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Conto de fadas brasileiro quebra paradigmas ao contar história de amor entre duas mulheres

Um conto de fadas geralmente traz uma receita já estabelecida: a princesa conhece o príncipe e, após algumas intempéries, acabam juntos com a clássica frase “e viveram felizes para sempre”. No entanto os tempos são outros e, assim como não é nada saudável fazer as crianças acreditarem em uma vida de felicidade ininterrupta, príncipes e princesas também precisam ganhar roupagens mais realistas agregando mudanças de valores sociais.

Por Tuka Pereira Do Estilo

Pois um livro infantil diferente está quebrando muitos paradigmas ao apresentar a história de amor entre duas personagens femininas. Escrito pela psicóloga Janaína Leslão, “A Princesa e a Costureira” é um conto de fadas que narra a história da princesa Cíntia, prometida em casamento para Febo, o príncipe do reino vizinho. Quando Cíntia vai encomendar seu vestido para a cerimônia conhece a costureira Isthar, por quem se apaixona.

A princesa Cíntia ainda se diferencia das tradicionais mocinhas de contos de fadas não apenas por sua orientação sexual, mas também por não ostentar longas madeixas loiras e pele alva: ela é negra. Outro detalhe: os principais apoiares do casal lésbico são o próprio príncipe preterido (com seus frondosos dreadlocks) e a irmã da protagonista, Selene, que não possui uma das mãos (imagem abaixo).

febo_selene

O livro, que pretende auxiliar famílias e escolas, tanto na discussão sobre a diversidade humana como sobre a luta mais ampla pelos direitos das pessoas LGBT, teve sua venda anunciada no Facebook da autora há poucos dias e causou bastante rebuliço. Muitos se mostraram indignados e escreveram a respeito:

Olha, acho que cada um tem que viver sua vida conforme queira, mas plantar na cabeça de uma criança essas relações é complicado, até porque a maioria já tem uma imagem na cabeça de pai e mãe (homem e mulher) então, é preciso rever certas atitudes pra não confundir a mente de um inocente”, escreveu uma internauta.

Além dos comentários negativos também haviam muitos aplaudindo a iniciativa e dissertando sobre a importância de obras que abordem esta temática para o público infantil:

Ótimo! É fundamental que as crianças cresçam convivendo naturalmente com as diversas opções sexuais. Acho engraçado esses comentários “deixem as crianças fora disso”. Fora “disso” o que, cara pálida? Fora da realidade? Para crescerem ignorantes e homofóbicas?”, escreveu um incentivador.

A escritora falou com o Estilo Catraca Livre a respeito: “A repercussão está sendo ótima! Muita gente aprovando a ideia de termos um livro que ensine a convivência harmoniosa entre as pessoas, de amor, tolerância. Muitos pais dizendo que irão comprar para seus filhos, para ensiná-los desde cedo que ‘consideramos justa toda forma de amor’ (frase de música de Lulu Santos). Sim, existem indignados, mas apoiados em seus próprios preconceitos. O livro não é para criancinha. Foi escrito para pré-adolescentes e adolescentes. Até porque tem muito texto e é necessário que se tenha uma boa leitura”, explicou.

O livro “A Princesa e a Costureira” é uma publicação da Metanoia Editora, custa R$ 35 e está em pré-venda pela internet (aqui). O lançamento oficial da obra será no próximo dia 26, durante a 4ª Semana da Diversidade em Santos, São Paulo.

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