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Todo Cientista é Branco? Não! Representações Contemporâneas sobre “Quem faz Ciência?”

As narrativas que se relacionam com o que compreendemos como cultura pop, desde Victor Frankenstein a The Big Bang Theory, se configuram em insinuar que há apenas um estereótipo de “quem faz ciência”, enunciamos: Homem, Branco, Hétero. No entanto, observamos com grande entusiasmo que nem todas as vozes dessa história foram ouvidas, quiçá compreendidas, e, tratando-se da Identidade Negra, existe um esforço massivo em invisibilizar, no sentido de apagar vestígios de contribuições de intelectuais negros, principalmente ao se tratar do que observamos como “conhecimento científico”. Martin Luther King, ao reverberar “Eu tenho um sonho”, anunciava que as problemáticas raciais eram uma pauta, e de maneira mais contemporânea, Stuart Hall nos ensina que a identidade apresenta fluidez, de acordo com o cenário social e o tempo em que ela habita, então, se estamos em constante fluidez (ou se o mundo é líquido como diria Bauman), quais são os motivos pelos quais o arquétipo de cientista se pretende intocável, inquestionável, eternamente branco? Ensaiamos uma resposta, das variáveis possíveis, existe no constructo midiático o fetiche de dilacerar corpos negros, e se não apresentam representações outras, insistem em estereótipos que acentuam um movimento hegemônico iniciado por visitas indigestas denominadas “processos de colonização”.

Nesse sentido, as produções da cultura pop encontram terreno fértil no atual contexto informacional para permearem a realidade com estereótipos e têm representado concepções de ciência e cientistas de forma constante. As imagens e discursos apresentados em Histórias em Quadrinhos, desenhos animados, mangás, séries e filmes ficam acessíveis aos públicos e possuem o potencial de criar modelos de identificação por meio de tais estereótipos, que historicamente vão sendo cristalizados na compreensão pública sobre ciência. Robson Santos Costa aponta que dentro da Cultura de Convergência (JENKINS, 2006), a indústria cultural e a cultura de massas têm como abordagem principal “elaborar produtos que os consumidores tenham a sensação de ser algo novo, mas que, ao mesmo tempo, seja algo reconhecível, dentro dos padrões em que o público já esteja familiarizado” (COSTA, 2017. p. 77).

Serge Moscovici ao falar de Teoria da Representação Social enfatiza que essa é uma construção social, ou seja, um acordo coletivo adotado culturalmente entre pessoas que convivem com os mesmos símbolos, códigos, maneiras de pensar e agir em comunidades. E vai além, ao dizer que a formação de culturas e subculturas acontece a partir do reconhecimento do indivíduo como modificador do social e o social como transformação coletiva das atitudes, crenças e expectativas desses mesmos indivíduos. Porém, indica que “é difícil saber como uma ideia nasce na mente de alguém” (MOSCOVICI, 2015. p. 314) por conta do fato de que os sujeitos estão, constantemente, em contato com grandes volumes de informações diferentes e conflitantes. É nesse terreno que os estereótipos e representações se proliferam nos diferentes veículos de mídias – impressa, audiovisual e virtual – formando memórias, fascinação através do deslumbre, das emoções e da identificação com narrativas fantásticas (JODELET, 2011).

Donna Haraway uma Jedi (não acredito que você não conhece Star Wars) dentro da intelectualidade, comenta que somos todos quimeras, seres fabricados, somos acúmulos de peças (vivências), que se conectam em algum tempo e espaço, somos todos ciborgues, logo, posso exercitar a compreensão, de que não há um único estereótipo de cientista, posso sim, “brigar” com a mídia, pois, Douglas Rushkoff, chama o movimento midiático de vírus, e insiste: “talvez estejamos todos infectados”. Mas, como educadores que nos tornamos, forjando nossa identidade, se a humanidade está perdida, talvez, como na “caixa de pandora”, a esperança se apresente depois que todas as problemáticas povoaram o mundo, e quando digo “esperança”, falo das crianças, de nossos alunos e alunas, do chão da escola, falo da importância de professores negros descolonizarem esse terreno fértil do imaginário infantil, falo da “DESTRUIÇÃO DO RACISMO”.

Se compreendemos como urgente a proposta de novas representações sobre cientistas, é exatamente o que faremos, apresentaremos algumas personagens que podem ser compreendidas como representações contemporâneas de “quem faz ciência”, negando a exclusividade de apenas um tipo de cientista, então simpatizamos com a ideia de que não existem apenas cientistas brancos, héteros e homens. E para isso cabem duas perguntas: você sabia que um dos personagens mais poderosos do Multiverso Marvel é um cientista negro? E quem comandava as empresas Wayne e sua divisão de tecnologias, fonte da durabilidade e versatilidade do Batman, também é um inventor negro? Não! E, não também! Então, se liga na biografia de alguns cientistas da ficção que dialogam muito com a realidade.

Adam Brashear (Foto: Marvel Comics)

Adam Bernard Brashear (Marvel, 2008) cronologicamente é o primeiro super-herói negro do Multiverso Marvel. Um jovem prodígio intelectual e com habilidades físicas além do comum, se graduou na Universidade de Cornell entre o fim da década de 1930 e início de 1940, onde concluiu PhDs em Engenharia Elétrica e Física Teórica. Serviu na Guerra da Coréia como parte dos Marine Corps e foi condecorado com duas Estrelas de Prata. Devido aos seu intelecto, após a guerra se tornou o líder do Projeto Perseus, um projeto científico com o objetivo de aproveitar as características da Antimatéria para criar um reator capaz de produzir energia limpa e ilimitada. Porém, algo dá errado e causa uma explosão radioativa, modificando o código genético de Adam, como resultado ele mesmo passa a ser um reator estável de antimatéria, isso lhe concedeu superpoderes e habilidades físicas sem limites, assim assumindo o manto da identidade secreta Blue Marvel.

Por muitos anos ele foi o defensor do planeta Terra contra ameaças internas e externas, um super-herói idolatrado e amado por todos os cidadãos americanos. Porém, durante uma batalha feroz contra um vilão, sua máscara, capacete e uniforme foram danificados e sua origem afrodescendente foi revelada ao público, a história então ambientada na década de 1960, uma época de segregação racial e racismo aberto, tal opinião pública se voltou contra ele. A realidade se mostrou, era inadmissível um super-herói negro tão poderoso, chegando ao ponto do então Presidente John F. Kennedy conceder a Medalha da Liberdade pelos serviços prestados a Adam, em contrapartida exigindo que ele se aposente e abandone o manto de Blue Marvel.

Assim como muitos cientistas negros da vida real a identidade de Adam Brashear foi apagada da história dentro do Multiverso Marvel, invisibilizada pelo racismo estrutural estabelecido culturalmente. Essa narrativa ficcional pode ser refletida em vários exemplos de cientistas negros apagados de nossa história – Você já assistiu ao filme Estrelas Além do Tempo? (2016) Recomendamos!

Lucius Fox (Foto: DC Comics)

Lucius Fox (DC Comics, 1979) é um personagem negro fundamental no suporte da Bat família, a pessoa que gerencia as empresas Wayne com o seu conhecido “Toque de Midas” (já ouviu a fábula do Rei Midas, com o toque de suas mãos transformava tudo em puro ouro?), por salvar empresas da falência e levá-las de volta ao caminho dos lucros. E, também, responsável por coordenar a divisão de tecnologia da empresa e com sua inventividade produz os protótipos e engenhocas que salvam a vida da Bat família na luta contra o crime em Gotham. Pouco se sabe sobre as origens e passado desse personagem.

Atualmente, nas mídias referentes ao universo do Batman, Lucius Fox tem sido representado como o inventor responsável por desenvolver protótipos dos utensílios usados pelo homem morcego e pelo departamento de polícia de Gotham. Mesmo com todo seu intelecto administrativo, empresarial e sobre tecnologias, o personagem ainda é pouco conhecido e valorizado assim como outros personagens negros das histórias em quadrinhos e da vida real. Lucius é um personagem secundário, dos bastidores e, constantemente, esquecido quando o assunto é reconhecimento.

A própria historiografia da ciência revela como o colonialismo europeu predomina na formação da representatividade do cientista, as inovações tecnológicas e desenvolvimento em práticas de saúde como uma “descoberta” dos povos brancos. No entanto como diz Garcia, Silva e Pinheiro o continente africano era proeminente no domínio científico antes mesmo dos povos gregos: 

O saber médico, arquitetônicos, químicos, os cálculos matemáticos, que inclusive propiciaram a construção de pirâmides, e o universo astronômico eram em graus diferenciados parte deste continente. A medicina egípcia, por exemplo, tinha seu conhecimento a partir dos experimentos e estudos voltados para o interior do organismo humano, elaborado em função da prática da mumificação, do embalsamento do corpo dos faraós e de pessoas influentes desta sociedade. Parte desses conhecimentos pode ser hoje acessado por meio do papiro de Ébers. (GARCIA; SILVA; PINHEIRO, 2019. p. 2)

Esse apagamento da ancestralidade científica de origem negra se dá por conta das relações de poderes exercidas pelos colonizadores no decorrer do desenvolvimento histórico, colocando o povo negro como atrasado, não humanizado, sexualizado e animalizado, desconectando os afrodescendentes de suas culturalidades representativas e das memórias das grandes invenções e descobertas dos povos africanos (PINHEIRO, 2019) e como diz o ditado “a história é contada pelos vencedores”, e na formação dessa representação social eurocentrada nasce o “Mito da superioridade racial” ou Racismo com nome científico (RODAS; PRUDENTE, 2009).

 Felizmente nas últimas décadas essa história tem mudado, através do engajamento social, lutas constantes e reconstrução das memórias sobre ancestralidade do povo negro, e consequentemente, o reconhecimento de intelectuais e cientistas negros tem sido re-estabelecido como parte dos discursos científicos.

Nomes como George Washington Carver, cientista e inventor responsável por revolucionar métodos de rotação de pastagens na área agrícola, Patricia Era Bath inventora do tratamento para catarata, Marie Maynard Daly, primeira mulher negra a obter um doutorado em Química nos Estados Unidos, Conceição Evaristo, pesquisadora-educadora-escritora mineira prolífica na valorização da memória ancestral através de seus escritos, Milton Santos cientista social brasileiro inovador no estudo do espaço físico como território de questões étnico-raciais e de liberdade da cultura popular são alguns exemplos (existem tantos outros cientistas negros que poderia ficar páginas e páginas citando suas conquistas) da contribuição intelectual produzida por cientistas homens e mulheres negros (PINHEIRO, 2019). Responsáveis pela abertura de espaço para novas narrativas de protagonismo e empoderamento – Você já assistiu aquele filme épico, um tal de Pantera Negra (2019)? Antes mostramos biografias de apagamentos, agora olha essas biografias de protagonismos:       

Lunella Lafayete (Foto: Marvel Comics)

Lunella Lafayette (Marvel, 2015) é uma personagem negra que apresenta uma relação prodigiosa com a ciência. Uma jovem menina que ama a ciência, e desenvolve pequenos experimentos com peças que encontra em sua frente. A personagem apelidada de “Moon Girl”, pois, para os colegas e as pessoas que não a compreendem, está sempre no mundo da lua, constrói um dispositivo que a permite viajar no tempo, entender e refutar uma série de teorias que já estudava em torno do conhecimento científico.

Lunella Lafayette é uma cientista, torna-se interessante evidenciar tal questão, pois, sua composição estética funciona como prática discursiva de um campo científico que propõe diversidade. Willian Foster (2014), comenta que as histórias em quadrinhos são um espaço onde as representações dos negros estão sendo alteradas de maneira massiva. Segundo o autor:

“Foi dito que quanto mais as coisas mudam, mais permanecem as mesmas. Hoje, porém, pelo menos em um local específico, as coisas são consideravelmente melhores. Devido a um número de mudanças na indústria, os fãs de histórias em quadrinhos foram presenteados em várias frentes com um ponto de vista que é finalmente colorido. O número de jogadores de cor aumentou e a orgulhosa história dos negros está finalmente sendo contada” (Foster, 

Nesse sentido, Lafayete, é fruto dessas mudanças dentro das narrativas gráficas, onde uma menina negra, ao folhear as páginas, pode se identificar com a personagem, pois, os quadrinhos apresentam a funcionalidade de construir imaginários, eles ajudam leitores, artistas e consumidores em geral a sair de si mesmos para se tornarem algo além do real (HOWARD, 2014). Ou seja, a história de Holt, propões novos contornos estéticos sobre a negritude, nas palavras de Ronald Jackson:

“O que tínhamos de mais próximos em relação a Heróis Negros era através de narrativas orais compartilhadas por um contador de histórias da comunidade, um griot, que muitas vezes era o mais velho da comunidade” (JACKSON, 2014).

Falar de Lunella Lafayette, é observar a história da ciência, e sua relação com diferentes suportes midiáticos, e torna-se interessante comentar que a ciência sempre foi um nicho das histórias em quadrinhos, no entanto, personagens negros com habilidades intelectuais, e inteligência científica, são frutos de imaginários da contemporaneidade.

Riri Willians (Foto: Marvel Comics)

Riri Willians torna-se importante personagem dentro do repertório de narrativas da Marvel Comics, pois, seus conhecimentos figuram como “poder”, a partir deles, tal personagem se torna uma heroína. Sua história propõe diálogos entre negritude e ciência. Nesse sentido, Riri, pode funcionar como referência para uma educação dentro de um contexto de reconhecimento das diferenças e a luta contra preconceitos raciais (MUNANGA, 2010). Se as imagens são metáforas visuais (JOLY, 2012), a personagem em questão, figura nas páginas de uma história em quadrinhos no século XXI como cientista, por uma série de lutas, que envolvem direitos civis e ações afirmativas, pois, Riri, propõe rupturas, em relação a configurações fixas, e destoantes em sobre o papel do negro na sociedade.

Segundo Rancière (2017), a literatura tem a propriedade de desmanchar as relações estáveis entre nomes, ideias e coisas e, junto com elas, as delimitações organizadas entre as artes, os saberes ou os modos do discurso (RANCIÈRE, 2017. p. 30). Neste texto, evidenciamos, entre outras coisas, que histórias em quadrinhos fazem parte deste campo literário, então, nesse sentido, a personagem em questão, descontrói as limitações impostas aos personagens negros e as meninas cientistas, que ainda hoje, se apresentam enclausurados em muitas narrativas midiáticas. 

Os dois casos citados apresentam-se como relevantes para entendermos outros significados da identidade-cientista. E, é possível dizer que as duas narrativas discutem uma tendência recente chamada Afrofuturismo, a ideia de ver a presença negra em lugares que geralmente não são mostradas. Tais personagens existem? Sim, mas sofrem processos de invisibilização cotidianos, ou seja, trazer esses heróis-cientistas à tona, é propor uma extraordinária síntese de todas as ideias e conceitos que, desde mais ou menos o final do século XIX, tem acompanhado as lutas negras na evolução da humanidade. Para quem saber ler entre as imagens, os fios estão lá plenamente manifestos (MBEMBE, 2018).


Referências 

AGOSTINHO, Elbert (org). Negritude, Poderes e Heroísmos. Conexão 7. Rio de Janeiro, 2021.

BAUMAN, Zygmunt. Modernidade Líquida. Rio de janeiro: Jorge Zahar, 2001. BESSI, Vânia Gisele.

COSTA, R. S. Os jogos de memórias e a construção de universos: As adaptações cinematográficas de histórias em quadrinho de super-heróis. TESE. Rio de Janeiro: UNIRIO – Centro de Ciências Humanas e Sociais – Programa de Pós-Graduação em Memória Social, 2017.

GARCIA, F; SILVA, E. B; PINHEIRO, B. C.  Representações de cientistas na educação básica: racismo e sexismo em questão. ANAIS – XII Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências – XII ENPEC, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, RN – 25 a 28 de junho de 2019

HALL, Stuart. A Identidade Cultural na pós modernidade. Tradução de Tomaz Tadeu

da Silva & Guacira Lopes Louro. Rio de Janeiro Lamparina, 2014.

_____. Cultura e Representação. Tradução: Daniel Miranda e William Oliveira – Rio

de Janeiro: Ed. PUC-Rio: Apicuri, 2016.

HARAWAY, Donna. “Saberes localizados: a questão da ciência para o feminismo e o privilégio da perspectiva parcial”. Cadernos Pagu, Campinas, n. 5, p. 7-41, 2009.

_____. “A Cyborg manifesto: science, technology, and socialist-feminism in the late twentieth century” In: Simians, cyborgs, and women: the reinvention of nature, New York, Routledge, 1991 (Trad. Bras. Tomaz Tadeu)

JENKINS, H. Convergence culture where old and new media collide. New York and London: New York University Press, 2006.

JODELET, D. Ponto de Vista: Sobre o movimento das representações sociais na comunidade científica brasileira. Temas em Psicologia, vol. 19, núm. 1, Sociedade Brasileira de Psicologia, Ribeirão Preto, 2011. p. 19-26

JOLY, Martine. Introdução à análise de imagem. Campinas. SP. Papirus, 2012.

MBEMBE, Achile. Crítica da Razão Negra. Editora Antigona, 1ª Edição. 2014.

MOSCOVICI, S. Representações Sociais – Investigação em psicologia social. 11ª Edição. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2015.

MUNANGA, Kabengele. NEGRITUDE – Usos e Sentidos. Editora Ática. Série

Princípios. 2ª edição. 1988.

—– Educação e diversidade cultural. in: MULLER, Tânia; OLIVEIRA, Iolanda. O Negro na contemporaneidade e suas demandas. Niterói – EdUFF, 2010.

PINHEIRO, B. C. S. Educação em Ciências na Escola Democrática e as Relações Étnico-Raciais. Revista Brasileira De Pesquisa Em Educação Em Ciências, 19, 2019. p. 329–344

RANCIÈRE, Jaques. Políticas da escrita. São Paulo. Editora 34, 2017.

RODAS, J. G; PRUDENTE, C. (2009). Reflexões para o discernimento do estereótipo e a imagem do negro. Revista Da Faculdade De Direito, Universidade De São Paulo, 104, 2009. p. 499-506

RUSHKOFF, Douglas. Media Virus!: Hidden Agendas in Popular Culture. Ballantine Books. 1996.

SHELLEY, Mary. Frankestein. São Paulo. Martin Claret., 2012.

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