Este sétimo volume da série dá continuidade à coleção iniciada com Brasil e Durban – 20 anos depois, publicada em 2021 pelo Centro de Documentação e Memória Institucional do Geledés – Instituto da Mulher Negra. Cada volume reafirma nosso compromisso de transformar memória e denúncia em ação política, fortalecendo a luta contra o racismo e o sexismo em escala nacional e internacional.
Ao reunir os dois encontros realizados em março de 2024 — em Nova York, durante a 68ª Comissão da ONU sobre a Situação da Mulher (CSW), e em Washington, sede da OEA, na data em que celebramos o Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial —, este volume traz à luz a centralidade das mulheres negras na construção de qualquer projeto de emancipação econômica real e, portanto, de justiça social.
O Brasil, com seus 60,6 milhões de mulheres negras, não pode continuar refém da invisibilidade e das hierarquias estruturais que nos relegam à periferia do desenvolvimento.
As falas de ambas as reuniões foram marcadas pela coragem de desnudar os desafios estruturais que perpetuam a pobreza intergeracional das mulheres negras e afrodescendentes. Ficou evidente que políticas universais, quando ignoram raça e gênero, reforçam a desigualdade em vez de superá-la.
Foram denunciadas a precarização do trabalho, a informalidade, o racismo institucional e a violência estrutural que mantêm nossas mulheres nos postos mais desvalorizados da economia.
No plano global, foi exposta a urgência de enfrentar o racismo sistêmico e a omissão histórica que exclui afrodescendentes dos orçamentos nacionais e dos mecanismos de financiamento internacionais, incluindo a própria Agenda 2030.
Mais do que diagnóstico, estes encontros produziram caminhos.
As propostas convergiram para seis eixos centrais:
As vozes que ecoaram nestes encontros nos convocam à ação. Não há emancipação possível sem desmantelar o racismo patriarcal que estrutura a pobreza. Não há desenvolvimento econômico sustentável sem redistribuição, visibilidade e reconhecimento.
Que este volume seja um instrumento de incidência política e um chamado urgente para que governos, organismos multilaterais e sociedade civil assumam estas propostas como agenda inadiável.
Sueli Carneiro
Coordenadora Executiva
Centro de Documentação e Memória Institucional
Geledés – Instituto da Mulher Negra
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