quarta-feira, julho 8, 2020

    Questões de Gênero

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    Na quarentena refletindo sobre nossa invisibilidade feminina

    Recentemente ouvi de um amigo intelectual, a frase: “escrever na primeira pessoa não é para qualquer um”, isso referente a um texto que escrevi sobre a pandemia que nos afligiu em 2020. Essa fala foi um gatilho. Lembre-me da minha defesa do artigo de especialização em História Agrária da Amazônia Contemporânea, na conceituada Universidade Federal do Pará, no ano de 2018. Na ocasião eu falava sobre o machismo e sexismo que mulheres gestoras de escolas do campo sofriam, inclusive eu. A minha orientadora foi Anna Maria Linhares, não há laudas suficientes se eu começar a descrever o quanto ela é maravilhosa, uma mulher que enfrenta o patriarcado com muita força e nos influencia a observar, refletir e resistir a essa sociedade misógina que nos exclui, invisibilizada e elimina. Ela estava lá ao meu lado, com seus grandes brincos e imenso bom senso, me encorajando com seu olhar, enquanto, minhas pernas...

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    Reprodução/Instagram

    Feminine Hi-Fi entrevista em live Zakiya Carr, ex-diretora de Inclusão Social e Racial do governo Barack Obama

    O projeto paulistano Feminine Hi-Fi, voltado à representatividade da mulher na música, entrevista ao vivo na próxima segunda-feira, dia 8 de junho, a ativista americana Zakiya Carr Johnson. Fundadora da consultoria ODARA Solutions, voltada ao talento inexplorado de comunidades historicamente marginalizadas, jovens e mulheres nas Américas, e co-fundadora do Black Women Disrupt, plataforma de empreendedorismo, inovação e tecnologia voltada às mulheres negras, Zakiya foi diretora da unidade de Raça, Etnia e Inclusão Social do Departamento de Estado norte-americano durante o governo Barack Obama. Ela também atuou como Assessora Internacional e Juvenil no Geledés-Instituto da Mulher Negra de 1999 a 2002. O bate-papo com a especialista e estrategista, que tem extensa experiência em desenvolvimento internacional e políticas públicas, acontece em uma live no canal de Instagram da Feminine Hi-Fi, e será mediado por uma das fundadoras da Feminine, a cantora Laylah Arruda. A conversa inaugura a nova série de entrevistas ao...

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    As três fundadoras do movimento em protesto recente © Pixabay

    ‘Black Lives Matter’: As três mulheres negras por trás do movimento contra o racismo

    Foi chorando lágrimas de indignação por conta da absolvição de George Zimmerman, assassino do jovem negro Trayvon Martin, morto a tiros aos 17 anos, em 2013, que a escritora, professora e ativista Alicia Garza escreveu uma postagem nas redes sociais da qual nasceria um dos mais importantes movimentos sociais e políticos no combate ao racismo da atualidade. “Pessoas negras. Eu amo vocês. Eu nos amo. Nossas vidas importam. Vidas negras importam”, dizia. A artista e ativista Patrisse Khan-Cullors compartilhou a postagem, cunhando a hashtag #BlackLivesMatter; quando viu a hashtag, a escritora Opal Tometi procurou pelas duas mulheres negras e ativistas que começavam a dar voz à indignação de um povo: e nascia o movimento Black Lives Matter, que atualmente em todo o mundo grita em protesto pelo valor das vidas negras contra a violência e o racismo. Desde o brutal assassinato de George Floyd por um policial nos EUA e...

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    Colagem by Domitila de Paulo

    Carta à Carolina Maria de Jesus

    No ano de 2020 a obra "Quarto de Despejo", da intelectual e escritora negra Carolina Maria de Jesus completa 60 anos, o livro auto biográfico é um chamado ancestral que ecoa a partir de uma voz feminina e negra que têm muito a dizer sobre o nosso presente. Parar e se permitir ouvir essa voz nos possibilita entender que o nosso mundo não seria tão catastrófico se abraçássemos a concepção de mundo dessas mulheres, que há muito tempo têm criado epistemologias, ciências e suas filosofias na tentativa de reconfigurar o nosso presente para estabelecer um afro-futuro. "Uma revolução chamada Carolina" é o tema da FLUP (Festa Literária das Periferias) desse ano, e eu junto a outras "Carolinas" fui selecionada pelo propósito de construir esse amanhã, e é com muita coragem e bravura que compartilho esse amanhã com vocês: Carta a Carolina Maria de Jesus Há muito tempo venho afirmando o compromisso íntimo e ancestral de encontrar você em mim, desde nossos...

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    Luana Barbosa (Reprodução Marcha das Mulheres)

    O tempo todo

    Desde 2016, que abril passou a ser um mês maldito para nós. Um mês triste que a gente se esforça para comemorar um aniversário de alguns sobrinhos, mas que infelizmente o que prevalece mesmo é a imensa dor da lembrança que foi dia 13 de abril, há quatro anos, que minha querida irmã caçula Luana, faleceu após ter sido covardemente espancada por policiais militares. A Luana não é só minha irmã, ela também é filha, é mãe, é tia, é madrinha... e eu digo é (com o verbo no presente) porque ainda que ela não esteja mais aqui, os laços continuam, ela ainda ocupa o mesmo lugar em nossos corações. E é por isso que dói tanto a falta dela. Eu sempre me lembro do sorriso lindo que ela tinha e do jeito manso como ela costumava falar e até caminhar. Às vezes eu ficava brava porque ela sempre andava...

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    Carta antiviolência racial - (Foto reprodução Phil Roeder via Flickr)

    Mais de 70 entidades LGBT assinam carta antiviolência racial

    Uma carta antiviolência racial veio à tona depois dos recentes assassinatos de negros americanos, incluindo George Floyd, um homem de 47 anos que foi morto após um policial branco chamado Derek Chauvin colocar o joelho no pescoço por oito minutos e 46 segundos. Tony McDade, um homem negro transgênero, também foi morto por policiais brancos na Flórida. Agora, acredita-se que seu assassinato seja a 12ª morte violenta de um transgênero do ano de 2020 nos Estados Unidos. Desde então, protestos e manifestações eclodiram em 140 cidades nos Estados Unidos – e no mundo – contra a brutalidade policial, o racismo e a supremacia branca, com mais de 4000 pessoas sendo presas (em 31 de maio de 2020). “‘Se você é neutro em situações de injustiça, escolheu o lado do opressor. ‘Essas palavras, escritas há mais de 30 anos pelo arcebispo Desmond Tutu, lembram-nos que a indiferença nunca pode superar a...

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    Viola Davis (Foto: Merrick Morton/20th Century Fox via AP)

    Viola Davis compartilha link de petição que pede justiça no caso do menino João Pedro

    Em meio aos protestos antirracistas que aconteceram no último fim de semana nos Estados Unidos, Viola Davis reforçou a importância do movimento “Black Lives Matter”, que tem por objetivo denunciar e cobrar justiça por mortes de pessoas negras. Além disso, neste domingo (31), a atriz compartilhou o link de uma petição que pede justiça para João Pedro, garoto brasileiro de quatorze anos morto durante uma operação da polícia. Vítima da ação truculenta de agentes, João Pedro brincava na sala de casa quando foi confundido com um suspeito e baleado. O corpo foi levado pela polícia em um helicóptero e a família só conseguiu saber o paradeiro do menino 17h depois, ao encontrá-lo em um necrotério. O caso aconteceu no Complexo do Salgueiro, em maio deste ano, ganhando proporção internacional. #BlackLivesMatter https://t.co/xGLuSDwkdj — Viola Davis (@violadavis) May 31, 2020 A petição tem o objetivo de recolher um milhão de assinaturas que...

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    Solenidade em comemoração da Semana da Enfermeira na Praça Cruz Vermelha, em 1960, no Rio de Janeiro. (Fonte: Agência Nacional, Arquivo Nacional)

    Mulheres negras romperam o paradigma da enfermeira padrão no início do século 20, revela pesquisa

    Embalado pelas invenções e novidades do final do século anterior, o século 20 trouxe ares de modernidade. Logo em suas primeiras décadas, transformações no cenário político, artístico, econômico e cultural, ampliadas pelo surgimento da comunicação de massa, alteraram o cenário mundial. Nesse período, o Brasil também passava por transformações, tanto na política e economia, como também no campo social, como a aceleração do processo de urbanização, alterações de hábitos e costumes e o término oficial da escravidão. Na primeira metade do século 20 também ocorreu o processo de institucionalização da enfermagem profissional, que de um lado, procurava se afirmar como profissão de elite, e de outro, se configurava em uma oportunidade de mobilidade social para mulheres negras e mestiças. Essa aparente contradição é uma das primeiras conclusões do pesquisador da Casa de Oswaldo Cruz (Fiocruz), Luiz Otávio Ferreira, em seu projeto Enfermagem e raça: biografia coletiva de mulheres negras e...

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    Marielle Franco (Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo)

    STJ decide não federalizar Caso Marielle Franco, que segue com MP do Rio

    Por unanimidade —oito votos a zero—, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) decidiu não federalizar o Caso Marielle Franco e manteve as investigações com a Polícia Civil e o MPRJ (Ministério Público do Rio). O assassinato da vereadora e de seu motorista, Anderson Gomes, seguirá nas mãos da Justiça do Rio de Janeiro. Relatora do caso, a ministra Laurita Vaz não viu "inércia ou inação" das autoridades do Rio de Janeiro no caso. "A gravidade do crime é inquestionável, mas o episódio chama a atenção e esmorece o pedido de federalização do caso. O contexto sugere que o trabalho investigatório das autoridades locais não está sendo obstado pela atuação desses grupos, nem está limitado para quem quer que seja", afirmou, em seu voto. Um colegiado formado por nove ministros participou da votação. O presidente da seção, Nefi Cordeiro, não tinha direito a voto. O ministro Félix Fischer esteve ausente da...

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    Nem senzalas, nem armarios: Reflexões sobre ser LGBTQI+ E NEGRE

    Dia 17 de maio foi mais um dia internacional da LGBTfobia. Neste dia, há 30 anos (1990), a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças. Um grande avanço para nossa comunidade, que viveu anos de patoligização social e medica. A data sempre é capaz de nos fazer refletir sobre nossos avanços e retrocessos nesse decorrer de lutas. Sou uma muher negra, bissexual e socialista e sempre uso a data para refletir sobre como é ser LGBTQI+ e negre dentro da esquerda e principalmente dentro da comunidade LGBTQi+. Um dos maiores historicamente desafios teóricos da esquerda e, em especial, dos marxistas, tem sido pensar a sexualidade, as práticas sexuais, as identidades, de maneira revolucionária e por meio do materialismo dialético, sem taxações de pós-modernidade. E um dos maiores desafios da comunidade LGBT é entender a dimensão do racismo como fator significativo nas vivencias sexuais e...

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    Cena da animação "Out", da Pixar Foto: Reprodução/Disney

    Novo curta da Pixar conta a história de um homem gay em busca de aceitação

    Entre os novos lançamentos do Disney + (plataforma de streaming da Disney que, infelizmente, ainda não está disponível no Brasil), uma das maiores surpresas foi o teaser de Out, um curta-metragem da Pixar com um protagonista gay. Dirigido pelo estreante Steven Clay Hunter, Out conta a história de Greg, um homem que recebe uma visita inesperada dos pais quando está prestes a se mudar com seu namorado, Manuel. O problema é que Greg nunca disse a seus pais que é gay. Quando sua mãe e seu pai aparecem - exatamente no dia da mudança -, Greg acaba por trocar de corpo com o seu cachorro e, ao fazer isso, aprende uma lição valiosa sobre como é possível viver com liberdade e ser quem se é. Out abre novos caminhos como o primeiro projeto da Pixar a apresentar um personagem LGBTQ em um papel central. Ele também possui uma equipe criativa...

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    BORDADO: COLETIVO/ FOTO: ISANELLE NASCIMENTO

    Este texto é sobre mulheres

    Quando pensei em escrever sobre a experiência de relacionamento que tive nos últimos meses com um homem, meu primeiro impulso foi de expor, denunciar e apontar culpados/as pelo vivido e experimentado. Culpar e denunciar a pessoa que eu julgava ser o personagem principal dessa minha história, culpar os espaços que julgo acolhedores, mas que de certa forma, abrigam a existência desse tipo de “criatura”, e elas são muitas entre nós. Culpar as mulheres que “se permitem” viver essa situação, como se essa decisão fosse uma opção simples… Enfim, queria achar culpados/as pela minha experiência ruim, pelos meus enganos, pelas minhas arranhaduras ainda não saradas. Guardei esse impulso inicial e consegui, com esse tempo a mais, revisitar essa experiência e como sempre faço, compreende-la a partir da minha percepção de mulher negra e como consequência das migalhas que nos oferecem neste “mercado afetivo” e que muitas vezes a gente agarra e...

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    Jaqueline Goes de Jesus, uma das cientistas brasileiras que integra a equipe que fez o sequenciamento do genoma do novo coronavírus (Foto: Reprodução Currículo Lattes)

    Conheça a cientista, negra e nordestina, que coordena a luta contra o Covid-19 no Brasil

    No Brasil, conhecemos o primeiro caso de Covid-19 confirmado no país e o nome de Jaqueline Goes de Jesus praticamente ao mesmo tempo. Isso porque a biomédica soteropolitana de 30 anos coordenou a equipe que sequenciou o genoma do vírus em 48 horas, tempo recorde em relação a outros países. A precisão e a agilidade foram essenciais para o estudo ganhar aplausos da comunidade científica – e além. Mas o fato de ter sido liderado por uma mulher negra e nordestina fez com que as luzes dos holofotes ficassem ainda mais fortes. Jaqueline foi manchete em vários jornais, destaque no Fantástico, viu seus seguidores no Instagram se multiplicarem e até ganhou cartum do Mauricio de Sousa, desenhada ao lado da professora Ester Sabino. As duas dividem a coordenação do projeto Cadde (Centro de Descoberta, Diagnóstico, Genômica e Epidemiologia de Arbovírus), uma parceria do Brasil com o Reino Unido, e que aqui foi desenvolvido no Instituto...

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    Luciana Temer, diretora presidente da ONG Liberta, que atua no combate à exploração sexual infantil. (Foto: Marcos Alves / Agência O Globo )

    Entrevista: O panorama da exploração sexual infantil no Brasil

    No Brasil, o 18 de maio é lembrado como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes — uma data para trazer visibilidade ao tema. De acordo com o Ministério da Saúde, entre 2011 e 2017, foram registrados 141.105 casos. Dentre as vítimas, 74,2% são meninas e 71,2% dos casos ocorrem dentro de casa. Em entrevista para a Conectas, Luciana Temer, diretora-presidente da ONG Liberta e professora na faculdade de direito da PUC-SP e da Uninove, explica os fatores sociais que contribuem para a continuidade desta prática e os mitos criados em torno do perfil dos agressores. Para a ex-delegada de defesa da mulher, que também teve passagens pela Secretária da Juventude, Esporte e Lazer do Estado de São Paulo (2001 a 2002) e pela Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social da capital paulista (2013 – 2016), a escola deve ter tem um...

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    CLASSEN RAFAEL / EYEEM VIA GETTY IMAGES

    Violência obstétrica: outra face da violência contra as mulheres

    As redes sociais possibilitaram que mulheres de lugares diferentes e níveis sociais distintos compartilhassem experiências de humilhação, maltrato e violência vivida no meio médico-hospitalar em uma etapa particular de suas vidas: o parto. Compartilharam experiências de desrespeito, de procedimentos realizados sem anestesia ou sem seu consentimento, de uso de técnicas agressivas, de falta de intimidades e confidencialidade, entre várias outras. Identificaram suas vivências como maltrato ou violência; contudo o que viveram não tinha um nome. Nos últimos anos, essa experiência começou a ser nomeada, especialmente por movimentos de mulheres na América Latina: violência obstétrica. Em geral, considera-se violência obstétrica aquela sofrida por mulheres durante a atenção ao parto nos centros de saúde. Essa violência é objeto de questionamentos. Ainda não há um consenso internacional acerca do termo para nomear certas condutas violentas na atenção ao parto, e se questiona se referidas condutas poderiam configurar um tipo de violência. Essas discussões...

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    Cena do filme Histórias Cruzadas

    Empregos domésticos: serviços “essenciais” ou necessidades “coloniais”?

    O prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho (PSDB), anunciou hoje, (07/05/2020), que as empregadas domésticas estariam dentro dos serviços essenciais no período de Lockdown – fechamento total de vias e comércios considerados não essenciais por 10 dias. A decisão do prefeito tem como base o decreto estadual assinado pelo governador do Pará, Hélder Barbalho (MDB). A informação causou revolta por parte das pessoas que lutam por dignidade e respeito às profissionais do serviço doméstico. A lei Federal (13.979), sancionada para o enfrentamento à pandemia no Brasil, não lista o serviço doméstico como essencial. Portanto, a decisão tomada em Belém por optar em expor às trabalhadoras domésticas sob os riscos de uma pandemia difere do entendimento nacional.  A branquitude, como fundante da escravidão e mantedora dos seus resquícios escravocratas, dialoga com a permanência da mentalidade e prática da maioria dos serviços considerados subalternos, a exemplo do trabalho doméstico. O prefeito de Belém,...

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    “Sigam as elefantas: mulheres em tempos de pandemia”

    Na selva africana, os caminhos para evitar caçadores e predadores, o conhecimento da memória coletiva, os alarmes e saudações da manada são liderados pela elefanta mais velha. É ela quem transmite aos animais sob seu comando a segurança para seguir adiante, quem dá o alerta para recuar, quem reconhece o perigo e decide o que fazer, para onde ir. Ela é a mais velha, a mais sábia, a liderança inconteste que abre os caminhos para que todos sigam em segurança. Ela nunca se esquece e nada teme. As mulheres gregas desenhavam os perfis de seus amados na parede a partir da sombra projetada enquanto dormiam para que não fossem esquecidos depois de morrerem na guerra. Beatriz Galindo, a Latina, dama de companhia de Isabel de Castilha, a rainha católica, para não perder a guarda dos filhos quando ficou viúva, se tornou freira e assim, na prática, foi a primeira mulher...

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    A médica Jurema Werneck, diretora da Anistia Internacional Brasil Imagem: Divulgação/Anistia Internacional Brasil

    Não há saída da pandemia sem olhar para todos, diz Jurema Werneck

    Nesta quinta-feira (14), a ONG de luta pelos direitos humanos Anistia Internacional Brasil lança a campanha Nossas Vidas Importam, cobrando das autoridades brasileiras medidas para garantir o acesso a proteção contra a Covid-19 a populações vulneráveis, como moradores de favelas e periferias, pessoas em situação de rua, idosos em asilos, indígenas, quilombolas, travestis e transexuais, população carcerária do sistema socioeducativo, além dos profissionais de saúde. À frente do escritório brasileiro da instituição nascida em 1961 na Inglaterra, a diretora-executiva Jurema Werneck traz o olhar de quem viveu na pele as injustiças sofridas por essas pessoas. Negra, nascida na favela, aos 14 anos ela viu sua mãe, Dulcineia, morrer de aneurisma cerebral, em um caso de negligência médica. "A experiência dela adoecer e morrer foi de desassistência", diz. "Quando estudei neurocirurgia, pude ver o quadro clínico dela: era exatamente o que estava no livro. Ou seja, todo mundo que era médico...

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    Laurin Rinder/Adobe

    O “não lugar da mulher negra”: do quartinho da empregada e “quase da família” a lugar nenhum

    Escrevo este texto no calor do momento após uma conversa com uma das minhas amigas pretas, muito querida. Falávamos da sua solidão e de uma vida de desenraizamento, após ela ter sido “dada” pela família no interior do Pará a uma senhora rica, branca do Estado de Goiás, aos 8 anos, com a promessa de estudar. E  como a maioria das meninas nessas condições, serviu a casa e a família por 13 anos. Passou a vida ouvindo da sua “benfeitora”: “essa é a menina que eu crio”  ou “é quase da família”, e até recebeu a permissão de chamar a tal senhora de “avό”, forma de reforçar a mentira. Quando ela percebeu que não era nada da família  e que sua situação era a mesma de muitas outras meninas negras que passara pela mesma casa  resolveu sair,  juntando assim suas coisas e caiu no mundo. Qual era o seu lugar?...

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    @DRE0316/Nappy

    Masculinidade do Homem Negro

    Sabemos que a masculinidade hegemônica é branca, e nossos homens negros tem que lidar a todo momento com o desafio da construção dessa masculinidade a ele imposta, e que esta não é a sua realidade, mas nossos homens negros são perseguidos de forma impositiva pela tal, por isso este não pode sentir emoções, afetos, servindo apenas para executar, e para além de tudo isso, essa masculinidade é marcada pelo racismo que se passa pela hiper sexualização, animalização, criminalização e desumanização entre diversas outra nuances extremamente destrutivas para o homem negro. Este homem negro por vezes sofre diversos traumas e violências em sua infância, e ainda passa por riscos de vida a todo momento, e se tiver a magnitude de chegar a uma vida adulta carregando todo esse peso de dores, medos e inseguranças conseguindo se tornar um homem negro graduado, ainda assim, será incompreendido e por sua vez chamado por...

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