Artigos e Reflexões

    Imafem teriradao do site GSHOW

    BBB20: feministas liberais, monstrualização de corpos negros e hierarquização identitária na mídia de massa

    Muito foi falado sobre as ações e comentários racistas voltados ao ator Alexandre da Silva Santana (vulgo Babu Santana), homem negro e favelado, na 20ª edição do reality show Big Brother Brasil (BBB20) realizado pela Rede Globo. Tais falas e atitudes tiveram como protagonistas Marcela Mc Gowan, participante do programa autodeclarada feminista e assim qualificada pela mídia, e suas melhores amigas no reality, Gizelly Bicalho e Ivy Moares -- todas mulheres brancas associadas, sobretudo no começo do programa, com discursos pelo fim da opressão contra mulheres e em prol dos chamados empoderamento e liberdade femininas.   O tema e as análises a seu respeito chamaram nossa atenção por mobilizarem questões que, ao nosso ver, merecem ser ainda mais verticalizadas (o que nos propomos a fazer aqui), considerando: 1) a relação entre Big Brother Brasil, um produto midiático de massa, e a realidade de seus participantes, realizadores e espectadores; 2) a porosidade...

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    Foto Marta Azevedo

    Vocês que lutem!

    A meta almejada é um Brasil varrido de negros e indígenas Por FLÁVIA OLIVEIRA, do O Globo Foto: Marta Azevedo O governo Jair Bolsonaro escolheu a data de aniversário de 520 anos da chegada dos portugueses ao Brasil para anunciar à nação o plano de recuperação econômica pós-pandemia. Batizou de Pró-Brasil o, até aqui, mal esboçado pacote de investimentos de R$ 30 bilhões para gerar um milhão de empregos. Ilustrou a apresentação com a foto de cinco crianças brancas — duas meninas, três meninos — retiradas de um banco de imagens estrangeiro. Amarrou a proposta no slogan “Construção de um país em progresso”. O punhado de referências não deixa dúvidas da meta almejada: um Brasil varrido de negros e indígenas; livre da diversidade racial autodeclarada por quase seis em cada dez habitantes. É a materialização do sonho dos invasores que exterminaram povos nativos, sequestraram e escravizaram...

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    Sankofa (imagem retirada do site GGN)

    Sankofa, classe trabalhadora e a pandemia do coronavirus: para ir adiante é preciso retornar ao passado

    Diante deste cenário, fica claro que a responsabilidade pelos efeitos da crise do coronavírus (leia-se crise do sistema capitalista), mais uma vez está sendo atribuída ao trabalhador. Por Elisiane Santos, no GGN  do Coletivo Transforma MP Sankofa (imagem retirada do site GGN) Na tradição africana dos povos akan – grupo étnico kwa da África Ocidental que povoa a região hoje abrangente por parte de Gana e da Costa do Marfim -, encontramos ensinamentos sintetizados no adinkra, um conjunto de ideogramas, contendo figuras, objetos, traços, entre estes a Sankofa, representada por um pássaro que volta a cabeça à cauda. O símbolo é traduzido por: “retornar ao passado para ressignificar o presente e construir o futuro”. Este ensinamento pode nos trazer importantes reflexões sobre os rumos da vida em sociedade, do presente e do futuro do trabalho, neste cenário de pandemia, em que as desigualdades sociais, no Brasil,...

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    Foto: Gustavo Stephan

    Meia-volta, morrer

    Como decidir a morte de alguém? Um idoso que está pesquisando a vacina para o coronavírus deve se sacrificar pelos netos? Por Ligia Bahia, do O Globo Ligia Bahia (Foto: Gustavo Stephan) Trocar o ministro da Saúde durante a pandemia do novo coronavírus foi uma manobra arriscada. Abalou o precário equilíbrio entre a Ciência, as evidências sobre a magnitude e gravidade da doença e os adeptos da fé, em si próprios, em seus gestos e palavras, como indicadores de verdade. O recém-empossado titular da pasta — dedicado a estudar a futura saída da quarentena e omisso em relação ao presente aumento exponencial da ocorrência de casos — é funcional aos desejos de passar por cima das advertências sanitárias. Na última domingueira presidencial, desta vez acompanhada por carreatas em diversos estados, ouviu-se um brado de independência — “Nós não queremos negociar nada, queremos ação” — e manifestações...

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    (29 de Março, 1968, Memphis – USA. Bettmman Collection/Getty Images)

    Pandemia, segregação racial e as vidas que não importam

    O tempo do racismo não é cronológico. O tempo do racismo é lógico e psicológico, ou seja, transfunde a cronologia histórica. É dessa maneira que o racismo se mantém na estrutura da sociedade. Por Alexandre Filordi, no Jornal GGN (29 de Março, 1968, Memphis – USA. Bettmman Collection/Getty Images) O tempo do racismo não é cronológico. O tempo do racismo é lógico e psicológico, ou seja, transfunde a cronologia histórica. É dessa maneira que o racismo se mantém na estrutura da sociedade. Entra ano e sai ano, no caso que aqui me interessa, os negros precisam provar que são humanos, gente com sangue, dor, padecimentos, sentimentos, inteligência, beleza. Eles precisam provar que não são menos e que as mesmas mazelas da finitude humana não lhes são diferentes das de ninguém. Os jornais franceses denunciam, escandalizados, a cena dantesca em que dois pesquisadores do Inserm (Instituto Nacional...

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    Foto de 1943 mostra soldados alemães nazistas interrogando judeus após a Revolta do Gueto de Varsóvia - AFP

    Resistir ao extermínio

    Os guetos concebidos pelo nazismo foram territórios dentro dos quais a anomia e a demolição de corpos foram a regra, e a regra, a anomalia Por Roberto Bueno, do Brasil 247 Foto de 1943 mostra soldados alemães nazistas interrogando judeus após a Revolta do Gueto de Varsóvia - AFP Há exatos 77 anos, no dia 19 de abril de 1943, foi empreendida ofensiva pelos oficiais nacional-socialistas contra o gueto de Varsóvia, espaço de confinamento da comunidade judia na capital polonesa. A política nacional-socialista era de reunir os judeus em guetos, e no caso de Varsóvia era crescente o número dos indivíduos que iam sendo aprisionados naquele minúsculo espaço urbano da cidade ocupada pelas forças armadas de Hitler. Naquelas condições materiais as quais estavam expostos os indivíduos apenas uma única certeza estava em seu horizonte próximo, a morte. Tratava-se de um espaço de cultivo da destituição da...

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    Fabiano Mestre Foto: Fabiana Ribeiro/Campinas

    Pós-pandemia: a dor continuará

    O conceito pessimismo não seria uma definição plausível, quando olhamos em outras perspectivas o momento no qual nos encontramos. É o que desejo fazer através desta reflexão.  Por Edson Fabiano*, enviado para o Portal Geledés  Fabiano MestreFoto: Fabiana Ribeiro/Campinas Outros olhares... Talvez seja por isso que a escritora negra Carolina Maria de Jesus disse: as crianças ricas brincam nos jardins com seus brinquedos prediletos. E as crianças pobres acompanham as mães a pedirem esmolas pelas ruas. Que desigualdades trágicas e que brincadeira do destino. O mundo do faz-de-conta foi/é uma realidade na vida de todo ser humano adulto quando criança. Era nesse mundo que sonhávamos ser e ter o que a realidade dura e sofredora, de algumas crianças, permitia. Independente da classe social e da cor da pele, o sentimento de incompletude, de que algo está faltando, é inerente a todo ser humano, ainda que cercado de...

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    Arquivo Pessoal

    Eu dentro de mim

    Já que o mundo está em medida de contenção social, acredito estar diante de um dos maiores desafios que o ser humano possa receber da vida, que é o de ter a oportunidade de ficar sozinho e explorar a sua consciência, conhecer quem é essa pessoa que cohabita em meu corpo, ou seja tentar descobrir quem “eu dentro de mim”. Por Tatiane Cristina Nicomedio dos Santos, enviado para o Portal Geledés Tatiane Cristina Nicomedio dos Santos (Foto: Arquivo Pessoal) Então vamos lá, vou iniciar essa descoberta como se fosse um diálogo entre o meu eu e a minha consciência. - Oi!  -Você está aí? - Será que poderia me dizer, ou pelo menos me ajudar a entender, quem sou “eu dentro de mim”? Sei que não irá responder!!! A minha mente, neste momento está parecendo um papel em branco...  No entanto, um papel em branco, para alguns...

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    ilustrações Amanda Favali (@favali_)

    Trajetória: Nuances sobre o racismo brasileiro

    Presa nos elos de uma só cadeia, A multidão faminta cambaleia, E chora e dança ali! Um de raiva delira, outro enlouquece, Outro, que martírios embrutece, Cantando, geme e ri! (ALVES, Castro. Navio Negreiro, 1880) Por Jaqueline Lima Sales da Silva*,  enviado para o Portal Geledés  ilustrações Amanda Favali (@favali_) No Brasil do século XXI, não é raro encontrarmos pessoas fingidas que não declaram abertamente suas “preferências”, seus medos, seu racismo e sua direcionada covardia social. Ficamos sem saber como estruturar pensamentos e ideias diante da hipocrisia nos seus variados segmentos, mas a hipocrisia racista brasileira é a que mais chama atenção. Nessa mesma lógica nos orienta Abdias Nascimento, em seu livro: O genocídio do negro brasileiro: Processo de um racismo mascarado (1978) que “a realidade brutal que os brasileiros têm de aceitar é que o racismo é em toda a parte diferente, e em toda a parte...

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    Foto: Marta Azevedo

    Voltando para casa

    Nas semanas iniciais do isolamento social, Sabrina Fidalgo, mulher negra, cineasta premiada dentro e fora do país, demoliu numa live a ideia de que é chegada a hora dos filmes nunca vistos, dos livros jamais lidos, aquele rol de tarefas habitualmente elencadas para quando a aposentadoria chegar. (Num passado remoto, sonhei estudar produção de roteiros durante a licença- maternidade. A carreira jornalística sedimentada nas duas décadas seguintes é evidência da ilusão.) Com sabedoria desconcertante, ela dispensou o retrovisor: “Interessa o agora. O presente vai determinar o que virá. Então, me ocupo de acompanhar o que as pessoas estão fazendo nessa temporada em casa. Quero pensar novas narrativas a partir daí”. Por FLÁVIA OLIVEIRA, do O Globo  Foto: Marta Azevedo Da casa emerge a profusão de reflexões quarentênicas: famílias recolhidas, assimetrias e mazelas escancaradas. A começar pela própria compreensão sobre a palavra. Casa nem sempre é sinônimo...

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    Jacek Sopotnicki/imageBROKER RF/Getty Images

    Ostracismo Fashion

    Ao dizer que “moda é uma forma específica de mudança social”, o filósofo, Gilles Lipovetsky, me proporciona pensar que, por um período cíclico, pessoal e social há mudanças de comportamentos. Alguns regrados pela vaidade, outros alimentados por alguns ideais como sustentabilidade, conforto, praticidade, elegância, cultura e bem estar social.  Por Jane Gomes, enviado para o Portal Geledés Jacek Sopotnicki/imageBROKER RF/Getty Images Não nego que o termo moda ainda se mantém ligado, no senso comum, à frivolidades, porém o mundo veste moda, mas com linguagens específicas que lhes permitem tanger esferas. Nessa compreensão, se é ou não fútil, foram produzidos e adotados diversos termos que correlaciona o sistema do vestuário, integrando tempo, espaço, cultura, política, economia, classe social, regionalidade e sociabilidade, dentre outros fatores capazes de produzir sentido, ao termo “moda”.    Abrangentemente, o mundo fashion destaca-se nos continentes e cada nacionalidade cria seus valores de acordo com as...

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    (Foto: Reprodução/ Twitter)

    Diário do isolamento social, o guru

    alceu é funcionário público, seu hobby e ler jung e tocar flauta doce. Por  Lelê Teles, enviado para o Portal Geledés frequenta uma chácara, nos arredores de brasília, propriedade de um coroa barbudo que se autodeclara guru. o sujeito manja de mantras, massagem ayurvédica e, apesar de solteiro, faz terapia para casais. por influência do tal guru, alceu já foi à índia. ir à índia, pra essa moçada que cultua gurus, é como ir ao vaticano para os católicos, à meca para os muçulmanos e à israel para os seguidores dos empresários de cristo. alceu é casado com alice, que é atriz e nutróloga e frequenta o retiro com o marido. por força de um decreto do governo do distrito federal, o casal foi obrigado a ficar sem ver o guru por pelo menos quinze dias. há sete dias alice não vai ao teatro e nem ao consultório e, pelo mesmo...

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    Arquivo Pessoal

    Mucama do Publix: sobre ser ausente nos atos e agoras de uma periferia urbana

    Tínhamos ruas iguais, as esquinas eram nossas e, todos os dias, os cheiros ministravam sobre micropausas. Éramos espectadores um do outro, mas uma TV dormia sempre acordada, enquanto a outra saía do prumo e acordava dormindo. Aquela igualdade toda, por assim dizer, era a vaga ideia que eu tinha do pedaço da realidade que me abordava aos finais de semana. Um sempre protagonizava o outro, para falar a verdade. Não existia essa coisa de figurante. Sabe como?  Por  Bernard Teixeira Coutinho, enviado para o Portal Geledés Arquivo Pessoal Tudo era motivo para sair de casa, principalmente quando a rádio comunitária anunciava as promoções do dia e as atrasadas. Todos os pais e mães mandavam seus filhos descansados aos bares e mercearias. Os filhos iam, com trinta reais no bolso e com uma lista de compras, mas só voltavam na hora do ronco do sol. Ninguém queria largar...

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    (Créditos da imagem: Jornal A Imprensa, 19/08/1913)

    Onde estão nossos médicos negros? A história de um filho e neto de escravizados que se tornou médico

    Quantos vezes você já se consultou com um médico negro? Uma visita as fotos de formatura nas paredes dos cursos de Medicina no Brasil é mais uma evidência do racismo estrutural, um dos legados da escravidão por aqui.  Por Alexandra Lima da Silva, enviado para o Portal Geledés  (Créditos da imagem: Jornal A Imprensa, 19/08/1913) Num país em que a maioria da população se autodeclara negra, é violento e doloroso constatar que o direito a uma formação para salvar vidas é também um privilégio, assim como o direito de viver.  Neste país de maioria negra, a existência de médicos negros acaba se tornando uma exceção, quando deveria ser a regra. Por isso, é importante dar visibilidade a experiência de médicos negros no Brasil, e compreender as estratégias de enfrentamento do racismo empreendidas por tais sujeitos.  Israel Antônio Soares Junior tinha acabado de se formar médico, quando, faleceu aos...

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    GETTY IMAGES

    O discurso punitivista do Sérgio Moro e o perigo da Pandemia COVID-19 nas prisões brasileiras

    Uma grave pandemia assola o mundo todo, colocando diversos governantes a pensar medidas que serão necessárias para diminuir o contágio. Mas infelizmente, essas medidas não alcançam mudanças estruturais na realidade. É o caso das prisões brasileiras. Em entrevista a Folha de São Paulo, o Ministro da Segurança e Justiça, Sérgio Moro disse que tem tomado medidas para possibilitar a segurança sanitária dos encarcerados. Em resumo, essas medidas incluem, vacinação para H1N1, distanciamento entre os internos e limpeza das penitenciárias. Mas vejamos, será que dentro de um estado punitivo de superlotação das prisões é possível distanciar os encarcerados? E outro ponto, será que apenas limpeza de um local insalubre, do qual, vivem no mesmo local, ratos, baratas e pessoas, resolveria? Por  Ícaro Jorge, enviado para o Portal Geledés GETTY IMAGES A disputa entre saúde e o crescimento econômico se torna centro das discussões sobre o direito de um...

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    Imagem: Lifetime/Divulgação

    Sobrevivi a R. Kelly e a violência contra mulheres negras

    Ser mulher negra é enfrentar a luta cotidiana, tentar sobreviver e seguir mais adiante.  A dor não vai passar, mas a mulher negra se levanta generosamente para lutar de forma que outras não experimentem o que ela viveu. − Jurema Werneck Por Ricardo Corrêa, enviado para o Portal Geledés  R. Kelly  (Imagem: Lifetime/Divulgação) Está disponível no catálogo da Netflix a série documental Sobrevivi a R. Kelly (2019) abordando histórias de mulheres negras que acusam o rapper afro-americano R. Kelly, atualmente preso¹, de crimes de abuso sexual e psicológico. A série é dividida em seis episódios, e confesso que durante a exibição fui acometido por vários sentimentos. No primeiro momento, decepção, já que na adolescência as músicas do artista embalaram muitos bailes de black music que eu freqüentava. Depois, revolta e indignação, ao refletir sobre as condições das mulheres negras que são vítimas de inúmeros casos de violências,...

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    Rosinei Coutinho/STF

    E se fizéssemos diferente?

    Podemos sair do desastre humanitário da pandemia mais ricos como cidadãos Por Luís Roberto Barroso, do O Globo Luís Roberto Barroso (Foto: Rosinei Coutinho/STF) Uma recessão mundial parece inevitável. E ela nos colherá após anos de recessão doméstica. Não virão tempos fáceis. Parece inevitável que todos ficaremos, ao menos temporariamente, mais pobres do ponto de vista material. Porém, na vida, tudo pode servir de aprendizado. Sou convencido de que podemos sair do desastre humanitário da pandemia da Covid-19 mais ricos como cidadãos e, talvez, também espiritualmente. Para isso, procuro alinhavar uma agenda pós-crise, mas que já pode ser colocada em prática desde logo. Toda escolha dessa natureza tem alguma dose de subjetividade, mas eis a minha lista de propostas: integridade, solidariedade, igualdade, competência, educação e ciência e tecnologia. A integridade é a premissa de tudo o mais. Ela precede a ideologia e as escolhas políticas. Ser...

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    Reflexões sobre a morte

    “filosofar é aprender a morrer” sócrates. Por Lelê Teles enviado para o Portal Geledés Lelê Teles (Arquivo Pessoal) tava aqui pensando: isolamento social, máscaras, álcool em gel, água e sabão. nunca foi tão fácil evitar a morte, não é mesmo? penso nisso observando meu vizinho a higienizar tudo à sua volta. enquanto besunta maçanetas e mobílias com doses exageradas de álcool em gel, ele fuma 20 cigarros por dia. é uma escolha, prefere morrer de enfisema que de coronga. veja essa outra imagem: um sujeito, voluntariamente isolado em casa, na ânsia de curar o tédio, tomou todas as cervejas que tinha na geladeira e depois saiu pra comprar mais, bêbado e cantando pneu. bateu com o carro num poste, na esquina de casa, e morreu na hora. tava usando uma linda máscara de flanela xadrez, bem ajustada e feita com todo cuidado pela vó zelosa. agora veja mais...

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    arquivo pessoal

    Por que a Covid-19 é tão letal entre os negros?

    Raça estrutura condições desiguais de enfrentar pandemia Por Thiago Amparo, da Folha de São Paulo Thiago Amparo (Arquivo Pessoal)   “Como nas pragas anteriores, todos que podiam se dar ao luxo de fugir de Londres o fizeram, mas as classes mais pobres nos subúrbios populosos de ambos os lados do rio Tâmisa foram deixadas para trás e foram elas que mais sofreram.” Não se trata de uma descrição da atual pandemia, mas, sim, do impacto das pestes europeias em Londres no século 17 por Scott e Duncan no livro “Biology of Plagues” (Biologia das pragas), de 2001. Seja a Inglaterra setecentista ou o Brasil de hoje, pandemias agravam desigualdades preexistentes. Fatores de risco, como diabetes e doenças cardíacas, atingem em maior intensidade os mais pobres, demonstram Luiza Pires, Laura Carvalho e Laura Xavier no relatório “Covid-19 e desigualdade”. Ali elas apontam que acesso aos sistemas de...

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    A pena vermelha – Um conto de cor

    Era uma manhã como muitas outras. Daquelas que começam cedo, com um beijo de “bom dia” da mãe, na ponta do nariz. O menino levantou da cama e foi direto para a cozinha, com a barriga roncando de fome. Sentou-se à mesa no seu lugar de sempre, esperando o leite quentinho com chocolate que sua mãe preparava todos os dias, antes de levá-lo a escola. Era uma manhã como outra qualquer. Mas não foi uma manhã qualquer. Por Caroline Balado Pereira, enviado para o Portal Geledés  Desenho feito pelo meu filho de Caroline Balado, o desenho a inspirou a escrever essa história (Arquivo Pessoal) Ela estava de pé, olhando o redemoinho de leite e chocolate que se formava enquanto ela girava a colher dentro da caneca e pensou, distraída: “porque é tão difícil mesclar esse chocolate com o leite? Demora tanto para ficar homogêneo! preciso mexer e...

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