Carnaval de Salvador movimenta R$ 1 bi e cria 215 mil empregos temporários

Por: LUIZ FRANCISCO

 

O Carnaval de Salvador, que começa oficialmente na tarde desta quinta-feira (11) com o desfile de trios elétricos e blocos nos três principais circuitos da folia (Campo Grande/praça da Sé, Barra/Ondina e Pelourinho), é uma indústria que movimenta cerca de R$ 1 bilhão e cria 215 mil empregos temporários em 40 setores, de acordo com um levantamento realizado pela Saltur (empresa oficial de turismo da capital baiana).

 

Por trás das grandes estrelas da folia _Daniela Mercury, Ivete Sangalo, Claudia Leitte e a banda Chiclete com Banana, dentre outras atrações _ está uma estrutura que leva cerca de 2 milhões de pessoas às ruas todos os dias e interdita 25 km de pistas para a apresentação de mais de 250 entidades e 12 mil artistas.

 

A cada ano, o Carnaval de Salvador fica mais profissional. Para brincar com conforto e segurança, os foliões têm de pagar caro pela compra do abadá [fantasia que identifica o carnavalesco no bloco] _os preços variam de R$ 200 (por dia) até R$ 2.500 (pacote completo dos principais trios). “Infelizmente, o Carnaval de Salvador não dá mais espaço para a grande maioria da população, as pessoas que não podem pagar para desfilar”, disse a estudante Rita de Cássia Leite, 23.

 

De olho no retorno publicitário, mais de 300 empresas (entre pequenas, médias e grandes) investiram no carnaval de Salvador, comprando cotas dos blocos, patrocinando cantores, camarotes e festas relacionadas à folia (feijoadas, ensaios) e trazendo artistas para lançar os seus produtos. Este ano, a prefeitura vendeu R$ 14 milhões em cotas de patrocínio, contra R$ 7,5 milhões em 2009. “Além de levar alegria para as pessoas, o Carnaval também tem o seu lado social, ao gerar muitos empregos, distribuir renda incrementar a arrecadação da prefeitura”, disse Cláudio Tinoco, presidente da Saltur.

Atrações

Neste primeiro dia oficial de folia, a Timbalada e as bandas Asa de Águia e Eva são algumas das principais atrações no circuito Barra/Ondina (orla). No Campo Grande (centro) o destaque é o “Bloco da Camisinha”, que deverá distribuir cerca de 200 mil preservativos para os foliões. O terceiro circuito, no centro histórico, revive os antigos Carnavais. Como os trios elétricos e carros são proibidos de trafegar nas ruas centenárias do Pelourinho, os foliões se divertem ao som de fanfarras e bandas. “Aqui (centro histórico) nós brincamos o verdadeiro Carnaval. No Campo Grande e na Barra, o que impera é o poder econômico”, disse a enfermeira Ana Paula Calazans, 24.

 

Para tentar controlar o fluxo de pessoas nos três principais circuitos, a prefeitura também organiza a folia na periferia de Salvador. Os cantores que se apresentam na periferia são classificados como emergentes e notórios, e recebem um cachê que varia de R$ 7 mil a R$ 18 mil (por apresentação).

“Apesar de todos os esforços da prefeitura, faltam atrações para segurar o público na periferia”, disse Itamar Oliveira, 34, líder comunitário da Liberdade, um dos maiores bairros da capital baiana. De fato, uma pesquisa feita pelo governo estadual no ano passado revelou que apenas 2,1% dos foliões que passaram o Carnaval em Salvador em 2009 participaram da folia nos bairros.

 

A cantora Ivete Sangalo, que na noite desta quinta-feira (10) participou do encerramento da turnê de Beyoncé no Brasil, disse que quer fazer dos desfiles um momento especial para levar alegria e descontração para todos os foliões. “Quando eu estiver em cima do trio elétrico só vou pensar em diversão”, afirmou.

 

Fonte: UOL

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