB ampliou seus serviços e se transformou em uma empresa social que, como eles mesmos comentam, impulsiona vidas negras, promovendo eventos, cursos e consultorias como ferramenta de não reprodução de preconceitos e estereótipos com relação à população negra dentro e fora do mercado de trabalho

Eu tive a oportunidade de atuar em parceria e participar, como escritora, de dois eventos produzidos pela organização. Posso dizer que são momentos muito especiais, justamente porque evidenciam toda a nossa potencialidade. Inclusive, deixo aqui registrado os parabéns para a equipe responsável por gerenciar a empresa social: as queridas e os queridos Thiago Augusto, Dayse Rodrigues, Raquel Vasconcelos, Iron dos Santos e Julio Pascoal.

Finalizo esse texto unindo duas frases que se completam. A primeira é o slogan do Futuro Black. A segunda é o lema que compartilho desde o lançamento do livro Negra Sou: a ascensão da mulher negra no mercado de trabalho

1 – Não naturalize nossas ausências! 

2 – Sigamos criando e ocupando espaços! 


Sobre a autora

Jaqueline Fraga é escritora, jornalista formada pela Universidade Federal de Pernambuco e administradora pela Universidade de Pernambuco, com MBA em Comunicação e Jornalismo Digital pela Universidade Cândido Mendes. Apaixonada pela escrita e pelo poder de transformação que o jornalismo carrega consigo, é autora do livro-reportagem “Negra Sou: a ascensão da mulher negra no mercado de trabalho”, finalista do Prêmio Jabuti, e do “Big Gatilho: um livro de poemas inspirado no BBB 21”. Também é coautora do livro “Cartas para Esperança”. Escreve por profissão, prazer e terapia. Escreve porque respira, respira porque escreve. Pode ser encontrada nas redes sociais nos perfis @jaquefraga_ (Instagram e Twitter) e @livronegrasou (Instagram).

** ESTE ARTIGO É DE AUTORIA DE COLABORADORES OU ARTICULISTAS DO PORTAL GELEDÉS E NÃO REPRESENTA IDEIAS OU OPINIÕES DO VEÍCULO. PORTAL GELEDÉS OFERECE ESPAÇO PARA VOZES DIVERSAS DA ESFERA PÚBLICA, GARANTINDO ASSIM A PLURALIDADE DO DEBATE NA SOCIEDADE.

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