Deputada Erika Hilton é eleita presidente da Comissão da Mulher

11/03/26
Por Beatriz de Oliveira
Em seu discurso, a parlamentar frisou a necessidade de enfrentamento à onda de discursos de ódio e violência misógina contra mulheres e meninas

Nesta quarta-feira (11), Erika Hilton (PSOL) foi eleita presidente da Comissão da Mulher, na Câmara dos Deputados, se tornando a primeira mulher trans a ocupar esse posto. A deputada federal recebeu 11 votos na disputa em segundo turno, obtendo maioria simples. A 1ª vice-presidência será de Laura Carneiro (PSD-RJ). Atualmente, quem ocupa a presidência da comissão é a Célia Xakriabá (PSOL). 

“Eu espero que nós, com a pluralidade dos partidos que aqui compõem essa comissão, não nos preocupemos e não demos importância a condição de gênero da presidenta da Comissão da Mulher. Mas, que o que valha aqui de fato sejam as problemáticas que nós precisamos enfrentar no nosso país. Seja enfrentar o discurso de ódio, o crescimento da onda incel e red pill que dominam as redes sociais, mas não só, dominam a vida das pessoas”, disse a presidente eleita. 

Em seu discurso, Erika Hilton se referiu à oposição de deputados contra sua chapa, que na primeira tentativa de eleição, foi rejeitada. No primeiro turno, em que se exige maioria absoluta, a deputada recebeu 10 votos, ao passo que 12 deputados votaram em branco. Nota-se ainda que não houve criação de outra chapa para competir com a do PSOL, já que as presidências de comissões foram repartidas entre os partidos por meio de acordo no começo do ano. 

“Apesar de todos os movimentos desde quando este nome começou a ser ventilado para essa comissão, nós conseguimos extrapolar a barreira do ódio, a barreira do preconceito, a barreira da discriminação, a barreira da invisibilidade e da negação da própria identidade. E nós, ao sentarmos nessa cadeira, não faremos uma gestão sem se preocupar com a pluralidade da Câmara dos Deputados, com a importância da pauta das mulheres e com aquilo que é extremamente fundamental para fazer um enfrentamento à essa violência patriarcal misógina que tem acometido meninas e mulheres”, afirmou. 

Entre as competências da Comissão da Mulher, estão: avaliação e investigação de denúncias relativas à violação dos direitos da mulher; fiscalização e acompanhamento de programas governamentais relativos à proteção dos direitos da mulher; incentivo à programas de apoio às mulheres chefes de família monoparentais; monitoramento da saúde materno-infantil e neonatal; e incentivo e monitoramento de programas relativos à prevenção e ao combate à violência e à exploração sexual de crianças e de adolescentes.

Compartilhar