quinta-feira, janeiro 26, 2023

Afro-Cubanos

O termo afro-cubano se refere a cubanos de ancestralidade sub-sahariana e a elementos históricos ou culturais de Cuba que emanam dessa comunidade. O termo pode se referir à mescla de elementos culturais africanos e de outros elementos, encontrados na sociedade cubana, tais como a religião, a música, a língua, as artes e a cultura de classes.[1]

Demografia

De acordo como recenseamento nacional de 2001, que entrevistou 11,2 milhões de cubanos, 1,1 milhão de cubanos se autodeclararam negros, enquanto 2,8 milhões se consideraram mulatos ou mestiços.[2] Assim, uma significativa proporção dos habitantes da ilha afirma possuir alguma ancestralidade africana. A questão se complica diante do fato de que boa parte das pessoas ainda localizam suas origens em grupos étnicos ou regiões africanas específicas, particularmente Yoruba, Igbo e Congo, mas também Arará, Carabalí, Mandingo, Fula, Makua e outros. No entanto e apesar do projeto igualitário da revolução cubana, a discriminação racial ainda existe em Cuba. Muitos afro-cubanos se queixam de que lhes são recusados empregos na lucrativa indústria do turismo, enquanto cubanos ganham de gorjeta, semanalmente, o que médicos e outros profissionais ganham em um mês.

O percentual de afro-cubanos na ilha aumentou em 1959, após a revolução cubana, liderada por Fidel Castro, devido a migração em massa da ilha por parte da grande classe profissional de cubanos brancos. [3] Uma pequena percentagem de afro-cubanos partiu de Cuba, sobretudo para os Estados Unidos, particularmente a Flórida, onde eles e seus filhos, nascidos nos Estados Unidos, são chamados de americanos cubanos e americanos hispânicos. Apenas alguns poucos foram para a República Dominicana e outros países de fala espanhola onde predominam populações afro-latinas. Alguns afro-cubanos foram para a Nigéria, lar da cultura yoruba e igbo. Angola também abriga comunidades de afro-cubanos, descendentes dos soldados afro-cubanos que foram levados ao país em 1975. Esta comunidade conta com cerca de 100 mil indivíduos. Descendentes de escravos afro-cubanos também foram levados para oo único país de fala espanhola da Áfrrica, a Guiné Equatorial.

O Instituto de Estudos Cubanos e Americanos-Cubanos da Universidade de Miami afirma que 68% desse contingente populacional é negro.[4] O estudo afirma que “uma avaliação objetiva da situação dos afro-cubanos continua sendo algo problemático, devido à precariedade dos registros e à escassez de estudos sistemáticos, pré e pós-revolução. Estimativas da percentagem de pessoas de ancestralidade africana na população cubana variam enormemente, indo de 33,9 por cento a 62 por cento; o percentual de mulatos é 51 por cento. [5][6]

Religião

A religião afro-cubana
A religião afro-cubana

A religião afro-cubana abrange três correntes principais: Santería, Palo Monte e Abakuá, envolvendo indivíduos de todas as origens. Grande parte da liturgia da Santería e Abakuá se realiza em línguas africanas (yoruba, igbo e ñañigo, respectivamente), enquanto Palo Monte emprega uma mesla de espanhol e kikongo. Santería e Palo Monte são grandemente sincretizados com o catolicismo, embora se considere geralmente que os elementos africanos sobrepujem os elementos católicos. A religião abakuá consiste em uma sociedade secreta, à qual somente são admitidos homens, semelhante à maçonaria européia. Ela aceitou membros brancos somente no final do século 19, mas não se sincretizou com o catolicismo e permanece próxima de suas origens, no sudeste da Nigéria.

Música

A música afro-cubana compreende duas categorias principais, a música religosa e a profana. A música religiosa inclui as cantigas, rítmos e instrumentos usados nos rituais das correntes religiosas acima mencionadas. O enfoque da música profana se dá sobretudo na rumba, guaguanco e comparsa (música de carnaval), bem com em vários outros estilos de menor difusão, tal como a tumba francesa. É um fato reconhecido, entretanto, que praticamente toda a música cubana foi influenciada pela música africana, particularmente no que se refere ao ritmo.

Língua

Outros elementos culturais considerados afro-cubanos podem ser encontrados na língua, incluindo a sintaxe, o vocabulário e o estilo de falar, além de estereótipos, geralmente mantidos, da cultura afro-cubana, tais como o comportamento masculino e feminino, a estrutura familiar ou hábitos gerais. O termo afro-cubano raramente é transportado para a esfera econômica, apesar do fato de que, a exemplo do que ocorre na maioria das Américas, os cubanos negros são geralmente mais pobres do que os brancos, o que se reflete numa situação de classe e de raça. A situação política, entretanto, proíbe a admissão pública da existência de classes sociais e de problemas raciais de qualquer tipo.

Consciência racial

Racismo em Cuba

De acordo com antropólogos enviados pela União Européia, o racismo é sistêmico e institucional.[7] Os negros são sistematicamente excluídos de empregos relacionados à indústria do turismo, onde poderiam ganhar gorjetas em moedas fortes. De acordo com o estudo da União Européia, os negros foram relegados a habitações precárias, queixaram-se das prolongadas esperas, em se tratando do atendimento à saúde, foram excluídos de posições gerenciais, receberam as remessas mais baixas de seus parentes no exterior e havia cinco vezes mais chances de serem presos.[7]

Enrique Patterson descreve a raça como uma “bomba social” e afirma que “se o governo cubano permitisse que os negros cubanos se organizassem e levassem seus problemas às [autoridades], o racismo seria eliminado”. “.[4] Esteban Morales Domínguez, professor da Universidade de Havana, declara: “A ausência de debates sobre o problema racial já ameaça… o projeto social da revolução.” Carlos Moore, que escreveu bastante sobre esta questão, diz que: “Há uma ameaça não declarada. Os negros, em Cuba, sabem que sempre que se levanta a questão da raça em Cuba, vai-se para a prisão. Assim, a luta em Cuba é diferente. Ali não se pode ter um movimento pelos direitos civis. Se isto acontecesse, 10.000 negros morreriam instantaneamente […] O governo se assusta, na medida em que, hoje, não compreende os negros cubanos . Existe uma geração de negros cubanos que encaram a política de outra maneira.”[4] A vitória de Barack Obama suscitou interrogações perturbadoras sobre o racismo institucional em Cuba.[7] A publicação The Economist notou: “O perigo começa pelo exemplo dele. Afinal de contas, um político jovem, negro, progressista, não tem chance de ocupar o mais elevado posto em Cuba, embora a maioria dos habitantes da ilha seja negra.[8]

Nos anos decorridos entre o triunfo da revolução e a vitória de Playa Girón, o governo cubano foi um dos mais proativos regimes do mundo na luta contra a discriminação. Ele obteve ganhos significativos no que se refere à igualdade racial, através de uma série de reformas igualitárias, no início da década de 1960. O primeiro discurso público de Fidel Castro contra o racismo, após sua chegada ao poder, ocorreu no dia 23 de março de 1959, em um comício de operários em Havana, menos de três meses após a derrota de Fulgencio Batista. Ele afirmou: “uma das mais justas batalhas que se deve empreender, uma batalha que deve ser enfatizada cada vez mais, que eu poderia denominar a quarta batalha – é a batalha para terminar com a discriminação racial nos centros de trabalho. Repito: a batalha para terminar com a discriminação racial nos centros de trabalho. Entre todas as formas de discriminação racial, a pior de todas é aquela que limita o acesso ao trabalho por parte dos cubanos de cor.” .”[9] Castro assinalou a distinção entre a segregação social e o emprego, dando grande ênfase em corrigir este último. Em resposta a uma grande dose de racismo existente no mercado de trabalho, Castro promulgou leis anti-discriminatórias. Tentou, além disso, eliminar as barreiras entre os cubanos mais brancos e ricos e os afro-cubanos, por meio de uma abrangente campanha de alfabetização, entre outras reformas igualitárias, no início e meados da década de 1960. [10] Dois anos após seu discurso de 1959, no comício dos trabalhadores em Havana, declarou encerrada a era do racismo e da discriminação. Em discurso pronunciado na Confederação dos Trabalhadores Cubanos, por ocasião das comemorações do dia 1o de maio, Castro declarou que “as leis justas da revolução terminaram com o desemprego, com o fato de haver aldeias sem escolas e hospitais, promulgou leis que puseram um ponto final na discriminação, bem como no controle exercido por monopólios, com a humilhação e o sofrimento do povo. [11]. Embora inspiradora, alguns consideraram prematuras essas alegações.”[12]

Pesquisa realizada em 2003 pelos acadêmicos Yesilernis Peña, Jim Sidanius e Mark Sawyer sugere que a discriminação social prevalece, apesar dos baixos níveis de discriminação econômica.[13] Após considerar resolvida essa questão, o governo cubano foi além da questão do racismo. Sua mensagem marcou uma mudança na percepção que a sociedade cubana tinha do racismo, o que foi impulsionado por uma mudança no enfoque do governo.” [14] O anúncio do governo possibilitava que o público cubano negasse a discriminação sem antes corrigir os estereótipos que permaneciam na mente daqueles que cresceram em uma Cuba racial e economicamente dividida. Muitos daqueles que afirmam que o racismo não existe em Cuba fundamentam suas alegações na idéia de uma Excepcionalidade Latino-Americana. De acordo com essa idéia, uma história social de casamentos interrraciais e mistura de raças é algo que somente se encontra na América Latina. As grandes populações mestiças resultantes de elevados níveis de uniões interraciais, comuns na América Latina, são frequentemente ligadas à democracia racial. Para muitos cubanos isto implica em um argumento de “harmonia racial”, frequentemente citado como democracia racial. No caso de Cuba, as idéias de uma Excepcionalidade Latino-Americana retardaram o progresso de uma verdadeira democracia racial. .[15] O paradoxo é que os assim denominados cubanos “brancos” são mesclados, na maior parte das vezes, com seus antepassados “mulatos”, quando eles próprios são “mulatos”.

Crioulos haitianos entre os afro-cubanos

Os crioulos e a cultura haitiana entraram em Cuba com a chegada dos imigrantes haitianos no início do século 19. O Haiti era colônia francesa e os anos finais da Revolução Haitiana, de 1791 a 1804, ocasionaram um movimento de fuga de colonos franceses, que foram para Cuba com seus escravos haitianos. Instalaram-se principalmente no leste, sobretudo em Guantanamo, onde, mais tarde, os franceses introduziram o cultivo da cana-de-açúcar, construíram refinarias de açúcar e desenvolveram plantações de café. Em 1804, cerca de 30.000 franceses viviam em Baracoa e Maisí, os municípios situados no extremo leste da província. Mais tarde os haitianos continuaram a vir para Cuba, a fim de ali trabalhar como braceros, isto é, trabalhadores braçais, cortando cana nos canaviais. Suas condições de vida e de trabalho não eram muito melhores do que a escravidão. Embora planejassem retornar ao Haiti, a maioria permaneceu em Cuba. Durante anos, muitos haitianos e seus descendentes em Cuba não se identificaram como tal ou falaram sua língua. Na parte leste da ilha, muitos haitianos sofreram discriminação, mas, de acordo com o regime de Castro, desde 1959, quando ele assumiu o poder, tal discriminação cessou.

Após o espanhol, o crioulo é a língua mais falada em Cuba. Graças a aproximadamente 300.000 haitianos que chegaram em décadas recentes, mais de 400.000 cubanos ou falam fluentemente o crioulo haitiano, o entendem mas o falam com dificuldade ou têm, pelo menos, certa familiaridade com o dialeto. É principalmente naquelas comunidades onde os haitianos e seus descendentes vivem que mais se fala o crioulo. Além das províncias do leste, existem comunidades nas províncias de Ciego de Ávila e Camagüey, onde a população ainda mantém o crioulo, sua língua materna. Cursos em crioulo são oferecidos em Guantanamo, Matanzas e em Havana. A rádio tem um programa em crioulo.

Lista de afro-cubanos famosos

• Wifredo Lam – Artista
• Celia Cruz – Cantora de salsa
• Christina Milian – Cantora
• B-Real, do grupo de rap Cypress Hill
• Joel Casamayor – Boxeador (WBC Campeão de pesos-leves do WBC)
• Rita Marley – Cantora (Esposa de Bob Marley)
• Ibrahim Ferrer – Cantor (Buena Vista Social Club)
• Afro-Cuban All Stars
• Mellow Man Ace – Rapper
• Gilbert Arenas – NBA
• Javier Sotomayor – Campeão mundial de salto em altura
• Sen Dog do grupo de rap Cypress Hill
• Tony Pérez – MLB (Hall of Fame)
• Gina Torres – Atriz
• Faizon Love – Ator
• Lola Falana
• Brayan Peña – MLB
• Rosario Dawson – Ator
• Renny Arozarena – Ator
• Sugar Ramos – Boxeador (ex-campeão peso-leve do WBA)
• Sergio Oliva – Halterofilista(O único que derrotou Arnold Schwarzenegger em um competição de Mr. Olympia)
• Cristóbal Torriente – Negro League Baseball Hall of Fame
• Tony Oliva – Três vezes campeão de beisebol
• Martín Dihigo – Negro League Baseball Hall of Fame
• Addys D’Mercedes –
• Alonso Brito – Cantor/Letrista
• Benny Moré – Cantor
• Yotuel Romero – Cantor
• Luis Moro – Ator/Cineasta
• Matt Cedeño – Ator/Modelo
• Georg Stanford Brown – Ator
• José Contreras – MLB
• Orlando Hernández – MLB
• Liván Hernández – MLB
• Alexei Ramirez – MLB
• Kid Chocolate – (Campeão mundial de pesos-leves)
• José Angel Napoles – (Campeão mundial de pesos-pesados)
• Theodore ‘Fats’ Navarro – Músico
• Soledad O’Brien – Jornalista de televisão
• Tommy McCook – Saxofonista

(Sequencia das imagens)
Omara Portuondo(2)
Celia Cruz (3)
Merceditas Valdez
Pérez Prado(2)
Ibrahim Ferrer
Compay Segundo
Benny Moré
Pablo Milanés(2)
Buena Vista Social Club
FILATELIA

Cuba portal

• Cabildo (Cuba)
• Afro-Latin American


Notas

1. ^ The American Heritage Dictionary of the English Language, Fourth Edition. Houghton Mifflin Company.
≈Random House Unabridged Dictionary, Random House, Inc. 2006.
2. ^ Cuba census 2001
3. ^ http://afrocubaweb.com/raceident.htm
4. ^ a b c d “A barrier for Cuba’s blacks – New attitudes on once-taboo race questions emerge with a fledgling black movement”. http://www.miamiherald.com/multimedia/news/afrolatin/part4/index.html.
5. ^ “World Directory of Minorities and Indigenous Peoples – Cuba : Afro-Cubans”. http://www.unhcr.org/refworld/docid/49749d342c.html.
6. ^ “World Directory of Minorities and Indigenous Peoples – Cuba : Overview”. http://www.unhcr.org/refworld/country,,,COUNTRYPROF,CUB,4562d94e2,4954ce3123,0.html.
7. ^ a b c d “‘Obama Effect’ Highlights Racism in Cuba”. New America Media. Dec 15, 2008. http://news.pacificnews.org/news/view_article.html?article_id=7b4ef8e52790034e043a37d170243f0f.
8. ^ “Fifty years of the Castro regime – Time for a (long overdue) change”. The Economist. Dec 30th 2008. http://www.economist.com/opinion/displaystory.cfm?story_id=12853934.
9. ^ Speech at Havana Labor Rally . Transcript available on http://www1.lanic.utexas.edu/project/castro/db/1959/19590323.html
10. ^ Perez, Louis A. Cuba: Between Reform and Revolution, New York, NY. 2006, p326
11. ^ Speech given by Fidel Castro on April 8 1961. Text provided by Havana FIEL Network
12. ^ Moore, C. 1995. Afro-Cubans and the Communist Revolution. Trenton, NJ: African World Press Evidence collected in 2003over proved.
13. ^ Pena, Y., Jim Sidanis and Mark Sawyer. 2003. Racial Democracy in the Americas:A Latin and US Comparison. University of California, Los Angeles
14. ^ Moore, C. 1995. Afro-Cubans and the Communist Revolution. Trenton, NJ: African World Press Evidence collected in 2003over proved.
15. ^ Mark Sawyer. Racial Politics in Post- Revolutionary Cuba
16. Duno-Gottberg, Luis, Solventando las diferencias: la ideología del mestizaje en Cuba. Madrid, Iberoamericana – Frankfurt am Main, Vervuert, 2003

Obtido de “http://en.wikipedia.org/wiki/Afro-Cuban”

 

Categories: Peoples of the African diaspora | Cuban society

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Tradução, pesquisa e seleção de textos: Carlos Eugênio Marcondes de Moura

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