Cena de sexo gay em ‘Liberdade, liberdade’ é comemorada por classe artística

Não sobrou espaço para machismo e preconceito. Desta vez, foi cara a cara, suor no corpo e uma cumplicidade que só o amor verdadeiro proporciona: André (Caio Blat) e Tolentino (Ricardo Pereira) se renderam à paixão. A cena de “Liberdade, liberdade” exibida ontem entra para a história da teledramaturgia como a primeira a mostrar dois homens transando, numa longa sequencia com música clássica ao fundo. Sobraram elogios à direção feita com bom gosto e ao bumbum de Ricardo Pereira, é claro! E muita gente não se conteve de alegria. Afinal, mudanças levam tempo e a história desse amor retratado na novela das 11 começou muito antes de a trama estrear.

por Bruno Dias Barbosa e Thayná Rodrigues no Extra

— Em 1995, eu tive que andar com seguranças durante meses porque fui ameaçado de morte. Era uma juventude que estava fazendo um monte de besteira para dizer que era contra os gays — lembra André Gonçalves, que viveu o homossexual Sandrinho em “A próxima vítima”.

Na novela que buscava instigar o público a descobrir quem era o cruel assassino de tantas vítimas, André despertava atenção — e ira — por viver uma história de amor. O artista, hoje com 40 anos, sentiu na pele o que muitos homossexuais sentem no dia a dia.

— Ser homofóbico é ser da turma do mal. É dizer que não aceita o outro — diz André.

quadro gays na globo

Marcello Melo Junior tem acompanhado “Liberdade, liberdade’’ e sua curiosidade era grande para ver como a trama retrataria a cena de sexo entre André e Tolentino. No ano passado, em “Babilônia’’, o ator viveu Ivan, que era gay. No último capítulo do folhetim, o beijo que ele dava em Sérgio (Claudio Lins) foi cortado. Foi um retrocesso, já que, um ano antes, Félix (Mateus Solano) e Niko (Thiago Fragoso) apareceram se beijando em “Amor à vida’’.

— Talvez seja o momento de uma liberdade maior, de abordar o assunto sem briga. Nada mais glorioso do que tocar nesse assunto, num tema polêmico, dessa maneira natural — celebra Marcello.

Com mais coragem para ousar, “Verdades secretas’’, de 2015, trouxe Fernando Eiras sob os pés do corpo nu de Reynaldo Gianecchini. Eiras vê com bons olhos a maneira como o tema vem sendo retratado até aqui.

— Quanto ao entendimento da sociedade, isso é algo que, na última década, avançou. As opiniões, as diferenças, os preconceitos. Tudo está sendo revelado, assim como os ladrões em Brasília — compara Eiras, que enfatiza: — É um êxito essa novela! A questão do preconceito é muito mais vasta.

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