Bordadeiras querem acabar com a figura do “atravessador”

Elas foram descobertas pelo estilista mineiro Ronaldo Fraga

Por Thaís Pimentel

Um grupo de 40 bordadeiras da cidade de Passira (CE), município com pouco mais de 28 mil habitantes, luta para aumentar a produção, variar as mercadorias e colocar em ação uma loja virtual. Elas tornaram-se famosas depois de participar de duas coleções do estilista mineiro Ronaldo Fraga. Mas para realizar o sonho de melhorar o negócio, elas contam com um projeto colaborativo que pretende levantar R$ 30 mil. Até agora, 246 pessoas já ajudaram.

“Já conseguimos 81% do valor necessário. A iniciativa termina no domingo, mas estamos confiantes”, conta a pesquisadora de artesanato brasileiro e idealizadora da proposta, Ana Julia Melo.

De acordo com ela, as artesãs, acostumadas a trabalhar na soleira das portas de suas casas, passaram a ter uma grande demanda pelos produtos depois dos desfiles “Turista Aprendiz” e “Athos Bulcão”, exibidos no São Paulo Fashion Week, em 2010 e 2011, respectivamente, de Ronaldo Fraga. O problema é que os produtos só chegavam até as mãos dos consumidores por atravessadores.

“Uma toalha de mesa, por exemplo, é vendida a R$ 100. Mas nós conseguimos apenas 10% desse valor. Nós trabalhamos demais e quereremos ver o nosso bordado reconhecido”, conta Maria Lúcia Firmino, primeira presidente da Associação das Mulheres Artesãs de Passira (Amap).

Intercâmbio. “O projeto colaborativo pretende fazer uma troca de conhecimentos. As bordadeiras viriam para São Paulo, a fim de aprender a desenhar e fazer roupas com nossos colaboradores. Depois, eles seguiriam para Pernambuco para aprender um pouco do ofício delas”, explica Ana Julia. “Nossa preocupação é preservar o trabalho. Como a gente gasta muita energia nas peças e o retorno é pequeno, as meninas novas não querem mais trabalhar com isso. Muitas estão em casas de família, por exemplo. As mais velhas estão indo embora e isso pode fazer com que o bordado desapareça”, teme Maria Lúcia.

Para o estilista Ronaldo Fraga, que ajudou a tornar o trabalho conhecido em todo o país, todo tipo de ação que proteja essa tradição é válido. “A minha intenção nunca foi transformá-las em ‘fazedeiras de roupas’. Mas independente disso, o mais importante é que o bordado seja valorizado como um bem a ser protegido e preservado”, disse o estilista.

Bom exemploEm Minas Gerais, são muitos os artesãos que conseguem vender seus produtos diretamente ao consumidor. Segundo o Sebrae, em Campo Alegre e em Coqueiro Campo, no Vale do Jequitinhonha, 90 mil mulheres exibem suas cerâmicas em um ponto de apoio.

Como ajudar

Para colaborar com o projeto das bordadeiras de Passira, é só acessar o site www.catarse.me/pt/bordadosdepassira

A contribuição mínima é R$ 10 e pode ser paga através de boleto bancário ou cartão de crédito

Quem se propuser a ajudar pode escolher, em troca, um dos produtos das bordadeiras

Fonte: Combate Racismo Ambiental

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